Untitled Document
LITURGIA SEMANAL
MENU
Santuário São José
Home >
SANTUÁRIO
FORMAÇÃO
ACESSE
[novo] Fotografias >
 
Untitled Document
ANO C - São Lucas
TEMPO COMUM
TEMPO PASCAL
SEMANA SANTA
QUARESMA
TEMPO COMUM
NATAL
ADVENTO
COMENTÁRIO AOS TEXTOS BÍBLICOS

Ano C
Tríduo Pascal
Quinta-Feira Santa - Lava-Pés
01 de Abril de 2010
Primeira Leitura
Êxodo 12,1-8.11-14

CEIA SOLENE DO CORDEIRO PASCAL

Este episódio narrado no Êxodo constitui um dos pontos centrais da história da salvação. Deus intervém de maneira misteriosa para libertar o povo da servidão do Egito. Segundo a mentalidade do tempo, a prosperidade e a segurança de uma nação dependiam da força de seus deuses. O esplendor, a extensão e o poder do Império egípcio exprimiam, portanto, a grandeza de sua divindade. Javé, o Deus que se revelou a Moisés na sarça ardente (Êxodo 3), vem confrontar-se com esses deuses para libertar os descendentes dos patriarcas hebreus reduzidos à escravidão, a trabalhos desumanos, para construir cidades grandiosas para o faraó.

A Páscoa era originalmente festa dos pastores que celebravam a primavera e o nascimento das ovelhas. Nesta festa, os pastores derramavam o sangue de cordeiros ao redor do acampamento, a fim de espantar os maus espíritos, que poderiam prejudicar a fecundidade do rebanho. Na ocasião, esses pastores ofereciam a Deus um cordeiro de seu rebanho.

Com a saída do Egito, a Páscoa tornou-se a celebração do Êxodo (Êxodo 13,14), traduzida em forma de refeições. Foi associada à festa dos ázimos. Portanto, com a saída do Egito Israel adotou esta festa dos pastores para celebrar o Êxodo, associando-a à festa dos ázimos, que era uma festa agrícola. Porém a festa agrícola só foi celebrada quando Israel tomou Canaã e associada à festa da Páscoa após a reforma de Josias em 622 a.C.

O texto que relata a Páscoa dos judeus (Êxodo 12,1-13,16) foi escrito bem mais tarde, alguns séculos depois, num contexto de opressão para Israel, ou seja, durante o exílio na Babilônia. O relator da escola javista e sacerdotal coletou informações das fontes javista e eloísta e elaborou o texto atual, para que viesse responder aos anseios do povo oprimido na Babilônia, provocando assim a libertação do Egito.

Nosso texto fala do ritual da Páscoa. Trata-se de um memorial, ou seja, de atualização da libertação do Egito. O texto fala ao coração dos exilados e suscita neles a memória dos feitos de Deus. Neste sentido, o texto oferece algumas indicações. A Páscoa marca o início de um novo tempo de libertação (v.1), e com ela se inicia uma vida nova. É o início da vitória do povo sobre a opressão. Para a inauguração desta nova era requer-se a partilha para que ninguém tenha demais e falte ao outro o que comer (v.4). É uma festa que visa à preservação da vida. O sangue não afugentará mais os maus espíritos, mas servirá de sinal para a perseverança de Israel enquanto povo ameaçado de desaparecer devido à política do opressor. É uma festa de memória histórica que lembra o passado desastroso (as ervas amargas). É celebrada às pressas (os pães sem fermento). Os que nela tomam parte devem estar preparados para uma longa viagem, até chegarem a uma sociedade plenamente humana e fraterna.

