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ANO C - São Lucas
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COMENTÁRIO AOS TEXTOS BÍBLICOS

Ano C
Tempo Comum
X Domingo
06 de Junho de 2010

Primeira Leitura
1Reis
17,17-24
ELIAS RESSUSCITA O FILHO DE UMA VIÚVA DE SAREPTA

Este texto pertence ao ciclo de Isaías, que conserva a memória das ações deste homem de Deus e do povo. O pano de fundo deste ciclo é a luta contra os ídolos que geram a morte, particularmente Baal, deus cananeu, senhor da terra, responsável pela fertilidade das roças, dos rebanhos e das famílias.

Elias foi enviado por Javé a uma viúva estrangeira que o acolheu em sua casa em Sarepta da Sidônia. Ao acolher o profeta, esta mulher acolheu o dom da vida, pois estava destinada a morrer, visto que não tinha mais azeite nem farinha. Na miséria e privada de seu filho, ela vivia uma situação impossível e interpretou este fato em sua vida como um castigo de Deus por causa de seus pecados. Em conseqüência, interpretou a presença do profeta em sua casa como alguém que veio para lembrar-lhe os seus pecados. Elias não se preocupou em lhe dar uma aula de teologia. Ao contrário, fez o papel de mediador. Ele crê em Deus e suplica-lhe pela vida do menino.

Segunda Leitura
Gálatas
1,11-19
PAULO RECEBEU SUA MISSÃO DIRETAMENTE DO PAI

Os judeus cristãos haviam tumultuado a comunidade dos gálatas e entre as acusações levantadas haviam espalhado a acusação de que Paulo não era Apóstolo e, portanto, o Evangelho que ele anunciava não era verdadeiro. Diante disto, Paulo anunciou à comunidade que o Evangelho que ele pregava não era invenção sua nem de outra pessoa, mas revelação de Jesus Cristo. Para comprovar este fato, fala-lhes de seu passado fanático como perseguidor da Igreja. Fala que era fariseu (“kata fariseun”) e que sua conversão se deve unicamente à manifestação da graça de Deus. Deus o converteu a fim de que pudesse manifestar sua graça aos pagãos. Portanto, sua conversão comprova a autenticidade do anúncio do seu Evangelho.

Evangelho
Lucas
7,11-17
JESUS RESSUSCITA O FILHO DA VIÚVA DE NAIM

Devemos o relato destes versículos apenas à pena de Lucas. Ele expressa a misericórdia de Deus que é o Senhor da vida. A mulher pobre e viúva havia perdido o seu único filho, seu único ponto de apoio, mas recebe a solidariedade de Deus e dos habitantes de Naim. É o único relato no Evangelho que fala que Jesus teve compaixão, um gesto eminentemente divino. A atitude de Jesus é como a de Elias e o seu poder leva a concluir que Deus visitou o seu povo.

REFLEXÃO

A liturgia nos mostra que Deus é misericordioso e compreende nossas dores e miséria. Jesus teve compaixão da viúva que chora a perda de seu único filho. É consolador saber que Deus não é indiferente a nossas dores, mas as partilha. Não só se compadece, mas também diz: “Não chore... Jovem, eu lhe ordeno...”. Ele intervém sobre a morte.

Jesus continua hoje ressuscitando as pessoas quando concede a graça batismal e penitencial. Esta é a grande passagem da morte para a vida.

A cena da ressurreição do filho da viúva de Naim realça o coração de Jesus cheio de bondade e humanidade, que se compadece da dor desta mulher. Diante desta atitude, Lucas chama Jesus de Senhor (Kyrios), palavra grega que é traduzida como Javé.

Tanto na ressurreição do filho da viúva de Sarepta por Elias como na ressurreição do jovem de Naim por Jesus existem coincidências, pois em ambos os casos a ação milagrosa se situa na fronteira entre a vida e a morte. Os dois mortos são filhos únicos e jovens de mães viúvas, ambos os jovens ressuscitados foram entregues as suas mães. A viúva de Sarepta reconheceu Elias como um “homem de Deus” e a viúva de Naim viram Jesus como “um grande profeta”.

O milagre de Jesus foi um sinal messiânico do Reino presente em sua pessoa. “Todos, maravilhados, davam glória a Deus dizendo: Um grande profeta surgiu entre nós. Deus visitou o seu povo” (v.18). Por isso é que Jesus dá uma resposta aos emissários de João Batista que vieram interrogá-lo sobre sua identidade messiânica. “Anunciem a João o que vocês acabam de ver e ouvir: Os cegos vêem, os mortos ressuscitam...” (v.22), embora este versículo não se encontre no texto de hoje.

Foi com base neste evangelho de libertação pregado por Jesus que Paulo, na leitura de hoje, defendeu-se de seus inimigos judaizantes, que queriam exigir dos gálatas convertidos o velho estilo da lei de Moisés. Afirma-lhes a salvação e a justificação pela fé em Cristo, e não pela circuncisão e observância da lei mosaica.

Lucas relata que Jesus se compadeceu diante do morto de Naim e de sua mãe. Sentiu a angústia das pessoas que passavam. Não seguiu por outro caminho, nem esperou ser chamado. Ele mesmo tomou a iniciativa, comovido com a aflição da viúva. Jesus se compadeceu, se emocionou externamente, como por ocasião da morte de Lázaro. Aproximou-se da viúva e disse: “Não chore”, não quero vê-la em lágrimas.

A atitude de Jesus é exemplo dos sentimentos que devemos ter diante das desgraças das pessoas. Para isso devemos pedir ao Senhor que nos dê um coração misericordioso como o de Jesus, para termos o verdadeiro bálsamo do amor, as mãos repletas de caridade e misericórdia para oferecer aos irmãos. Pois o amor a Deus não se resume a um simples sentimento, mas leva às obras que o manifestem. Da mesma forma, nosso amor ao próximo deve se traduzir em gestos concretos: “Não amemos só com palavras e com a língua, mas com obras e de verdade” (João 3,18). “Venham, benditos, porque eu tive fome e vocês me deram de comer...” (Mateus 25,31-40). Devemos reconhecer Cristo que sai ao nosso encontro na pessoa dos irmãos, pois o contato com os doentes, os pobres, as crianças e os adultos famintos é sempre um encontro com Cristo em seus membros mais fracos e desamparados.

Pe. José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A Palavra, Ano C:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico C
"

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