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COMENTÁRIO
AOS TEXTOS BÍBLICOS |
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Ano
A
TEMPO PASCAL
VI Domingo
29
de Maio de 2011
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Primeira
Leitura
Atos dos Apóstolos
8,5-8.14-17
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A
SAMARIA RECEBE A PALAVRA DE DEUS E O ESPÍRITO SANTO
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Este
trecho introduz na pregação do Pentecostes,
apresentando o Espírito do Ressuscitado em ação
guiando os apóstolos e confirmando suas ações
com prodígios.
Com
a morte de Estêvão, os cristãos se dispersaram.
Foi um fato providencial, pois deu a possibilidade de levar
o Evangelho a outros recantos. Na Samaria, o anúncio
provocou contentamento e confraternização
devido ao anúncio feito por Filipe.
Com
isso, o anúncio salvífico superou o esquema
centrípeto de Isaías 56-66, onde Jerusalém
era o vértice da missão. O anúncio
começou a chegar em todos os lugares e se tornou
centrífugo, chegando a todos os homens. Assim, verifica-se
também a universalidade da salvação,
pois a Samaria estava à margem da tradição
religiosa de Israel. Seus habitantes celebravam a Páscoa
com modalidades e tipos diferentes de Jerusalém.
Para eles, o lugar do culto era o monte Garizin. Até
as concepções sobre o Messias eram diferentes:
o Messias era chamado Taèb
(aquele que volta) e tinha uma missão
restrita apenas a eles.
Este
trecho apresenta, portanto, a obra de Filipe na Samaria,
numa cidade que podia ser Sebaste ou o centro religioso
de Siquém, onde vivia um povo carismático
contaminado por Simão Mago (Atos dos Apóstolos
8,9-13). Ao anunciar o Messias, Filipe logo catalisou
a atenção de todos, do mesmo modo como Jesus
quando passou perto do poço de Jacó (João
4,1-42). Ali Filipe realizou curas e expulsou demônios.
Tudo isso foi confirmado em seguida por Pedro e João,
que chegaram ali e impuseram as mãos (os
teólogos vêem neste gesto o sacramento da Crisma).
Portanto,
Lucas destaca neste trecho que a evangelização
ocorre em consonância com a que Jesus havia realizado,
pois, assim como Jesus evangelizou com gestos, milagres
e palavras, do mesmo modo faziam os apóstolos. Por
isso, para os apóstolos, anunciar Jesus era eliminar
tudo que alienava e despersonalizava (os demônios).
A importância da missão de Filipe é
que ela transpunha as fronteiras do judaísmo ortodoxo
e chegava aos samaritanos, povo constituído por uma
população mista resultante da união
de habitantes do reino de Israel depois da deportação
para a Assíria em 722 a.C., com os colonos assírios.
Com
a notícia de que os samaritanos haviam recebido com
alegria a palavra anunciada por Filipe, a Igreja de Jerusalém
enviou Pedro e João para completar a evangelização
com a oração e a imposição das
mãos. Assim, os samaritanos receberam o Espírito
Santo, e isto foi para Lucas o Pentecostes dos pagãos.
Deste modo, o dom pascal do Espírito Santo prometido
por Jesus (João 14,16-17) acompanha
os apóstolos (João 14,16),
recorda-lhes as palavras (João 14,26),
dá testemunho e significa Jesus (João
15,26; 16,14) e os guia para a verdade (João
14,13). Com a pregação e o Pentecostes
samaritano, a missão eclesial vai se realizando num
esquema geográfico em grandes traços, começando
por Jerusalém (primeira etapa),
passando por toda Judá e pela Samaria (segunda
etapa) e por fim chegando até os confins
do mundo (Atos dos Apóstolos 1,8 - terceira
etapa, que se iniciou em Antioquia Atos dos Apóstolos
11,19).
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Segunda
Leitura
1 Pedro
3,15-18
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A
CONDUTA DOS CRISTÃOS NA PERSEGUIÇÃO
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Este
é um texto parentético de alta ressonância
cristológica. Isto se explica pelo “Sitz
in Leben” da carta, que no parecer
dos exegetas tem dois modos distintos:
a)
Como uma liturgia batismal de origem cristã,
transformada depois em carta;
b) Como
uma carta de tipo parentético, com amplas referências
litúrgicas.
Na
segunda metade do primeiro século, ser cristão
era um delito, pois o cristianismo era considerado uma religião
ilegal. Freqüentemente os cidadãos não
cristãos eram obrigados a denunciar os cristãos.
Este trecho quer ajudar os cristãos a vencer o medo
das perseguições.
Lembramos
que Pedro escreveu para os cristãos da Ásia
Menor, que estavam desanimados por causa da situação
social em que viviam (migrantes, escravos...)
e da luta por justiça que sustentavam em busca da
dignidade. Diante disso, Pedro diz a esses cristãos
que não deviam ter medo dos que arrastavam aos tribunais
(ele próprio fez a experiência),
mas que era preciso responder pela razão da esperança
cristã na participação do sofrimento
de Cristo, pois o sofrimento associado ao de Cristo tem
um valor eterno.
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Evangelho
João
14,15-21
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O PAI LHES ENVIARÁ UM DEFENSOR,
O ESPÍRITO DA VERDADE |
Este
trecho faz parte do discurso de despedida de Jesus. Os discípulos
estão abalados com o iminente desaparecimento do
Mestre e por isso ele lhes indica que a maneira de superarem
o medo, a separação e até a morte é
o amor. Mas viver o amor não é fruto de um
puro esforço humano, pois é necessária
a presença do Espírito Santo. Por isso, Jesus
roga ao Pai que envie o Paráclito, o Advogado que
dará forças para a prática de Jesus
na sociedade.
