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COMENTÁRIO AOS TEXTOS BÍBLICOS

Ano A
Tempo do Natal
SANTA MARIA, MÃE DE DEUS
01 de Janeiro de 2011

Primeira Leitura
Números
6,22-27
A BENÇÃO SACERDOTAL
PARA O ANO NOVO

Este texto contém a fórmula da bênção sacerdotal atribuída a Aarão. Esta bênção encerrava as celebrações litúrgicas do Templo e era pronunciada por um sacerdote. Foi redigida no tempo do Exílio da Babilônia. Porém, remonta ao tempo de Moisés e Aarão, cerca de seis séculos antes, quando o povo caminhava no deserto em busca da terra prometida, ansiando pela liberdade que se concretizou na posse da terra. O texto pertence à tradição “P” (sacerdotal).

Neste contexto, Deus acompanha o seu povo com a bênção, que é sinal de vida, liberdade, fecundidade e paz. Javé abençoa e guarda (v.24), isto é, protege e conduz rumo ao futuro (posse da terra e liberdade). Ele faz o seu rosto resplandecer e se mostra benigno (v 5), isto é, manifesta graça e benevolência e assim comunica a plenitude de seus bens, sintetizados na paz. A paz era para o povo a posse da terra e dos bens, a liberdade, a dignidade e a possibilidade de ter uma família. No capítulo 1 do Gênesis, texto da tradição “P”, Deus distribui bênçãos, que são sinônimos de liberdade, fecundidade e vida. Ele abençoa o homem e a mulher: “Sejam fecundos, dominem a terra” (Gênesis 1,28), sinônimo de senhorio, de domínio.

Abençoar é uma ordem de Deus e essa bênção não é um simples augúrio, mas eficácia operativa, algo que exprime todos os valores da vida plena. Assim, os sacerdotes garantem a memória da Aliança para o povo, da sua presença e benevolência. Por isso, os sacerdotes abençoavam nas grandes festas litúrgicas de Israel, especialmente no início do novo ano.

Segunda Leitura
Gálatas
4,4-7

O FILHO DE DEUS, NASCIDO DE UMA MULHER

A comunidade da Galácia, depois de ter acolhido Jesus, havia se deixado influenciar por falsos missionários que pretendiam impor-lhe as práticas judaicas, a começar pela circuncisão. Em vista disso, Paulo admoesta os seus membros que Cristo anulou esses ritos, pois a salvação vem da fé e não de ritos, da Lei mosaica. Conscientiza-os que eles passaram da menoridade para a maioridade, da servidão para a filiação divina, pela ação de Jesus que se solidarizou com a humanidade.

Para Paulo, o passado era o tempo em que se vivia na menoridade, comparada à escravidão. Deus, porém, marcou o tempo da emancipação, da maioridade, em que nos tornamos filhos e tomamos posse da herança, passamos a possuir a salvação, podemos chamar Deus de Pai. Portanto, submeter-se à circuncisão e passar a ser novamente escravo é jogar fora a herança divina, é considerar Deus como patrão e não como Pai. A salvação que Jesus operou nos deu a “niothesia”, isto é, a filiação. Foi um evento histórico, e não fruto da evolução interna, mas um compromisso definitivo na história realizada por Deus (v.4).

Evangelho
Lucas
2,16-21
JESUS, FILHO DE MARIA

Este trecho faz parte do Evangelho da Infância. O evangelista começa relatando a pressa dos pastores para chegar a Belém (v.16). Nos pastores, os primeiros a receberem o anúncio do nascimento de Jesus, temos a demonstração da opção de Deus pelos excluídos. A imagem romântica dos pastores no presépio não reflete a realidade. Eles eram mal vistos, pois não respeitavam a propriedade alheia, invadindo-a com seus rebanhos, e cobravam preços exorbitantes por seus produtos. Segundo o Talmude babilônico, um pastor não podia ser juiz nem testemunhar nos tribunais.

Ao chegarem em Belém, os pastores não encontraram nada de extraordinário, apenas um casal pobre com uma criança numa manjedoura, mas naquele menino eles reconheceram o Salvador e voltaram para casa glorificando a Deus, tornando-se anunciadores da mensagem. De receptores passaram a anunciadores.

