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ANO C - São Lucas
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COMENTÁRIO AOS TEXTOS BÍBLICOS

Ano C
Quaresma

DOMINGO DE RAMOS
28 de Março de 2010

Procissão de Ramos - Lucas 19,28-40
 
Primeira Leitura
Isaías 50,4-7
TERCEIRO CÂNTICO DO SERVO:
SOFRIMENTO E CONFIANÇA

É um trecho do Dêutero-Isaías conhecido como terceiro Cântico do Servo de Javé. Uma composição amadurecida na amargura do exílio babilônico. Os israelitas aprenderam no sofrimento a esperar e confiar na salvação de Deus. Salvação que não viria das potências, mas através da humilhação.

De quem o profeta está falando? São várias as interpretações:

01) Interpretação Coletiva - Tratar-se-ia do povo de Israel;
02) Interpretação Individual - O Servo Sofredor seria uma pessoa anônima;
03) Interpretação Mista - O Servo Sofredor seria ora Israel como um todo, ora um grupo de pessoas, ora uma pessoa só, como por exemplo o próprio Isaías;
04) Interpretação Messiânica - Referir-se-ia a um Messias do futuro ideal. Para os autores do Novo Testamento, este Messias ideal encontrou sua realização em Jesus.

O versículo 4 mostra o Servo de Deus como consolador, que traz a confiança de Deus e dá a consolação para quem está desconsolado, desencorajado e abatido. Ele é consolo com seu ensinamento.

Os versículos 4-6 mostram que ele está em condições de consolar os outros com sua doutrina, porque é o primeiro a escutar a palavra de Deus. Deus mesmo lhe abre os ouvidos para que ele possa aprender como um aluno e transmitir o que ouve. Deus lhe dá proteção.

O servo, para não trair a mensagem recebida, dá as costas a quem o torturava (não oferece resistência, oferece a face aos que lhe arrancam o fio da barba). Ter a barba arrancada é sinal de grande humilhação. O servo não esconde o rosto às injurias e aos escarros. (O rosto manifesta os sentimentos e o desejo de alguém).

Portanto, este servo é discípulo de Deus. Foi enviado aos sem esperança e Deus está ao seu lado para que possa vencer as provações.

Segunda Leitura
Filipenses 2,6-11
A HUMILDADE E A GRANDEZA DE CRISTO

Este é um hino cristológico que afirma a preexistência de Cristo. Paulo faz neste hino uma das sínteses fortes de seus escritos. Mostra o projeto de Deus assumido em Cristo, no qual Jesus está em pé de igualdade com Deus. Aborda o tema da “tapenosis phosyre”. A humildade de Jesus é a medida para o relacionamento fraterno. Sendo ele de condição divina, não aspirou às prerrogativas divinas, mas se rebaixou esvaziando-se a si mesmo. Tornou-se homem e solidarizou-se com os homens inclusive na morte, e morte de cruz, a mais infame, com humilhação total. Por isso Deus o exaltou e todas as criaturas devem adorá-lo. Por isso ele é o Senhor de condição divina.

Neste hino o autor mostra o comportamento de Cristo, sua escolha para o cumprimento do seu dever. Mesmo sendo de natureza (morphé), que em grego eqüivale à forma, à condição, ao modo de existir, e apesar de sua condição divina, não foi tratado como Deus. Despojou-se (ekenosen), assumiu um modo de existir oposto, o do homem comum, sendo servo. É o Cristo histórico vivendo no meio de nós, que preferiu o estado de humilhação, de servo.

Junto com a "kenosis" vem a "tapenosis", ou seja, a sua humilhação. Sua obediência é voltada para o Pai, num sentido de abandono de si próprio, sem tentar defender-se de seus inimigos.

Sua humilhação, morte e cruz é o preço de sua ressurreição, que é o caminho para chegar à direita do Pai e tornar-se Senhor.

