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COMENTÁRIO AOS TEXTOS BÍBLICOS

 

Ano A
05 DOMINGO TEMPO COMUM
06 de Fevereiro de 2011

Primeira Leitura
Isaías
58,7-10
O JEJUM QUE AGRADA A DEUS CONSISTE NAS OBRAS DE CARIDADE

Este capítulo faz parte de um oráculo do tempo em que o povo havia voltado para a sua pátria após o exílio (538 a.C.) e mostra que ele tinha um culto organizado e participava de boa vontade, mas sem ver resultados.

No versículo 3 o profeta denuncia a esterilidade do jejum, pois ele de nada adiantava quando havia a exploração do povo. Não se tratava, portanto, de fazer atos externos, era preciso ir às raízes das verdadeiras causas da situação catastrófica que levou Israel para o Exílio, isto é, a desobediência a Deus e a infelicidade à Aliança.

A destruição do Templo e da cidade de Jerusalém não é vista pela Bíblia como conseqüência da superioridade dos invasores, mas sim como conseqüência do pecado de Israel. Não só Jerusalém e o Templo foram destruídos, mas também a imagem e semelhança com Deus. Por isso, esta também precisava ser reconstruída. Deus colocou a obra de reconstrução do Templo e da cidade de Jerusalém no mesmo plano da obra de reconstrução interior do povo. Só assim a aurora iria brilhar.

No esforço dessa reconstrução, o povo poderá invocar o Senhor e Ele dirá: “Eis-me aqui”, isto é, somente aqueles que praticarem os valores de Deus em suas vidas terão a certeza de que obterão a resposta de Deus. E só o Deus da Bíblia tem capacidade para responder ao homem que o invoca, pois os outros “deuses” não têm essa capacidade. Esta é uma verdade que Israel deve ter sempre em mente.

O jejum que Deus quer do seu povo é repartir o pão com quem tem fome e acolher os desabrigados. Deus não se contenta com cerimônias e pompas. Não quer que se repitam as estruturas injustas do exílio, pois o culto separado da prática da justiça não funciona. A justiça é como a luz do sol, que brilha (vv.8-9).

Em suma, este texto mostra a situação sócio-política e religiosa do pós-exílio. Esta dura experiência não serviu para formar a comunidade ideal com que o Dêutero-Isaías 40-55 sonhou, pois a exploração continuou.

Segunda Leitura
1 Conríntios
2,1-5

PREGAÇÃO DO APÓSTOLO NO ESPÍRITO E NO PODER DE DEUS

Paulo fundou a comunidade de Corinto depois de passar por Atenas, encontrar sua elite intelectual e decepcionar-se com ela. Após a sua passagem por Corinto, nasceu nele um novo tipo de evangelizador (1Coríntios 17,16-34). Após ter chegado em Corinto, ele abandonou a oratória, começou a trabalhar para sustentar-se e formou comunidades com os pobres. Teve uma atitude bem diferente dos pregadores ambulantes do seu tempo. Encontrou um lugar social para evangelizar: os pobres, os trabalhadores do cais, os marginalizados...

Paulo passou a anunciar aos coríntios Jesus Cristo crucificado. Para ele, a sabedoria deriva da Cruz e não da Sophia que os filósofos gregos apontavam como ideal do homem perfeito e que só se atinge com estudos profundos e o exercício de alta oratória. O texto destaca que toda a obra missionária de Paulo era devida ao Espírito Santo e não às especulações filosóficas ou à retórica.

Este trecho tem um sabor cristológico e apologético, pois os coríntios exigiam uma pregação correspondente à sua cultura, segundo os ditames da filosofia grega, portanto mais racional, lógica e convincente.

Diante disso, Paulo não desaponta as leis da salvação baseada na lógica de Deus que se colocava como loucura, pedra de tropeço para muitos e para os que crêem na virtude de Deus (1Coríntios 1,23-24). Esta lógica é centrada na cruz e não na persuasão de palavras humanas. Paulo não vê a sua missão em Corinto como algo pessoal, para ser aplaudida com palavras bonitas, mas sim para levar a mensagem de salvação.