Segunda Leitura
1 Coríntios 11,23-26

A NOVA CEIA PASCAL

Este é o primeiro escrito do Novo Testamento que fala da Eucaristia. Ela era celebrada em Corinto, numa comunidade que enfrentava problemas e divisões. Os primeiros cristãos, antes de celebrarem a ceia, faziam uma refeição na qual todos punham em comum o que traziam. Era o momento da partilha que precedia a Eucaristia. Neste contexto, em que alguns comiam comodamente o que traziam e os pobres ficavam sem nada, Paulo questiona a comunidade se é possível celebrar a Eucaristia sem a partilha. Não seria comungar a própria condenação? Paulo sublinha o caráter sagrado do banquete comunitário (Kyriakón deipron) como atualização da ceia do Senhor. Mas como isso podia acontecer se a ceia comunitária (ágape), que tinha o objetivo de favorecer o amor fraterno e a partilha dos bens que cada um trazia, não estava acontecendo? Se os ricos, que dispunham do tempo que quisessem, reuniam-se antes para comer e beber (v.22)? A noite chegava e o pobre, que havia trabalhado o dia todo como descarregador no porto, assim como os escravos, não tinha nada para o ágape e eram marginalizados pelos ricos.

Paulo lembra a Eucaristia como um preceito que recebeu do Senhor. Lembra a instituição da ceia na noite em que o Senhor foi traído. A Eucaristia foi instituída numa ceia solene, com o partir e o entregar do pão aos presentes, como se fazia nas refeições judaicas mais solenes.

Quando Jesus pronunciou as palavras “Este é o meu corpo“, não pensava na transubstanciação ou empanação, mas em sua morte, em seu corpo entregue aos inimigos. Aceitava perder sua vida para resgatar a vida de todos. O mesmo sentido tinha o vinho. Significava o seu sangue derramado para estabelecer a nova Aliança entre Deus e os homens.

A memória (anamnesis) é um termo do calendário litúrgico judaico. Pois os hebreus celebravam a Páscoa como memorial da libertação do Egito, ou seja, como ritualização de um evento do qual dependia a sua salvação.

A ceia é um verdadeiro memorial, porque propõe os sinais que Jesus sofreu em sua vida para nos salvar. Participar dela significa reconhecer o valor de sua morte.

Evangelho
João 13,1-15

JESUS LAVA OS PÉS DOS APÓSTOLOS

O lava-pés dá início à segunda parte do Evangelho de João (13-20), denominada por muitos exegetas de “Livro da Glória”, porque Jesus chegou à glorificação nos céus através de sua paixão e morte. Trata-se da última ceia, durante a qual Jesus abriu seu coração aos discípulos, confiando-lhes seu testamento espiritual, contido nos dois “discursos do adeus” (14,15-16) e na oração sacerdotal (v.17).

Para João, o lava-pés assume o valor de um gesto profético extremamente significativo, enquanto recapitula o serviço do amor prestado pela humanidade do Verbo, através de seu abaixamento e de sua oblação sacrificial.

A última ceia de Jesus antes da festa da Páscoa não assume um caráter pascal como nos sinópticos, pois João nem lembra a instituição da Eucaristia. Segundo a perspectiva teológica jovanéia, Jesus enfrentou o drama da paixão livremente, com perfeita consciência do que estava para lhe acontecer. Ele sabia que chegara sua hora de passar deste mundo ao Pai, ou seja, que aquele era o momento decisivo para fazer a vontade do Pai que o havia predestinado como vítima de expiação pelos pecados do mundo. Sua consciência da morte é caracterizada pelo verbo “oida”, que significa conhecimento adquirido, plena consciência do que se faz.

Tomar a refeição juntos é sinal de partilha. Jesus vive este clima familiar com os seus. Na ceia Jesus, consciente de estar concretizando o projeto do Pai, mostra que esse projeto se traduz em ações concretas. Por isso, despoja-se de seu manto (sinal de dignidade) e pega o avental. É o Senhor que se torna servo (Filipenses 2,6-7) e lava os pés dos discípulos.

A reação de Pedro era espontânea, mas contradizia radicalmente a missão de Jesus. Em outras palavras, Pedro negava inconscientemente o serviço de Jesus como oferta de sua vida para a salvação dos homens. Sua negação comportava, portanto, a exclusão da herança do Reino. Jesus, intervindo, explicou aos discípulos que eles já estavam puros por sua adesão de fé à palavra.

João lembra que o fato acontece “antes da Páscoa”. Não é tanto uma menção cronológica, mas teológico-litúrgica. É a primeira Páscoa cristã. De fato, João não fala da Páscoa “dos judeus”.