Evangelho
Lucas 23,1-47
PAIXÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

É o capítulo da Paixão do Senhor. Jesus é julgado e condenado pelos chefes de sua nação e tem sua execução confirmada pela autoridade imperial. O processo consiste em três acusações: ele provoca desordem, impede de pagar os impostos às autoridades e se proclama Messias.

A reconstrução desses acontecimentos em Lucas, mais que uma exatidão histórica, responde a uma preocupação apologética: justificar os romanos e acentuar a responsabilidade dos judeus. A primeira intenção é ter o salvo-conduto do Império e a segunda é levar Israel a uma reminiscência póstuma. Lucas é o único que relata a presença de Jesus diante de Herodes, assim como é o único que deixa o tetrarca falar em outras circunstâncias (Lucas 3,1; 9,9; 13,31). O silêncio de Jesus é teológico. É a atitude do servo que se humilha sem abrir a boca (Isaías 53,7).

Pilatos está preocupado apenas consigo mesmo, ou seja, com a reação das autoridades centrais e de seus súditos. Jesus era só um pretexto incômodo. Sua pessoa não tinha importância. Era uma ocasião para ser amigo dos judeus (v.24).

No caminho do Calvário, Jesus está sem forças. Cireneu, que o ajuda a carregar a cruz, é o modelo do discípulo que avança nos caminhos ensangüentados de Jesus.

As trevas que invadem a terra com a morte de Cristo lembram a escravidão dos céus, mas também a presença ameaçadora de Deus sobre as nações, como ocorreu sobre o faraó no Egito (Efésios 20,22). O Templo de Jerusalém torna-se uma coisa qualquer (Mateus 23,38). O véu que separava o mundo profano e o fazia sagrado rompeu-se. O povo judeu perdeu o seu prestígio. O novo povo é representado pelo centurião que bate no peito.

REFLEXÃO

A Paixão é o tema central deste período do ano. A vida e a missão de Jesus foram marcadas pelo sofrimento e pela atitude de obediência à vontade do Pai. Ele confundiu sua vida com a dos pobres, fracos, marginalizados e pecadores, para iniciar com eles uma nova comunidade de amigos, iguais e fraternos. A acusação dos judeus a Pilatos era de certo modo verdadeira (Lucas 23,5). De fato, seus ensinamentos e mensagens eram destinados a transformar a ordem constituída, para criar outra mais humana, no amor, na fraternidade, sem restrição de raças... Por isso o mataram. Ele morreu para recuperar o direito de todos.

Com o domingo de Ramos iniciamos os ritos da Semana Santa, com os quais a Igreja faz memória da paixão do Senhor. Mas o rito completo também celebra a entrada solene de Jesus em Jerusalém, entre a aclamação da multidão e a alegria das crianças, que agitam ramos de oliveira e estendem mantos à sua passagem. Portanto, a liturgia de um lado proclama sua entrada triunfal em Jerusalém, e de outro sua paixão e morte.

No domingo de Ramos dois elementos estão presentes: a exaltação do Senhor e a sua negação. A multidão que grita “Hosana” cinco dias mais tarde pede a sua crucificação. Este é o mistério do homem diante de Deus. De sua aceitação alegre passa à sua negação. Este farisaísmo está em cada um de nós, que passamos da exaltação religiosa a períodos que excluem Deus do horizonte da vida.

O texto de Isaías nos oferece a chave de leitura da Paixão do Senhor, através da figura misteriosa de um personagem enviado por Deus para dar a liberdade não com sua força e violência, mas doando-se em sinal de expiação. Flagelado, ele aceita serenamente o castigo, seguro de sua vitória final.

O Servo de Javé encontra sua concretização histórica em Jesus, que se humilhou e esvaziou de sua condição divina, assumindo nossa humanidade e identificando-se com o homem pecador, fazendo a experiência de uma existência alienada de Deus, imersa na miséria e destinada à morte. Mas Deus o exaltou e lhe restituiu a vida gloriosa, fazendo-o Senhor.