O mistério de Deus, que é a salvação fundada na morte e ressurreição de Cristo, nenhuma reflexão humana poderá torná-lo compreensível, pois não se trata tanto de compreender, mas de aceitar na fé. Anunciar o Cristo crucificado era uma tarefa difícil e Paulo tinha consciência disso, pois já havia tido a experiência no Areópago. Por isso, para ele não era a lógica humana, mas somente o Espírito que podia garantir a sua mensagem (1Coríntios 2,10-15). Ele sentia-se um simples portador da mensagem, um veículo da palavra, um operário de Deus (1Coríntios 3,9), e não um artífice da salvação.

Evangelho
Mateus
5,13-16
O CRISTÃO, SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO

O trecho é uma continuação do Sermão da Montanha e na seqüência da sua catequese Jesus usa as imagens do Sal e da Luz, que têm sabor sapiencial. O sal era a imagem da sabedoria, e o sal insípido era a figura de uma pessoa que se tornava louca e incipiente. Também acender uma lâmpada para escondê-la era um sinal de loucura. Além disso, o sal era sinônimo de força transformadora, como elemento que purifica e dá sabor. Era costume recolher blocos de sal bruto às margens do mar Morto, que serviam para fazer fogo nas casas.

O sal também significa algo que ajuda a manter viva a chama vital das pessoas. Era costume esfregar com sal os bebês quando nasciam (Ezequiel 16,4), além de salgar os sacrifícios oferecidos no Templo (Êxodo 30,35; Levítico 2,13). Ao firmar uma aliança, os antigos costumavam comer sal como compromisso perene entre os aliados. Em Números 18,19 há a expressão “Aliança de sal”, lembrando que entre Deus e o povo havia um pacto indestrutível. Quando Jesus disse: “Vocês são o sal da terra”, queria dizer que somos aliados de Deus na construção do Reino.

Jesus afirma: “Vocês são a luz do mundo”. Na Sagrada Escritura, a luz lembra o primeiro ato criador de Deus (Gênesis 1,3), o momento a partir do qual foi desencadeado o processo de harmonia do universo. Por isso, ao cair da tarde, as mães judias celebravam o rito da luz, acendendo a lâmpada que marcava o início do sábado, cercadas pelos filhos mais novos e recitando uma oração extensa. Essa lâmpada “faz o céu descer a todas as casas dos judeus, enchendo-as com uma paz há muito esperada e saudada com alegria, fazendo de cada casa um santuário, do pai um sacerdote e da mãe que acende as velas um anjo de luz”.

O profeta Isaías (42,6) dizia que o Servo de Javé seria a “Luz das nações”, e a própria Lei é chamada de luz na Bíblia. Em Isaías 60,1-3, Jerusalém é convidada a se levantar e resplandecer, porque chegou a sua luz e a glória de Javé desponta sobre a cidade.

Quando o evangelista fala da cidade construída sobre o monte inspira-se em Isaías 2,2-3, que fala da centralidade de Sião e Jerusalém construídas sobre o monte do Senhor e fonte de irradiação de luz e salvação. Além do mais, no judaísmo, Israel, a Lei e o Templo eram considerados lâmpadas do mundo.

O nosso texto, constituído ao redor de duas frases breves de Jesus chamadas “Lòghia”, são colocadas em contextos diferentes nos Sinópticos (Marcos 9,49-50; Lucas 11,33-35) e contribuíram para formar a teoria sobre a origem dos evangelhos, que individualiza Marcos como primeira fonte, uma segunda fonte chamada “fonte das Lòghia”, e suas diferentes colocações nos evangelhos são sinal de diferentes utilizações dessas “Lòghia” pelos evangelistas, adaptando-as à catequese de suas comunidades.

O importante é a mensagem bíblica sobre a luz, na qual Javé é considerado uma chama ofuscante (Êxodo 3,2), a luz sempiterna (Isaías 60,19), e o Messias o astro de Jacó (Números 24,17), a luz dos povos (Isaías 42,6). Já as trevas são consideradas forças do mal (Mateus 8,12; Lucas 22,53).

REFLEXÃO

A mensagem da liturgia ensina que o cristão deve ser como luz num candelabro, não devendo ficar num canto onde não possa desempenhar a sua função. A luz que o cristão deve mostrar não são palavras bonitas, verdades teóricas, mas boas obras (kala erga). Por isso, só a benevolência, a bondade, o amor e o espírito de serviço podem tornar-se luz para os outros.

