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COMENTÁRIO
AOS TEXTOS BÍBLICOS |
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Ano
A
SEMANA SANTA
Sábado Santo
23 de Abril de 2011
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A
liturgia desta noite contém quatro partes:
01)
Lucernário;
02) Liturgia
da Palavra;
03) Liturgia
Batismal;
04) Liturgia
Eucarística.
A
primeira parte contém:
“O
simbolismo do fogo” - O fogo era para
os antigos um dos quatro elementos do mundo. Considerado como
um princípio ativo, tem a capacidade de purificar,
basta lembrar o crisol onde os metais são purificados.
Em sentido translato, o fogo representa o amor e as paixões
que se aninham no coração do homem. Para a Bíblia,
é sinal e presença da ação de
Deus no mundo (1 Reis 19,12). É expressão
da santidade e transcendência divina. Na Bíblia,
as teofanias em forma de fogo marcam momentos de revelação
de Deus no Horeb (Êxodo 3,2ss), no
Sinai (Êxodo 19,18ss)... Na liturgia
pascal, ele representa a grande teofania de Deus, a nova criação
realizada com a ressurreição de Jesus.
“O
simbolismo da luz” - A luz é
condição indispensável para que haja
vida, é força fecundante. É oposição
ao simbolismo do mal. Na Bíblia, Deus é Luz
(Salmo 27,1; Isaías 9,1). Jesus se
definiu como a Luz do mundo (João 8,12; 9,5).
Quem nele crê se torna luz (Mateus 5,14)
e reflexo da luz de Cristo (2 Coríntios 4,6).
Entre todos os simbolismos que derivam da luz e do fogo, o
Círio Pascal é a expressão mais forte
de sua riqueza e seu significado.
A
segunda parte, liturgia da Palavra, apresenta uma abundância
de leituras que nos obriga a uma apresentação
sumária, deixando de lado a parte exegética
em proveito da mensagem.
Com
a vigília pascal chegamos ao ponto alto da Semana Santa
e de todo o ciclo litúrgico, pois o Crucificado por
nós ressuscitou para não mais morrer. Não
é por nada que os ritos da vigília, depois do
anúncio glorioso do Precônio com o simbolismo
da luz, nos preparam para o grande momento, em que mediante
a reflexão da Palavra de Deus somos colocados ao vivo
no sacramento do Batismo e da Eucaristia.
Páscoa
é uma palavra de origem obscura ligada aos ritos antiquíssimos
dos pastores nômades, que na primavera ofereciam às
divindades as primícias do seu rebanho em agradecimento.
Porém, no complexo desenvolvimento histórico-religioso
do povo hebraico, este termo recebeu uma nova interpretação,
como comemoração da saída do Egito (Ezequiel
12,14-43). Mediante a passagem do Anjo que protegeu
os hebreus marcados com o sangue do cordeiro tem início
um longo caminho de libertação que culminará
com o sacrifício de Cristo. |
Primeira
Leitura
Gênesis
1,1 – 2,2
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CRIAÇÃO
DO MUNDO -
PÁSCOA, NOVA CRIAÇÃO
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É
um trecho da tradição P, que reata a criação
e o sábado para o descanso. O quadro monumental que
abre a revelação bíblica representa
um afresco gigantesco da criação. Desde a
primeira página inicia-se a história da salvação,
em que são realçados Deus criador e o homem.
Deus
- Torna-se clara a idéia do monoteísmo, em
que Deus existe sempre e cria com a força da sua
palavra, sem dificuldade e obstáculo (Isaías
43,10), providenciando alimento para as suas criaturas.
Deus entra em relação com toda a criação,
sem, contudo, confundir-se com ela.
“Criado”
- O universo não surgiu por si nem por acaso. Tudo
dependeu da vontade criadora de Deus. No mundo do ser criado
ligam-se duas linhas: uma horizontal, que faz as criaturas
dependerem de Deus, e outra vertical, que dispõe
hierarquicamente os seres segundo uma ordem progressiva
e de valor: plantas > ervas >
animais das águas > do ar >
da terra > homem.
