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COMENTÁRIO
AOS TEXTOS BÍBLICOS |
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Ano
A
PÁSCOA
Ressurreição
24 de Abril de 2011
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Primeira
Leitura
Atos dos Apóstolos
10,34a,37-43
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OS
APÓSTOLOS, TESTEMUNHAS DO REDIVIVO
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A
leitura dos domingos da Páscoa são sempre
dos Atos dos A-póstolos, privilegiando assim o “Livro
da Igreja”. Neste capitulo é
apresentada uma situação histórica
para a Igreja: o contato com os gentios, que era proibido
pela legislação judaica. Pedro rompe com este
esquema elitista hospedando-se na casa de Si-mão
o Curtidor (uma profissão impura).
O
nosso texto faz parte dos “discursos
de Pedro”, que apresenta uma catequese
sobre Jesus evidenciando as etapas mais significativas da
sua vida. Antes de tudo afirma a historicidade de Jesus:
ele viveu num contexto geográfico reconhecível,
em Nazaré da Galiléia e em Jerusalém,
e num contexto histórico bem definido, isto é,
durante o ministério de João Batista. Por
isso, Jesus não é comparado a um semideus
da cultura helenista (Theiòs Anèr),
não é um homem deus indefinido e nem mesmo
reconhecível pelas caricaturas que a cultura romana
faria sobre ele (Suetônio, Tácito,
Primo o Jovem).
Nesta
catequese é afirmada a sua relação
especial com Deus. Ele foi consagrado “no
Espírito Santo”, como acontecia
com os grandes personagens da Bíblia sobre os quais
o “Espírito de
Jh-we” pousava para destiná-los
a uma missão particular. Mas, dife-rente deles, a
relação entre Jesus e Deus é definida
sobretudo pela sua divindade. Por isso, uma catequese sobre
Jesus não enfocada na sua divindade é imperfeita
e não responde ao projeto de Deus para ele.
Pedro
destaca que Jesus “passou
curando e fazendo o bem a todos”,
não fazendo milagres apenas para o corpo, mas trans-formando
estes seus gestos em sinais de salvação porque
“Deus estava com Ele”.
Uma catequese sobre Jesus que apresente apenas o aspecto
extraordinário e mágico de seus milagres,
sem conduzir os destinatários para a compreensão
do significado justo (vitória sobre o pecado
e conversão do homem), não é
completa nem verdadeira.
Pedro
fala da ressurreição de Jesus utilizando fatos
incontestá-veis (morto-crucificado),
mas “Deus o ressuscitou”.
Fala isto num ambiente judeu onde eram conhecidas as grandes
intervenções de Deus. Por isso explicita “segundo
as Escrituras”, o que significa que
a ressurreição foi o cume da história
da salvação, para onde todas as promessas
de Deus convergiam.
Pedro,
ao aceitar o convite para ir à casa de Cornélio,
militar ro-mano que vivia na Cesaréia, levou a comunidade
cristã para fora do território judaico e ali
explicou que Deus não faz distinção
de pessoas, pois o novo povo de Deus não estava mais
ligado à raça ou à nação.
Agora o critério para pertencer a este povo é
acreditar em Jesus e viver a justiça (v.34),
que se espelha na ação de Jesus que fez o
bem. Agora a função da comunidade é
testemunhar a prática de Jesus através do
anúncio (vv.39.40.42.43).
Este
discurso de Pedro na casa do centurião Cornélio
e de sua família foi o primeiro anúncio aos
incircuncisos e nele ele faz uma rápida recapitulação
do mistério pré-pascal de Jesus, “uma
vida de Jesus em miniatura” (E.
Rasco).
Toda
a atividade pré-pascal de Jesus é recapitulada
e conden-sada nas coordenadas geográficas (da
Galiléia até Jerusalém) e
cronológicas (desde João Batista até
a Paixão). Ela é descrita como uma
passagem luminosa de libertação e salvação.
Jesus, ungido pelo Espírito, passou entre os homens
operando sinais de salvação e libertação
do Maligno, anunciando o Reino e o perdão.
Esta
iniciativa divina foi barrada pela incredulidade dos homens
que o crucificaram, mas esta ação humana foi
contraposta pela ação divina que o ressuscitou
dos mortos e o revestiu de realeza universal e disto ele
testemunha.
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Segunda
Leitura
Colossenses
3,1-4
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Paulo
escreveu esta carta quando estava preso em Éfeso
nos anos 55-57 para corrigir algumas idéias que admitiam
uma série de seres celestes intermediários
entre Deus e as pessoas. Isto comprometia a supremacia de
Cristo.