Com o simbolismo da luz-sal, Jesus diz que o cristão deve manifestar ao mundo a sua mensagem, o que implica uma grande responsabilidade. Infelizmente, aquilo que é impossível para o sal – tornar-se insípido –, para a luz – não iluminar – ou para a cidade situada num monte – não ser vista – é possível para o discípulo de Jesus que não se empenha e não testemunha o Evangelho.

A mensagem de Jesus no evangelho está ligada à da primeira leitura, na qual são elencadas as boas obras que o israelita era obrigado a fazer para tornar visível o amor de Deus por seu povo.

A atitude que deve caracterizar o homem da Bíblia é a mesma que caracterizou Deus em relação a Israel escravo no Egito. Como Deus se interessou por sua libertação, cuidando dele no caminho do deserto (Deuteronômio 8), assim Israel deve fazer com o próximo. Trata-se, portanto, de refazer o caminho do Êxodo, pois o homem precisa fazer um êxodo de dentro de si mesmo, saindo em direção ao próximo, abrindo o seu coração. Se o homem bíblico souber atualizar assim o Êxodo histórico e souber imitar de forma conseqüente o comportamento de Deus, então se repetirão por meio desse êxodo interior os prodígios do Êxodo histórico.

No primeiro Êxodo Deus esteve na vanguarda e na retaguarda de Israel. No novo Êxodo Deus reconstrói a sua imagem e semelhança no homem através da luminosidade do bem e do esplendor da sua presença.

No Êxodo histórico os maiores prodígios foram a libertação da escravidão, a passagem a pé enxuto do mar Vermelho e a caminhada segura no deserto. No Êxodo interior os maiores prodígios são a reconstrução interior do homem, a libertação do egoísmo, a saída de si mesmo, o caminho para Deus e para o próximo.

Deus agiu nos diversos momentos da história da salvação e a liturgia nos propõe a sua memória. A palavra ressoa para nós com força sempre renovada em nosso tempo distraído e indiferente. Interpela a nossa liberdade, pede o nosso empenho para poder encarnar-se na nossa história e tornar-se mensagem significativa para nós.

No Sermão da Montanha, a “Charta Magna” do cristianismo, Jesus diz para sermos sal da terra e luz do mundo. Esta é a missão do povo de Deus (Catecismo da Igreja Católica, 782), a identidade do batizado, simbolizada na vela acesa que nos é dada no rito do Batismo (Catecismo da Igreja Católica, 1243). Se o sal perde a sua propriedade confundindo-se com a massa insípida, não serve para cumprir a sua função. Ele deve, pois, distinguir-se, manter suas propriedades e assim comunicar aos alimentos o seu sabor.

A lâmpada que produz a luz não serve para nada se ficar escondida para não perturbar a escuridão que a cerca. Deve ser colocada sobre o candelabro para clarear a escuridão, mas para isso é preciso que ela se distinga e brilhe. Assim também o cristão deve ter um comportamento diferente do da massa para poder influir diretamente sobre a realidade, modificar o mundo, como o sal transforma os alimentos e a luz anula a escuridão.

O cristão deve ser transparente como o Cristo Luz do mundo (Catecismo da Igreja Católica, 2466). Mas isto não basta, é preciso difundir a verdade e a justiça como um espelho reflete a luz. O texto de Isaías não é apenas uma dura reprovação ao formalismo e à exterioridade do culto hipócrita, mas é, sobretudo, um programa preciso de vida individual e social. O texto critica uma religiosidade ritual mecânica, feita de preceitos e proibições, e propõe obras concretas de misericórdia. Estas são obrigações para a instauração da justiça (v.8). “Não distribuir os bens com os pobres é defraudá-los. Os bens que possuímos não são nossos, mas dos pobres” (Catecismo da Igreja Católica, 2446). “Quando damos aos pobres o indispensável, não lhes fazemos benefícios pessoais, mas damo-lhes o que é deles e, mais do que fazer-lhes um ato de caridade, cumprimos um dever de justiça” (Gregório Magno). A propriedade de bens faz de quem os possui um “administrador” da Providência (Catecismo da Igreja Católica, 2404). Por isso, tudo o que nos é pedido em nome da solidariedade e da partilha com os menos afortunados não deve suscitar em nós um instinto de autodefesa, e não é uma esmola para tranqüilizar a consciência. A medida não é o que possuímos de supérfluo, mas o que é necessário para os outros.

