Ezequiel
é um profeta do exílio da Babilônia, que
aconteceu por causa da conduta errada do povo, sobretudo da
idolatria. O povo desonrou a Deus, substituindo-o por deuses
que têm ouvidos, mas não ouvem (Salmo
113,4-9).
O
profeta faz o anúncio da consolação para
os exilados: por pura gratuidade, Deus iria inverter a história
de Israel, com um espetáculo inaudito de sua santidade.
Assim, o desespero de Israel iria terminar, pois o povo voltaria
à sua pátria, seria purificado de suas culpas
e seu coração de pedra seria substituído
por um coração novo. Em virtude desta renovação
integral, também o comportamento ético de Israel
seria renovado, pois ele estaria apto a observar os mandamentos
do Senhor.
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Este
capítulo fala da emancipação do cristão
da morte, em que a passagem da morte para a vida acontece
com o Batismo.
A
vida do cristão não se fundamenta na realidade
do “você deve”,
mas do “você é”,
mediante o Batismo. Pelo Batismo o cristão fica unido
a Cristo. Com ele foi cossepultado. Assim, percorre como cristão
as etapas da morte à ressurreição. Cristo
é a causa eficiente e exemplar da nova realidade do
cristão. Deixa de ser homem velho e se torna homem
novo que vive a realidade da ressurreição, da
libertação do pecado (v.7)
e da Lei (cap. 7).
O
Batismo reproduz a salvação, porque é
um ato de Deus e só depois uma escolha e resposta do
homem. A obra de salvação de Deus passa por
Cristo, pois ele morreu e venceu o pecado.
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| Os
relatos dos evangelhos dizem que, enquanto Jesus esteve pregado
na cruz, o céu se escureceu e coisas extraordinárias
aconteceram, pois era o Filho de Deus que morria. “O
véu do Templo rasgou-se de alto a baixo, dando a entender
que a partir dali o culto da antiga Aliança estava
abolido”.
Já
era sexta-feira avançada, e os corpos não podiam
ficar ali no sábado. Deviam ser enterrados. Como era
o dia de preparação para a Páscoa (Parecesse),
“os judeus pediram a Pilatos
que lhes mandasse quebrar as pernas e os retirasse”.
Pilatos permitiu que alguns soldados quebrassem as pernas
dos ladrões a fim de que morressem mais rapidamente,
mas não quebraram as de Jesus porque já estava
morto. Mas “um dos soldados
abriu-lhe o lado com uma lança e imediatamente saiu
água e sangue”. Neste episódio
Santo Agostinho e a tradição vêem brotar
do lado aberto de Jesus os sacramentos e a própria
Igreja. “Ali se abria
a porta da vida e dali manaram os sacramentos da Igreja, sem
os quais não se entra na verdadeira vida”
(Santo Agostinho, Comentário do Evangelho
de São João). Assim, o começo
e o crescimento estão simbolizados no sangue e na água
que brotaram do lado aberto de Cristo. Esta ferida que transpassou
o coração dele é resultado da superabundância
do seu amor.
José
de Arimatéia, homem rico e influente no Sinédrio,
discípulo anônimo de Jesus, apresentou-se a Pilatos
e pediu o corpo de Jesus, Filho de Deus, num momento difícil
em que os discípulos, exceto João, haviam fugido.
José de Arimatéia levou consigo “umas
cem libras de mistura de mirra e aloés”.
Assim,
junto com Maria e as mulheres que o Evangelho menciona, sepultaram
Jesus no pouco tempo de que dispunham, pois a festa da Páscoa
começava no entardecer daquele dia. Perfumaram o corpo
do Senhor com os perfumes e o envolveram num lençol
e o depositaram num sepulcro escavado na rocha, que era do
próprio José de Arimatéia e não
havia sido usado por ninguém. Por fim, cobriram sua
cabeça com um sudário.
Não
sabemos onde os apóstolos estavam enquanto Jesus era
sepultado. Deviam andar perdidos, desorientados, confusos,
sem rumo fixo, cheios de tristeza. Mas já no domingo
estavam unidos (Lucas 24,9), talvez porque
no sábado ou mesmo na tarde de sexta-feira tivessem
procurado Maria. Ela os protegeu com sua fé, esperança
e amor, pois eles formavam a primeira célula da Igreja
nascente. Assim, a Igreja nasceu ao abrigo de Maria. |