| A
liturgia nos mostra que Deus é misericordioso e compreende
nossas dores e miséria. Jesus teve compaixão
da viúva que chora a perda de seu único filho.
É consolador saber que Deus não é indiferente
a nossas dores, mas as partilha. Não só se compadece,
mas também diz: “Não
chore... Jovem, eu lhe ordeno...”. Ele
intervém sobre a morte.
Jesus
continua hoje ressuscitando as pessoas quando concede a graça
batismal e penitencial. Esta é a grande passagem da
morte para a vida.
A
cena da ressurreição do filho da viúva
de Naim realça o coração de Jesus cheio
de bondade e humanidade, que se compadece da dor desta mulher.
Diante desta atitude, Lucas chama Jesus de Senhor (Kyrios),
palavra grega que é traduzida como Javé.
Tanto
na ressurreição do filho da viúva de
Sarepta por Elias como na ressurreição do jovem
de Naim por Jesus existem coincidências, pois em ambos
os casos a ação milagrosa se situa na fronteira
entre a vida e a morte. Os dois mortos são filhos únicos
e jovens de mães viúvas, ambos os jovens ressuscitados
foram entregues as suas mães. A viúva de Sarepta
reconheceu Elias como um “homem
de Deus” e a viúva de Naim viram
Jesus como “um grande profeta”.
O
milagre de Jesus foi um sinal messiânico do Reino presente
em sua pessoa. “Todos, maravilhados, davam glória
a Deus dizendo: Um grande profeta surgiu entre nós.
Deus visitou o seu povo” (v.18).
Por isso é que Jesus dá uma resposta aos emissários
de João Batista que vieram interrogá-lo sobre
sua identidade messiânica. “Anunciem
a João o que vocês acabam de ver e ouvir: Os
cegos vêem, os mortos ressuscitam...”
(v.22), embora este versículo não
se encontre no texto de hoje.
Foi
com base neste evangelho de libertação pregado
por Jesus que Paulo, na leitura de hoje, defendeu-se de seus
inimigos judaizantes, que queriam exigir dos gálatas
convertidos o velho estilo da lei de Moisés. Afirma-lhes
a salvação e a justificação pela
fé em Cristo, e não pela circuncisão
e observância da lei mosaica.
Lucas
relata que Jesus se compadeceu diante do morto de Naim e de
sua mãe. Sentiu a angústia das pessoas que passavam.
Não seguiu por outro caminho, nem esperou ser chamado.
Ele mesmo tomou a iniciativa, comovido com a aflição
da viúva. Jesus se compadeceu, se emocionou externamente,
como por ocasião da morte de Lázaro. Aproximou-se
da viúva e disse: “Não
chore”, não quero vê-la
em lágrimas.
A
atitude de Jesus é exemplo dos sentimentos que devemos
ter diante das desgraças das pessoas. Para isso devemos
pedir ao Senhor que nos dê um coração
misericordioso como o de Jesus, para termos o verdadeiro bálsamo
do amor, as mãos repletas de caridade e misericórdia
para oferecer aos irmãos. Pois o amor a Deus não
se resume a um simples sentimento, mas leva às obras
que o manifestem. Da mesma forma, nosso amor ao próximo
deve se traduzir em gestos concretos: “Não
amemos só com palavras e com a língua, mas com
obras e de verdade” (João
3,18). “Venham,
benditos, porque eu tive fome e vocês me deram de comer...”
(Mateus 25,31-40). Devemos reconhecer Cristo
que sai ao nosso encontro na pessoa dos irmãos, pois
o contato com os doentes, os pobres, as crianças e
os adultos famintos é sempre um encontro com Cristo
em seus membros mais fracos e desamparados. |