“Homem”
- É o vértice da criação, um
ser dependente devido à sua semelhança com
Deus. É “quase
um Deus” (Salmo 8,6),
embora a absoluta transcendência de Deus permaneça.
O repouso sabático representa o espaço de
relação alegre, festiva, entre o Criador e
a criatura. Deus, ao criar o homem e a mulher, ressaltou
os coeficientes constitutivos do ser humano: sociabilidade
(estar juntos), relação (um
viver juntos ordenado), imagem de Deus na comunhão.
Ao
homem é dada a responsabilidade pelos outros animais.
Ele tem o direito de senhorio. A criação é
portanto coroada por um co-criador. O mundo saído
das mãos de Deus não é uma grandeza
fechada e concluída, porque foi passado para as mãos
do homem, que foi chamado a continuar a obra da criação.
Todo
este capítulo respira um ar de otimismo, porque Deus
criador fez tudo bem e o confiou ao homem.
A
primeira manifestação do amor de Deus é
a criação do mundo. Segundo o estilo da fonte
P, estes versículos nos apresentam o ato gratuito
e primordial da bondade de Deus que cria a humanidade. O
homem é feito à sua imagem e semelhança.
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Segunda
Leitura
Gênesis
22,1-18
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SACRIFÍCIO
DE ISAAC,
SACRIFÍCIO DE CRISTO
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Este
capítulo faz parte da história de Abraão.
Pertence à fonte E com alguns elementos da fonte J.
O significado do relato é a condenação
dos sacrifícios humanos e a fé de Abraão.
Abraão é um homem de fé, pai de todos
os crentes. Ele abre a galeria dos personagens bíblicos.
Depois que Deus lhe pediu para deixar a sua terra, fez-lhe
um pedido mais exigente: o de deixar o seu modo de pensar
e ver as coisas. O que se torna mais difícil para ele
não é a incógnita do futuro, mas a nítida
contradição da vontade de Deus. Primeiro Deus
lhe prometeu uma descendência, depois lhe pediu o seu
filho em sacrifício. Como é possível
que Deus seja contraditório? Aí está
o drama de Abraão.
Mas a leitura não realça o
capricho de um Deus absurdo, e sim a disponibilidade de
um homem pronto a seguir a Deus mesmo numa estrada incompreensível
para a razão e a lógica humana. A narração,
cheia de tensão, é sustentada por três
imperativos. “Tome”,
“vá”
e “ofereça”
encontra a sua calma num outro imperativo. “Não
estenda a mão...”, premissa
da bênção final para todos os povos.
“Porque você obedeceu
a minha voz...”.
O texto é um hino à vida que
floresceu a partir de um ato de amor de Deus. Abraão
está disposto a sacrificar o próprio filho,
e, portanto, a si próprio presente no filho e todo
o seu futuro.
O grande amor de Deus o sustenta e empurra
para ir em frente, porque nada deve ser anteposto ao amor
de Deus. A disponibilidade total de Abraão preludia
a de Deus, que não poupará o seu próprio
filho. O filho de Abraão é, portanto, a figura
de Cristo que se ofereceu por todos. “Isaac,
que carrega a lenha para o próprio sacrifício,
é a figura de Cristo que carregou a cruz”
(Orígenes).
No crescimento do mal que se espalha –
Adão, Eva, Caim, Lamec, Babel... –, o sacrifício
de Abraão constitui a primeira pedra milenar no caminho
de recuperação do plano divino através
do seu filho. Abraão, que viveu toda a sua vida um
risco de fé porque confiou em Deus, torna-se para
nós o modelo do crente que, fundamentado no Cristo
crucificado e ressuscitado, vê a mão de Deus
que é amor, que nos ama, que é Pai e quer
a nossa salvação.
