| As
primeiras comunidades, como testemunha o Apocalipse, tinham
uma oração muito curta que expressa bem o desejo
do seu coração: "Maranatha!
Vem, Senhor Jesus!" (Ap 22,20).
Infelizmente, depois, foi se perdendo e esvaziando este desejo
de espera.
Seríamos
muito pobres se reduzíssemos o Advento, simplesmente,
a um tempo de preparação para a festa do Natal.
O Advento é baseado na espera da vinda do Reino e a
nossa atitude básica é acender e renovar em
nós este desejo e este ânimo.
Num
tempo marcado pelo consumo, é preciso que afirmemos
profeticamente a esperança. No âmbito pessoal,
intensificando o desejo do coração e retomando
o sentido da vida. Mas as esperanças são também
coletivas: é o sonho do povo por justiça e paz
- “as espadas transformadas
em arado e as lanças em podadeiras”
(Is 2,4). E são também cósmicas:
“a criação
geme e sofre em dores de parto até agora e nós
também gememos em nosso íntimo esperando a libertação”
(Rm 8,18-23).
Cantar
como resposta das preces “Vem,
Senhor Jesus” pode ajudar a animar a
esperança de nossas comunidades. Igualmente, depois
da acolhida de quem preside, a comunidade poderia lembrar
fatos e acontecimentos (não ainda preces ou
intenções) que são para ela
sinais de esperança e da vinda de Deus entre nós.
Podem ser trazidos símbolos que evoquem tal luta ou
acontecimento. Algum refrão, como “eu
quero ver, eu quero ver acontecer”,
certamente contribuiria para renovar a esperança.
“O
melhor da festa é esperar por ela”,
diz um ditado popular. A espera e a preparação
de um acontecimento é, do ponto de vista humano, tão
importante quanto este evento.
Daí a necessidade de fazermos uma avaliação
do que significa e de como vivenciamos o tempo do Advento
em nossas comunidades. Seria oportuno se as equipes de liturgia,
ao prepararem as celebrações deste tempo, pudessem
se colocar a seguinte questão: que importância
damos ao tempo do Advento?
Vale
aqui também lembrar o que escreve o liturgista Frei
José Ariovaldo da Silva, na revista “Mundo
e Missão”, dezembro de 2004: “Atualmente,
muitas comunidades eclesiais, influenciadas pela onda consumista
por ocasião das festas natalinas e de final de ano,
estão assumindo o costume de enfeitar suas igrejas
já bem antes do Natal chegar. Em pleno tempo de Advento,
que é um ‘tempo de piedosa e alegre expectativa’,
já ornamentam suas igrejas com flores, pisca-piscas,
árvores de Natal e outros motivos natalinos, como se
já fosse Natal. Posso dar uma sugestão? Não
sejam tão apressados. Não entrem na onda dos
símbolos consumistas da nossa sociedade. Evitem enfeitar
a igreja com motivos natalinos durante o Advento. Deixem o
Advento ser Advento e o Natal ser Natal. Enfeites natalinos
dentro da igreja, só quando Natal chegar. Então,
a festa com certeza será melhor. Sobretudo se houver
na comunidade uma boa preparação espiritual”.
É
preciso tomar o cuidado de não abortar o Advento ou
de celebrá-lo superficialmente. Este cuidado nos levará
a não antecipar o Natal, seja fazendo celebrações
natalinas antes do previsto, seja usando ritos próprios
da festa. Se cantamos “Noite
Feliz” no dia 15 de dezembro, o que
iremos cantar na noite do dia 24 para 25? Mas, também
não podemos celebrar o Advento como se Cristo ainda
não tivesse nascido. A longa noite da espera terminou.
O mundo já foi redimido, embora a história da
salvação continue...
Perguntas
para reflexão pessoal e em grupos:
1.
Quais são as práticas religiosas mais comuns
no tempo do Advento?
2.
Como viver e celebrar o Advento em nossa comunidade eclesial?
3.
Qual a característica que marca a liturgia do tempo
do Advento? |