| 13
de Setembro
São
João Crisóstomo nasceu na cidade de Antioquia.
Cresceu no meio da multidão sem deixar-se contaminar
por ela. Conheceu os pobres e desafortunados e soube amá-los
como eram. Sua família era culta e possuía muitos
bens . O pai de João, oficial de alto nível,
morrera jovem.
Desde criança foi educado
pela mãe, mulher admirável que, aos vinte anos,
sacrificou sua juventude, renunciou a novas núpcias,
para dedicar-se inteiramente a seu filho. João recebeu
o Batismo mais ou menos aos dezoito anos de idade.
Concluídos seus estudos
de cultura geral, de retórica e de filosofia, de forma
brilhante, renunciou a uma carreira que se apresentava promissora,
para receber as ordens menores. Quis partir para o deserto,
mas sua mãe, que por ele sacrificara tudo, não
lho permitiu. Fugiu, então, da agitação
de Antioquia e estabeleceu-se fora das portas da cidade, a
fim de encontrar a paz, consagrando-se à ascese e ao
estudo bíblico.
Antioquia era um centro teológico
de grande reputação. João lá aprende
de forma brilhante a exegese bíblica. Depois passou
a viver nas montanhas entre monges uma vida austera a ponto
de prejudicar sua saúde. Após algum tempo nas
montanhas, achou-se preparado para enfrentar a ação
missionária. O amor aos outros, mais do que sua saúde
abalada, fê-lo voltar a Antioquia, onde o bispo Melécio
o ordenou diácono, em 381.
Escreveu aos 34 anos o tratado
sobre o Sacerdócio, que é conhecido e estudado
até os nossos dias. Com 39 anos foi ordenado padre.
Consagrou-se à pregação, substituindo
o bispo, nas homilias pois esse era pouco dotado para falar.
Durante doze anos, pregou
ao povo contra o paganismo e tinha esperança de transformá-lo
em gente de fé cristã. É dele a frase:
"Basta um só homem, para reformar todo um povo."
Sua tarefa era séria.
Precisava denunciar os abusos existentes no interior da Igreja
e na sociedade; defender os pobres, clamar contra as injustiças
sociais. Manteve ainda uma intensa atividade literária,
respondendo a todos os que lhe pediam conselho.
A maioria de suas homilias
era comentários a respeito do Antigo e o Novo Testamento
: explicou o Gênesis, comentou Isaías e os Salmos.
O que fazia com mais agrado era pregar sobre o Evangelho.
Comentou longamente o de Mateus e o de João. São
Paulo era seu autor preferido: sentia afinidade com o Apóstolo
dos gentios. Cognominaram-no de o "novo Paulo".
Resta-nos, de João
Crisóstomo, uma série de catequeses batismais,
que preparavam os catecúmenos para o batismo. As últimas
foram reencontradas em 1955, no monte Atos. João Crisóstomo
era um orador nato e igualmente um moralista que analisava
os segredos do coração em profundidade e com
rara psicologia. O povo de Antioquia sabia que João
só repreendia para corrigir e para converter.
Inúmeras vezes João
tomou a defesa dos pobres e dos infelizes, dos que morriam
de fome e sede. Com veemência, João-Boca-de-Ouro
ergueu sua voz contra os flagelos sociais, o luxo e a cobiça.
Lembrou a dignidade do homem, mesmo pobre, e os limites da
propriedade. Dizia: "Libertai o Cristo da fome, da necessidade,
das prisões, da nudez."
A fama de João ultrapassava
as fronteiras de Antioquia e chegava à nova capital
do império. Em 397, o bispo da capital, Nectário,
que sucedera a Gregório Nazianzeno, acabava de morrer.
Intimado a comparecer à Capital do Império,
foi eleito o Bispo de Constantinopla, a Sé do Oriente.
João começou uma grande reforma, desembaraçando
a casa episcopal do luxo, fazia suas refeições
sozinho e acabou com as recepções suntuosas.
Reformou as ordens de vida dos clérigos e dos monges,
organizou a Reforma Litúrgica com a preocupação
de levar Deus aos homens pela Divina Liturgia.
O texto da Divina Liturgia
(Santa Missa) que toda a Igreja Ortodoxa celebra em todo o
mundo, é conhecida como sendo de São João
Crisóstomo.
Empreendeu a evangelização
das zonas agrícolas e esforçou-se para trazer
à ortodoxia aos pagãos, que eram numerosos na
região. Combateu as seitas heréticas com intransigência
e rudeza.
Em 402, São João
Crisóstomo foi deposto e exilado acusado de não
coadunar os interesses da Igreja com as do Império.
O bispo foi detido em sua catedral, durante a celebração
pascal. Depois de uma palavra de despedida, João deixou
a sua igreja que jamais haveria de rever. O exílio
foi penoso. João foi enviado para uma aldeia, Cucusa,
na fronteira com a Armênia.
A saúde do bispo achava-se
enfraquecida. O clima era duro e desfavorável para
o seu estado. A maior parte de suas cartas data dessa época.
Este homem atingido em cheio pela provação procurou
mais consolar do que ser consolado.
No sofrimento, pensava nos
outros. Finalmente morreu, no dia 14 de setembro de 407, festa
da Exaltação da Santa Cruz. Suas últimas
palavras foram: "Glória a Deus por tudo."
Os contemporâneos descrevem-nos
João Crisóstomo como um homem de estatura baixa,
de rosto magro, de testa enrugada, de cabeça calva.
Tinha voz fraca. As austeridades comprometeram definitivamente
sua saúde. Não falava para ser escutado, falava
para instruir, exortar, reformar, preocupado com o combate
aos costumes pagãos e com a instauração
da moral do Evangelho. Era um reformador, um missionário.
Se não era um teólogo original, era um pastor
incomparável. Sua pregação desempenhou
na liturgia bizantina o mesmo papel que a de Agostinho no
Ocidente. Ele foi lido, copiado, traduzido, imitado. De todos
os Padres da Igreja, São João Crisóstomo
é aquele cuja pregação menos envelheceu.
Sua pregação moral e social parece escrita hoje.
A honra da Igreja consiste
em contar com homens, como João Crisóstomo,
que não pactuaram com o poder, com o dinheiro, e que
souberam tomar o partido dos pobres. Toda a fé deste
homem exprime-se em sua palavra. E esta palavra vive sempre.
Fonte:
Hamman.
Os Padres da Igreja. Ed Paulinas, 1985
Spaneut, Michel. Os Padres da Igreja. Ed Loyola. 1999
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