À
luz da Páscoa, este trecho é uma exortação
aos cristãos para que tenham consciência do
que a ressurreição de Jesus operou no mundo.
O cristão não tem diante de si apenas o horizonte
terreno, condicionado pelo pecado, pois a Páscoa
de Jesus o coloca num horizonte completamente novo que Paulo
exprime através de verbos indicativos e imperativos.
Os verbos indicativos exprimem a nova condição
de vida em que o cristão é colocado: “Vocês
morreram e a vida de vocês está escondida com
Cristo em Deus”. Esta obra de Deus
é o dom que o cristão experimenta com o Batismo.
Os verbos imperativos indicam o caminho diário do
cristão, o seu empenho para viver a novidade da Páscoa
e a sua tensão diária para o ideal de vida
traçado pela ressurreição de Cristo
e acolhido no Batismo. “Procurai
as coisas do alto...”. O verbo procurai
(zè-teîte) é
um imperativo presente.
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Evangelho
João
20,1-9
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ANÚNCIO DA RESSURREIÇÃO |
Este
texto é uma catequese sobre a ressurreição
visando responder à pergunta: Com que disposição
o cristão deve encarar o túmulo vazio? Haverá
ainda necessidade de outros sinais para suscitar a fé
em Jesus?
A
cena inicia com uma indicação do tempo: “no
primeiro dia da semana”. Neste primeiro dia teve início
a nova criação nascida da morte e ressurreição
de Jesus. Maria Madalena (figura simbólica)
representa a comunidade sem perspectivas de fé, incapaz
de assimilar a morte de Jesus. Ela é a figura representativa
de todos que pensam que o túmulo é o lugar
do fracasso de Deus. De fato, no versículo 2 ela
fala no plural: “Não sabemos.” Diante
da pedra rolada da boca do túmulo ela pensa em roubo
do cadáver e não em ressurreição
(2b).
Também
os dois discípulos representam a comunidade que não
assimilou a ressurreição de Jesus. Maria Madalena
encontrou apenas os dois. Isso dá a entender que
a comunidade havia se dispersado (16,32).
João, o discípulo que Jesus amava, chegou
primeiro. Quem ama corre mais e chega primeiro (João
acompanhou Jesus de perto em suas horas de abandono).
O fato de João esperar Pedro indica que ele não
se considerava superior por ter acompanhado Jesus de perto
e que havia acontecido algo inaudito que só o discípulo
que ama é capaz de descobrir e tornar objeto da sua
fé (v.8).
A
ressurreição é compreendida não
tanto devido ao túmulo vazio ou às aparições
de Jesus, mesmo que estas sejam realidades históricas
e não alucinações dos discípulos,
mas pela consciência que é preciso ter do agir
de Deus na história da salvação. O
túmulo vazio pode enganar (“Levaram-no
daqui”), assim como as aparições
(Jesus é confundido com o jardineiro –
João 20,15). Também os discípulos
de Emaús não o reconheceram (Lucas
24,15) e os apóstolos duvidaram (Mateus
28,17), mas da Palavra de Deus não se pode
duvidar. A ressurreição de Jesus tornou-se
com toda a Bíblia História da Salvação.
O Deus que criou o homem e o colocou no “paraíso
terrestre”, que o uniu à mulher,
que lhe escolheu um povo em Abraão, que o libertou
da escravidão do Egito e o colocou na terra prometida,
que o libertou novamente da escravidão na Babilônia
e o orientou no caminho em direção ao Messias
é o mesmo que ressuscitou Jesus. As “mãos”
do Deus da criação, a “direita”
e o “braço forte”
do Êxodo, o “coração”
de Deus que fez o povo voltar do Exílio se juntaram
na intervenção definitiva e decisiva que é
a “Ressurreição
de Jesus” (Salmo responsorial).
O
evangelho ressalta alguns elementos importantes para a nossa
fé na ressurreição, antes de tudo a
“insubstituidade do
ministério dos apóstolos”.
Eles eram as testemunhas e os anunciadores da ressurreição
e ninguém podia substituí-los nesta função.
Por isso Maria Madalena correu até eles. Em segundo
lugar, a “experiência
do domingo como dia da ressurreição”.