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Terceira
Leitura
Êxodo
14,15 – 15,1 |
A
PASSAGEM DO MAR MORTO, ISTO É,
DO PECADO À GRAÇA DA SALVAÇÃO |
Este
texto é a parte culminante da saída do povo
do Egito e mostra a ação de Deus para salvar
os israelitas. O Êxodo é o início histórico
e o símbolo da fidelidade de Deus e, por isso, é
o fundamento do credo israelita. Deus é para o povo
aquele que liberta da escravidão (Êxodo
20,2). O Êxodo é o evento paradigmático
da libertação realizada por Deus. Define o modo
constante como o homem deve assumir diante de Deus. Expressa
a misericórdia de Deus, respondendo à lamentação
do povo: “Observei a miséria
do meu povo no Egito...” (Êxodo
3,7-8).
O
episódio definitivo da libertação é
a passagem do mar Vermelho. Quando o sonho da liberdade parecia
naufragar no mar ameaçador, que impedia fugir do inimigo,
Deus manifestou a sua força e o seu amor concreto pelo
povo. Talvez pela primeira vez o povo de Israel tenha se sentido
amado, objeto da atenção pressurosa e desinteressada
de alguém. A mediação de Moisés
permitiu que esse amor se tornasse visível e compreensível.
O
canto de Moisés depois da passagem do mar Vermelho
celebrou a intervenção milagrosa de Deus, o
nascimento de uma relação nova com o povo que
reconheceu Javé como Salvador. O amor entre Deus e
o povo se concretizou, e quase se sacramentalizou em pacto.
É no monte Sinai que o povo conclui com Deus a Aliança
que consagrará a sua Aliança. Israel proclamará
Javé como o seu Deus, enquanto Deus se empenhará
em tratar Israel como o seu povo.
Este
trecho das tradições J e P é a primeira
grande manifestação de Deus ao seu povo e o
início do caminho de salvação, que terá
a sua plenitude em Cristo. A passagem do mar Vermelho se torna
na fé a via que constitui um povo que caminha para
a salvação, enquanto para os egípcios
se torna o túmulo de seus sonhos de domínio
e de glória. O Cristo ressuscitado se torna o símbolo
do verdadeiro êxodo do pecado para a graça através
da água purificada do Batismo que abre o caminho da
salvação para todo aquele que crê. |
Quarta
Leitura
Isaías
54,5-14 |
COM
AFEIÇÃO PROFUNDA NOVAMENTE EU O RECEBO |
O
texto apresenta a nova Jerusalém personificada numa
mulher que encontrou o esposo e que prova a alegria da maternidade.
A experiência do abandono da esposa é agora uma
lembrança distante. Israel havia provado a experiência
amarga do exílio porque havia renunciado a colocar
toda a sua confiança em Deus e por isso fora abandonado.
Agora prevalece o amor do esposo pela esposa jamais esquecida.
Este
é um dos textos mais expressivos do Antigo Testamento
sobre o amor de Deus pelos homens: “Com afeto
Eu tive piedade de você”. Agora Deus
se empenha pelo povo com um juramento irrevogável,
repetindo uma promessa feita por ocasião do dilúvio,
quando se dispôs a não mais destruir a terra.
Assim, agora se empenha em não entregar Israel aos
inimigos, como aconteceu por ocasião do exílio
da Babilônia. De agora em diante se institui a presença
de um novo princípio vital que Ezequiel explicitará
como o Espírito de Deus colocado no coração
dos homens (Ezequiel 36,26-27), cujo resultado
será a prosperidade (Shalom),
com todos os bens que possam ser desejados.
O
Dêutero-Isaías faz uma síntese da história
do povo eleito nas relações com Deus, uma história
cheia de fidelidade divina e infidelidade humana. É
o amor eterno de Javé com a sua paciência infinita
que sempre reconstrói a Aliança rompida para
salvá-lo.
Deus
é o esposo que segue com amor a esposa, Israel, apesar
de suas infidelidades. |
Quinta
Leitura
Isaías
55,1-11 |
TODOS
OS QUE TÊM SEDE VENHAM ÀS ÁGUAS |
Israel
é convocado por Deus para uma Aliança eterna,
reatando uma relação interrompida com o exílio.
