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A FESTA DE CORPUS CHRISTI

Solenidade de Corpus Christi é a grande Festa pública que a Igreja dedica ao sacramento da Eucaristia. O dia de Corpus Christi é o dia em que saímos pelas ruas da cidade em procissão, professando o culto latrêutico devido ao Santíssimo Sacramento do Altar. A origem desta Festa está relacionada às revelações que Deus concedeu à Beata Juliana de Mont Cornillon, nas quais ela viu a lua, símbolo da Igreja, como um disco luminoso assinalado por uma mancha escura. Deus lhe revelou que aquela mancha indicava a ausência, no ciclo litúrgico, de uma Festa pública em honra do sacramento da Eucaristia, e lhe solicitou que se empenhasse na missão de cumprir Sua vontade.

Como sabemos, a Igreja dedica duas grandes Festas ao sacramento da Eucaristia: Quinta-Feira Santa, quando comemoramos a instituição deste sacramento, e a Solenidade de Corpus Christi, que é sempre comemorada na primeira quinta-feira após o Domingo da Santíssima Trindade. Alguém pode se questionar: “por que a Igreja não celebra a Festa do Corpo de Deus na Quinta-feira Maior, dia da instituição da Eucaristia?” Porque nesse dia, todo de luto, em que se inicia sua Paixão, não teria podido celebrar sua alegria de modo condizente. Impossível lhe é regozijar-se ao meditar na Morte, pensamento que domina os magnos dias da Semana Santa. A Festa do Corpo de Deus foi igualmente adiada para depois de Pentecostes, para que, cheios das graças e do júbilo do Espírito Santo, pudéssemos celebrar, com toda a pompa, a Festa do Esposo divino que habita entre nós. (São Pedro Julião Eymard. “A Divina Eucaristia”, volume 1). Impulsionados pelo Divino Espírito, sentimos um imenso prazer em testemunhar que “Ele está no meio de nós!” Impulsionados pelo Consolador de nossas almas, no dia de Corpus Christi, retiramos o Senhor Jesus do sacrário para apresentá-lo ao povo como o Messias prometido, o Salvador vivo e ressuscitado e o estimado Amigo que nos legou, por meio da Eucaristia, o Seu próprio Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Impulsionados pelo Doador de graças, louvamos e glorificamos a Deus por essa dádiva tão extraordinária, que é poder comungar, salmodiando: “Quem me protege e me ampara é meu Deus; é o Senhor quem sustenta a minha vida!” (Salmo 53,6)

Por ser uma Festa, é comum que tenhamos guardados no coração bons momentos que vivenciamos nas Solenidades de Corpus Christi. Cada um de nós pode abrir sua alma e compartilhar os segredos e revelar as inúmeras graças que alcançou em um dia de Corpus Christi. Ouçamos as recordações descritas pelo Papa Bento XVI: “Ainda sinto o aroma dos tapetes de flores e ramos de bétula frescos, os adornos nas janelas das casas, os cânticos, os estandartes; ainda ouço os instrumentos de sopro que se atreviam a mais do que eram capazes; e ouço o ruído dos fogos de artifício com que os rapazes exprimiam a sua barroca alegria de viver; mas ao mesmo tempo saudavam a presença de Cristo no povoado como se fosse uma autoridade vinda da cidade, como a autoridade suprema, como o Senhor do mundo” (Citado por Pablo Blanco em “Joseph Ratzinger, uma biografia”). Inúmeros sacerdotes, abrindo suas almas, podem testemunhar: Devo minha vocação à Festa de Corpus Christi. Inúmeros jovens, demonstrando sua alegria, podem expressar: foi participando da confecção do tapete de Corpus Christi, que eu aprendi que a Igreja é uma comunidade composta por irmãos que possuem dons e carismas distintos. Inúmeras graças e inúmeros encontros que marcaram em definitivo nossas almas, e tudo começou quando aceitamos o convite do Cristo Eucarístico para participar da Festa do Corpo de Deus. E nós, o que podemos testemunhar?

A Festa de Corpus Christi é constituída de dois grandes momentos: a celebração da Santa Missa e a Procissão Eucarística. Como preparativo para a procissão é ato tradicional se revestirem as ruas das cidades com os tapetes de Corpus Christi. Nos dois momentos dessa Festa, nós demonstramos uma imensa alegria; afinal, estamos vivenciando uma Festa de louvor e de ação de graças. Estamos professando que o nosso coração é Tabernáculo do Altíssimo e, graças aos frutos da Eucaristia, somos preservados do pecado, crescemos na caridade e nos assumimos como Igreja, membros do Corpo Místico de Cristo. Como filhos da Igreja, na Festa do Corpo de Deus, “nós levamos Cristo, presente na figura do pão, pelas estradas da nossa cidade. Nós confiamos estas estradas, estas casas, a nossa vida cotidiana à Sua bondade. Que as nossas estradas sejam de Jesus! Que as nossas casas sejam para Ele e com Ele! A nossa vida de todos os dias estejam penetradas da Sua presença!” (Papa Bento XVI, Homilia na Solenidade de Corpus Christi em 26 de maio de 2005).

A Festa de Corpus Christi é a nossa festa! É a Festa dos adoradores do Cristo Eucarístico! É a Festa máxima dos cristóforos! É a Festa dos amantes do Augusto Sacramento! É a Festa de todo aquele que aprendeu a conjugar o verbo eucaristizar! É a Festa de todo aquele que, por inspiração divina, entendeu que “quem vive com Jesus em si, de Jesus e por Jesus, é um tabernáculo, um precioso cibório”. (São Pedro Julião Eymard, Op. cit.). Nesta Festa, somos os convidados de honra do Altíssimo; então, subamos o tom e cantemos com o nosso coração: “Senhor, quando te vejo no sacramento da comunhão, sinto o céu se abrir e uma luz a me atingir, esfriando a minha cabeça e esquentando o meu coração. Senhor, graças e louvores sejam dados a todo momento. Quero te louvar na dor, na alegria e no sofrimento e, se em meio à tribulação, eu me esquecer de Ti, ilumina as minhas trevas com Tua luz”. (Música “O sacramento da comunhão” do Diácono Nelsinho Correia). Vivamos intensamente a Festa de Corpus Christi! Vivamos intensamente a alegria de poder participar do Corpo e Sangue de Cristo que se fazem presentes na Eucaristia!

Aloísio Parreiras
Historiador

 
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