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COMENTÁRIO
AOS TEXTOS BÍBLICOS |
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Ano
A
TEMPO PASCAL
V Domingo
22
de Maio de 2011
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Primeira
Leitura
Atos dos Apóstolos
6,1-7
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ELEIÇÃO
DOS PRIMEIROS DIÁCONOS
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Estamos
no contexto do nascimento e desenvolvimento da pri-meira
comunidade de Jerusalém, que crescia em número
e or-ganização. Em conseqüência,
ela enfrenta o seu primeiro pro-blema. O crescimento dessa
comunidade estava criando um problema para o exercício
da missão. Estava criando tensões, conflitos
de interesses e murmurações. Havia um desentendi-mento
entre os cristãos judeus e os cristãos helenistas.
Os helenistas eram judeus repatriados da diáspora
e constituíam um bom número em Jerusalém,
tanto que tinham suas próprias sinagogas (Atos
dos Apóstolos 6,9; 24,12).
Nesta
realidade, os apóstolos verificaram que haviam deixado
de atender as viúvas, mas sabiam que não podiam
fazer tudo sozinhos. Assim, era preciso distribuir as responsabilidades,
visto que a evangelização era prioritária
(v.2). Deixar de distribuir alimentos de
forma organizada aos mais pobres da comunidade era esquecer
um aspecto do espírito vivo na Igreja nascente de
Jerusalém (Atos dos Apóstolos 2,42-47;
4,32-37), embora essas comunidades tivessem suas
fraquezas (Ananias e Safira).
Por
isso, a queixa dos gregos sobre esta falha da Igreja primitiva
foi levada à assembléia geral. Os apóstolos
decidiram que não podiam deixar a pregação
(serviço da palavra) e a oração
(serviço litúrgico). Então
buscaram um novo ministério escolhendo sete homens,
que receberam o poder com a imposição das
mãos dos apóstolos (v.6).
Eram homens de boa reputação que se colocaram
a serviço dos pobres. Surgia assim o diaconato. A
imposição das mãos era no judaísmo
um gesto que exprimia conferir um encargo.
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Segunda
Leitura
1 Pedro
2,4-9
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CRISTO,
PEDRA ANGULAR; OS CRISTÃOS, GENTE ESCOLHIDA, SACERDÓCIO
RÉGIO
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Pedro
dirigiu esta carta aos migrantes da Ásia. É
uma catequese batismal para pessoas iletradas, sem pátria
e sem liberdade. O nosso texto está exatamente no
ponto de transição entre as catequeses e as
exortações e o tema é constituído
por uma dupla imagem: pedra angular e edifício espiritual.
Jesus
é apresentado como pedra angular que os construtores
rejeitaram, mas que Deus considerou preciosa para dar início
à nova sociedade, onde todos são sacerdotes
santos, sacerdotes que não visam oferecer sacrifícios
como no Antigo Testamento, porque o único sacrifício
agradável é estar unido a Cristo. Pois Cristo
é a pedra fundamental da nova sociedade.
Para
Pedro, os cristãos são a raça escolhida
de Deus, o povo que Jesus Cristo conquistou.
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Evangelho
João
14,1-12
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UNIÃO DO PAI E DO FILHO |
Este
trecho pertence ao discurso de despedida de Jesus (João
13 – 17). Os discípulos estão
desanimados e isto revela o estado de ânimo da comunidade
na qual o Evangelho de João nasceu, portanto uma
situação de perplexidade, desânimo e
falta de clareza no caminho. A resposta de Jesus visa encorajá-los
e a fé é a garantia do êxito dos cristãos.
Neste
contexto Jesus pronuncia o discurso do adeus, que culmina
na oração sacerdotal. Nele encoraja os apóstolos
a vencer as provações (“Não
se perturbem”, “Tenham fé”),
pois só a fé em Deus permite superar as provações.
Nesta atmosfera íntima de amizade, Jesus faz o seu
testamento espiritual. Apresenta-se como o caminho pelo
qual se chega ao Pai. A palavra caminho está entre
as mais presentes na Bíblia. Nasceu na experiência
do Êxodo (Deuteronômio 1,30-33; 2,1;
8,2-10; Salmo 77,20). Seguir o “caminho
da vida” era uma expressão
muito usada no cristianismo primitivo (Didaké
1,1). Não significava apenas agir de modo
correto, mas sobretudo colocar-se no lugar onde Deus se
revela, inserir-se no fluxo da palavra que encontra a própria
origem no Sinai e é transmitida de uma geração
a outra. No Novo Testamento, a palavra caminho, em hebraico
“Derek”
e em grego “odos”,
significa seguir Jesus, e por isso é um meio excelente
para chegar à casa do Pai.
