| No
primeiro século do cristianismo, o domingo era o dia
em que se celebrava a ressurreição do Senhor.
Pela metade do século II, os cristãos começaram
a dar destaque maior a uma celebração anual:
o domingo da Páscoa. Essa festa iniciava-se com um
jejum rigoroso de um, dois ou mais dias. Depois, havia uma
vigília que durava toda noite e precedia o Domingo
da Ressurreição.
Nessa
vigília, os fiéis passavam a noite toda com
orações, súplicas e leitura dos profetas,
do Evangelho e dosSalmos. Lendo trechos do Primeiro e Segundo
Testamentos, comemoravam toda a obra salvífica de Deus,
toda a história da salvação, desde a
criação do mundo através da libertação
do povo hebreu da escravidão do Egito. De madrugada,
ao nascer do sol, interrompiam o jejum, liam o relato da ressurreição
e celebravam a Eucaristia; comiam alegres e felizes na certeza
da ressurreição.
A
partir do século IV, por influência da comunidade
de Jerusalém, passou-se a celebrar e contemplar cada
momento da paixão, morte e ressurreição
do Senhor. Nasceu daí a Semana Santa. Desde então,
a Igreja celebra o Mistério da Salvação,
nas suas três fases (Paixão, Morte e Ressurreição)
no decorrer de três dias (Quinta feira, Sexta-feira
e Sábado), que constituem o ponto mais importante do
Ano Litúrgico: o Tríduo Pascal. Muitos consideram
que a celebração da Páscoa é somente
o Domingo de Páscoa, mas Santo Agostinho lembra que
a celebração verdadeira da Páscoa deve
ser a celebração do Tríduo Pascal, celebrativo
do Mistério Pascal de Cristo, que culmina no domingo,
“Dia do Senhor”.
Trata-se,
pois, de uma única celebração, em três
momentos distintos, pois identifica-se de fato com a verdade
histórica dos últimos momentos da vida do Redentor.
Entregue na noite da Quinta feira Santa, o Divino Mestre ficou
com seus inimigos, sem oferecer resistência, sem clamar
por legiões angélicas (Cf. Mt 26,53) e totalmente
disponível para o grande sacrifício da redenção.
A verdade é que Cristo caminhou livremente para Jerusalém,
depois da Ceia de Betânia (Cf. Jo 12,12), sabendo que
já se aproximava a hora de dar glória ao Pai
e de ser pelo Pai glorificado. (Cf. Jo 12,23) Portanto, inicia-se
o Tríduo com a Celebração da Ceia do
Senhor (cerimônia do lava-pés).
Nela
fazemos memória da ceia de Jesus e do seu mandato para
continuar celebrando em sua memória. A Igreja hoje
repete essa ceia para perpetuar a Páscoa do Senhor.
Celebramos como comunidade cristã, as três grandes
dádivas que o Senhor deixou durante a última
ceia, recordamos a instituição da Eucaristia
e do sacerdócio católico, bem como o mandamento
do amor com que Cristo nos amou até o fim (cf.Jo 13,1).
No fim da celebração o altar é desnudado,
e os ritos finais cedem lugar à procissão do
Santíssimo, que será conduzido até uma
Capela. A Sexta-feira é o grande dia de luto para a
Igreja, marcado pelo pesar e pelo jejum. Não há
Santa Missa, mas celebração da Paixão
do Senhor, que consta de três partes: liturgia da Palavra,
adoração da Cruz e Sagrada Comunhão.
Vivamos este dia em clima de silêncio e de extrema gratidão,
contemplando a morte de Jesus na cruz por nosso amor. Para
nós, cristãos, a cruz é sinal de vitória
e não de derrota.
O
Sábado Santo é dia de oração silenciosa
e de profunda contemplação junto ao túmulo
de Jesus. São horas de solidão e de saudade...
É hora de sentirmos o amor que Jesus derrama a todos
aqueles que O conhecem. Com a chegada da noite, celebramos
a Vigília Pascal, Cristo vencedor da morte, faz-se
presente em meio à comunidade e comunica-nos sua vida
nova de ressuscitado e, assim, ressuscitamos com Ele: “Eis
a Luz do mundo”.
O
tesouro maior da liturgia encontra-se nas celebrações
desta noite, que é composta por quatro partes: a Celebração
da Luz, a Liturgia da Palavra, Liturgia Batismal e Liturgia
Eucarística. Nesta vigília, a Palavra de Deus
vai ressoar no coração de toda a Igreja, mostrando
a todos os fiéis como Deus é fiel no cumprimento
de suas promessas. Nesses dias, acompanhamos os passos de
Cristo e sentimos de perto o que vai acontecer com o nosso
Salvador. São momentos que devemos passar junto com
Ele, que devemos nos mostrar solidários, procurando
sentir o que Jesus sentia em seu coração ao
se aproximar a Hora decisiva de glorificar o Pai.
Celebrando
a História da Salvação, contemplamos
as maravilhas que Deus Pai operou no seio da humanidade, através
de seu Filho Jesus. Para os cristãos a celebração
do Tríduo Pascal é o centro de toda a liturgia
e da vida da Igreja, é quando celebramos Jesus flagelado,
morto e Ressuscitado, Filho de Deus, que tornado Homem foi
elevado ao ser crucificado, subiu ao trono e venceu a morte
para proporcionar a todos nós a graça da salvação.
Não
podemos apenas enterrar Cristo na sexta feira santa, pois
o compromisso de Deus é com a vida e tudo que ela promove.
Devemos sim, celebrar o tríduo pascal com muita fé
e explodirmos de alegria no Domingo da Ressurreição.
O mundo todo pode se alegrar: Cristo está vivo.
Participem
e vivam intensamente este tempo, celebrando a vida nova que
Jesus nos deu, vencendo a morte. |