O pão, o vinho e o leite que Javé oferece gratuitamente
para Israel são sinais de que este povo confia somente
nele. Tempos novos são anunciados, pois Deus quer fazer
da Aliança com Israel uma ponte para todo o mundo.
A relação com Javé é respeitosa
e livre. A iniciativa e a direção da história
pertence a Deus e o profeta exprime essa realidade com a imagem
da chuva e da neve.
Deus
sempre oferece a salvação, mas a disponibilidade
é requerida para aceitá-la. |
Sexta
Leitura
Baruc
3,9-15.32 – 4,4 |
VOCÊS
ABANDONARAM A FONTE DA SABEDORIA! |
A
Sabedoria de Deus é partilhada pelo homem com o dom
da lei e assim, possuindo a lei de Deus, ele pode regular
todo o ser criado (Baruc 3,34-35). A esta
sabedoria que vive com os homens e projeta a vontade de Deus
os cristãos deram o nome de Jesus Cristo (1
Coríntios 1,24). A sabedoria preside e governa
a criação concretizando o projeto divino, que
guia e sustenta a história de Israel segundo a vontade
de Deus. É a sabedoria que aparece no meio dos homens
para realizar de modo novo e definitivo a salvação
de Deus.
Deus
fez um apelo para a conversão do coração,
para tomar consciência da própria situação
pecaminosa e dos meios para chegar à vida. É
um convite a nós para que nos coloquemos a ouvir a
palavra para realizar a nossa conversão interior, pessoal
e comunitária. |
Sétima
Leitura
Ezequiel
36,16-28 |
DERRAMAREI
ÁGUAS PURAS SOBRE VOCÊS E LHES DAREI UM CORAÇÃO
NOVO |
Este
trecho nos introduz no Batismo cristão, que será
tratado na leitura seguinte. Ezequiel é o grande teólogo
da responsabilidade pessoal (cap. 18) e explicita
uma concepção mecânica e coletiva do pecado
e do castigo, sustentando que cada um é pessoalmente
responsável pelo próprio pecado: “O
Filho não desconta a iniqüidade do Pai”.
Por
isso, diante de pessoas que descobrem cada vez mais a autonomia
pessoal, o profeta afirma que o homem não é
simplesmente parte de um todo orgânico, mas cada um
é dependente em relação a Deus. Se alguém
é mau pode converter-se e, uma vez convertido, não
precisa mais pensar nas maldades do passado.
Para
ele, a salvação é uma questão
de honra de Javé. Quem tiver fé em Deus será
salvo. A salvação se realiza, sobretudo, no
íntimo do coração e é aí
que Ezequiel, continuando a linha traçada por Jeremias,
apresenta um aspecto original e revolucionário. A nova
Aliança se dará no centro da pessoa (coração)
e terá como propulsor o Espírito, e só
assim será possível viver o empenho: “Você
será o meu povo e eu serei o seu Deus”.
O
coração é para o hebreu a sede dos sentimentos.
Por isso, os cidadãos do novo povo não serão
mais idólatras, culpa capital de Israel, porque o seu
íntimo será transformado pelo Espírito
e assim haverá a lei do amor. O Espírito é
o grande responsável por essa transformação.
A palavra hebraica “Ruah”
especifica o Espírito de Javé (Ezequiel
37). Por isso, o Espírito de Javé traz
uma dupla novidade. A extraordinariedade desta força
vai estar no interior da pessoa e todos serão beneficiados
com tal dom e este Espírito será responsável
por um povo novo.
Javé
purifica tudo após o momento de punição.
Torna tudo novo com o dom vivificante da sua misericórdia.
A
conversão e a salvação não são
frutos da iniciativa humana ou um mérito do povo, mas
um dom divino. |
Oitava
Leitura
Romanos
6,3-11 |
SEPULTADOS
COM CRISTO PELO BATISMO, RESSUSCITEMOS COM ELE |
As
profecias do Antigo Testamento se realizaram em Cristo. A
justiça de Deus vem pela obra de Jesus Cristo e pela
fé Nele. Adão conduziu a humanidade à
perdição, enquanto Jesus Cristo a introduziu
na vida eterna. O cristão não é salvo
da ira de Deus, mas é imerso na plenitude da vida que
significa a vitória sobre o pecado, a participação
na vida divina.