Jesus
afirma também que na casa do Pai há muitas
moradas. Expressa a fé popular daquele tempo, que
imaginava o mundo de Deus como uma grande residência
com muitos lugares reservados aos eleitos.
Jesus
diz “Eu sou”
(Ego eimi) o
Caminho, a Verdade e a Vida", isto
é, Jesus é a revelação autêntica
do Pai, a fidelidade plena.
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REFLEXÃO |
| A
liturgia continua nos oferecendo a leitura do livro dos Atos
dos Apóstolos neste período pascal. Através
deste livro ela nos apresentou primeiro a imagem ideal da
primeira comunidade de Lucas (2º domingo da Páscoa).
Hoje nos apresenta a primeira crise que envolveu essa comunidade
ideal. Embora os cristãos pertencessem todos à
nação judaica, diferenciavam-se pela língua
e pela cultura, pois alguns judeus palestinos falavam o hebraico,
enquanto outros, vindos da diáspora, falavam o grego,
a língua “koiné”.
Os
gregos se queixavam que suas viúvas estavam sendo esquecidas
na distribuição de gêneros aos pobres.
Havia uma discriminação cultural e social. O
problema foi resolvido quando os apóstolos propuseram
a escolha de sete homens de boa reputação para
se ocuparem do serviço aos pobres. Eles receberam a
imposição das mãos e assim surgiu o diaconato,
que não se limitava à administração
material, pois Estêvão e Filipe também
evangelizavam.
Este
fato revela o início de uma organização
eclesial com a distribuição de responsabilidades,
aqui organizando o ministério da caridade, com a preocupação
pelos pobres. A co-responsabilidade na comunidade eclesial
mostra que o povo de Deus é chamado por Deus para servi-lo
em santidade como um povo sacerdotal. E os membros desse povo
são pedras vivas do edifício da Igreja, cuja
pedra angular é Cristo (2ª leitura).
O
povo de Deus que forma a Igreja Corpo de Cristo é qualificado
como sacerdócio santo e régio, raça escolhida
e santa. Esta afirmação de Pedro faz alusão
a Êxodo 19,5-6, onde Deus disse ao povo: “Vocês
serão minha propriedade pessoal entre todos os povos,
serão para mim um Reino de sacerdotes e uma nação
santa”. Também o Apocalipse (1,6;
5,10) fala dos cristãos como de um reino de
sacerdotes.
Da
mesma forma o Vaticano II fala que “os
batizados são pela regeneração e unção
do Espírito Santo consagrados como Templo espiritual
e sacerdócio santo, para que todas as obras do homem
cristão sejam como sacrifícios espirituais e
anunciem os poderes daquele que das trevas os chamou à
sua luz admirável” (Lumen
Gentium 10,1).
Tanto
o sacerdócio comum dos cristãos como o sacerdócio
ministerial se ordenam um para o outro, embora se diferenciem
na essência e não só em grau. Pois participam,
cada qual a seu modo, do único sacerdócio de
Cristo. O sacerdote ministerial, pelo poder sagrado de que
goza, forma e rege o povo sacerdotal, celebra o sacrifício
eucarístico na pessoa de Cristo e O oferece a Deus
em nome de todo o povo. Os fiéis, em virtude do seu
sacerdócio régio, concorrem na oblação
da Eucaristia e o exercem na recepção dos sacramentos,
na oração e na ação de graças,
no testemunho de uma vida santa, na abnegação
e na caridade (Lumen Gentium 10,2).
O
sacerdócio comum dos fiéis é exercido
na vida e nos sacramentos, a começar pelo Batismo,
chegando ao testemunho de vida e à oferenda de toda
a existência. O culto que os fiéis oferecem são
suas próprias vidas como sacrifício vivo (Romanos
12,1). O sacrifício litúrgico é
a fé (Filipenses 2,7). Por isso, a
Igreja é o Povo de Deus (Lumen Gentium 2).
O
evangelho de hoje é uma auto-revelação
de Jesus como Caminho, Verdade e Vida, porque Ele é
Deus, é um com o Pai. É a imagem visível,
o rosto de Deus, e por isso quem o vê, vê o Pai.
Temos o conhecimento do Pai a partir do Filho.
Para
João, o “conhecer”,
que está no contexto do pensamento bíblico semita,
expressa uma experiência pessoal com Deus através
de Jesus Cristo, que O manifesta em sua pessoa e em suas obras. |
Pe.
José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A
Palavra, Ano A:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico A"
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