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COMENTÁRIO
AOS TEXTOS BÍBLICOS |
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Ano
A
17° Domingo do Tempo Comum
24 de Julho de 2011
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Primeira
Leitura
1Reis
3,5.7-12
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SALOMÃO
PEDE A SABEDORIA A DEUS
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Os
livros dos Reis têm a finalidade de mostrar que a catástrofe
de 587 a.C. atingiu Israel por causa da sua infidelidade à
Alian-ça. Os fatos narrados aqui situam-se por volta
do ano 971 a.C., quando Salomão herdou o trono do seu
pai Davi e estava gover-nando. O rei se encontra em Gabaon
para oferecer um sacrifício [v.4].
Javé se comunica com ele em sonho e lhe diz: “Peça-me
o que deseja e eu lhe darei” [v.5].
Salomão tinha consciência de
suas limitações, sobretudo em comparação
ao seu pai Davi. A função do rei sintetizava-se
em três compromissos:
1º)
Governar, preocupando-se
antes de tudo com o bem-estar e a prosperidade do povo,
como responsável pelo bem público;
2º) Julgar,
isto é, preservar e promover a justiça,
sem discrimina-ção, com leis justas;
3º) Ter
bom senso e discernimento em vista da justiça,
isto é, não transformar o poder em iniqüidade.
Esses três requisitos básicos
estão presentes na oração do rei e,
além do mais, como autoridade, Salomão assume
uma atitude de servo em relação a Javé,
chamando-o de Senhor [v.7]. Em relação
ao povo, Salomão tem consciência de que este
pertence a Deus [v.9].
Por isso, o discernimento de Salomão
agradou a Deus [v.10] e este lhe concedeu
sabedoria para praticar a justiça [v.11]
e um coração sábio e inteligente [o
coração é a sede dos sentimentos].
As intenções iniciais do rei
eram boas, mas ele não foi capaz de promover o bem
e a justiça para o povo, porque a febre do poder
o dominou, e o ideal do rei não aconteceu em Israel.
Desta forma, a redação deuteronomista do tempo
do rei Josias [640-609 a.C.] refletiu sobre
as conseqüências da catástrofe nacional
e detectou em Salomão esse vírus que passou
aos seus sucesso-res, culminando com o exílio.
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Segunda
Leitura
Romanos
8,28-30
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DEUS
NOS PREDESTINOU PARA SERMOS CONFORMES AO SEU FILHO
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Paulo
conclui nestes três versículos a sua argumentação
sobre a filiação divina. Somos filhos de Deus
e destinados à glória, pois Deus nos criou
para a glória. Por isso, o apóstolo afirma
que sabemos que “todas
as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus
e são chamados segundo o seu desígnio”
[v.28], porque, com a ressurreição
de Jesus, Deus realizou a efusão do Espírito
Santo.
Após
constatar isso, Paulo vê o ápice do projeto
de Deus e a sua glorificação na participação
dos seres humanos na sua glória, tornando-se a imagem
do Filho, a fim de que o Filho seja o primeiro entre muitos
irmãos [v.29]. Portanto, para Paulo
a filiação divina consiste em ser filho no
Filho, fazendo com que o mundo seja uma grande fraternidade
com um único Pai. Paulo garante que quem foi chamado
para viver a filiação divina já foi
anistiado por Deus. Deus chamou e também justificou.
O fator decisivo é, portanto, o amor incondicional
do Pai, que perdoa e glorifica para que todos tenham a plenitude
[v.30].
A
chave para entender este trecho é Rm 5,5: “A
esperança não desilude, porque o amor de Deus
foi derramado em nossos corações por meio
do Espírito que nos foi dado”.
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Evangelho
Mateus
13,44-52
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TESOURO ESCONDIDO; PÉROLA;
REDE DE PESCA |
Este
trecho é a conclusão do discurso sobre o mistério
do Reino [13,1-52]. Com as parábolas
do tesouro no campo e da pedra preciosa, Jesus provoca o
cristão a renovar a sua opção por ele.
