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COMENTÁRIO
AOS TEXTOS BÍBLICOS |
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Ano
A
13° Domingo do Tempo Comum
26 de Junho de 2011
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Primeira
Leitura
2 Reis
4,8-11.14.16a
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A
SUNAMITA CONCEBE APÓS A ORAÇÃO DO PROFETA
ELISEU
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Na
historiografia do Antigo Testamento, os reis são
consi-derados os mais ricos. No âmbito profético
despontam os ciclos de Eliseu e Elias na vida política,
religiosa e social do povo de Israel. O nosso texto é
o início de uma narração detalhada,
em-bora não criticamente documentada, onde se ressaltam
relações de cunho popular da vida do profeta
Eliseu com muitos ensinamentos religiosos e morais.
Eliseu
foi discípulo de Elias e herdou parte da sua missão.
O nosso texto coloca em evidência a pessoa do profeta
e de uma mulher de Suren com duas personagens distintas:
o seu marido Giezi e o profeta.
A
mulher é descrita como possuidora de intuito, fineza
teológica, sensibilidade, hospitalidade e capacidade
de iniciativa.
Ela
preparou uma acolhida delicada e calorosa para Eliseu, com
uma motivação teológica: “Eu
sei que é um homem de Deus, um santo, aquele que
passa sempre entre nós”. Por
isso, preparou-lhe um quarto reservado aos hóspedes
(1 Reis 17,19), um ambiente adequado, com
uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma lâmpada. Não
pediu nada em troca, sinal de que o seu agir era totalmente
desinteressado. Foi o próprio profeta que interrogou
o seu servo acerca de uma possível recompensa. Sabendo
que ela era estéril e seu marido era velho, garantiu-lhe
que seria mãe, satisfazendo assim o desejo da mulher
hebraica de continuar sua vida nos descendentes, que deveriam
ser nu-merosos, como uma bênção divina
(Gênesis 1,28). Esta foi a re-compensa
da mulher. Portanto, prestar serviço a um enviado
de Deus tem como benefício a bênção
divina.
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Segunda
Leitura
Romanos
6,3-4.8-11
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BATISMO:
MORTE E RESSURREIÇÃO COM CRISTO
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Paulo
fala aqui da vida sobrenatural que é recebida com
o Batismo. Portanto, o imperativo é caminhar de acordo
com a vida nova.
O
cristão não permanece no pecado quando aceita
a graça em Jesus Cristo. Com o Batismo, ele morre
para o pecado, porque é inserido em Cristo, é
co-sepultado com ele. Portanto, trata-se de uma autêntica
novidade de vida (v.4), deixando para trás
a exis-tência do homem velho (Colossenses
3,9).
O
Batismo não é um ato humano e, portanto, transitório,
mas é um ato de Deus após uma escolha e resposta
do homem, e por isso conserva o caráter de eternidade.
A obra de Deus passa por Cristo e Ele é a referência:
Cristo não morre mais, venceu a mor-te e o pecado
e vive para Deus. O vínculo que se estabelece com
Cristo mediante o Batismo leva à conclusão:
“Assim tam-bém,
vocês se considerem mortos para o pecado e vivos para
Deus em Jesus Cristo” (v.11).
Portanto, o Batismo cristão não é uma
ablução como faziam os judeus, mas é
um evento definitivo porque evento de vida, ligado à
vida nova de Cristo ressuscitado.
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Evangelho
Mateus
10,37-42
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SEGUIR JESUS COM DECISÃO E INCONDICIONALMENTE |
Os
capítulos 8 a 10 de Mateus abordam a segunda grande
sessão relativa à pregação sobre
o Reino dos céus, que ressalta a vocação
dos apóstolos e a sua missão com o convite
ao testemunho e a escolha de deixar tudo. Portanto, faz
parte do chamado “discurso
missionário” ou “apostólico”,
porque se inicia com o chamado e o envio dos doze apóstolos
e contém uma série de advertências que
devem ser o vademecum para o exercício do ministério.
A
perícope de hoje se compõe de duas unidades
minúsculas: os versículos 37-39 pedem a preferência
absoluta por Cristo, que deve se antepor aos afetos familiares.
Os versículos 40-42 concluem o discurso e criam a
equivalência entre Jesus e os que são enviados
em seu nome. Assim, acolher os discípulos é
o mesmo que acolher Jesus.