REFLEXÃO

A Quinta-Feira Santa é a festa do Amor. Na Páscoa hebraica, o povo se reunia para comemorar a libertação da escravidão. Os cristãos, por sua vez, reúnem-se para comemorar a vitória de Jesus sobre o pecado e a morte. A libertação de Moisés não foi completa, a de Cristo sim.

A ceia é um sinal de comunhão, amizade e convívio. Sentar-se à mesma mesa e comer o mesmo alimento supõe uma capacidade de acolher o outro, a disponibilidade, o amor recíproco.

O ágape é sempre uma provocação para o bem, o amor, a esperança. Não se pode sentar à mesa do Senhor com egoísmo, como faziam os ricos de Corinto. Jesus, no gesto de partir o pão, estava entregando sua vida. O mesmo deve acontecer conosco.

A Eucaristia não faz o milagre que esperamos em nossa vida se não quebramos os ídolos do nosso coração, se não damos espaço para a caridade.

É preciso sentar à mesa, amar como Jesus amou. Então estaremos seguros de que ele se encontra em nosso meio.

O ponto alto deste primeiro dia do Tríduo Pascal é esta missa, em que se celebra, comemora, renova sacramentalmente a ceia do Senhor. Esta celebração exige de nós uma concentração intensa. Foi a primeira missa celebrada na terra, com a instituição da Eucaristia e a ordenação episcopal dos apóstolos.

Jesus mandou Pedro e João prepararem o lugar para a Páscoa. Não queria uma sala qualquer, mas um “catalyma”, isto é, uma sala onde viviam os servos, os domésticos, onde havia instrumentos de trabalho. Era um pouco moradia, um pouco armazém. Uma sala simples, exatamente como aquela em que havia nascido em Belém, mas o amigo lhe ofereceu a melhor sala. Jesus nasceu numa estrebaria, mas celebrou a Eucaristia numa sala rica, num cenáculo.

Na narração, João enfoca mais o gesto do lava-pés (amou-os até o fim). O mal do mundo hoje é a falta de amor. “Com o amor se pode batizar sem água, crismar sem óleo, absolver sem absolvição, comungar sem hóstia” (Faber). O amor provoca empenho total, dedicação ao próximo, fidelidade ao dever. Nenhum meio de locomoção pode preencher as distâncias entre os homens. O amor pode.

A Eucaristia é o ponto alto de toda a vida cristã (Concílio Vaticano II). Jesus tornou-se, na última Ceia, o grande sinal do amor. Esta é a força da Eucaristia. Nós não somos um grupo que se reúne por razões humanitárias, nem por um código de moral, mas ao redor de uma pessoa, Jesus Cristo ressuscitado, presente na Eucaristia, força unificadora da comunidade.

Como os discípulos de Emaús desiludidos, céticos e desconfiados, o mundo de hoje só saberá reconhecer Cristo quando os cristãos souberem repartir verdadeiramente o pão.

Com a instituição da Eucaristia, Jesus nos dá o sacerdócio da nova Aliança: “Façam isto em memória de mim”. Assim, os presbíteros participam do ofício do único mediador, Jesus Cristo, no qual anunciam a palavra, mas acima de tudo exercem o sagrado ministério no culto eucarístico, e, agindo “in persona Christi” e proclamando o seu mistério, unem as orações dos fiéis ao sacrifício de Cristo, e no sacrifício da missa representam e aplicam, até a vinda do Senhor, o único sacrifício do Novo Testamento (Concílio Vaticano II).

Por que devemos freqüentar assiduamente a Eucaristia? A resposta pode ser encontrada na biografia do General de Lamoricière. Depois de converter-se, ele procurava comungar sempre. Certo dia ele disse ao seu pároco: “Creio que não é justo aproveitar muito os dons do Senhor”. O pároco respondeu: “A Eucaristia não é um prêmio. É um meio para chegar ao prêmio”.

Celebrar a Eucaristia é atualizar a nova ceia pascal do povo de Deus, como já prefigurava a Páscoa dos hebreus.