Na celebração eucarística dominical
fazemos a experiência do corpo glorioso e ressuscitado
do Senhor, que confirma a autenticidade do testemunho dos
apóstolos sobre a ressurreição. A ressurreição
é compreendida à luz da Palavra de Deus e
da fidelidade de Deus a esta Palavra. Neste sentido, a Páscoa
conclui o itinerário de fé do cristão
que ao longo da Quaresma meditou sobre a Palavra de Deus
e agora a vê realizada na ressurreição
de Jesus (“Ressuscitou segundo as Escrituras”).
Enfim, a referência ao “ministério“
de Pedro, com o destaque que João deu à pessoa
de Pedro no testemunho da ressurreição e nas
aparições de Jesus, o que é compreensível
à luz do primado de Pedro.
Na
segunda leitura, além da afirmação
da “divindade de Jesus”,
são oferecidos outros dois pontos para o anúncio:
antes de tudo a realidade da morte e ressurreição
de Jesus. A morte de Jesus não pode ser contestada.
Ela constitui o primeiro núcleo da catequese sobre
Jesus (mataram-no pregando-o na cruz).
A ressurreição de Jesus completa o significado
da sua encarnação. É um acontecimento
histórico, mas também meta histórica
que supera todo o limite de condicionamento.
Enfim,
o valor do testemunho. A catequese sobre a ressurreição
de Jesus não se baseia em impressões ou alucinações,
mas num padrão de vida de comunhão com ele
(comemos e bebemos com Ele) e no encontro
com Ele após a sua morte através da ressurreição.
A expressão “Quis
aparecer não a todo o povo, mas a testemunhas escolhidas
por Deus” é uma interpretação
“teológica”
das aparições. Jesus não apareceu a
todos porque no plano de Deus a salvação que
brota da ressurreição chega ao homem através
da mediação do testemunho dos apóstolos.
Isto explica porque o anúncio da ressurreição
não foi confiado a qualquer um, nem às mulheres,
embora tenham sido as primeiras a comprovar a ressurreição.
Só os apóstolos foram escolhidos por Jesus
para este ministério na Igreja e no mundo.
A
liturgia da Páscoa está toda voltada para
a contemplação estática e arcana da
Páscoa do Senhor. É um evento simples e indiscutível,
mas ao mesmo tempo uma experiência maravilhosa de
fé. Uma alegria incontestável sai dos corações
invadidos pela luz e pela admiração. Assim,
hoje a Igreja volta-se para Deus e pede que a ressurreição
de Jesus produza frutos: “Pai,
concedei-nos sermos renovados no Espírito para renascer
à luz do Senhor ressuscitado”
(Coleta).
Na
segunda leitura há o anúncio da ressurreição
ordenado para anunciar esta verdade aos povos (Atos
dos Apóstolos 10,39-42). Estamos diante
de testemunhas que viram e ouviram Jesus antes de ser morto,
na Galiléia e na Judéia, e quando Ele ressuscitou
comeram e beberam com Ele e foram constituídas testemunhas
da ressurreição.
A
ressurreição tornou-se um evento salvífico
para o homem e Paulo chama a nossa atenção
com esta afirmação: “Vocês
foram ressuscitados com Cristo”. Vivemos
uma tensão espiritual em direção à
meta da nossa ressurreição. A força
do Ressuscitado está presente e age em nós.
Com Cristo estamos empenhados dramaticamente em nos desvincular
da hipoteca do mal, resíduo do pecado, e assim nossos
ouvidos estão atentos às palavras de ordem:
“Busquem as coisas do
alto”. O cristão já
antecipa o mistério pascal: “Morreu
com Cristo e sua vida está escondida com Ele em Deus”.
A vida gloriosa da ressurreição já
está presente, embora ainda escondida com Cristo
em Deus. Virá o momento em que ela será desvendada:
“Quando Cristo se manifestar
em nossa vida, então também nós seremos
manifestados com Ele na glória”.
No
contexto da ressurreição existe um ponto central
na experiência dos discípulos: trata-se do
verbo “ver”, que está presente no mais
antigo símbolo de fé da ressurreição:
“Cristo ressuscitou
segundo as Escrituras no terceiro dia e foi “visto”
por Pedro e depois pelos doze” (1
Coríntios 15,5). Ver no contexto da Páscoa
é um verbo importante. É muito mais do que
um simples fenômeno ótico. Quer indicar que
o ressuscitado se auto-apresentou ou quase se impôs
à vista. Ele não se revelou como um objeto
passível de ser visto, mas instaurou um relacionamento
autenticamente pessoal e é neste sentido que Pedro
exclama: “Eu vi o Senhor”
(1 Coríntios 9,1). O ver é
a percepção de uma pessoa presente, uma experiência
forte, capaz de conduzir à fé (João
20,1-9), ao empenho, ao testemunho e à missão
(João 19,35). Assim aconteceu com
João, com as mulheres e com os discípulos
de Emaús.