Lucas ressalta que Maria “conservava tudo em seu coração” (v.19), isto é, interpretava a ação de Deus naqueles acontecimentos, discernindo neles a solidariedade divina. Tem-se dito que Maria teria passado a Lucas as informações sobre o nascimento de Jesus. Contudo, Lucas não dá informações históricas, mas teológicas, isto é, interpreta a presença de Deus naqueles acontecimentos. O versículo 21 mostra com clareza a solidariedade de Deus para com o povo, pois Jesus, nome que significa “Javé salva” (o nome é a carteira de identidade para o semita), é circuncidado e passa a pertencer ao povo.

REFLEXÃO

No Templo de Jerusalém o povo gritava a bênção de Deus. E nós, para quem vamos voltar os nossos olhos, o nosso coração, a nossa mente?

Cada ano que começa é uma possibilidade para verificarmos que o tempo voa e vai nos levando. Estamos todos dentro de um vagão e viajamos rumo a uma estação. A vida é como uma flecha que partiu de um arco tenso. Somos esta flecha rumo à eternidade. Como um rio cujas águas correm para o mar, nós corremos para Deus. A vida é uma aventura maravilhosa, digna de ser bem vivida. Nessa vida maravilhosa que passa, Deus operou em nós um enxerto do absoluto, da eternidade, pois com o seu nascimento Jesus injetou na história um progresso espiritual e temporal. Com Jesus realizou-se a bênção do Antigo Testamento, pois o desejo de paz, prosperidade e vida tem em Jesus o cume de realização. Somos libertados do pecado, não somos mais escravos, pois na plenitude dos tempos Jesus realizou a obra anunciada pelos profetas. Nele e por ele podemos chamar Deus de Pai.

Com a nova Aliança, Deus nos deu a possibilidade de colaborar com o seu Reino, e Maria e José foram os primeiros colaboradores. Maria encarnou as promessas messiânicas do povo e através dela as bênçãos prometidas se realizaram. Através dela a presença de Deus tornou-se carne na nossa história. Por isso, não poderíamos começar um novo ano senão com o sorriso de Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe.

A festa litúrgica celebrada hoje é atestada na história desde o século XVIII em algumas Igrejas. Depois foi estendida a toda a Igreja por Pio XII, por ocasião da comemoração do centenário do Concílio de Éfeso, que se realizou em 431. O calendário litúrgico de 1969 a fixou no dia 1º de janeiro, pois o nascimento de Jesus e a maternidade de Maria são eventos correlatos e indissociáveis. Assim, o clima natalino é o que melhor se apresenta para honrar a Mãe de Deus.

Maria é a Mãe de Deus, como declarou o Concílio de Éfeso com a palavra “Theotòkos”, Mãe da Divindade, Mãe de Cristo, Homem Deus, Pessoa divina (DSD 250 – 263). Maria deu à luz fisicamente o Verbo que se fez carne. Assim, esta solenidade não parte de um fato abstrato, mas de um fato histórico que é um mistério. Esta festa da oitava do Natal é um prolongamento do Natal.

O Concílio de Éfeso afirmou no ano de 341 que a Virgem Maria é “Theotòkos”, “porque deu à luz segundo a lei da carne o Verbo de Deus encarnado”. No Credo professamos: “E encarnou-se no seio da Virgem Maria e se fez homem...”. Quando falamos que o Filho de Deus nasceu de uma mulher, afirmamos com Paulo que na encarnação Ele é realmente e totalmente humanizado. Integrou-se totalmente no processo de geração que está na base da existência de cada homem. Isto quer dizer que Jesus não está distante da nossa realidade, pois compartilhou plenamente a condição humana. Com a encarnação, o Filho de Deus se uniu de certo modo a cada homem, pois trabalhou com mãos humanas, amou com coração de homem e, ao nascer da Virgem Maria, fez-se um de nós em tudo, exceto no pecado (GS 22).