Sempre podemos fazer algo pelo outro. Um provérbio africano diz: “A folha que cai no rio muda o aspecto do rio”. Assim, se negarmos ao rio a contribuição da nossa folha, seremos responsáveis pelo atraso do Reino na terra. São Cipriano de Viterbo (†1750) dizia: “Deus providencia tudo com abundância quando duas portas estão abertas: a do coro, isto é, a da glória de Deus, e a da portaria, isto é, a do benefício aos pobres”.

Quando se fala em sal muitos significados surgem em nossa mente. Para a dona de casa vem imediatamente a idéia do feijão temperado que, graças a uma pitadinha desta substância branca, tem um sabor agradável. A mesma dona de casa, sobretudo a mais antiga, associa ainda o sal à conservação dos alimentos. Para nossos avós quem sabe lembre a recepção do Batismo, em particular o sacerdote que dava sal à criança. Se tivéssemos uma máquina do tempo e fôssemos interrogar os antigos povos do Oriente, eles nos diriam que o sal lhes representava um sinal de aliança entre duas pessoas ou entre dois povos.

Todavia, o sal tem um significado não menos importante do que os que foram expostos. No momento em que ele é dissolvido na água parece desaparecer, mas só assim pode dar sabor aos alimentos. Para nós, cristãos, ser sal tem diversas implicações, mas, sobretudo, a de dar sabor à vida, ajudando os outros a saborearem a própria vida, impedindo a corrupção do mundo.

A cidade sobre o monte anuncia a visibilidade. Assim deve ser a Igreja, ponto de referência para todos os homens. Por isso, o cristão não deve refugiar-se na sua juventude, ufanar-se do conforto que a própria luz lhe proporciona.

Numa noite, compareceram em um estádio de Los Angeles mais de cem mil pessoas para ouvir o Pe. Keller falar. Em certo momento ele disse: “Não fiquem com medo. Vamos apagar todas as luzes”. E logo a escuridão tomou conta do estádio. Através de um alto-falante, o padre disse: “Agora vou acender um palito de fósforo e todos os que o virem digam sim”. Assim que aquela pontinha de fogo brilhou na escuridão, todos disseram um alto sim. O Pe. Keller continuou explicando: “Vejam, um ato qualquer de bondade da nossa parte pode brilhar no meio da escuridão e, por menor que seja, não passa sem ser observado por Deus. Mas podemos fazer mais ainda. Todos os que têm um fósforo acendam-no”. E imediatamente a escuridão foi iluminada por milhares de pequenos focos de fogo. Por fim o padre disse: “Vejam, se quisermos, podemos todos juntos acabar com a escuridão”.

Jesus não ensina que o sal não é uma pérola, um talento que deve ser mantido guardado, mas um ingrediente para ser misturado ao alimento. Sua ação depende do seu consumar-se. O cristão é sal da terra porque não é chamado à segregação. Por isso, a imagem do sal combate o espirito separatista e tem a ver com a parábola do fermento, cujo efeito e capacidade dependem de misturar-se à massa. O cristão é chamado a ser um irmão para os outros.

Paralelamente ao sal está a luz, que condiciona a existência do homem. Sem ela a vida seria impossível. Portanto, se não vencemos o mal é porque a nossa luz é fraca. A luz que o cristão deve fazer resplandecer é aquela de que fala Isaías 58,1-6: não tanto os jejuns e as orações, mas, sobretudo, ações concretas de amor aos irmãos.

Paulo não nos diz hoje que os intelectuais não têm lugar na Igreja. Ao contrário, mas não podemos esquecer que Deus escolheu os fracos para confundir os fortes. Não precisamos ter um diploma na Universidade Gregoriana ou em Harvard para ocupar o nosso lugar na Igreja. Basta ter boa vontade como tiveram um cultivador de sicômoros da Galiléia (Amós), um carpinteiro de Nazaré (José), um pescador do lago de Genesaré (Pedro) e uma humilde jovem de Nazaré (Maria). Até mesmo Israel era no princípio fundado sobre gente pobre. O primeiro rei foi um pastor (Saul), o segundo um pouco mais (Davi), e na época dos Juízes Deus fez escolhas providenciais como Gedeão. Também a história cristã foi feita de personalidades sem destaque como São José de Copertino, que humanamente falando era um retardado mental, porém dava soluções para os casos morais do cardeal De Lugo e de outras pessoas. Margarida de Alacoque era obtusa e o Cura d’Ars foi ordenado padre por pura piedade, e depois se tornou o melhor pastor da França.