Este
capítulo está ligado ao capítulo anterior,
onde o centro vitorioso da graça de Cristo que beneficia
a humanidade passa pela co-participação com
Ele mediante o Batismo. Paulo fundamenta a vida do cristão
no empenho moral não com um “você
deve”, mas com um “você
é”. O cristão não
pode ficar no domínio do pecado, porque faz a sua opção
de ficar do lado da graça e essa escolha se dá
com o Batismo. Assim, Paulo serve-se do Batismo para ilustrar
a sua doutrina da graça. O Batismo evidencia que o
cristão não está morto para o pecado
porque está inserido em Cristo. Com Ele o cristão
foi co-sepultado, isto é, percorreu com Cristo as etapas
da morte e ressurreição. Para Paulo, Cristo
é a causa eficiente e exemplar desta novidade (v.4).
Com o Batismo deixa-se de ser o homem velho (Colossenses
3,9). O homem novo toma o lugar do homem velho e
assim vive a novidade da ressurreição, da libertação
do pecado (v.7) e da Lei (Romanos
7).
A
ação operada pelo Batismo tem valor definitivo
(vv.8-11), pois o Batismo não se limita
a representar o fato da salvação, mas o reproduz,
porque é um ato de Deus e só depois uma escolha
e resposta do homem, e esse ato mantém o caráter
de eternidade que completa a ação divina.
A
obra de Deus passa por Cristo. Ele é a referência,
pois venceu o pecado e vive para Deus. Assim, o vínculo
do cristão com a conseqüência do Batismo
leva à conclusão lógica: “Assim
vocês foram considerados mortos para o pecado, mas vivos
em Deus” (v.11).
Paulo
vê no Batismo a imersão como morte para o pecado
e a emersão como símbolo do renascimento com
Cristo. Tudo isso, porém, não é realizado
num instante, mas é um germe de vida que se realiza
a todo instante em nossa vida até a maturidade em Cristo.
E o princípio que faz sempre mais consciente e operante
esta vida nova é a fé entendida como princípio
transformador que permeia a nossa existência até
nos fazer um só em Cristo. |
Evangelho
Mateus
28,1-10
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O ANÚNCIO DA RESSURREIÇÃO |
O
anúncio da ressurreição pelo Anjo e
depois no encontro com o Ressuscitado soa claro. Os participantes
da primeira experiência pascal foram às mulheres.
A presença dos Anjos, o terremoto e a fuga dos soldados
indicam que o evento transcende a realidade humana.
É
o anúncio kerigmático da nossa fé.
Cristo crucificado ressuscitou. Ele vive não tanto
para si, mas para os outros.
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REFLEXÃO |
| Cristo
ressuscitou. Aleluia! Há dois mil anos atrás
algumas mulheres medrosas da Galiléia anunciaram esta
alegria à humanidade. Cristo vencedor do pecado, das
trevas e da morte nos salvou. É verdade que em nossa
vida ainda existem as lutas, as dificuldades, as doenças,
a morte e o pecado, mas toda a hereditariedade do primeiro
Adão foi transformada no novo Adão.
Nesta
liturgia vemos, através das leituras, como em Cristo
se realizou plenamente a voz dos profetas e foi confirmada
a fidelidade das promessas de Deus. A Páscoa nos convida
a nos deixarmos arrastar pela onda de alegria e luz do Cristo
ressuscitado, a transformar o deserto da nossa vida em jardim
de graça e de luz.
O
tríduo pascal tem o seu vértice, o seu centro
gravitacional para o qual tudo converge e de onde tudo parte:
a Vigília Pascal, “a
noite das noites, a mãe de todas as vigílias”
(Santo Agostinho). A série de leituras
que ouvimos serviu para percorrer a história da salvação
desde a criação do mundo até o restabelecimento
pleno do relacionamento do homem com Deus em Cristo. O denominador
comum das leituras é a celebração da
vitória, do triunfo do bem, a reativação
do relacionamento rompido. Cada uma das leituras é
a seu modo um canto pascal que testemunha o amor de Deus contido
em Jesus. Eis, portanto, o motivo da alegria.