De Clodereu, avô de Carlos Magno, ao ler a Paixão de Cristo, chorou como uma criança e depois exclamou: “Se eu estivesse lá com meus soldados, aqueles esbirros teriam um final infeliz e eu mesmo teria impedido a morte de Cristo”. Esta é a expressão de um sentimento sincero de muitos de nós, mas a dinâmica da paixão não está ligada tanto a um simples acontecimento da Semana Santa, quanto à continuidade do pecado individual e coletivo.

Em Lucas encontramos o itinerário completo que Jesus percorreu. Ele não se encontra despreparado, nem surpreso diante dos sofrimentos, pois já os havia previsto e querido: “Desejei ardentemente comer esta Páscoa com vocês”. A ceia se torna sinal de sua auto-doação a nós: “Este é o meu corpo dado por vocês”. Assim, já na ceia Jesus havia se entregue nas mãos dos inimigos para ser sacrificado.

Todavia, Lucas não desdramatiza a Paixão de Jesus. Descreve a dor de sua alma e a angústia de seu coração de Homem-Deus. Jesus é descrito como profundamente humano e, em sua humanidade, inefavelmente divino. Tomado pela angústia da agonia, ele reza incessantemente e seu suor tornou-se como gotas de sangue.

Ao descrever a agonia de Jesus, Lucas pretende exprimir seu estado de sofrimento extremo. Todavia, neste clima Jesus vence o medo e o desespero, abandonando-se nas mãos do Pai: “Se queres afasta de mim este cálice”. O aspecto divino da paixão se manifesta em sua experiência dolorosa e angustiante.

Outro aspecto da paixão em Lucas é que ela se articula como uma narração envolvente. Na narração aparecem aqueles que o seguem. Um dos temas fundamentais em Lucas é a “sequela Christi”, a partilha da Cruz do Senhor. Por isso, o próprio itinerário para o Calvário se revela profundamente como um convite ao seguimento. Simão de Cirene e as mulheres que o acompanham não são espectadoras indiferentes. Simão carregou a cruz e carregar a cruz significa segui-lo. O povo o acompanhou em atitude de conversão (Lucas 23,27). O centurião romano ficou profundamente impressionado e no fim converteu-se. O bom ladrão o defendeu diante do companheiro de infortúnio que o injuriava: “Lembre-se de mim quando estiver no paraíso”.

Acompanhemos Jesus que, como rei humilde, vai ao encontro da morte pelas estradas de Jerusalém. Também nós, com nossos ramos verdes de esperança, o acompanhamos em sua paixão.

Lucas descreve o Senhor em sua paixão como o herói do amor, o verdadeiro mártir que se propõe a dar a sua própria vida, que luta até o fim no Getsêmani, que reza continuamente na agonia e perdoa pacientemente os algozes.

Jesus sofre e morre por todos nós, e nós às vezes continuamos a fazê-lo sofrer de diferentes modos: um pouco com o coração de Judas que trai, como Pedro que o nega, como Pilatos que o condena, como os chefes dos judeus que o injuriam, como os soldados que o crucificam. Precisamos ser como o Cireneu que carrega a cruz, como o bom ladrão que se arrepende, como José de Arimatéia que o acolhe.

Que frutos podemos oferecer nesta Semana Santa? Ser construtores da paz, pois é este o significado do ramo verde que levamos para casa. Participar bem dos mistérios pascais na Semana Santa. Se ainda não a fizemos, fazer uma boa confissão. Procurar ser bons cireneus, ajudar a carregar a cruz do outro no sofrimento, nas dores, na doença, na ignorância, na velhice, na marginalização etc.

Só João fala das palmas que serviram para saudar Jesus (João 12,13). Mateus fala de ramos cortados de árvores (Mateus 21,8), assim como Marcos (Marcos 11,8). Lucas não menciona este pormenor.

A palma é o sinal característico da vitória dos atletas e guerreiros da antigüidade greco-latina, mas se tornou símbolo do martírio na iconografia cristã. Nas catacumbas é adotada como símbolo da imortalidade, da ascensão espiritual. Para Lung, a palma é símbolo da alma, como referência à entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, que prefigura a ressurreição pascal, com a vitória sobre a morte e sobre o pecado.

