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COMENTÁRIO
AOS TEXTOS BÍBLICOS |
Ano
C
Tempo Comum
6°
DOMINGO
14 de Fevereiro de 2010
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Primeira
Leitura
Jeremias 17,5-8
MÁXIMAS
DE SABEDORIA |
Jeremias
é o profeta que mais desmascara as seguranças
falsas e nestes versículos faz uma crítica às
tentativas de aliança de Judá com as potências
internacionais da época. Para o profeta, só
a dependência de Deus não oprime, todas as demais
geram morte.
Quem
confia só nos homens é comparado a uma árvore
seca do deserto que nunca recebe chuva. Quem confia em Deus
é semelhante a uma árvore plantada na torrente,
não teme o calor nem a seca, está sempre viçoso. |
Segunda
Leitura
1
Coríntios 15,12.16-20
A RESSURREIÇÃO DE JESUS,
GARANTIA DE NOSSA RESSURREIÇÃO |
Este
capitulo é o primeiro esboço da catequese querigmática
de Paulo em relação à ressurreição.
É a formulação mais antiga e mais importante
do kérigma cristológico: segundo as Escrituras,
Cristo morreu por nossos pecados, foi sepultado, ressuscitou
ao terceiro dia e apareceu a muitos.
Para
a filosofia grega, só o espírito tinha valor,
o corpo de nada servia. Esta filosofia havia penetrado e influenciado
a comunidade de Corinto. Por isso, os cristãos de Corinto
achavam normal que os corpos fossem oprimidos pelos outros
e com isso legitimavam a opressão. Muitos não
acreditavam na ressurreição. Para Paulo, porém,
a ressurreição de Jesus era um fato que podia
ser comprovado historicamente, e não só isso:
a sua ressurreição era prova de nossa própria
ressurreição.
A
ressurreição de Jesus podia ser comprovada por
testemunhas oculares, e isto fortalecia a fé, pois
caso contrário tudo seria ilusão, a redenção
não teria acontecido.
A
ressurreição de Jesus é o primeiro fruto
da grande árvore. Os versículos fazem referência
ao rito pelo qual o israelita, ao entrar na terra prometida,
enchia o cesto com os primeiros frutos da terra da liberdade
e os oferecia a Javé (Deuteronômio 26,1ss).
Por isso, Cristo ressuscitado é o fruto maduro de nossa
libertação. |
Evangelho
Lucas 6,17.20-26
AS BEM-AVENTURANÇAS |
Para
os exegetas, os textos de Mateus e Lucas vêm da mesma
fonte: Fonte Q. Contudo, o texto de Lucas é mais original
que o de Mateus. Jesus está na planície junto
com o povo da roça, vítima dos latifundiários.
Jesus olha de frente o problema deste povo que sofre, diante
de uma sociedade de poucos privilegiados que tinham tudo.
Esta
passagem de Lucas equivale à abertura do Sermão
da Montanha de Mateus 5,1ss. Lucas não situa o ensinamento
de Jesus na montanha como Mateus, mas na planície.
Ele não é dirigido apenas aos discípulos
como em Mateus, mas também ao povo. Lucas transmite
quatro bem-aventuranças seguidas de quatro ameaças,
quase maldições, enquanto Mateus relata oito
bem-aventuranças.
Lucas,
combinando bênçãos e maldições,
menciona oito categorias de pessoas, emparelhadas duas a duas,
os pobres que passam fome e os ricos que estão fartos,
os que choram e os que riem, os que são perseguidos
e os que são aplaudidos. |
REFLEXÃO |
| A
tentação da sociedade de hoje, com seu pecado
fundamental, é o homem ter fruto. Não existe
outro além dele, com a exclusão absoluta de
Deus. Gera-se assim o ateísmo prático e teórico.
Dai a sentença de Santo Agostinho: “Quod
amplius delectat, secundum id operemur necesse est”.
- “Necessariamente se
age segundo aquilo que faz mais feliz“.
É um fato comprovado que cada ser humano quer ser feliz.
Em conseqüência, busca a maneira de consegui-lo,
conforme o que cada um entende por felicidade: riqueza, prestígio,
posição, segurança, domínio, sexo,
poder, prazer etc. Jesus, que conhecia bem o coração
humano, propõe um caminho de felicidade novo e paradoxal.
Suas bem-aventuranças constituem a página mais
revolucionária do Evangelho, porque nelas Jesus estabelece
uma inversão total dos critérios humanos com
respeito à felicidade. “Ele
declara feliz quem possui o Reino de Deus já agora
e não somente na outra vida. A todos que o mundo têm
como infelizes: os pobres e os que têm fome, os que
choram e os que sofrem, os misericordiosos que sabem perdoar,
os honrados e os limpos de coração, os que trabalham
pela paz sem violência, os perseguidos por causa de
sua fidelidade a Deus. Ao contrário, proclama infelizes
e ameaçados de maldição os que são
ricos, estão saciados, riem e são aplaudidos
por todos”. Afirmações
tão fortes ninguém jamais havia feito. Elas
são tão paradoxais que só Jesus, com
seu estilo de vida, é a chave para uma interpretação
válida, de tal maneira que as bem-aventuranças
são o compêndio do Evangelho de Jesus e o anúncio
profético do Reino de Deus inaugurado em sua pessoa.
São proclamações das atitudes básicas
para ser discípulo de Jesus. São uma declaração
de princípios, a carta magna para a cidadania evangélica.
São o questionário que devemos ter constantemente
à nossa frente para nos qualificar como cristãos.
Para
muitos, tamanha radicalidade não passa de uma utopia
sem a lógica mais elementar. Para outros, é
um mero ideal espiritualista inatingível. Contudo,
Jesus pronunciou as bem-aventuranças consciente de
seu significado e as propôs para todo aquele que quer
andar em seu caminho. Quando Jesus as pronunciou, não
foi para justificar e perpetuar uma sociedade de pobres, resignados
só com a esperança futura. Elas trazem um compromisso
pessoal e efetivo com a pobreza e o sofrimento humano, de
desprendimento, de opção pela justiça,
de compromisso com a paz, o amor, a fraternidade e a solidariedade.
A
quarta bem-aventurança que Lucas apresenta alude provavelmente
à situação de perseguição
de que foram objeto os convertidos do cristianismo a partir
da ruptura entre a sinagoga e a jovem Igreja por causa da
fidelidade a Cristo. |
Pe.
José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A
Palavra, Ano C:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico C"
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