| 02
– LITURGIA DA PALAVRA
Leitura
– Discurso de Paulo VI em 19 de março de 1965.
O
que o Evangelho nos poderia oferecer de mais humilde, de mais
simples, mais silencioso e mais escolhido, para ser colocado
ao lado de Maria e de Jesus?
Na verdade, a figura de São José é delineada
nos traços da modéstia mais popular, mais comum
e – para usar a medida dos valores humanos – mais
insignificante, pois não encontramos neles nenhum aspecto
que possa fazer transparecer a real grandeza e a missão
extraordinária que a Providência lhe confiou.
Olhando no espelho do relato do Evangelho, São José
se apresenta nos traços mais evidentes da humildade
extrema: operário modesto, obscuro, pequeno e primitivo,
que não tem nada de especial; tanto que, no mesmo Evangelho,
a voz não se ouve uma única vez. Nenhuma palavra
dele é lembrada; o Evangelho fala só de suas
atitudes, do que ele fez, e tudo em silencioso escondimento
e em obediência perfeita.
Era o pai adotivo de Cristo, o esposo da Virgem Imaculada,
aquele que deu a Jesus Cristo o estado civil, a carteira de
identidade, e prestou-lhe a assistência mais devotada
e necessária.
Ao mesmo tempo, José foi, em cada momento e de maneira
exemplar, insuperável guarda, assistente e mestre.
Foi, por isso, nesta dedicação completa e silenciosa,
de uma grandeza sobre humana, que encanta.
Pousemos, portanto, nosso olhar sobre a sua humildade. Como
ela parece próxima e, diria mesmo, fraterna, de tantas
personagens frágeis, medíocres, insignificantes
e pecadoras!
Como é fácil entrar em contato confidencial
com um Santo que não amedronta, que não está
distante de nós, que com uma bondade que nos confunde
como que se coloca a nossos pés para dizer: Vejam o
papal que me foi designado. Pois bem, foi a este nível,
a esta submissão inexprimível que o Senhor do
céu e da terra se abaixou e quis honrar, tornando-a
objeto de sua escolha e pondo-a a todos os outros valores
humanos.
Jesus escolheu José. Perguntamo-nos porque Cristo tinha
liberdade de escolher e, mais ainda, podia criar para si um
pedestal de grandeza, poder e esplendor para dominar o mundo
e assim pregar e salvar o mundo, quis, ao contrário,
como exemplo e modelo que lhe fosse agradável um Santo
tão pequeno e tão humilde?
Parece-nos que isso aconteceu por dois motivos. O primeiro,
que é documentado por muitas citações
da Bíblia, poderia referir-se, por assim dizer, a um
certo ciúme de Deus. O Senhor aceitou a colaboração
humana. Veio salvar mediante um sistema composto de duas atividades:
a sua e a nossa. Estabeleceu, pois, que o seu poder infinito
e a sua grandeza transcendente não ficassem diminuídos,
ou quase confundidos, no contato com a atividade humana. Quis
trabalhar sozinho, porém aceitando a nossa colaboração.
O segundo motivo parece ligar-se ao um ato de condescendência
amorosa, de boa vontade para com todo o gênero humano.
Visto que Deus desce do céu e se torna homem, antes
mesmo de sermos atraídos a Ele, como que experimentamos
um sentimento de fuga, uma necessidade de nos retrairmos:
“Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador”.
O Senhor, porém, para vir dialogar conosco e ser verdadeiramente
nosso irmão, para não nos assustar, mas para
nos chamar, para nos transmitir confiança, se fez imensamente
pequeno. O Senhor desceu ao nível mais baixo da escala
sócia. Como se alegram os humildes, os pobres e os
marginalizados. E como exultam em ser apresentados a Cristo
por um guarda, um advogado como São José.
Ele mesmo, com sua humildade, atesta o grito do Evangelho
que resume a ternura amorosa de Cristo: “Venham a mim
todos vocês que estão cansados e cheios de sofrimento
e Eu os aliviarei”.
Palavra
da Igreja.
Graças
a Deus |
03
– EVANGELHO: Lucas 4,16-22
16
Jesus foi à cidade de Nazaré, onde se havia
criado. Conforme seu costume, no sábado entrou na sinagoga,
e levantou-se para fazer a leitura.
17
Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro,
Jesus encontrou a passagem onde está escrito:
18"O
Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele
me consagrou com a unção, para anunciar a Boa
Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação
aos presos e aos cegos a recuperação da vista;
para libertar os oprimidos,
19
e para proclamar um ano de graça do Senhor."
20
Em seguida Jesus fechou o livro, o entregou na mão
do ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga
tinham os olhos fixos nele.
21
Então Jesus começou a dizer-lhes: "Hoje
se cumpriu essa passagem da Escritura, que vocês acabam
de ouvir."
22
Todos aprovavam Jesus, admirados com as palavras cheias de
encanto que saíam da sua boca. E diziam: "Este
não é o filho de José?"
Palavra da Salvação
Graças a Deus
|