O cristão é luz do mundo não pela fé que possui, mas pela fé que se traduz em obras, pois a fé sem obras é morta. Ele possui um ideal de vida em duas direções: uma voltada para si mesmo, procurando viver a vida da graça traduzida em ações virtuosas, isto é, com princípios operativos através dos quais a fé, sob o influxo da caridade, realiza obras. Outra voltada para os outros, pois o cristão não é alguém voltado para si mesmo, daí a caridade que anima a sua fé o faz operoso diante das necessidades dos irmãos.

Hoje se fala em eclipse de Deus, que não é mais visível na história. Mas num eclipse não é o Sol que desaparece, e sim um corpo estranho que se coloca entre a trajetória do Sol e a Terra. A fonte da luz não se enfraquece, mas encontra um obstáculo, que é o pecado. Para perceber Deus visível, o homem precisa ter fé. O soviético Gherma Titou deu dezessete voltas em torno da Terra e, por não ter deparado com Deus em sua cápsula, concluiu: “Não vi Deus. Ele não existe!”. Já o norte-americano Gordon Cooper, nas mesmas condições, lançou um grito de entusiasmo: “Eu vi Deus”. E gravou no espaço esta oração: “Eu te agradeço, meu Deus, o privilégio que me deste de estar no meio de todas estas estrelas que Tu criaste”.

O sal dá sabor e conserva os alimentos, e é símbolo da sabedoria divina. No Antigo Testamento prescrevia-se que tudo que fosse oferecido a Deus devia estar condimentado em sal (Levítico 2,13) para significar o desejo de que a oferenda se tornasse agradável. A luz é a primeira obra da criação, o símbolo de Deus. Portanto, o cristão como sal deve evitar a corrupção e levar com suas palavras a sabedoria de Deus aos homens. Deve ser luz que indica o caminho no meio da escuridão, deve brilhar por suas atitudes coerentes como astro no mundo (Filipenses 2,15).

A omissão de tantos cristãos nos faz ver como eles perderam o sentido de luz e sal de Cristo. Basta olhar as conseqüências das ideologias que negam Deus e a liberdade religiosa, dão importância máxima ao êxito econômico em detrimento dos valores humanos, e atacam os valores familiares e a vida. Sim, há muitos males que derivam do abandono pelos cristãos de suas posições. Por isso, o Papa João Paulo II fala de uma nova evangelização, a fim de recuperar na vida dos homens o exemplo de vida correta, a pureza de conduta, o exercício das virtudes humanas e cristãs.

Jesus espera do cristão uma força que afogue com sua vitalidade a podridão do materialismo, para que Deus não seja um estranho na sociedade, que transforme o mundo com a sua dedicação à família, aos pais e aos filhos, com a construção de valores estáveis na sociedade...

Deus precisa de nós, pois de alguma forma “vocês lhe emprestam os seus rostos, o seu coração, toda a sua pessoa na medida em que se entregam ao bem dos outros e se tornam servidores fiéis do Evangelho” (João Paulo II).

Se o cristão seguir o pedido de Isaías na primeira leitura exercitando as obras de misericórdia, então poderá cantar com o Salmo 3,4-5: “A luz de vocês irromperá como aurora... a luz de vocês brilhará nas trevas, a escuridão de vocês se tornará meio-dia”. É por meio do amor que o cristão dá testemunho de Jesus Cristo: “Nisto conhecerão que vocês são meus discípulos” (João 13,35).

As próprias normas habituais de convivência que muitos praticam apenas exteriormente, ou porque tornam mais fácil o trato social, para o cristão devem ser fruto da caridade, da sua união com Deus, impregnando esses gestos com o conteúdo sobrenatural. Assim, a caridade deve muitas vezes ser manifestada em formas usuais de educação e de cortesia.

O cristão também deve ser sal e luz dando provas de temperança e sobriedade, visto que em nossos dias busca-se o bem-estar material a qualquer custo e, em conseqüência, tem-se pavor de tudo que possa ocasionar sofrimentos. Neste ambiente, palavras como pecado, mortificação, cruz..., são incompreensíveis para inúmeras pessoas. Dai a necessidade de dar exemplo de temperança e sobriedade que levam a utilizar os bens com moderação.

Pe. José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A Palavra, Ano A:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico A
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