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COMENTÁRIO
AOS TEXTOS BÍBLICOS |
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Ano
A
TEMPO PASCAL
IV Domingo
15
de Maio de 2011
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Primeira
Leitura
Atos dos Apóstolos
2,14a.36-41
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PRIMEIRAS
CONVERSÕES:
CERCA DE TRÊS MIL ADEPTOS
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O
trecho traz o discurso de Pedro, a sua declaração
final no dia de Pentecostes e a reação do
povo ao anúncio convertendo-se. Conscientes de que
devem ser testemunhas, os apóstolos dão testemunho
do Ressuscitado na pessoa de Pedro. O discurso de Pedro
é uma catequese aos hebreus permeada de textos do
Antigo Testamento (Deuteronômio 18,15).
Ele conclui o discurso declarando que JHWH
é
o autor da entronização de Jesus, constituindo-o
“Kyrios”
em Cristo, Senhor e Messias (v.36). Com
a ressurreição foram destruídas todas
as lideranças que haviam condenado Jesus. Agora Jesus
é o Senhor, o único Absoluto.
Diante
do discurso de Pedro, as pessoas perceberam que era tempo
de romper com o poder opressor e sentiram o desejo de mudança:
“O que devemos fazer?”.
Pedro respondeu imediatamente que precisavam converter-se
e ser batizados em nome de Cristo, para ter o perdão
dos pecados. Conversão significava abandonar o sistema
que oprimia e o Batismo é a conseqüência
imediata da conversão. Com ele, as pessoas passavam
ao senhorio de Jesus, associando-se a ele num compromisso
sério e, com a posse do Espírito Santo dado
pelo Pai, todos teriam a luz para superar as trevas.
O
testemunho de Pedro contém outro convite: “Salvem-se
dessa gente corrompida” (v.40),
isto é, o cristão não deve conformar-se
com o sistema que corrompe, pois este não é
o projeto do Pai. Para livrar-se desse sistema, é
preciso reconhecer Cristo como único Senhor.
Este
discurso contém o núcleo mais antigo e característico
da cristologia do Novo Testamento, que diz: “Deus
o constituiu“ (epòisen),
o fez, o tornou Senhor. O centro dessa cristologia não
é a encarnação, mas a ressurreição,
pois foi com ela que Jesus se tornou Senhor. Só com
a ressurreição se cumpriram as promessas do
Antigo Testamento a respeito da salvação messiânica.
O
discurso de Pedro tinha toda a solidez e convicção.
De fato, ele usa a afirmação: “Com
certeza” (asfalòs).
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Segunda
Leitura
1 Pedro
2,20b-25
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VOCÊS
ERAM COMO OVELHAS TRESMALHADAS, MAS RETORNARAM AO PASTOR
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Pedro leva aos cristãos da Ásia
Menor, perseguidos por Domiciano e Trajano, o seguinte discernimento:
Como se comportar diante dos patrões prepotentes
e violentos? Ser cristão é aceitar Jesus como
único Senhor. Como fazer? Para o Antigo Testamento,
o único caminho é fazer o bem (v.20),
porque este foi o caminho escolhido por Cristo e o seu comportamento
é norma para os que seguem seus passos. Não
se trata de aceitar a escravidão, mas associá-la
à prática de Jesus.
Pedro se inspira na figura do Servo sofredor
de JHWH, na
qual é ressaltada a inocência do Servo.
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Evangelho
João
10,1-10
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JESUS, O BOM PASTOR |
Este
capítulo é conhecido como evangelho do bom
Pastor. A expressão do Deus bíblico na imagem
do pastor tem origem na civilização agrícola
oriental, onde o pastor tinha uma função importante
como proprietário e patrão. Por isso, o título
de pastor era também aplicado ao rei ou ao chefe
militar. A Bíblia respira o ambiente desta civilização
agrícola, sobretudo no ciclo dos patriarcas (Gênesis
12 – 50).
Este
capítulo está ligado ao capítulo 9,
que narra a cura do cego de nascença, onde Jesus
desmascarou as falsas lideranças religiosas do Templo,
que mentiam e manipulavam. Jesus conta esta parábola
com base no capítulo 34 de Ezequiel, texto que era
lido na Festa da Dedicação entre os hebreus.
Nele Ezequiel aponta os defeitos das lideranças religiosas
que roubavam o povo.
Para
entender a parábola é preciso conhecer os
costumes pastoris. Os pastores conheciam as ovelhas pelo
nome e pelas características. Elas eram reunidas
à tardinha pelo pastor no curral cercado por pedras,
que tinha uma porta onde ficava o vigia noturno. De manhã,
cada ovelha era chamada pelo nome e todas saíam e
seguiam o pastor pelas pastagens.
Na
parábola, Jesus contrapõe o pastor ao ladrão.
Este pula o muro para assaltar, ao passo que o pastor passa
pela porta. A parábola é, portanto, dirigida
aos líderes que roubam, mas estes não a entendem.
A atitude do pastor consiste em chamar, conduzir para as
pastagens, caminhar à frente.
Na
segunda parte da parábola, Jesus se autodefine como
sendo a porta, isto é, não se tem acesso ao
povo sem passar por ele, sem estar em sintonia com o seu
projeto, e quem não assume esse princípio
é explorador.
