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ANO C - São Lucas
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COMENTÁRIO AOS TEXTOS BÍBLICOS

Ano C
Tríduo Pascal
Vigília Pascal
03 de Abril de 2010
Primeira Leitura
Ezequiel 36,16-28
DERRAMAREI SOBRE VOCÊS ÁGUAS PURAS E LHES DAREI UM CORAÇÃO NOVO

Ezequiel é um profeta do exílio da Babilônia, que aconteceu por causa da conduta errada do povo, sobretudo da idolatria. O povo desonrou a Deus, substituindo-o por deuses que têm ouvidos, mas não ouvem (Salmo 113,4-9).

O profeta faz o anúncio da consolação para os exilados: por pura gratuidade, Deus iria inverter a história de Israel, com um espetáculo inaudito de sua santidade. Assim, o desespero de Israel iria terminar, pois o povo voltaria à sua pátria, seria purificado de suas culpas e seu coração de pedra seria substituído por um coração novo. Em virtude desta renovação integral, também o comportamento ético de Israel seria renovado, pois ele estaria apto a observar os mandamentos do Senhor.

Segunda Leitura
Romanos 6,3-11
SEPULTADOS COM CRISTO PELO BATISMO,
RESSUSCITEMOS COM ELE

Este capítulo fala da emancipação do cristão da morte, em que a passagem da morte para a vida acontece com o Batismo.

A vida do cristão não se fundamenta na realidade do “você deve”, mas do “você é”, mediante o Batismo. Pelo Batismo o cristão fica unido a Cristo. Com ele foi cossepultado. Assim, percorre como cristão as etapas da morte à ressurreição. Cristo é a causa eficiente e exemplar da nova realidade do cristão. Deixa de ser homem velho e se torna homem novo que vive a realidade da ressurreição, da libertação do pecado (v.7) e da Lei (cap. 7).

O Batismo reproduz a salvação, porque é um ato de Deus e só depois uma escolha e resposta do homem. A obra de salvação de Deus passa por Cristo, pois ele morreu e venceu o pecado.

Evangelho
Lucas 24,1-12
ANÚNCIO DA RESSURREIÇÃO

O sepulcro vazio é uma prova da ressurreição. Foram as palavras dos dois anjos. Dois, porque era garantia do testemunho (Êxodo 19,21).

REFLEXÃO

Os relatos dos evangelhos dizem que, enquanto Jesus esteve pregado na cruz, o céu se escureceu e coisas extraordinárias aconteceram, pois era o Filho de Deus que morria. “O véu do Templo rasgou-se de alto a baixo, dando a entender que a partir dali o culto da antiga Aliança estava abolido”.

Já era sexta-feira avançada, e os corpos não podiam ficar ali no sábado. Deviam ser enterrados. Como era o dia de preparação para a Páscoa (Parecesse), “os judeus pediram a Pilatos que lhes mandasse quebrar as pernas e os retirasse”. Pilatos permitiu que alguns soldados quebrassem as pernas dos ladrões a fim de que morressem mais rapidamente, mas não quebraram as de Jesus porque já estava morto. Mas “um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e imediatamente saiu água e sangue”. Neste episódio Santo Agostinho e a tradição vêem brotar do lado aberto de Jesus os sacramentos e a própria Igreja. “Ali se abria a porta da vida e dali manaram os sacramentos da Igreja, sem os quais não se entra na verdadeira vida” (Santo Agostinho, Comentário do Evangelho de São João). Assim, o começo e o crescimento estão simbolizados no sangue e na água que brotaram do lado aberto de Cristo. Esta ferida que transpassou o coração dele é resultado da superabundância do seu amor.

José de Arimatéia, homem rico e influente no Sinédrio, discípulo anônimo de Jesus, apresentou-se a Pilatos e pediu o corpo de Jesus, Filho de Deus, num momento difícil em que os discípulos, exceto João, haviam fugido. José de Arimatéia levou consigo “umas cem libras de mistura de mirra e aloés”.

Assim, junto com Maria e as mulheres que o Evangelho menciona, sepultaram Jesus no pouco tempo de que dispunham, pois a festa da Páscoa começava no entardecer daquele dia. Perfumaram o corpo do Senhor com os perfumes e o envolveram num lençol e o depositaram num sepulcro escavado na rocha, que era do próprio José de Arimatéia e não havia sido usado por ninguém. Por fim, cobriram sua cabeça com um sudário.

Não sabemos onde os apóstolos estavam enquanto Jesus era sepultado. Deviam andar perdidos, desorientados, confusos, sem rumo fixo, cheios de tristeza. Mas já no domingo estavam unidos (Lucas 24,9), talvez porque no sábado ou mesmo na tarde de sexta-feira tivessem procurado Maria. Ela os protegeu com sua fé, esperança e amor, pois eles formavam a primeira célula da Igreja nascente. Assim, a Igreja nasceu ao abrigo de Maria.

Pe. José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A Palavra, Ano C:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico C
"

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