A
vigília pascal é a única ocasião
que nos oferece um quadro sintético da história
da salvação. A catequese desta vigília
pode ser dividida em três momentos:
01)
A preparação
da salvação - Deus, querendo
abrir o caminho da salvação sobrenatural, manifestou-se
desde o princípio aos nossos primeiros progenitores.
Depois da queda do homem, com a promessa da redenção,
levou-o à esperança da salvação.
No tempo devido chamou Abraão para fazer dele o seu
povo, e depois dos patriarcas o educou por meio de Moisés
e dos profetas, a fim de que o reconhecesse como um só
e único Deus e vivesse a esperança do Salvador
prometido. Por fim, enviou o seu Filho Verbo feito carne para
levar ao cumprimento a obra da salvação (Dei
Verbum 3-4).
O
Catecismo da Igreja Católica diz: “No
princípio Deus abençoou os seres viventes, especialmente
o homem e a mulher. A Aliança com Noé e com
todos os seres criados renovou essa bênção
de fecundidade, não obstante o pecado do homem. Mas
é com Abraão que a bênção
divina penetra a história dos homens, graças
à fé do pai dos crentes que acolhe a bênção
e inaugura a história da salvação. As
bênçãos divinas manifestam-se em eventos
admiráveis e salvíficos: o nascimento de Isaac,
a saída do Egito (Páscoa
e Êxodo), o dom da terra prometida, a eleição
de Davi, a presença de Deus no Templo e o exílio
purificador” (Catecismo da Igreja
Católica 1080-1081). Tudo isso foi iniciativa
de Deus e o homem é chamado a responder às suas
iniciativas.
02)
A
realização da Redenção em Cristo
- Terminada a preparação, chegou o tempo da
realização. A Redenção se apresenta
como o resgate do homem que negou o amor de Deus e foi dominado
pelo pecado. O demônio afastou o homem de Deus e a Redenção
tirou o homem do demônio, do ódio, para levá-lo
ao amor. Porém, nenhum homem sujeito ao demônio
podia tirar-se a si mesmo do domínio do demônio,
daí a necessidade histórica da Encarnação
de Jesus. A humanidade foi assumida pelo Filho de Deus com
a encarnação de Jesus, com uma humanidade histórica,
isto é, a do homem caído com o peso e as conseqüências
da queda, sujeito, portanto, à fome, à sede,
aos sofrimentos morais e físicos, com uma vida de relações
idêntica à de todos os homens, porém marcada
eminentemente pelo amor. Amor ao Pai e aos irmãos.
Neste contexto Jesus viveu a oposição, mas continuou
com o seu amor inclusive aos próprios inimigos, e o
seu amor resistiu e venceu.
03)
A realização da
Redenção em nós - Visto
que todos os atos de Cristo são redentores, como a
Redenção acontece em nós? A resposta
é que Cristo, com o Batismo, une intimamente a si cada
homem, comunicando-lhe assim o seu modo de viver, isto é,
a vida divina, de modo que tudo o que é dele também
é de cada batizado, inclusive a vitória sobre
o demônio e o pecado. Em Cristo Deus assumiu a natureza
humana, e assim a participação do cristão
na vida de Cristo o leva à vitória contra o
demônio, isto é, o leva à libertação
da escravidão. Ciente disto, Paulo inventou palavras
novas e intraduzíveis para explicar o grande dom da
nossa união com Cristo e a necessidade prática
de viver com ele. São neologismos intraduzíveis
como co-sepultados, co-plantados, co-ressuscitados (Romanos
6), co-mortos, co-viventes, co-reinantes (2
Timóteo 2,11), co-vivificados (Efésios
2,5), “co-patimur”, “co-glorificemur”
(Romanos 8). |
Pe.
José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A
Palavra, Ano A:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico A"
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