Entrar
pela porta é encontrar a salvação,
pois é deixar conduzir-se por Jesus. Sair pela porta
é caminhar para a liberdade, é ir ao encontro
da vida, é não ter fome nem sede. Por isso,
a verdadeira liderança comunica a vida (1Tessalonicenses
2,7-8; 2Coríntios 11,9-11; Gálatas 4,19).
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REFLEXÃO |
| Pedro,
unido aos outros apóstolos, fala pela primeira vez
ao público cosmopolita de Jerusalém no dia de
Pentecostes, testemunhando a morte e ressurreição
de Jesus. Enquanto nos Atos dos Apóstolos 2,36 os interlocutores
dos apóstolos são os membros da “casa
de Israel”, na carta de Pedro são
os convertidos do paganismo, qualificados como “ovelhas
perdidas”, distantes do pastor (2,25).
Enquanto os primeiros ouvem uma apresentação
de Jesus baseada em textos do Antigo Testamento, os segundos
escutam o ensinamento moral que deriva da sua doutrina. Todos
são chamados (Atos dos Apóstolos 2,39)
a reconhecer Jesus. Todo cristão é testemunha
da ressurreição, porque Deus opera em nós
a graça do Espírito Santo (Atos dos
Apóstolos 2,38).
Jesus,
ao se apresentar como bom Pastor, recorre a Ezequiel 34, porém
confiou a construção do seu ministério
pastoral aos apóstolos. De fato, a Igreja é
constituída sobre o fundamento dos apóstolos
que ele escolheu (João 20,21). Eles
estão na origem da hierarquia e receberam de Jesus
uma missão até o final dos tempos (Mateus
28,19-20). Portanto, o ministério pastoral
jamais faltará à Igreja e ao mundo. Os que receberam
essa tarefa não a exercem com autoridade própria,
mas por força da autoridade de Cristo. São os
anunciadores do Evangelho, os administradores da graça
divina, e o poder para agirem assim lhes é conferido
por um sacramento específico: a Ordem (Catecismo
da Igreja Católica, 875). Assim, a autoridade
é vista como serviço (1Pedro 5,2-3).
A
tarefa pastoral dos ministros tem uma tríplice função:
01)
ensinar e anunciar o Evangelho e vigiar
para que o povo viva na verdade. Os fiéis devem
um obséquio religioso ao ensinamento ordinário
dos Bispos (Catecismo da Igreja Católica,
888-893);
02) santificar
mediante orações, sacrifícios, testemunho
de vida e por meio dos sacramentos, particularmente da
Eucaristia;
03) governar
com um espírito permeado pelo espírito de
serviço (Catecismo da Igreja Católica,
894-896).
Também
os leigos que não receberam o sacramento da Ordem fazem
parte do povo de Deus e participam pelo Batismo da tarefa
sacerdotal, profética e real de Cristo na Igreja. Participam
assumindo as tarefas que são próprias do seu
estado. Assumem as realidades temporais, sociais, políticas
e econômicas de maneira tal que o Espírito de
Cristo esteja em todas essas áreas. É graças
à ação dos leigos que a Igreja se torna
princípio vital na sociedade (Catecismo da
Igreja Católica, 898-899).
Ao
homem do novo milênio apresenta-se uma multidão
de pastores, ávidos de se tornarem mestres de vida,
mas muitos são profetas enganadores e falsos, “mestres
de vida” que precisamos evitar. Esse tipo de pastores
são atraentes, porém não levam à
vida, e são como o ladrão de que fala o Evangelho.
Santo Agostinho escreveu que já no seu tempo era possível
enumerar 288 opiniões diferentes de filósofos
que tentavam definir qual era a maior alegria para o homem.
Para os cristãos, a maior alegria é possuir
o máximo bem que é Deus, é a união
total e perfeita com Ele.
Jesus
se autodefine como bom Pastor, excluindo os demais, porque
está disposto a dar a vida por suas ovelhas, não
como os mercenários. Ele é bom pastor porque
conhece suas ovelhas e elas o conhecem. O verbo conhecer em
João não fica no plano intelectivo, mas é
um conhecimento que gera comunhão, relação
pessoal e recíproca.
Como
Pastor, Ele entrega a vida por suas ovelhas e a dá
livremente. É o único Pastor. Por isso quer
reunir todas as ovelhas, judeus e gentios, num só rebanho.
A
imagem do bom Pastor teve uma grande aceitação
entre os primeiros cristãos. É atestada em pinturas,
relevos, desenhos, mosaicos e esculturas em catacumbas e edifícios
da antigüidade. Jesus constituiu os apóstolos
pastores de suas ovelhas. Disse a Pedro: “Apascente
as minhas ovelhas... (Atos dos Apóstolos
21,15), isto é,
deu-lhe a missão de dirigi-las e governá-las,
e Pedro se tornou o alicerce da Igreja. O Papa é o
“outro”
Cristo na Terra”
(Catarina de Sena). Portanto, devemos amá-lo
e escutá-lo |
Pe.
José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A
Palavra, Ano A:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico A"
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