“No
meu primeiro ano do ensino médio, após as
férias de verão, voltei para o seminário
em Venegono. Passei aquele primeiro mês, o mês
de outubro, muito melancólico. No fundo, era porque
tinha vindo embora de casa, mas, quando ficamos assim repletos
de melancolia, buscamos sempre, e encontramos, um pretexto,
um álibi para não acusarmos a nossa própria
fraqueza; e o álibi era que não me tinha chegado
o meu dicionário de grego, de Gemoll. Minha mãe
o havia despachado no começo de outubro, mas os dias
passavam e o Gemoll não chegava; e isso era ruim
também porque, nas provas, eu precisava pedir toda
vez o dicionário emprestado ao colega, para grande
aborrecimento meu e dele.
Na
última quarta-feira daquele mês de outubro,
padre Motta, o nosso padre espiritual, ao final de sua pequena
meditação matutina, disse-nos que a quarta-feira
da semana, pela piedade cristã, era reservada à
devoção a São José, o qual tinha
uma grande tarefa na Igreja: portanto, que nos dirigíssemos
confiantes a ele, em primeiro lugar porque era o protetor
da boa morte e, em segundo lugar, porque fazia milagres.
Naquele instante, às sete da manhã, eu disse:
‘Hoje vai chegar o Gemoll’. Lembro que durante
o café da manhã, e no recreio sucessivo, todos
os meus colegas me perguntavam: ‘Que aconteceu com
você?’, porque eu tinha mudado de cara, estava
diferente de como eles tinham me visto naquele mês,
tinha recuperado o meu bom humor e, toda vez que me perguntavam,
eu respondia: ‘Hoje vai chegar o Gemoll’.
Estávamos
em 1938 e naquela época o correio chegava onde quer
que fosse uma vez por dia. Meio-dia, no seminário,
era a hora da distribuição do correio: vinha
o vice-reitor ao grande refeitório (onde éramos
trezentos a almoçar) com um grande ‘pacotão’
e distribuía a todos as correspondências; era
um momento do dia muito esperado, mais ou menos como no
exército. Eu estava tranquilíssimo: ‘Hoje
chega o Gemoll’, mas o meu Gemoll não chegou.
Eu, porém, tinha certeza de que ia chegar. Algumas
raras vezes, naquela época, o correio chegava também
à tarde, e o vice-reitor, nesses casos, durante o
jantar repetia a mesma cena do almoço. Aquela noite
isso ocorreu, mas o meu Gemoll não apareceu. Eram
oito da noite. Após o jantar, tínhamos uma
hora de jogos, de recreio, depois, das nove e meia às
dez e meia, tínhamos uma hora de estudo; às
dez e meia tocava a última campainha, rezávamos
as orações da noite e íamos dormir.
Estudávamos numa grande sala, éramos mais
ou menos oitenta, cada um na sua carteira. Às dez
e meia toca a campainha do fim do dia e, naquele instante,
entra uma pessoa do fundo da sala e aproxima-se do Prefeito
com um embrulho. Eu falei bem alto para os meus colegas:
‘É o meu Gemoll’. Era o meu Gemoll!
Evidentemente,
esse fato pode não ter dito nada para os outros;
para mim disse muitíssimo. Contei esse episódio
para insistir sobre a segunda acepção da palavra
‘milagre’: um realce dos acontecimentos que
chama a pessoa remetendo-a a Deus e, nisso, chama também
o próximo, quem está a seu lado.
A
grandeza de Deus sabe manifestar-se exatamente na familiaridade
que Ele vive com o homem, vive na vida do homem”.
A
ti, São José
A
ti, São José, recorremos em nossa tribulação,
e, depois de termos implorado o auxílio de tua santíssima
esposa, cheios de confiança, solicitamos também
a tua proteção. Por esse laço sagrado
de caridade, que te uniu à Virgem Imaculada, Mãe
de Deus, e pelo amor paternal que tiveste ao menino Jesus,
ardentemente te suplicamos que lances um olhar benigno para
a herança que Jesus Cristo conquistou com o seu sangue,
e nos socorras, em nossas necessidades, com o teu auxílio
e poder. Protege, ó guarda providente da divina família,
a raça eleita de Jesus Cristo. Afasta para longe
de nós, ó pai amantíssimo, a peste
do erro e do vício. Assiste-nos do alto do céu,
ó nosso fortíssimo sustentáculo, na
luta contra o poder das trevas, e assim como outrora salvaste
da morte a vida ameaçada do menino Jesus, assim também
defende agora a santa Igreja de Deus das ciladas dos inimigos
e contra toda a adversidade. Ampara cada um de nós
com a tua constante proteção, a fim de que,
a teu exemplo, possamos viver virtuosamente, e piedosamente
morrer e alcançar no céu a eterna bem-aventurança.
Amém.
Esta
oração foi inserida por Leão XIII ao
final da encíclica Quamquam pluries, de 15 de agosto
de 1889. A devoção a São José,
que fora declarado padroeiro da Igreja universal pelo beato
Pio IX em 8 de dezembro de 1870, foi particularmente promovida
por Leão XIII, que, eleito papa em 20 de fevereiro
de 1878, pôs o seu pontificado desde o início
“sob a fortíssima proteção de
São José, padroeiro celeste da Igreja”
(alocução aos cardeais de 28 de março
de 1878).