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COMENTÁRIO
AOS TEXTOS BÍBLICOS |
Ano
C
SAGRADA
FAMÍLIA
27 de Dezembro de 2009
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Primeira
Leitura
Eclesiástico 3,3-7.14-17
VIRTUDES
FAMILIARES |
Este
livro é deuterocanônico, isto é, não
se encontra no cânon hebraico, mas somente na Bíblia
grega. Foi escrito em hebraico e traduzido para o grego.
Nosso
texto é entendido como uma catequese bíblica
sobre a família. Apresenta uma lista de preceitos a
serem observados pela família.
Foi
escrito por Ben Sirac e traduzido por seu neto com o objetivo
de mostrar aos judeus que viviam fora do país a riqueza
da tradição do seu povo. É um livro que
visa recuperar as raízes, as tradições
e a identidade do povo, ameaçado de perder o sentido
da vida. Vivendo em terra estrangeira, os judeus assimilavam
facilmente a cultura e a ideologia do país opressor,
perdendo de vista a herança cultural e espiritual de
seus antepassados, baseada na experiência de Deus em
família. Realmente, Deus se revelou e esta revelação
passou de boca em boca de pai para filho em tempos mais antigos.
A
leitura apresenta um código de comportamento dos filhos
em relação aos pais. Não pode haver uma
boa família quando os filhos não amam os pais.
O texto faz um apelo à piedade comum, ou seja, os filhos
devem sentir um amor espontâneo pelos pais, com base
também no mandamento de Deus de honrar os pais.
Nossos
versículos explicam Êxodo 20,12, onde se diz
que honrar pai e mãe dá uma vida longa e as
orações dos filhos são atendidas e seus
pecados serão perdoados, ou seja, explicitam o benefício
da prosperidade que daí advém, pois honrar os
pais vale mais que oferecer sacrifícios no Templo.
Para quem vivia longe do Templo, lugar do sacrifício
pelas culpas cometidas, o perdão acontecia com essa
atitude, sobretudo com o amor aos pais mais carentes (v.13).
Amar, obedecer e respeitar os pais é amar a Deus, origem
de toda vida. Os pais reproduzem em parte o ser de Deus, que
é doação. |
Segunda
Leitura
Colossenses 3,12-21
A VIDA DA FAMÍLIA CRISTÃ |
Paulo
afirma que pelo Batismo nos tornamos criaturas novas e não
separa o convívio familiar da vida da comunidade, pois
são dois momentos da mesma realidade. Por isso, trata
as relações da família e da comunidade
do mesmo modo. Para o apóstolo, os cristãos
são povo santo de Deus (v.12a). Isto
implica relações sociais e ao mesmo tempo é
preciso “revestir-se de
misericórdia”, o que significa
viver a bondade, a humanidade, a mansidão, a tolerância,
a paciência e o perdão. Faz com que uma comunidade
seja perfeita não pela ausência de falhas, mas
pela capacidade de amar. Paulo usa o verbo “vestir-se”
para caracterizar as novas relações que ajudam
a construir a sociedade e o exemplo para isso é Cristo.
Para
atingir este objetivo na comunidade, o apóstolo explicita
que o mais importante é celebrar a Eucaristia. Usa
a expressão “sejam
agradecidos”, a fim de lembrar a Eucaristia
que os cristãos celebravam, escutando a palavra com
louvores, hinos e cânticos. Mas também lembra
que a Eucaristia deve continuar na vida, vivendo, sobretudo
um bom relacionamento familiar como esposa, esposo, filhos
e pais. A submissão das mulheres aos maridos de que
Paulo fala pertence ao modelo literário chamado “Código
familiar”, que não implica inferioridade,
submissão e escravidão. Os maridos devem amar
suas esposas (agapàn = amor).
Esta palavra indica um amor gratuito, terno, desinteressado.
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Evangelho
Lucas 2,41-52
JESUS ENTRE OS DOUTORES |
Este
é o único episódio sobre a adolescência
de Jesus. Ele ia todos os anos com os pais a Jerusalém
pela Páscoa (conforme Deuteronômio 16,16-17).
Aos 12 anos, Jesus entrou no mundo dos adultos, passou a ter
maturidade religiosa e social. Neste contexto, Lucas apresenta
Jesus "didáskalos"
(= mestre), sentado no meio dos doutores
de Israel. Seguramente, suas palavras eram ensinamentos religiosos
e comentários sobre a situação do povo. |
REFLEXÃO |
O
primeiro domingo depois do Natal é dedicado à
Sagrada Família. Ela foi conduzida momento a momento
pela Palavra de Deus.
A
família sempre esteve na mente de Deus desde a criação
(“Sejam fecundos e se multipliquem...”
“Os dois serão uma só carne...”).
Ela é a continuação da criação
e é chamada a viver um amor plenamente humano, onde
entram em jogo todas as dimensões humanas do homem
e da mulher (físicas, psicológicas,
espirituais). Um amor total que partilha tudo.
