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O PINCEL MÁGICO

Muitos anos atrás, viveu na China um jovem artista de nome So Liang. Era puro de coração e de simples aspirações. A sua pintura era tão prodigiosa, que ia além de qualquer desejo ou imaginação. O pincel de So Liang era mágico. Cada desenho dele, flor, fruto ou animal, pegava forma e vida quando enxugavam as últimas gotas de tinta.

So Liang gostava muito das suas pinturas e se divertia bastante com tudo isso. A fama dele, porém, começava a espalhar-se. De fato ele podia desenhar um pássaro e fazê-lo voar, podia fazer correr um rio onde antes só tinha terra seca.

Quando o Imperador soube do talento do jovem artista o mandou chamar para obrigá-lo a desenhar para ele. So Liang detestava o Imperador, porque maltratava os pobres. Depois de muitos pedidos e ameaças ele aceitou ir ao encontro do Imperador, também, para burlar-se um pouco do ganancioso senhor. Assim começou a desenhar o primeiro pedido do Imperador: o mar. Poucas pinceladas e o mar já estava lá com toda a sua imensidão.

– Faltam os peixes! – gritou o Imperador.

So Liang trabalhou um bocado, mas enfim o mar ficou cheio de peixes de todo tamanho e cor.

– Quero a praia – sentenciou o Soberano.

Assim foi desenhada e apareceu a branca areia da praia.

– Quero um barco para pescar – disse enfim o Imperador.

Dito feito, em poucos minutos ele já estava navegando em alto mar com todo e seu séquito.

Era isso que So Liang estava esperando: dar um susto no Imperador. Logo desenhou grandes ondas, muito vento e chuva. O mar ficou medonho. Ainda bem que a tinta acabou. Assim o barquinho do Imperador e dos seus ministros conseguiu chegar à praia.

Todos estavam molhados e muitos zangados com o pintor. Imediatamente ele foi expulso da corte. Feliz, So Liang voltou a viajar pelo mundo novamente dono da sua mágica.

Voltou a fazer o que gostava de verdade: pintar uma sopa para um faminto, uma casa para um mendigo, um bem-te-vi para um jardim triste. E a todos andava contando como um dia tinha assustado o Imperador.

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