Segundo os apócrifos, a cruz de Cristo era de oliveira. A oliveira significa força, purificação, cura. Atribui-se também a ela o significado do amor, da honra e da riqueza, já que Salomão havia construído a porta do “Sancta Sanctorum” com batentes de oliveira, cobrindo-a de ouro (1 Reis 6,39). Ângelo Salésio escreveu: “Se eu vejo junto à tua porta uma madeira de oliveira dourada, te chamarei Templo de Deus”.

O ingresso de Jesus em Jerusalém é, sobretudo, um ingresso messiânico. A tradição e a fé bíblica colocam nele o cumprimento da palavra e da promessa de Deus. Após seu ministério na Judéia e na Galileia, Jesus entra na cidade santa como Messias, com as prerrogativas que a tradição bíblica lhe atribui: “Filho de Deus”.

Na cerimônia litúrgica do domingo de Ramos revivemos dois mistérios: o da glória e o da dor.

Mistério de Glória - Para o seu ingresso em Jerusalém, por ocasião de sua última Páscoa, Jesus cuidou de todos os detalhes. Enviou os discípulos para buscar um burrico, recomendando o que deviam dizer ao patrão. À multidão que o acolheu ele transmitiu uma mensagem de paz. Sua cavalgadura não foi a do guerreiro, mas um paciente burrico.
Mistério de Dor - Esta semana é chamada Semana da Paixão. Entramos no drama da “Passio Christi”. Lucas relata que Jesus, ao descer do monte das Oliveiras em direção a Jerusalém, “chorou sobre ela”. É o sacrifício de Jesus. “Quem não sacrifica nada não ama, quem sacrifica pouco ama pouco, quem sacrifica tudo ama totalmente” (Monior).

As duas primeiras leituras apresentam em termos dramáticos a operação “kenosis” de Jesus: seu rebaixamento, as duas dimensões da divindade. Jesus se torna homem em termos radicais: “Despojou-se assumindo condições de servo”. O profeta Isaías o apresenta como um sub-homem, um verme, que não tem nada de homem, a tal ponto que as pessoas, ao passarem à sua frente, viram o rosto. “Aquele que não conheceu pecado tornou-se pecado”. É a antítese mais substancial que se possa imaginar a respeito da divindade.

Jesus não padeceu a morte de maneira passiva, mas a provocou ativamente. “Só a sua pregação explica a sua condenação, só a sua ação ilumina a sua paixão, só o conjunto da sua vida e de suas obras manifesta em que a cruz deste homem inigualável é diferente das inúmeras cruzes que estão presentes na história” (Hans Kung).

O sofrimento de Cristo não é apenas o de dois mil anos atrás. Continua hoje diante de nossos olhos nos pobres humilhados, nos marginalizados, drogados, doentes... O caminho do Calvário, que vai do pretório de Pilatos até o Gólgota, passa diante de nossas portas, onde muitas vezes somos espectadores.

O mistério pascal representa dois momentos complementares, não cronologicamente separáveis, de um procedimento pelo qual da morte nasce a vida, do sofrimento a alegria, do pecado a novidade da graça, da miséria do homem a vitória de Cristo. Cristo é o antítese desta nova ordem das coisas, da ressurreição universal iniciada na cruz com seu rebaixamento abissal, com sua pobreza radical, para nos indicar o renascimento.

A ressurreição não é só um novo episódio que vem depois da cruz. Ela brota da cruz, é fruto dela. Porque Cristo se empobreceu voluntariamente até a última indigência, que é a cruz” (Tillard).

Jesus, ao entrar em Jerusalém como rei messiânico, entra com humildade, em atitude de serviço. É o servo paciente da 1ª leitura de hoje que caminha para a paixão mediante sua auto-humilhação, como nos fala a 2ª leitura. É um caminho paradoxal, pois pelo fracasso ele chega à vitória.

