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– LITURGIA DA PALAVRA
Leitura
– Discurso de Paulo VI em 19 de março de 1969.
Somos
convidados a meditar sobre São José, o pai adotivo
e pai de Jesus. Por causa desta função, que
exerceu a favor de Cristo em sua infância e juventude,
foi declarado Patrono da Igreja, que continua a imagem e a
missão de Cristo no tempo e as reflete na história.
Ser pai virginal de Jesus exigia que colocasse prontamente
à disposição dos desígnios divinos
a sua liberdade, a sua legítima vocação
humana e sua felicidade conjugal, aceitando a condição,
a responsabilidade e o peso da família, e renunciando,
por um amor incomparável, ao amor natural e conjugal,
que constituí e alimenta a família, para oferecer,
assim, num sacrifício total, toda a sua existência
às exigências imponderáveis da misteriosa
vinda do Messias.
Por isso , São José é um homem “engajado”,
como se costuma dizer hoje, em favor de Maria, escolhida entre
todas as mulheres da terra e da história, e em favor
de Jesus, por causa de desobediência legal, não
natural, de seu filho. A ele coubera os fardos, as responsabilidades,
os riscos e as angústias da pequena e singular família.
A ele coube o serviço, o trabalho, no qual gostamos
de contempla-lo, e certamente, com todo o direito, agora sabemos
tudo, dize-lo feliz.
O Evangelho é isto. Nele, valores da vida humana adquirem
uma medida diferente daquela que estamos acostumados a apreciar:
aqui o que é pequeno se torna grande; o que é
desprezível se torna digno da condição
social de Filho de Deus que se faz Filho do homem; o que é
simples resultado de um cansativo e rudimentar trabalho artesanal
serve para treinar na obra humana o Criador do cosmo e do
mundo e para colocar o pão humilde na mesa daquele
que se definirá a si mesmo como o “Pão
da Vida”. Aqui o que se perde por amor a Cristo é
novamente achado e aquele que sacrifica em benefício
d’Ele a sua vida neste mundo a conserva para a vida
eterna.
São José é o personagem do Evangelho
que Jesus anunciará como programa para a redenção
dos homens, depois de deixar a pequena oficina de Nazaré
e de iniciar sua missão de profeta e mestre.
São José é modelo dos humildes que o
cristianismo eleva a grandes destinos. É a prova de
que, para sermos bons e autênticos seguidores de Cristo,
não precisamos fazer coisas extraordinárias,
mas apenas praticar virtudes comuns, humanas, simples, porém
verdadeiras e autênticas.
São José é, portanto, um exemplo para
nós. Procuremos imita-lo, e invoca-lo como protetor,
assim como a Igreja, nos últimos tempos, costuma fazer,
por si, em primeiro lugar através de uma reflexão
teológica sobre a ligação da ação
divina com a humana na grande economia da Redenção.
A primeira, a ação divina, nunca falta e é
suficiente, mas a segunda, a ação humana, a
nossa, nunca fica dispensada de uma humilde, mas incondicional
e enobrecedora colaboração.
E depois, invoquemos São José em favor do mundo,
certos de que o coração humilde do trabalhador
de Nazaré possui, ainda hoje e sempre, uma especial
e preciosa simpatia e benevolência por todos os homens.
Palavra
da Igreja.
Graças
a Deus |