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A Importãncia Do Tríduo Pascal

Pe. Luiz Miguel Duarte *

No primeiro século do cristianismo, o domingo era o dia em que se celebrava a ressurreição do Senhor. Pela metade do século II, os cristãos começaram a dar destaque maior a uma celebração anual: o domingo da Páscoa. Essa festa iniciava-se com um jejum rigoroso de um, dois ou mais dias. Depois, havia uma vigília que durava toda noite e precedia o Domingo da Ressurreição.

Nessa vigília, os fiéis passavam a noite toda com orações, súplicas e leitura dos profetas, do Evangelho e dosSalmos. Lendo trechos do Primeiro e Segundo Testamentos, comemoravam toda a obra salvífica de Deus, toda a história da salvação, desde a criação do mundo através da libertação do povo hebreu da escravidão do Egito. De madrugada, ao nascer do sol, interrompiam o jejum, liam o relato da ressurreição e celebravam a Eucaristia; comiam alegres e felizes na certeza da ressurreição.

A partir do século IV, por influência da comunidade de Jerusalém, passou-se a celebrar e contemplar cada momento da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Nasceu daí a Semana Santa. Desde então, a Igreja celebra o Mistério da Salvação, nas suas três fases (Paixão, Morte e Ressurreição) no decorrer de três dias (Quinta feira, Sexta-feira e Sábado), que constituem o ponto mais importante do Ano Litúrgico: o Tríduo Pascal. Muitos consideram que a celebração da Páscoa é somente o Domingo de Páscoa, mas Santo Agostinho lembra que a celebração verdadeira da Páscoa deve ser a celebração do Tríduo Pascal, celebrativo do Mistério Pascal de Cristo, que culmina no domingo, “Dia do Senhor”.

Trata-se, pois, de uma única celebração, em três momentos distintos, pois identifica-se de fato com a verdade histórica dos últimos momentos da vida do Redentor. Entregue na noite da Quinta feira Santa, o Divino Mestre ficou com seus inimigos, sem oferecer resistência, sem clamar por legiões angélicas (Cf. Mt 26,53) e totalmente disponível para o grande sacrifício da redenção. A verdade é que Cristo caminhou livremente para Jerusalém, depois da Ceia de Betânia (Cf. Jo 12,12), sabendo que já se aproximava a hora de dar glória ao Pai e de ser pelo Pai glorificado. (Cf. Jo 12,23) Portanto, inicia-se o Tríduo com a Celebração da Ceia do Senhor (cerimônia do lava-pés).

Nela fazemos memória da ceia de Jesus e do seu mandato para continuar celebrando em sua memória. A Igreja hoje repete essa ceia para perpetuar a Páscoa do Senhor. Celebramos como comunidade cristã, as três grandes dádivas que o Senhor deixou durante a última ceia, recordamos a instituição da Eucaristia e do sacerdócio católico, bem como o mandamento do amor com que Cristo nos amou até o fim (cf.Jo 13,1). No fim da celebração o altar é desnudado, e os ritos finais cedem lugar à procissão do Santíssimo, que será conduzido até uma Capela. A Sexta-feira é o grande dia de luto para a Igreja, marcado pelo pesar e pelo jejum. Não há Santa Missa, mas celebração da Paixão do Senhor, que consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração da Cruz e Sagrada Comunhão. Vivamos este dia em clima de silêncio e de extrema gratidão, contemplando a morte de Jesus na cruz por nosso amor. Para nós, cristãos, a cruz é sinal de vitória e não de derrota.

O Sábado Santo é dia de oração silenciosa e de profunda contemplação junto ao túmulo de Jesus. São horas de solidão e de saudade... É hora de sentirmos o amor que Jesus derrama a todos aqueles que O conhecem. Com a chegada da noite, celebramos a Vigília Pascal, Cristo vencedor da morte, faz-se presente em meio à comunidade e comunica-nos sua vida nova de ressuscitado e, assim, ressuscitamos com Ele: “Eis a Luz do mundo”.

O tesouro maior da liturgia encontra-se nas celebrações desta noite, que é composta por quatro partes: a Celebração da Luz, a Liturgia da Palavra, Liturgia Batismal e Liturgia Eucarística. Nesta vigília, a Palavra de Deus vai ressoar no coração de toda a Igreja, mostrando a todos os fiéis como Deus é fiel no cumprimento de suas promessas. Nesses dias, acompanhamos os passos de Cristo e sentimos de perto o que vai acontecer com o nosso Salvador. São momentos que devemos passar junto com Ele, que devemos nos mostrar solidários, procurando sentir o que Jesus sentia em seu coração ao se aproximar a Hora decisiva de glorificar o Pai.

Celebrando a História da Salvação, contemplamos as maravilhas que Deus Pai operou no seio da humanidade, através de seu Filho Jesus. Para os cristãos a celebração do Tríduo Pascal é o centro de toda a liturgia e da vida da Igreja, é quando celebramos Jesus flagelado, morto e Ressuscitado, Filho de Deus, que tornado Homem foi elevado ao ser crucificado, subiu ao trono e venceu a morte para proporcionar a todos nós a graça da salvação.

Não podemos apenas enterrar Cristo na sexta feira santa, pois o compromisso de Deus é com a vida e tudo que ela promove. Devemos sim, celebrar o tríduo pascal com muita fé e explodirmos de alegria no Domingo da Ressurreição. O mundo todo pode se alegrar: Cristo está vivo.

Participem e vivam intensamente este tempo, celebrando a vida nova que Jesus nos deu, vencendo a morte.

fonte: Roteiros Homiléticos Semana Santa Preparar e Celebrar - Pe. Luiz Miguel Duarte - www.saovicentemartir.com.br Adaptação: Equipe de Liturgia
 
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