Além disso, afirmamos o laço forte que Maria teve com a vida e a missão salvífica de Jesus. Se o homem vem normalmente ao mundo numa família, e por isso pode-se dizer que deve a ela o fato de existir como homem, assim a vida e a obra salvífica de Jesus revelam esta relação com a Mãe de Deus. É significativo que o Anjo tenha dito a Maria que ela daria à luz um filho, ao qual poria o nome de Jesus. A sua maternidade não se desenvolveu apenas no plano biológico, fundamental e importante, mas também no plano da identificação com o seu filho. O nome salvífico de Jesus é querido por Deus, mas será a Mãe que o chamará assim.

A maternidade de Maria se estende em certa medida também a nós, pois Paulo diz que Deus enviou o seu Filho nascido de mulher para que recebêssemos a adoção de filhos. Isto quer dizer que nossa filiação divina está associada à obra daquela que colaborou de maneira decisiva para a humanização do Filho de Deus. “Ela se tornou nossa Mãe na ordem da graça”.

Paulo destaca a humanidade plena do Filho de Deus, nascido de mulher, mas pretende também, como é próprio da mentalidade grega e hebraica, ressaltar a “kenósis” de Jesus, cuja maneira de vir ao mundo não foi só a mais normal possível, mas também a mais humilhante, evocando assim a necessidade fisiológica da gestação e do parto.

Maria é “Mãe de Deus, não porque a natureza do Verbo ou a sua divindade tenha tido origem da Santa Virgem, mas porque dela nasceu o corpo ao qual o Verbo está unido substancialmente, por isso se diz que o Verbo nasceu segundo a carne” (DS 250 Éfeso).

A festa da Maternidade divina é antiga. Está ligada ao Natal porque não é possível deixar de associar a ele a Mãe, que é a protagonista e artífice do nascimento de Jesus. Todavia, não é só um protagonismo biológico que deve ser lembrado. Lucas insiste num aspecto que parece constituir o perfil essencial de Maria, tal como ele a pinta. Ele diz: “Maria conservava todas essas coisas em seu coração”, apresentando Maria como ouvinte da vontade de Deus. A sua fé é capaz de reflexão, alimenta-se da memória. Ela guarda no coração não apenas as afirmações admiráveis dos pastores, como também a sua alegria, a maravilha do evento que testemunha com José, mas guarda acima de tudo a singularidade da sua vocação, da sua maternidade virginal. Faz a memória de tornar-se próxima de Deus, “que olhou para a humildade de sua serva” (Lucas 1,48).

A sua maternidade não é um simples e mecânico ato de gerar. “O fato de Maria ser a Mãe de Deus não é, na verdade, uma função entre tantas, mas a sua função única e fundamental. Ela é ativa na história da salvação, ativa no Corpo de Cristo que é a Igreja, justamente por força da sua maternidade divina" (MC 19).

Tudo isso foi possível a Maria pela força da acolhida da palavra, da adesão à vontade de Deus. Foi porque assumiu esta função que Maria transignifica a sua maternidade segundo a carne.

A sua maternidade divina não se exaure num fechamento egoísta em si mesma e em seu filho, pois ela é a mulher que com a sua ação favorece a fé da comunidade cristã (MC 37). E porque Jesus concretizou a expectativa do Antigo Testamento, devemos pensar antes de tudo que são dirigidas a ela e a José as palavras do Antigo Testamento da primeira leitura de hoje: “O Senhor te abençoe e te proteja, o Senhor faça resplandecer sobre vós a sua face e vos seja propício..." (Números 6,24-27).

São Leonardo Murialdo (1828-1899), ao dar os votos de feliz ano novo aos seus clérigos, escrevia: “Seja devotadíssimo de Maria e terá resolvido todas as dificuldades do próximo ano”. O bem-aventurado Clemente Marchisco (1833-1903) disse a alguém que lhe perguntou: “Como posso ficar tranqüilo quando sou ofendido terrivelmente? - Vá, disse ele, reze três Ave-Marias por aquela pessoa e voltará com a paz no coração”. Por seu lado, Piero Bergellini dizia: “O culto à Virgem Maria é como o óleo da lâmpada eucarística. Alimenta o nosso coração para Jesus”. E o bem-aventurado José Marello (1844-1895) afirmava: “O título mais importante de Maria é Mãe de nosso Senhor Jesus Cristo”. Todo o seu privilégio, inclusive o da Imaculada Conceição e da Assunção, é conseqüência do fato de ser a Mãe de Jesus. Em seu seio a divindade se uniu indissoluvelmente à humanidade. O Filho de Deus “Non horruisti Virginis uterum”. Não teve pavor do útero da Virgem. Deus não teve pavor do homem.