Os
versículos 37-38 contêm uma tríade construída
numa progressão, que é sempre acompanhada
pela afirmação “não
é digno de mim”. A indignidade
significa a impossibilidade de uma comunhão de vida
com Cristo, a falta de sintonia devido à presença
de alguns elementos que interferem. São três
os possíveis elementos que não condizem com
a escolha radical da sequela Christi:
a)
o amor preferencial aos pais;
b) o
amor aos filhos (é usado o verbo phileo,
que denota mais o sentido de amor humano, e não
o verbo agapao, que caracteriza o amor divino);
c) o
amor a si próprio, que afasta instintivamente
da cruz (tomar a própria cruz é uma expressão
que indica um empenho muito sério, que pode chegar
ao martírio).
Jesus
não nega o amor aos pais (4º mandamento),
nem aos filhos, que são sangue do próprio
sangue. Não pede o masoquismo. O fato é que,
em relação a Jesus, este não é
um valor que pode ser homologado junto com os outros, mesmo
reconhecendo-se o valor dos pais, dos filhos e de si próprio.
Este não é um valor para ser colocado junto
com os outros. Jesus se propõe como ideal de vida,
expresso com o característico conceito materno de
sequela.
O
versículo 39 lembra a possibilidade de perder a própria
vida terrena, como ocorreu com os mártires, mas também
a certeza de ganhar a vida eterna. Em termos militares,
seria como perder uma batalha e vencer a guerra.
O
seguimento de Cristo e a cruz são características
da vida cristã, em que o cristão permanece
no mundo, mas não é do mundo, deixando-se
guiar pelo Mestre com obediência e confiança.
O
versículo 40 não deve ser entendido como uma
simples hospitalidade, mas como atenção e
submissão à palavra que os missionários
levam em nome de Cristo. O poder dos enviados de Jesus compreende
a mediação da salvação e a proclamação
do juízo. São poderes absolutos como ligar
e desligar (Mateus 18,19). No direito judaico,
o enviado tem o poder de quem o envia. Assim, ser missionário
de Jesus equivale a representá-lo.
Na
segunda parte deste versículo está explícito
que quem acolhe um mensageiro acolhe o próprio Jesus.
É Deus mesmo que é acolhido. Graças
ao missionário, Deus entra nas casas dos homens.
Esta é a grandeza do enviado.
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REFLEXÃO |
| O
evangelho nos apresenta duas ideias fundamentais: o seguimento
radical de Cristo e a recompensa para os que recebem os enviados
de Jesus. As palavras de Jesus têm um cunho radical,
incisivo, quase rude, sem atenuantes. Elas colocam condições
paradoxais para alguém ser seu discípulo.
Jesus
pronunciou estas palavras no contexto do anúncio de
sua paixão, morte e ressurreição a caminho
de Jerusalém, depois da profissão de Pedro e
antes da sua transfiguração.
Jesus
relativiza a questão dos vínculos familiares,
pois, diante da primazia do Reino, cedem lugar os afetos de
família, os laços de sangue, de nação
ou de cultura, embora Jesus não os menospreze. Jesus
reivindica para si um amor maior que o amor à própria
família. Com isso explicita que o Reino tem a primazia
de valor e opção. Não raro os laços
familiares se tornam um obstáculo intransponível
para a opção pelo Reino. Lembramos aqui o caso
de Perpétua, que rompeu com a família no tempo
do imperador romano Sétimo Severo (séc.
II). Seu pai se apresentou no cárcere onde
ela aguardava o martírio e, com o filho de Perpétua
e seu neto nos braços, pediu-lhe que tivesse piedade
de seu filhinho e sacrificasse em honra do imperador, renegando
Jesus. Apesar dos sentimentos maternos e filiais, ela se negou
a apostatar a fé e morreu mártir com sua companheira
Felicidade.
Além
da exigência de colocar os afetos familiares em segundo
plano, Cristo exige que se coloque à disposição
a própria vida (v.39). Para isso é
preciso tomar a cruz. O discipulado cristão é
uma entrega total que constitui uma rendição
incondicional, tudo passando ao segundo plano, desde a vida
até os afetos familiares.
Deus
deve ser amado de modo absoluto e sem condições.
Nem mesmo o amor à família deve ser anteposto
ao amor a Deus, que sempre deve ocupar o primeiro lugar em
nossa vida, pois quando se dá prioridade ao amor a
Deus o amor aos outros também cresce.
Para
amar a Deus como ele pede é necessário perder
a própria vida, extirpar as tendências desorientadas
que inclinam a pecar, destruir o egoísmo. Negar-se
a si mesmo é encontrar uma vida nova, a vida de Jesus.
Assim passamos a viver os mesmos sentimentos de Cristo, imitamos
suas atitudes de tal modo que surge em nós uma nova
maneira de pensar e agir, simples e natural, cumprindo a vontade
de Deus, que é a expressão clara do amor. |
Pe.
José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A
Palavra, Ano A:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico A"
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