Jesus
ressuscitado se mistura com as várias situações
de convivência humana. Mostrou-se a Maria Madalena
quase como um jardineiro, a Pedro levando o seu perdão
num encontro íntimo, às mulheres na beira
do túmulo, aos discípulos de Emaús
caminhando e comendo com eles, aos discípulos no
cenáculo, a Tomé mostrando seus pés
e mãos, aos apóstolos no lago de Genesaré,
na Galiléia dando aos discípulos a missão.
Este Cristo ressuscitado age hoje em nós com sua
graça através dos sacramentos.
Cada
celebração eucarística, síntese
do mistério pascal, é tipicamente uma convocação
do Senhor para ficar na sua presença vivendo uma
comunhão de fraternidade. Por isso, São Jerônimo
dizia que os cristãos vão à igreja
para se tornarem Igreja.
A
nossa ressurreição não acontece somente
com a nossa morte. Ela já se inicia aqui, pois constitui
um processo de vida dentro da nossa mortalidade. Toda vez
que a bondade triunfa sobre o ódio em nossa vida
terrena, toda vez que o nosso coração se abre
para o coração do outro, toda vez que uma
ação justa se constrói, a ressurreição
se instaura em nós. Assim se dá em nós
a passagem do homem velho para o homem novo.
Bradsbury,
grande escritor de ficção, descreve uma aeronave
do futuro que parte em direção a um planeta
onde o Messias havia se manifestado. Quando a tripulação
chegou lá recebeu a informação de que
o Messias havia partido para outro planeta. Partiram para
esse planeta, mas constataram a mesma coisa, e assim outras
vezes, até que o Messias se deixou encontrar nos
espaços infinitos e perguntou à tripulação:
“Por que me procuravam,
homens de pouca fé? Não lhes disse há
muito tempo que estaria com vocês até o final
dos tempos?”. Por isso, não
precisamos buscar Jesus em outros lugares. Ele se encontra
na pessoa do próximo, na Eucaristia...
A
ressurreição de Jesus é a chave para
interpretar toda a sua vida e é o fundamento da nossa
fé. Sem ela o cristianismo seria vazio. Ela é
o núcleo de toda a pregação. Por isso,
a nossa missão de cristãos é proclamar
a glória de Cristo com palavras e obras.
A
ressurreição não foi uma simples re-vivificação
como a de Lázaro, mas a entrada no mundo de Deus,
assumindo uma existência nova cheia do Espírito
Santo. Isto quer dizer que Deus venceu a morte, a vida triunfou
sobre a morte. Hoje, com a nossa fé, vemos que a
morte não é a vencedora, porque foi vencida
definitivamente na ressurreição de Jesus.
Devemos
viver como ressuscitados. Este é o grande imperativo
desta celebração: projetar o mistério
pascal em nossa vida. O Cristo ressuscitado opera no coração
dos homens em virtude do Espírito Santo, não
só inspirando para o mundo futuro, mas fortalecendo,
frutificando novos propósitos na vida dos homens.
Devemos viver como transformados. E quais são estes
sinais de transformação?
a)
Vida de Luz - “Agora
vocês estão no Senhor, caminhem como filhos
da luz”; cultivar a pureza interior,
ter coerência, escolher sempre a vontade de Deus,
abrir-se ao Espírito Santo e deixar-se guiar por
Ele.
b) Vida de Amor -
Só o nosso amor universal, concreto, testemunha
o Cristo ressuscitado. A revolução existe,
ela começou por aqui.
c) Vida
de Luta - A vida em Cristo não é
fácil, exige quase sempre heroísmo. Para
isso devemos revestir as armaduras de Deus para resistir
ao mal (Efésios 6,10ss). Lutar
contra a mediocridade, o questionismo, o facilismo, o
comodismo.
d) Vida
de Alegria - A fé na ressurreição
nos tira da angústia e a alegria é a grande
testemunha que o mundo doente de hoje espera de nós.
e)
Vida do Céu - Paulo diz para buscar
as coisas lá de cima. Isto não significa
alienar-se aqui. Significa não perder a meta do
nosso caminho, caminhar com os pés na terra, mas
com os olhos, as intenções e o desejo voltados
para o céu.
f)
Vida de Esperança - Viver na esperança
significa viver Deus, o Cristo ressuscitado em todas as
circunstâncias de nossa vida, mesmo nas dolorosas.