A liturgia nos lembra também a circuncisão de Jesus, que era o rito de introdução no povo de Israel, assim como é o Batismo para os cristãos. Através desse rito Jesus entrou de direito no povo da Aliança, foi reconhecido como descendente de Abraão e herdeiro das promessas de Deus. Podemos dizer que com a circuncisão Deus não escolheu apenas ser homem na pessoa de Jesus, mas escolheu sê-lo num momento, num lugar e numa cultura bem precisos.

Hoje comemoramos o primeiro dia do ano, e nenhum homem pode parar por um só instante os ponteiros do relógio. Deus entrou na história, no espaço e no tempo, e neste contexto manifestou a sua bondade em relação aos homens. Ele é o infinito presente na história dos homens.

Hoje também lembramos o Dia Mundial da Paz, uma iniciativa de Paulo VI. É “uma ocasião propícia para renovar a adoração ao Néo-nato, príncipe da paz, para voltar a ouvir o alegre anúncio angélico, para implorar de Deus o dom supremo da paz. Por isso, na feliz coincidência da oitava do Natal com o dia de votos de primeiro de janeiro, instituímos o Dia Mundial da Paz” (M. Cultus). “A paz é apenas um ruído de palavras quando não se estabelece numa ordem fundada na verdade, constituída segundo a justiça, vivificada e integrada na caridade e colocada em ação na liberdade” (Pacem in terris, João XXIII).

O início de um ano foi sempre celebrado com solenidade por todas as religiões, porque está ligado ao mistério das origens do mundo e do homem. Por isso, exerce um fascínio, tem um sabor especial. Lembra a origem da criação e do tempo, da vida e da história. Para nós, esta festa evoca a bênção de Deus criador dada a cada ser vivo no início do mundo (Gênesis 1,28).

Por tamanha benevolência de Deus em favor do homem, a única resposta do homem deve ser o amor. Para ilustrar este fato, contamos uma estória. Uma festa foi organizada para Deus e toda a criação procurou dar um presente para Ele, o mais bonito que pudesse encontrar. O castor achou nozes bem crocantes, o coelho feixes de verdura bem fresca, e assim por diante. Todos os animais encontraram um presente bonito para Deus, menos o homem, que nada encontrou de digno para doar a Deus e as coisas que lhe pareciam mais apropriadas já haviam sido escolhidas pelos animais.

O homem percorreu o mundo para encontrá-lo, mas voltou de mãos vazias. Já estava preocupado. Havia objetos até de outros planetas, já que toda a criação havia sido convidada para a festa, mas o homem não conseguia pensar em nada que pudesse presentear a Deus.

Finalmente chegou o momento de entregar os presentes e todas as criaturas entraram na fila. O homem ficou por último, pois não tinha nada para presentear. Quando na fila faltavam apenas uns vinte animais, o homem começou a se desesperar. E, quando chegou a sua vez, lembrou-se de uma coisa em que não havia pensado. Então fez um gesto em que nenhum animal havia pensado. Correu para junto de Deus, ajoelhou-se diante Dele, sussurrou algo em seu ouvido e lhe deu um beijo. Imediatamente o rosto de Deus iluminou-se, pois o homem havia sussurrado no ouvido de Deus apenas três palavras: “Eu te amo”.

A liturgia de hoje nos propõe várias idéias: a oitava do Natal, a circuncisão e o nome de Jesus, a maternidade divina de Maria, o ano novo e o Dia Mundial da Paz. Uma idéia muito cara ao mundo atual é a paz. Por meio de Maria recebemos o Príncipe da Paz. Realizou-se assim a bênção de Deus. Por isso, Paulo VI instituiu em 1968 o Dia Mundial da Paz.

