| Pentecostes
é o Batismo da Igreja. O povo da Aliança foi
constituído no Sinai e o novo povo é consagrado
no cenáculo. Com o Pentecostes, homens comuns se tornaram
colaboradores do Espírito Santo, ministros da salvação.
Cheios do Espírito Santo, tornaram-se “um
povo de santos”, como disse o autor
do Êxodo (19,20). Não se reuniram
por determinação própria, mas por causa
de uma força do alto.
A
Igreja verdadeira é aquela que vive os vínculos
da fé, ou seja, a força e a bondade de Deus.
Assim, o corpo eclesial vive e se move em virtude da ação
do Espírito Santo que o vivifica. Sem o Espírito
Santo, a Igreja é um corpo inerte.
A
unidade do corpo não destrói a multiplicidade
dos membros e, com isso, os carismas não são
cancelados pelo Espírito Santo que os distribui e provoca
sua vitalidade. Por isso, sem os múltiplos carismas,
a Igreja é monótona, fechada num mistério
inexaurível (Efésios 3,18)
à riqueza sem fim de Deus (Romanos 11,33).
A
Igreja não é uma simples associação
de homens de boa vontade, mas uma convocação
de santos, animada por uma mesma força que impulsiona
para agir no tempo que encontra em Cristo a sua proposta concreta.
Ela é chamada para instaurar o reino de Deus e combater
toda forma de egoísmo e injustiça.
O
Espírito Santo completou a obra salvífica de
Jesus. Assim, Jesus Redentor realiza sua ação
em perfeita sintonia com o Pai e o Espírito Santo.
As três Pessoas operam conjuntamente.
Por
isso, o Pentecostes é uma nova criação
na qual Jesus infundiu o seu Espírito nos discípulos,
gerando um novo povo. É a ação de Deus
que provoca nos homens a escolha de Deus e de seu projeto.
Pentecostes
é uma festa essencialmente missionária.
O
Espírito Santo e Jesus são duas pessoas distintas,
mas unidas ao Pai e, portanto, únicas. É o Espírito
Santo que tem a tarefa principal de nossa salvação,
pois “ninguém pode
dizer Senhor Jesus senão em virtude do Espírito
Santo”.
Hoje
termina o tempo pascal. Amanhã a cor litúrgica
será verde. Continuaremos a meditar não mais
as instruções de Jesus no cenáculo, mas
os acontecimentos do seu ministério na Galileia. É
um pouco como na segunda-feira, quando recomeça a vida
comum depois da interrupção do domingo.
É
com a iluminação do Espírito Santo que
podemos proclamar a divindade de Jesus. Suponhamos que duas
pessoas escutem a mesma página do Evangelho e uma diga:
Jesus é um homem excepcional, uma grande alma religiosa,
um grande fundador, o maior homem que já existiu, mas
não vai, além disso.
Um
outro, tocado pelo Espírito Santo em sua fé,
diz: “Jesus é o
Filho de Deus”. Diz isto porque o Espírito
que está nele o iluminou e aqueceu seu coração.
Pois é impossível que o homem, sem a ajuda do
Espírito Santo, possa reconhecer em Jesus de Nazaré,
o carpinteiro, o humilde pregador da Galileia, o Filho de
Deus, aquele mediante o qual todas as coisas foram criadas,
ele que nasceu do Pai antes de todos os séculos.
Nenhum
milagre pode fazer sair da boca de um homem e de seu coração
a profissão de fé “Jesus
é o Senhor” sem o Espírito
Santo. A pregação do Evangelho é inútil
se o Espírito Santo não ilumina aquele que escuta.
A
leitura da Bíblia torna-se igual à de qualquer
livro se o Espírito Santo não abre nossa mente
e nosso coração. É o Espírito
que vivifica, a carne de nada vale. O Espírito Santo
é a alma profunda de nossa espiritualidade.
Por
isso, daqui para frente, ao escutarmos o Evangelho, lembremos
que é em virtude do Espírito Santo que o acolhemos.
Com isso, a lembrança do Espírito Santo não
fica resumida ao dia de hoje, mas joga luz sobre todo o ano
litúrgico.