Alguns
exegetas viram que a compreensão desta mensagem está
na exigência do amor. Para outros, o princípio
hermenêutico é constituído pela palavra
“mandamento”.
Quem vive o amor pode receber o Paráclito.
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REFLEXÃO |
| As
leituras deste domingo preparam a comunidade cristã
para o encontro íntimo com o Espírito Santo
na liturgia de Pentecostes. O Espírito Santo está
presente em nós como Paráclito, como aquele
que consola, que nos faz ver em todos os lugares o amor de
Deus e nos defende do Maligno. O desenvolvimento das experiências
pascais da comunidade primitiva se realiza num contexto de
alegria (58 vezes no Novo Testamento). A
alegria é o complemento teologal da missão pascal.
A
primeira leitura relata a missão de Filipe, que passou
pelas cidades da Samaria e da Judéia evangelizando,
batizando e operando milagres. Pedro e João o visitam
como guias para as comunidades e impõem as mãos
sobre os samaritanos e estes recebem o Espírito Santo.
Jesus
nos promete o Espírito Santo. É um dom espiritual
que permanece para sempre. É uma pessoa divina que
nos consola como amigo, defende-nos como advogado, nos instrui
como mestre, nos cura como médico, nos assiste com
espírito materno, como a melhor das mães. De
fato, o Espírito Santo nos dá a vida divina
de Jesus ressuscitado. Ensina-nos a falar com o Pai chamando-o
de Abbá e nos reúne numa só família
que é a Igreja.
Portanto,
com a presença de Pedro e João as comunidades
nascentes da Samaria tinham uma ligação com
a Igreja de Jerusalém: era a Igreja local em comunhão
com a Igreja universal. Hoje esta comunhão se manifesta
na aceitação do magistério na pessoa
do Papa e dos Bispos.
Uma
das tarefas mais importantes no início do Cristianismo
foi dar “razão à fé”.
Ela se dava como defesa da Igreja, chamada apologética.
A
Igreja, que é uma comunidade organizada como povo sacerdotal
(liturgia do domingo passado), goza da presença
de Jesus através da presença do Espírito
Santo, o Paráclito (1ª leitura).
Isto cria a comunhão com Deus e com os irmãos
e gera o amor mediante a observância dos mandamentos
(evangelho). Em conseqüência,
os cristãos dão a razão da sua fé.
O
evangelho relata a promessa de Jesus, em seu discurso de despedida,
de enviar o Paráclito, o Espírito da Verdade,
isto é, o que possui e comunica a verdade. De fato,
Jesus, em sua promessa de enviar o Espírito Santo,
destaca que este tem a tarefa de acompanhar os discípulos
na sua ausência (João 13,17),
recordar-lhes suas palavras (João 14,26),
dar testemunho Dele e glorificá-lo (João
15,26; 16,14), fazer um julgamento sobre o pecado
e a justiça no mundo (João 16,8-11)
e guiar os discípulos para a vida plena (João
16,13).
O
Paráclito é a testemunha que atua em defesa
de Jesus e o porta-voz que fala em seu nome. É também
o consolador dos discípulos, assim como o seu mestre
e guia, e por isso também o seu protetor. Em suma,
o Paráclito é o Espírito Santo com uma
tarefa especial: concretamente, é a presença
pessoal de Jesus junto dos cristãos enquanto este permanece
com o Pai.
Jesus
promete a sua presença: “Não
os deixarei órfãos” (João
14,18), através da presença do Espírito.
Mas é uma presença condicionada ao amor a Ele.
Na
primeira leitura verifica-se a presença de Jesus (Atos
dos Apóstolos 8,5-17), dando-se o “Pentecostes
samaritano”, assim como aconteceu na casa do centurião
romano, onde se deu o “Pentecostes
pagão” (Atos dos Apóstolos
10,44). Ambos são ecos do “Pentecostes
judeu” narrado nos Atos dos Apóstolos
(2,1-4).
A
primeira leitura nos relata uma nova etapa da missão
da Igreja em seguida à perseguição à
Igreja contra os judeus-cristãos de origem grega que
se dispersaram, constituindo a primeira diáspora cristã.
Na Samaria realizou-se, portanto, a segunda etapa da evangelização:
Jerusalém (primeira etapa), Judéia
e Samaria (segunda etapa), Antioquia de Orontes,
na Síria (terceira etapa). A Samaria
era uma região hostil ao judaísmo, quase pagã,
e seus habitantes eram considerados hereges.
Podemos
dizer, portanto, que a Igreja é a comunidade do Espírito,
um dom de Cristo ressuscitado à Igreja. Com isso, a
inabitação do Espírito Santo nos fiéis
é a nova forma de o Senhor ressuscitado viver entre
os discípulos, para sempre, mantendo a comunidade unida,
impulsionando-a para a evangelização e rompendo
as barreiras. Por isso, podemos dar a razão da nossa
esperança, pois não estamos desamparados, visto
que a promessa de Cristo se cumpriu com o Paráclito.
O Espírito de Jesus ressuscitado vive em nós,
alentando a nossa esperança na ressurreição.
Ele está vivo em nós e para nós: nós
temos a vida pelo seu Espírito. |
Pe.
José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A
Palavra, Ano A:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico A"
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