Hoje a saudação das pessoas traz o desejo da paz: “Feliz Ano Novo”, “Um ano cheio de saúde, paz e bem-estar”. Paz que o mundo tanto deseja e sente tão pouco. Segundo um pesquisador, em quatro mil anos da história conhecida, foi de apenas dezessete anos o período mais longo de paz, sem que houvesse guerra em alguma parte do mundo. O século XX nem chegou a essa cifra.

Desde o crime de Caim, a guerra está presente na humanidade. Guerras feitas não só de bombas, mas também de guerra fria, violência, assaltos, terrorismo, violação dos direitos humanos, exploração do homem, agressividade... Por isso, em nosso mundo tecnicizado a paz é vista como “equilíbrio de forças”, a sua base é a filosofia do medo, com a conseqüente corrida armamentista visando a defesa nacional. Por isso, é certo o ditado romano: “Se queres a paz, prepara a guerra”.

A paz armada é um negócio que envolve bilhões de dólares, milhares de cérebros de cientistas, tudo visando a destruição e a morte, em detrimento da saúde, da educação, da alimentação etc., inclusive nos países do Terceiro Mundo. Milhões de pessoas estão subalimentadas, milhões de pessoas morrem de fome cada dia, enquanto o custo de um porta-aviões se iguala ao custo anual da alimentação de uma cidade de 400 mil habitantes. Dinheiro gasto em armamentos e instrumentos bélicos é dinheiro a menos para construir hospitais, escolas, pontes, casas, bibliotecas...

A paz não é a ausência de guerra, ou a conseqüência do equilíbrio de forças, mas a instauração de uma ordem querida por Deus (P.P. 76) na construção de uma escola de paz nas famílias, educando os jovens para a convivência, o serviço, a fraternidade, a solidariedade, o respeito ao outro...

A Igreja ensina que, depois de Cristo, Maria ocupa o lugar mais alto e mais próximo de nós, em função da sua maternidade divina. “Pela graça de Deus, depois do seu Filho, ela foi exaltada sobre todos os Anjos e todos os homens” (LG 63). Foi através de Maria que chegaram ao seu cumprimento os oráculos dos profetas que anunciaram Cristo. Jesus enquanto homem foi feito de Maria. Assim, se Jesus é Deus, por que a Santíssima Virgem, que o deu à luz, não há de ser chamada Mãe de Deus? diz São Cirilo. E foi o que definiu o Concílio de Éfeso.

Por isso Maria, “ao conceber Cristo, gerá-lo, alimentá-lo, apresentá-lo ao Pai no Templo, ao padecer com seu Filho morrendo na cruz, cooperou de forma ímpar com a obra do Salvador, mediante a obediência, a fé, a esperança e a caridade ardente, a fim de restaurar a vida sobrenatural das almas. Por isso ela é nossa Mãe na ordem da graça” (LG 61).

Por ser nossa Mãe, Maria está constantemente presente na vida de cada cristão. Ela intervém com a sua ajuda nos momentos de dificuldades: “Quando me ponho a considerar todas as graças que recebi de Maria Santíssima, parece-me que sou um desses santuários marianos cujas paredes estão cobertas de “ex-votos” em que se lê somente esta inscrição: “Por uma graça recebida de Maria”. Assim, parece que estou escrito em todos os lados: “Por graças recebidas de Maria”. Todos os bons pensamentos, todas as boas vontades, todos os bons sentimentos do meu coração: “Por graças de Maria” (Vida de São Leopoldo de Porto Maurício).

Por isso Maria recebeu da Igreja os títulos de “Advogada, Auxiliadora, Socorro e Medianeira”, porque intercede junto do seu Filho. Com o seu amor maternal, ela se encarrega de nos alcançar as graças de que necessitamos e se torna o caminho que nos conduz a Cristo: “Ad Jesum per Maria”. É fácil chegar até Deus através da Mãe.

Pe. José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A Palavra, Ano A:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico A
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