Bossuet
resumiu a necessidade do Espírito Santo em nossa vida
desta maneira: “Além
dos instrutores de fora, temos necessidade de um mestre interior,
para compreender aquilo que nos foi ensinado exteriormente,
para nos lembrar, impedindo que esqueçamos, para nos
fazer amar as verdades anunciadas, para compreendermos e nos
lembrarmos dos ensinamentos de Jesus e os termos presentes
no coração com afeto. Mais que ciência,
o Espírito Santo nos inspira amor. É por intermédio
dele que somos disciplinados na verdade de Deus”.
Como
disse Tagore, o homem é como um herói que saiu
com sua lâmpada de barro gritando: “Eu
iluminarei os seus caminhos”. Mas, diante
do primeiro obstáculo no caminho, sua lâmpada
caiu e quebrou-se. Então ele voltou para sua casa na
noite escura, abandonando os ares de conquistador e de guia
presunçoso e suplicou: “Ilumine-me,
fogo, já que era argila a proteção de
minha luz”.
Se
o Espírito Santo estiver presente na Igreja, Deus não
ficará longe do homem. Cristo não pertence ao
passado, mas é o ressuscitado. O Evangelho não
é letra morta, mas poder de vida. A Igreja não
é uma organização, mas comunhão
no amor trinitário. A missão não é
propaganda, mas Pentecostes. A autoridade não é
dominação, mas serviço libertador. A
liturgia não é evocação do passado,
mas atualização dos fatos salvadores de Deus
e antecipação da consumação do
futuro esperado. A moral não é ética
natural de escravos submetidos ao látego da lei, mas
agir como cristãos, isto é, segundo a lei do
Espírito em Cristo Jesus.
(Declaração do Conselho Mundial
das Igrejas)
No
dia de Pentecostes, o Espírito Santo manifestou-se
como vento impetuoso e línguas de fogo. O fogo aparece
na Bíblia como imagem do amor que penetra todos as
coisas e como elemento purificador. É a imagem que
nos ajuda a entender melhor a ação que o Espírito
Santo realiza nas almas. O fogo também produz luz,
e significa o novo resplendor com que o Espírito Santo
faz compreender a doutrina de Jesus. “O
advogado, o Espírito Santo... ensinará-lhes
tudo e lhes trará à memória tudo o que
eu lhes disse” (João
14,26). É ele quem nos conduz à plena
compreensão das verdades ensinadas por Jesus.
No
Antigo Testamento, a obra do Espírito Santo é
freqüentemente sugerida pela palavra “sopro”,
a fim de exprimir ao mesmo tempo a delicadeza e a força
do amor divino. Não há nada mais sutil que o
vento que penetra por toda parte, que até parece percorrer
os corpos inanimados e dar-lhes vida própria. O vento
impetuoso no dia de Pentecostes exprime a nova força
com que o amor divino irrompe na Igreja. Pedro, diante da
multidão, fez-lhe ver que o que estava acontecendo
era o cumprimento do que os profetas haviam anunciado. ”E
sucederá nos últimos dias, diz Deus, que derramarei
o meu Espírito sobre toda a carne”
(Atos dos Apóstolos 2,17). Assim,
os que receberem a efusão do Espírito já
não serão uns poucos privilegiados, como os
companheiros de Moisés (Números 11,25)
ou como os profetas, mas todos os que se abrirem para Cristo
(João 7,39).
A
vinda do Espírito Santo no Pentecostes não foi
um acontecimento isolado na vida da Igreja, pois o Paráclito
a santifica continuamente, como também santifica cada
alma através de suas inspirações.
Não
só os apóstolos foram fortalecidos na missão
de testemunhar Jesus, mas todos os que nele crerem (Atos
dos Apóstolos 2,17-18). A grandeza de nossa
missão corresponde às noções do
Espírito Santo e, por isso, devemos sempre pedir que
o Espírito Santo “lave
o que está manchado, regue o que está seco,
cure o que está doente, aqueça o que está
morno...”.
Para
isso é preciso docilidade às inspirações
do Espírito Santo, pois é ele quem dá
o tom sobrenatural a nossos pensamentos, desejos e obras,
quem nos impele a aderir à doutrina de Cristo, quem
nos dá luz para tomar consciência de nossa vocação
pessoal e força para realizar o que Deus espera de
nós.
O
Espírito Santo age em nossa alma. Não podemos
dizer uma só jaculatória se ele não nos
move a dizê-la (1Coríntios 12,3).
Ele está presente quando rezamos, quando descobrimos
uma luz nova num conselho recebido. É ele quem nos
sugere a realizar uma boa obra e a encontrar uma palavra adequada
para animar uma pessoa a ser melhor. |