Com a parábola do tesouro, Mateus quer mostrar o
estado de ânimo de quem encontra um tesouro. Quem
o encontra tem uma reação de alegria e a disposição
de fazer tudo para adquiri-lo. Da mesma forma, na parábola
da pérola preciosa é destacada a disposição
de quem a encontrou de vender tudo para possuí-la.
Por
fim, Jesus pergunta se todos entenderam as parábolas,
isto é, a dinâmica do mistério do Reino,
que continua sendo manifestado ainda hoje na práxis
da Igreja na sociedade. O mistério do Reino de Deus
é fascinante e para quem o compreende não
há nada comparável: ele merece que se sacrifique
tudo porque é o valor absoluto.
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REFLEXÃO |
| O
Reino de Deus se manifesta na história com Jesus e
se perpetua através da Igreja. É tão
precioso que merece o empenho de tudo para possuí-lo
[cf. os verbos de atividade: encontrar, esconder,
ir, vender, comprar]. Por isso, o cristão
que o descobriu deve empenhar-se para torná-lo conhecido
neste mundo materialista que o sufoca. Este Reino é
universal, aberto a todos, e se edifica com a fidelidade dos
cristãos.
É
preciso empenhar-se na vivência dos valores deste Reino,
buscar conhecê-lo e amá-lo. O cardeal Benelli
afirmava em 1977 que 75% de seus diocesanos eram pagãos,
ignorando completamente a Deus e cultivando ídolos
da cultura, do progresso, do dinheiro, do conforto... Dos
25% restantes, apenas 3 a 5% conheciam a razão profunda
de sua fé e a viviam.
Para
adquirir o tesouro do Reino de Deus são necessárias
a radicalidade e as conversões. Por isso, Dietrich
Bonhoeffer [†1945] dizia em seu livro
Le prix de la grace que a “graça
pouco custosa é o inimigo mortal da Igreja. Hoje em
nossa luta é necessária a graça que custa”.
Para possuí-la [tesouro] é
preciso “vender tudo”,
privar-se dos bens.
“Cansada
de uma vida superficial e medíocre, cansada de um cristianismo
medíocre e amorfo, cansada de ser envolvida passivamente
pelos acontecimentos sem ter tempo de respirar e viver com
maior consciência, pronunciei com dificuldade a frase:
Pare o mundo, eu quero descer. Desci ao fundo de mim mesma
e descobri quais eram minhas verdadeiras aspirações.
Elas eram as mesmas e tão velhas como o mundo: liberdade
e verdade. Comecei a estudar a minha fé e percebi que
a verdade é a Palavra e a liberdade é a capacidade
de viver coerentemente a Palavra, escolhendo segundo o Espírito”
[Tina].
As
duas parábolas de hoje indicam qual deve ser a atitude
do cristão para alcançar o Reino. O tesouro
significa a abundância dos dons que recebemos de Deus
e a pérola indica a beleza da vocação
cristã, o ideal mais perfeito que podemos descobrir.
A pérola encontrada foi fruto de uma busca laboriosa,
enquanto o tesouro foi encontrado de repente. Muitos podem
encontrar de repente o tesouro em sua vida, outros, insatisfeitos
com o que o mundo oferece, procuram a pérola incansavelmente.
Uma
vez descoberta a pérola ou encontrado o tesouro, é
preciso dar um passo à frente, isto é, desprender-se
de tudo para possui-los. Ao dar esse passo consciente, tanto
quem encontrou o tesouro como quem descobriu a pérola
não sentiram falta do que possuíam antes, pois
o bem era infinitamente superior. Eles se desfizeram de tudo
sem calculismos em vista do bem maior e tiveram a alegria.
Ao
descobrir a pérola de grande valor, o felizardo abandonou
tudo o que havia adquirido, desfez-se do que carregava e considerou
disforme o que até então lhe parecia belo na
terra, porque só o esplendor daquela pérola
preciosa brilhava aos olhos da sua alma. |
Pe.
José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A
Palavra, Ano A:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico A"
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