É olhar a luz brilhante do sepulcro vazio e ver
como tudo se modifica.
O
dia da comemoração da ressurreição
de Jesus é o dia mais importante e mais bonito para
nós, cristãos. É este evento que fundamenta
todo o cristianismo. É o fato de que o homem de Nazaré,
depois de morto e colocado no sepulcro, deixou-o para não
mais morrer. Este é o acontecimento central da nossa
fé, pois se o Cristo não ressuscitou vã
é a nossa fé.
Devemos
primeiro ver a ressurreição de Jesus como
prova da nossa fé: a ressurreição é
um fato histórico, pois três dias após
a sua morte o sepulcro estava vazio e durante quarenta dias
apareceu aos seus discípulos instruindo-os. Os discípulos
não só viram o Senhor ressuscitado, mas conviveram,
comeram e beberam com Ele. É nesta experiência
pessoal dos discípulos que fundamentamos a nossa
fé.
Os
discípulos que fizeram a experiência da ressurreição
de Jesus eram pescadores simples, longe de serem visionários
ou vítimas de possíveis alucinações.
Além do mais, a tragédia da sexta-feira santa
havia feito com que eles se precipitassem na prostração
e do ponto de vista psicológico não estivessem
nada dispostos a acreditar. A atitude de São Tomé:
“Se eu não colocar
o meu dedo no lugar dos pregos e não introduzir a
minha mão no seu lado não acreditarei...”
representa o estado de ânimo de todos os discípulos.
O
que fez então com que saíssem do estado de
prostração, dando-lhes esperança e
fazendo-os pregadores e mártires? O que fez com que
passassem da incredulidade à fé, da tristeza
à alegria, do medo à coragem? Não pode
ter sido outra coisa senão terem visto Jesus ressuscitado.
“Ele ressuscitou e disto
somos testemunhas”: este foi o anúncio
que eles fizeram ressoar por todo o Império Romano,
anúncio pelo qual não pouparam suas vidas,
enfrentando o martírio, anúncio que convenceu
o mundo e o fez tornar-se cristão.
Não
podemos explicar o nascimento e a difusão do cristianismo
depois do falecimento na cruz senão com o fato histórico,
real, da ressurreição de Jesus. Se o mundo
tivesse se convertido ao cristianismo sem o milagre da ressurreição,
seria um milagre que superaria todos os outros milagres.
O fenômeno histórico da difusão do cristianismo
tem uma explicação adequada na ressurreição
de Jesus.
Em
segundo lugar, devemos ver a ressurreição
como fundamento da vida cristã. A ressurreição
não é apenas uma prova da nossa fé
(aspecto apologético), é
também o fundamento da nossa vida cristã (aspecto
teológico). É graças à
ressurreição que o cristianismo não
é uma filosofia, um sistema de pensamento, um conjunto
de verdades abstratas, mas o encontro com uma pessoa viva,
com Jesus Ressuscitado. Ser cristão significa acreditar
que Jesus ressuscitou, e entrar em comunhão com Ele
significa desfrutar da sua presença, confiar Nele,
aceitá-lo como nosso Senhor. Colocá-lo no
centro da nossa vida significa dizer como São Tomé:
“Meu Senhor e meu Deus!” Tornar nossas as palavras
de glória: “Só
Tu és o Santo, só Tu és o Senhor, só
Tu és o Altíssimo, Jesus Cristo, com o Espírito
Santo na glória de Deus Pai”.
O
cristianismo é vida porque em última análise
não é outra coisa a não ser Jesus Ressuscitado.
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REFLEXÃO |
| Como
devemos viver esta maravilhosa festa da Páscoa? Antes
de tudo reavivando a nossa fé na ressurreição:
Cristo ressuscitou verdadeiramente. Tomando consciência
de que com a ressurreição de Jesus tudo deve
mudar para nós. Com Jesus ressuscitado a eternidade
entrou no tempo ou, se quisermos, o tempo entrou na eternidade,
e, se o tempo entrou na eternidade, então valem para
nós as palavras extraordinárias de São
Paulo: “Vocês ressuscitarão
em Cristo. Busquem as coisas do alto, onde Jesus se encontra
sentado à direita de Deus. Pensem nas coisas do alto,
não nas da terra...” Pensemos
que somos cidadãos do infinito, que seremos todos manifestados
com Ele na glória, que entraremos não só
com a alma, mas também com o corpo nos céus,
e estaremos para sempre com Jesus ressuscitado na plenitude
da glória. |
Pe.
José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A
Palavra, Ano A:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico A"
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