
Hoje, Deus vem para nós, na Solene Liturgia do Natal,
para nos transformar de escravos em filhos, para mudar a
nossa noite em dia, para nos proteger dos perigos, para
iluminar nossa cegueira, para fortalecer a nossa fraqueza,
para nos conduzir à cidade que Ele mesmo construiu
para nós.
Deus disse SIM ao homem que lhe disse não. Ele que
o criou, o assumiu, não obstante a sua infidelidade.
Uma criança nasceu para nós, um Filho nos foi
dado. Para nós homens, ele se tornou Homem porque quis
ser para nós Justiça e Salvação.
Ele é o Primogênito que procura os seus irmãos.
Ele nos ama.
Portanto, “Gaudeamus omnes
in Domino, quia salvator noster natus est in mundo. Hodie
nobis de caelo pax Vera descendit”. “Alegremo-nos
todos no Senhor, porque nasceu para nós o Salvador.
Hoje, desceu do céu, para nós, a verdadeira
paz!”.
Mas o que significa esta vinda que esperamos todo o Advento
e que hoje se realiza? O que Maria e José viram naquela
noite? E o que viram os pastores? Um menino como os outros.
E, no entanto, era Deus. Que tipo de olhar consegue contemplar
ao mesmo tempo Deus e homem, unidos num pobre bebê?
Certamente, o olhar de um coração puro como
o de Maria, o de José, o dos pastores. E como deve
ser o nosso olhar hoje? Da mesma maneira que Maria, José
e os pastores viram Deus naquele pequenino bebê, nós
temos que ver a presença de Deus em todas as circunstâncias
da nossa vida. Temos que chegar a um ponto onde os eventos
do dia-a-dia não mais “encobrem” a presença
de Deus mas, ao contrário, se tornam transparência
de Deus. E isto é possível porque há
2000 anos atrás um bebezinho nasceu em Belém,
um bebezinho realizou definitivamente a união do homem
com Deus. Portanto, segundo a fórmula de Irineu e de
Atanásio, Deus se torna homem para que o homem possa
se tornar Deus. O acontecimento de Belém só
tem sentido quando se torna uma realidade para nós
aqui e agora.
A Festa do Natal do Senhor começa a ser celebrada no
Ocidente no Século IV, em lugar do Culto de Mitra “natalis
solis invicti” (25 de Dezembro).
Cristo, é agora, o Verdadeiro Sol, o Sol da Justiça
que, liturgicamente, se mistura ao testemunho do sangue(Santo
Estevão), ao testemunho do Amor (São
João Evangelista) e ao testemunho da Inocência
(os Mártires Inocentes). As três
celebrações litúrgicas dos dias 26, 27
e 28 de Dezembro, nos ajudam a compreender o sentido pleno
do Deus-Criança que se nos revelou no Presépio.
Ele veio para viver a nossa vida de modo pleno. Só
podemos viver também a sua de modo também completo.
Ele nos quer plenamente filhos. Possamos nos colocar diante
deste mistério imenso, grandioso, do Deus-Criança
que nasceu para nós, do Filho de Deus que se nos doou
de presente.
Nossa oração, hoje, só pode ser a de
nos situar diante deste Mistério tremendo e cheios
de gratidão e de alegria, pedir a graça para
testemunhar com o nosso sangue, como o fez Estevão;
com nosso amor, como fez João; com a nossa pureza de
coração, como os Santos Inocentes o fizeram,
este Dom Infinito de Deus por cada um de nós.
É
assim, que o Milagre do NATAL acontecerá “HOJE”
em nossas vidas! |