A missa é o sacrifício de Cristo e da Igreja, ou seja, o oferecimento ao Pai do Corpo e Sangue de Cristo, que tem lugar na oração eucarística, depois da consagração: “Celebrando a memória da morte e ressurreição de vosso Filho, nós vos oferecemos, ó Pai, o pão da vida e o cálice da salvação” (Oração II).

João não relata a instituição da Eucaristia. Em seu lugar coloca o lava-pés, gesto que tem relação com a Eucaristia, como sinal que é também do amor e da entrega de Jesus. Jesus fez este gesto motivado por sua passagem para o Pai e pelo amor aos seus. O lava-pés não tem o significado das abluções rituais dos judeus realizadas antes das refeições, nem o detalhe da hospitalidade semita, já que não é feito no início da ceia, mas enquanto ela se desenvolve. Este ofício era tarefa dos escravos, por isso causou a reação de Pedro. O gesto mostra a humilhação de Jesus que, embora sendo Deus, realiza uma ação de serviço.

O lava-pés resume toda a vida de Jesus, centralizada no amor ao Pai e aos homens. Explica a existência de Jesus. Sua vida fica toda iluminada. Gesto que está de acordo com seus ensinamentos e exemplos. Gesto que não tem nada de interesseiro, como ocorre com os políticos quando vão beber café nas casas dos pobres em época de eleições, para ter notoriedade e popularidade, contribuindo como detalhes para a fotografia e a urna de votos.

Tanto para o gesto da Eucaristia como do lava-pés, Jesus pede continuidade a seus discípulos: “Façam o mesmo” (João 13,15), “façam em minha memória” (1 Coríntios 11,24-25), ou seja, Jesus pede que repitam suas atitudes de amor, serviço, entrega, renúncia, obediência...

Dentro desta linha de serviço está o sacerdócio instituído por Cristo junto com a Eucaristia, pois graças ao ministério do sacerdócio o mandato de Cristo se torna presente. Assim temos o sacrifício eucarístico, que é a fonte e o ápice de toda a vida cristã (Lumen Gentium 11,1), a fonte de onde jorra a vida e a força para a Igreja (Sacrosanctum Concilium 10,1).

Os cristãos procuraram cumprir o mandato do Senhor de celebrar a ceia em sua memória desde o início: “Os irmãos eram constantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na vida comum, na fração do pão” (Atos dos Apóstolos 2,42).

A cena evangélica de hoje mostra claramente como se deve exercer a autoridade entre os irmãos: como serviço de amor. Jesus disse: “Vocês me chamam Mestre e Senhor, e dizem bem, pois eu sou. Se eu lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Dei-lhes o exemplo para que façam o mesmo”.

A última Ceia foi uma ceia testamentária, uma ceia afetuosa e imensamente triste, uma ceia permeada por um gesto transcendente, mas ao mesmo tempo simples, onde é instaurada para o povo uma nova Aliança com Deus: “Esta é a nova Aliança no meu sangue”.

O mandamento de Jesus é o amor (João 13,34). É o mandamento novo. Novo porque o irmão é objeto do amor de Deus. Novo porque o modelo é sempre atual. Novo porque o modo de cumpri-lo será sempre novo. “Como eu os amei”. Novo porque o amor será sempre uma novidade para o homem acostumado à rotina e ao egoísmo. Devemos perguntar-nos se, nos lugares onde a maior parte de nossa vida se desenvolve, as pessoas sabem que somos discípulos de Cristo pela forma amável, compreensiva e acolhedora com que as tratamos. Sabemos pedir desculpas a alguém quando o tratamos mal? Temos manifestações de carinho com os que estão ao nosso lado? Temos cordialidade, estima, palavras animadoras, sorriso, bom humor, preocupação com os problemas dos outros?

Pe. José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A Palavra, Ano C:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico C
"

Untitled Document

Rua Dom José Marello, 39 - Vila Feliz - 86808-050 - Apucarana - PR - Fone: (43) 3033-1899
Webmaster © 2007 a 2010 - Santuário São José