Na entrada em Jerusalém, apenas um grupo de discípulos aclamou Jesus, “por todos os milagres que haviam visto” (v.38). Aclamaram-no como rei e Senhor (vv.34-38).

O relato da Paixão de Lucas, destinado aos não judeus vindos do paganismo, está relacionado com o ministério público de Jesus e com o tempo da Igreja, que era perseguida após a ressurreição. A paixão é vista não como um sadismo absurdo do Pai ou um masoquismo patológico de Jesus, pois nem o Pai nem Jesus queriam o sofrimento, que é uma realidade negativa. Ele ocorreu em virtude de uma finalidade superior, a vontade salvadora de Deus. Houve uma repugnância natural de Jesus diante de seus sofrimentos físicos, como a tortura, a flagelação, a coroação de espinhos, a caminhada até o Calvário e a crucifixão; e diante de seus sofrimentos psíquicos, como a traição de Judas, o preço de resgatar os escravos por sua pessoa, a negação de Pedro, a deserção dos discípulos, a ingratidão do povo, a inveja e o ódio dos chefes religiosos. O motivo de toda essa realidade que Cristo suportou em obediência ao Pai é a nossa salvação.

Jesus assumiu a cruz por fidelidade ao Pai e por amor aos homens. Mas o motivo é um só: “por nós e para a nossa salvação”.

Na verdade, a preparação do desenlace final de Jesus ocorreu em toda a sua vida, em seu ministério público na Galileia e na Judeia, onde mostrou sua mensagem de amor, de serviço e de pobreza, sua boa nova de salvação aos pobres, seus milagres como sinais do reino de Deus, sua denúncia profética contra religiosos ritualistas e contra o culto vazio do Templo, a proclamação de uma lei e religião fundada no Espírito e no amor, assim como toda a série de encontros e discussões com os escribas e os fariseus. Esta é uma síntese das causas ideológicas e históricas que provocaram sua morte.

A morte de Cristo não foi uma fatalidade nem um simples erro judicial. Ela não ocorreu por culpa dos protagonistas de seu processo, paixão e crucifixão. Foi resultado da culpa de todos os homens pecadores. Assim, o mistério da Cruz é a revelação do amor máximo de Deus por nós. Os sofrimentos foram o meio para expressar este amor de Deus em Jesus Cristo.

Este exemplo de Cristo também pede de nós uma atitude de amor. Amemos também nós a Deus, porque ele nos amou primeiro (1 João 4,19s).

Jesus foi o Servo, renunciou ao caminho fácil, suportou a ignomínia (Hebreus 12,2), assumiu nossa humanidade, vestiu-se de humildade, obediência, amor e renúncia. Preferiu nos salvar não com o triunfo e a glória que tinha junto de Deus. Solidarizou-se conosco. Isto exige do cristão os mesmos sentimentos.

O clima era propício para receber Jesus em Jerusalém, pois era costume na ocasião as pessoas saírem ao encontro dos grupos de peregrinos mais importantes para fazê-los entrar na cidade com cantos e aclamações. Jesus não manifesta nenhuma oposição aos preparativos de sua chegada em Jerusalém. Ele mesmo escolhe uma cavalgadura, um asno trazido de Betfagé. Na Palestina, o asno havia sido a cavalgadura de personagens importantes desde o tempo de Balaão (Números 22,21s). Assim, Jesus fez sua entrada em Jerusalém montado num burrico, como havia sido profetizado (Zacarias 9,9). Os cantos de aclamação eram messiânicos. No meio da alegria da aclamação, Jesus contemplou o panorama da cidade e chorou (Lucas 19,41), porque viu Jerusalém afundada em seu pecado e em sua cegueira. Jesus se compadeceu da cidade que o rejeitava. Cinco dias depois, aquele Hosana entusiástico se transformaria em um grito furioso: “Crucifica-o”.

Pe. José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A Palavra, Ano C:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico C
"

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