Amor fiel, exclusivo e fecundo.
Para
viver todas essas dimensões, é necessário
que a família tenha uma vida religiosa e espiritual
com orações, sacramentos, escuta da palavra,
concórdia e entendimento. Ela deve ser para os filhos,
sobretudo testemunha dos valores. Exige-se a prática
dos deveres de piedade filial pelos filhos (1ª
leitura), que se traduz para eles em amor, respeito,
honra e ajuda. Pois os pais, como transmissores da vida,
são imagem do amor criador de Deus.
A
família é o lugar natural e o espaço
vital onde a criança se abre pela primeira vez para
a socialização da pessoa humana, pois é
a primeira sociedade (pais, irmãos, parentes)
que ela experimenta. Da imagem e impressão que este
primeiro contato oferece à criança dependerá
seu futuro equilíbrio pessoal e a qualidade de sua
inserção na grande sociedade aonde vai se
integrando.
Educar
é hoje uma tarefa complexa e, por isso, muitos pais
se demitem dessa responsabilidade porque se acham incapazes
de educar, porque não estão preparados ou
porque querem deixar esta responsabilidade para a escola,
a Igreja etc., numa atitude permissiva e num conformismo
pragmático. Outros pais querem que seus filhos sejam
e vivam a sua imagem em tudo e procedem com autoritarismo,
freando toda iniciativa e anulando o livre desenvolvimento
da personalidade dos filhos, tendo como conseqüência
a rebeldia... Estas duas atitudes não são
corretas. A atitude certa é potencializar o desenvolvimento
pessoal dos filhos, incentivando suas qualidades e progressos,
despertando sua capacidade crítica diante de uma
sociedade despersonalizante, e preparando-os para assumir
seu próprio destino e vocação na vida.
Para isso, é necessária uma visão integral
da educação em todos os setores: personalidade,
religião, cultura e sociedade, sem esquecer que o
grande segredo em pedagogia e o melhor método em
educação é amar, o que não é
a mesma coisa que mimar.
Junto
com o amor, os pais devem apresentar a verdade da vida mediante
o exemplo, pois é este que mais influi nos filhos.
Os pais devem ser conseqüentes em seu modo de agir,
em sua maneira de pensar, nas palavras educativas, nos pedidos,
nas correções e nos conselhos. Os pais são
os educadores, os outros (professores, sacerdotes,
catequistas) são seus colaboradores.
Educar
para os valores básicos e permanentes é acentuar
atitudes éticas, religiosas e civis, entre as quais
se devem acentuar a solidariedade humana, a fraternidade,
a justiça, a verdade, o trabalho, o amor e o altruísmo,
a capacidade de partilhar, a autodisciplina e a responsabilidade,
o respeito às pessoas, o diálogo, o civismo,
a oração, a prática religiosa, o compromisso
cristão...
Os
pais devem ser os primeiros educadores da fé dos
filhos, mediante a palavra e o exemplo. Isto ocorreu de
maneira singular na família de Nazaré. Jesus
aprendeu com seus pais o significado das coisas que o rodeavam.
Um dos valores fundamentais na Sagrada Família eram
as orações diárias. Ao meditar sobre
esta cena, os pais devem considerar as palavras de Paulo
VI: “Vocês ensinam
a seus filhos as orações do cristão?
Preparam seus filhos, em comum acordo com os sacerdotes,
para os sacramentos da primeira idade: confissão,
comunhão, confirmação? Acostumam-nos,
quando estão doentes, a pensar em Cristo que sofre,
a invocar a ajuda de Nossa Senhora e dos santos? Recitam
o terço em família? Sabem rezar com seus filhos,
com toda a comunidade doméstica, pelo menos de vez
em quando? O exemplo que derem com sua retidão de
pensamentos e de ação, apoiado na oração
em comum, valerá por uma lição de vida,
valerá por um ato de culto de mérito singular.
Deste modo vocês levam a paz ao interior dos muros
domésticos”.
Os
lares cristãos que imitarem a família de Nazaré
serão “lares
luminosos e alegres”, porque cada
membro da família procurará primeiro aperfeiçoar
seu relacionamento pessoal com o Senhor e com espírito
de sacrifício procurará ao mesmo tempo chegar
a uma convivência cada dia mais amável com
todos os de casa.
Nazaré
é a escola onde se começa a entender a vida
de Jesus: a escola do Evangelho. Ali se aprende a olhar,
a escutar, a meditar e a penetrar o significado tão
profundo e tão misterioso desta simples, humilde
e bela manifestação do Filho de Deus entre
os homens.
A
família é a “escola
de todas as virtudes sociais”. É
a sementeira da vida social, pois é na família
que se pratica a obediência, a preocupação
com os outros, o senso de responsabilidade, a compreensão
e a ajuda mútua, a coordenação amorosa
entre os diversos modos de ser. A saúde de uma sociedade
se mede pela saúde das famílias.
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Pe.
José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A
Palavra, Ano C:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico C"
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