A
agulha passa por vários estágios de sofrimento
até aprender sua função: o forno
abrasador da metalúrgica, o frio intenso da água
em que é temperada, o peso esmagador da prensa
que a faz atingir sua forma ideal.
A
partir daí, precisa estar sempre dura, brilhante,
e afiada.
Depois
de toda esta aprendizagem, ela encontra sua razão
de viver: a linha.
E
faz o possível para ajudá-la: enfrenta os
tecidos mais resistentes, abre os buracos nos locais certos.
Mas,
quando termina seu trabalho, a misteriosa mão da
costureira torna a colocá-la em uma caixa escura;
depois de tanto esforço, sua recompensa é
a solidão.
Com
a linha, entretanto, a história é diferente:
a partir deste momento, passa a ir a todos os bailes e
festas.