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COMENTÁRIO
AOS TEXTOS BÍBLICOS |
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Ano
A
05 DOMINGO DA QUARESMA
10 de Abril de 2011
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Primeira
Leitura
Ezequiel
37,12-14
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VOU
ABRIR SEUS TÚMULOS
E
FAREI QUE VOCÊS RESSUSCITEM DELES
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Estes
poucos versículos de Ezequiel afirmam a ressurreição
dos mortos de Israel e a volta do povo ao seu país
depois do exílio da Babilônia. O povo, escravo
na Babilônia, chorava a segunda queda de Jerusalém,
conquistada pelos soldados de Nabucodonosor (588
a.C.).
Israel,
no exílio, tomou consciência da sua situação.
Sentia-se um povo morto, um monte de ossos ressequidos no
túmulo (v.11). Por meio do profeta,
Deus lhe anuncia que vai abrir o túmulo tirando o
povo da sepultura e conduzindo-o à vida.
Na
visão dos ossos ressequidos, vê-se a força
de um Espírito misterioso que os revitaliza, tornando-os
um exército de Deus que dará a vida do povo.
Na
imagem da ressurreição, vê-se a volta
de Israel à pátria (edito de Ciro,
em 538 a.C.). O profeta a vê como a presença
de Deus, que vê a desgraça do povo e age para
mudar a situação.
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Segunda
Leitura
Romanos
8,8-11
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DEUS
DARÁ VIDA AOS SEUS CORPOS MORTAIS,
PELO SEU ESPÍRITO
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Este
capítulo tem como tema central a vida no Espírito,
que se opõe à vida segundo os instintos. A
vida no Espírito é aquela conforme Jesus viveu,
doando-se plenamente, vivendo o projeto de Deus.
Neste
capítulo, Paulo coloca o Espírito Santo como
o grande protagonista. Ele é citado 18 vezes em 34
encontradas em toda a carta. Ele é o artífice
da nossa filiação divina (vv.14-17). Anima
a nossa oração (vv.26-27).
É o libertador da Lei, do pecado e da morte (v.2).
A
vida segundo o Espírito se opõe à vida
segundo a carne (sarx). Carne significa aqui a
pessoa abandonada a si própria, com o seu egoísmo,
fazendo de si mesma um ídolo, fazendo com que o mundo
gire em torno de si, segundo os seus interesses, vendo só
a sua própria auto-afirmação. Adora
a si mesma e como conseqüência desta práxis
nascem os instintos egoístas e com isso não
pode agradar a Deus (v.8). O cristão
recebeu o Espírito Santo e deixa ser movido e conduzido
por ele, e assim tem a pessoa de Jesus Cristo como centro
da sua vida.
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Evangelho
João
11,1-45
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MORTE E RESSURREIÇÃO DE LÁZARO |
A
ressurreição de Lázaro é o sétimo
sinal do quarto evangelho. Com ele se conclui o livro dos
sinais (2-12) e é introduzido o
livro da glória (13-20), no qual
Jesus é apresentado como Aquele que doa o bom vinho,
a água para a vida, a saúde aos doentes, o
pão vivo...
A
função dos sinais em João é
levar o cristão a tomar partido a favor de Jesus
ou contra ele. A ressurreição de Lázaro
é para João o ponto alto da catequese batismal
das primeiras comunidades cristãs. É o último
milagre de Jesus antes da sua morte.
João
apresenta os milagres de Jesus como sinais reveladores da
sua messianidade e do seu relacionamento estreito com o
Pai. Eles são sinais da glória (doxa)
de Deus.
A
ressurreição de Lázaro é apenas
um sinal que aponta para uma realidade maior e mais profunda,
isto é, a sua vitória e glorificação
(v.14).
Lázaro,
Marta e Maria representam a própria humanidade em
situação de morte. Entre os três e Jesus
havia um relacionamento de fraternidade e Maria foi aquela
que ungiu os pés dele com perfume (v.2).
Marta acredita somente na ressurreição final
(v.22) e aconselha que a pedra do sepulcro
não seja movida, lembrando que Lázaro havia
morrido há quatro dias. Segundo a tradição
rabínica, a alma do defunto vagava ao redor do corpo
durante três dias, depois não havia mais esperança
de sobrevivência. Diante das palavras de Jesus, Marta
fez uma profissão de fé que só se compara
à de Pedro em Mateus 16,16. Marta proclama que Jesus
é o Messias.
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REFLEXÃO |
| Na
primeira parte do Evangelho de hoje parece que Jesus faz o
propósito de não ser entendido pelos discípulos.
Permanece ainda dois dias onde está, em vez de ir logo
à Betânia, e por fim lhes diz que está
contente por não estar junto de Lázaro (João
11,15).
Na
segunda parte, Marta e Maria, amigas de Jesus, destacam-se
na galeria das personagens. Elas crêem em Jesus, mas
não entendem porque Ele não veio logo ver Lázaro.
Jesus dá a Marta uma catequese conduzindo-a a uma profissão
de fé completa: “Eu
creio que Tu és o Filho de Deus”.
E neste contexto Jesus reza.
O
homem procura com todos os meios mais modernos e eficientes
a vida física, anseia por defendê-la, preservá-la,
prolongá-la, mas somente Cristo é o Senhor da
vida. Jesus é vida e ressurreição, sinal
luminoso para quem o acolhe com os olhos da fé, pois
com a fé, mesmo diante da dor e da morte encontra-se
Deus. É o que nos fala numa poesia o poeta Saadi, persa
do ano 1000, ao escrever: “Quando
nasci a vida me ofereceu uma taça. Bebi-a toda e encontrei
uma pérola, a juventude. A juventude me deu uma outra
taça e depois de a ter bebido encontrei em meus lábios
o rubi do amor. O amor, por sua vez, também me ofereceu
uma taça. Bebi-a toda e encontrei no fundo o diamante
da dor. Desesperado, bebi também essa taça da
dor até a última gota e com suma alegria encontrei
a Deus”.
A
liturgia de hoje, último domingo da Quaresma, continua
realçando o Batismo. A leitura litúrgica de
hoje, desde os primórdios da tradição
litúrgica da Igreja, foi relacionada com o Batismo
e associada ao terceiro escrutínio dos catecúmenos.
Como
nos domingos anteriores sob o sinal da água e da luz,
também hoje Cristo se autodefine como Vida através
do milagre-sinal da ressurreição de Lázaro.
A ressurreição que ele opera é sinal
de vida nova no Espírito que nos é dado no Batismo
como antecipação da nossa ressurreição
final (2ª leitura).
Cristo
se proclamou como Vida para todo aquele que Nele crer e confirmou
isso com o milagre-sinal da ressurreição de
Lázaro. No contexto desse milagre, Jesus revela abertamente
a sua filiação divina: “Eu
sou a ressurreição e a vida”
(v.25) e, por ser divino, não deixou
de ser solidário com os homens: “Ele
chorou sobre Lázaro...” (Prefácio).
Quem
crê em Jesus Cristo fica livre e é salvo por
Ele. É libertado do pecado e de suas conseqüências.
Não é uma libertação da morte
física, pois Jesus também morreu, mas da escravidão
da morte que é o pecado. Para quem crê, o futuro
não é uma esperança ou uma surpresa mais
ou menos certa, mas a plenitude de vida, pois o homem não
é um ser para a morte, mas para a vida com Deus, pois
Deus é o Deus dos vivos (João 12,24). |
Pe.
José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A
Palavra, Ano A:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico A"
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