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Graças
às reflexões e textos do Concílio Ecumênico
Vaticano II (1962-1965), houve uma reviravolta
na maneira de se abordar a questão das vocações
na vida da Igreja. Até então, falar de vocações
era referir-se particularmente às vocações
sacerdotais. A partir do Vaticano II, os horizontes tornaram-se
mais amplos: passou-se a insistir, primeiramente, na vocação
de todos à santidade. Pelo batismo, Deus nos chama
– chama cada batizado – a ser santo. Num segundo
momento é que se vai pensar nas vocações
específicas – isto é, na vocação
dos cristãos leigos e leigas, na dos religiosos e religiosas,
e na vocação dos ministros ordenados (diáconos,
presbíteros e bispos).
Fiz essa introdução para deixar claro que não
ignoro a importância de todas as vocações.
A partir de minha vivência episcopal – vinte e
quatro anos como bispo, em três dioceses diferentes
– convenci-me profundamente de quanto é importante,
para nossas comunidades, a presença e a atuação
do sacerdote. Não há novidade nisso. O próprio
Vaticano II já havia afirmado que “os
presbíteros, quer se entreguem à oração
e à adoração, quer preguem a palavra
de Deus, quer ofereçam o sacrifício eucarístico
e administrem os demais sacramentos, quer exerçam outros
ministérios a favor dos homens, concorrem não
só para aumentar a glória de Deus, mas também
para fazer progredir os homens na vida divina”
(PO, 2).
A vida dos sacerdotes sempre foi exigente. E nem poderia ser
diferente, já que são chamados a continuar a
missão de Cristo, o Bom Pastor. Em nossos tempos, porém,
os desafios se multiplicam e exigem respostas sábias,
decisões imediatas e constantes posicionamentos sobre
os mais diversos temas. Portanto, quanto mais santo e sábio
for o presbítero, melhor ele servirá a Igreja.
Além disso, como a vocação sacerdotal
é um dom de Deus não só para aquele que
é seu primeiro destinatário, mas para a Igreja
inteira, um bem para sua vida e missão, toda a Igreja
é chamada a proteger esse dom, a estimá-lo e
a amá-lo. Dito isso com palavras do saudoso Papa João
Paulo II: “Todos os membros
da Igreja, sem exceção, têm a graça
e a responsabilidade do cuidado pelas vocações”
(PDV, 41). Essa responsabilidade sempre foi
cultivada na Igreja. Prova disso é, entre outras coisas,
o apelo constante para que todos rezem não só
pelo aumento das vocações sacerdotais, mas também
para a santificação daqueles que já são
padres. Sempre houve na Igreja grupos, comunidades e associações
com o propósito principal de rezar pelos sacerdotes.
É
nessa linha que se entende a sugestão que agora apresento:
adote um padre! Dentre os sacerdotes que você conhece
ou que atuam na Igreja, escolha um deles, e passe a rezar
diariamente por sua santificação. Ofereça
sacrifícios para que ele exerça bem seu ministério.
Se for o caso, ofereça por ele até sua vida.
De preferência, nunca lhe fale sobre isso, nem faça
comentários a esse respeito com outras pessoas. Os
detalhes dessa “adoção” sejam conhecidos
somente por você e pelo Bom Pastor. Guarde esse segredo
cuidadosamente em seu coração, mas seja fiel
a ele, dia por dia. Fazendo isso, você estará
respondendo a um apelo da Igreja, que constantemente nos recorda:
“Todo o Povo de Deus deve
incansavelmente rezar e trabalhar pelas vocações
sacerdotais” (PDV, 82).
Sua resposta ao apelo de adotar um padre determinado terá
uma particularidade: você não estará rezando
somente pelo clero em geral, mas por um padre com um nome
e um rosto, o que, certamente, motivará ainda mais
suas orações, jejuns e sacrifícios. E,
tenha certeza: com a santificação de seu “adotado”,
todo o clero se santificará. Deus, então, será
mais glorificado. E o Povo de Deus, mais e mais se enriquecerá.
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