Untitled Document
LITURGIA SEMANAL
MENU
Santuário São José
Home >
SANTUÁRIO
FORMAÇÃO
ACESSE
 
Untitled Document
ANO A - São Mateus
TEMPO COMUM II
PÁSCOA
SEMANA SANTA
QUARESMA
TEMPO COMUM I
VI Domingo >
NATAL
ADVENTO
COMENTÁRIO AOS TEXTOS BÍBLICOS

Ano A
01 DOMINGO TEMPO COMUM
BATISMO DO SENHOR
09 de Janeiro de 2011

Primeira Leitura
Isaías
42,1-4.6-7
EIS O MEU SERVO, A QUEM DEDICO TODA A AFEIÇÃO

Este é o primeiro canto do Servo de Javé, um texto que surgiu no exílio. É uma figura carismática difícil de ser identificada do ponto de vista histórico. Este personagem mis-terioso, o Servo ungido por Javé, é apresentado pela primeira vez em toda a literatura.

Este personagem possui alguns atributos e uma missão. Possui o “Espírito de Deus”, assemelhando-se aos juízes do passado, aos líderes libertadores, que eram conside-rados pelo povo como agindo com o Espírito de Javé. Tem como tarefa o direito das nações, isto é, a missão de realizar o projeto de Deus, e é um intérprete desse projeto. Portanto, a tarefa deste Servo é levar o direito às nações (v.1b), missão semelhante à dos sacerdotes a serviço de Deus. O direito lembra a Lei que contém o plano de Deus. O Servo será o porta-voz, isto é, deverá interpretar como um profeta o projeto de Deus para o povo.

Por ser assim, o Servo se parece com Moisés, pois terá que renovar a Aliança feita com Israel e reconduzir os exilados para a sua pátria, estabelecendo a verdadeira reli-gião. Por isso, o autor serviu-se da terminologia própria da criação para descrevê-lo: “Eu te formei...”, como o primeiro homem, pois este Servo começará um mundo novo, uma nova criação, na qual os cegos (os pagãos) abrirão os olhos e os prisioneiros (is-raelitas) serão libertados.

O Servo terá o caráter de um homem de paz (v.2) e será semelhante a Davi devido a suas lutas constantes em defesa do povo (v.4).

Como este Servo vai servir? Não como os poderosos, pois ele não gritará, não quebra-rá o caniço rachado, não apagará a mecha que ainda fumega... (v.2). O caniço rachado e a mecha que ainda fumega lembram a situação do povo que, apesar do so-frimento e das injustiças que padece, ainda tem um fio de esperança. O Servo não consolidará o projeto de Deus massacrando o povo, enganando-o com promessas e propagandas ilusórias. Ao contrário, estabelecerá uma Aliança com o povo, fazendo-o voltar a Javé, tornando-o luz das nações, criando dimensões de justiça, levando o direito, isto é, o “Mishpat”, que não é uma legislação imposta externamente, mas a capacidade de discernir e fazer o que é justo. Por isso, o texto especifica a obra messiânica de Jesus, e a tradição cristã o interpretou na pessoa e na obra de Jesus. É, portanto, uma interpretação cristológica, embora haja outras três hipóteses de interpretação:

01) Identificação com o povo de Israel (interpretação coletiva).
02) Identificação com um personagem histórico (interpretação individual).
03) Identificação com Israel escatológico (interpretação coletiva individual), conforme a concepção semita da personalidade incorporante.
Segunda Leitura
Atos dos Apóstolos
10,34-38

DEUS UNGIU JESUS DE NAZARÉ COM O ESPÍRITO SANTO

Este capítulo fala do contato do cristão com os pagãos, que a legislação judaica proibi-a, sob pena de se tornar impuro. Pedro foi o primeiro a romper com esse esquema elitista e marginalizador ao hospedar-se primeiro na casa de um curtidor de couros cha-mado Simão, tido como pessoa impura pelos judeus devido à sua profissão, e em se-guida na casa do centurião Cornélio em Cesareia Marítima, onde falou com os pagãos, rompendo o esquema opressor e ressaltando o novo modo de viver no Senhor.

Cornélio era um militar romano, e Pedro fez um discurso em sua casa dizendo que Deus não faz acepção de pessoas, pois o povo de Deus não está ligado a uma raça ou nação. Pedro destacou que a dimensão universal da salvação foi conseguida mediante Jesus (v.36): ele derrubou o muro da separação entre dois povos e fez deles um só povo.

Evangelho
Mateus
3,13-17
O BATISMO DE JESUS

O texto relata o Batismo de Jesus e tem em seu centro as palavras de Jesus a João Batista: “Devemos cumprir toda a justiça” (Mateus 3,15). São as primeiras palavras de Jesus que Mateus registra. Jesus é aquele que vem trazer a justiça. O evangelista também relata a teofania: “Este é o meu Filho muito amado em quem ponho a minha afeição” (Mateus 3,17). Com o Batismo de Jesus cumpre-se o sonho do povo presente em Isaías 63,19: os céus se rasgaram e Deus manifestou-se. João Batista pregava um Batismo de penitência, e anunciava um Batismo com o Espírito Santo e com o fogo realizado pelo Messias. Este seria uma espécie de juiz escatológico terrível. Por isso, Jesus diz a João Batista: “Devemos cumprir toda a justiça”, um plural que indica a Trindade, uma justiça que não é um código de Lei, nem a justiça dos rabis, mas o cumprimento da vontade do Pai. Por isso, ao ser batizado, Jesus ungido pelo Espírito Santo assume uma missão de libertação.

O céu se abriu, isto é, o divino irrompeu na pessoa de Jesus, o Filho de Deus. Ele recebeu a Sabedoria divina através do simbolismo da pomba, que indicava a sabedoria

REFLEXÃO

A festa do Batismo de Jesus encerra o tempo do Natal e abre o tempo de reflexão sobre o ministério público de Jesus. O mesmo Espírito que estava presente no início da criação agora está presente no Jordão para dar início à nova criação, isto é, à redenção.

Esta festa era celebrada no Oriente junto com a Epifania. Para os orientais, só a partir do Batismo de Jesus a divindade se uniu à sua humanidade. Assim, era possível dizer que no Batismo o verdadeiro e completo Jesus havia nascido. Com a reforma da liturgia em 1969, a festa do Batismo de Jesus foi estabelecida e fixada no domingo depois da Epifania.

Santo Agostinho dizia que no Novo Testamento está escondido o Antigo Testamento e o Antigo Testamento por sua vez se torna claro no Novo Testamento. Por isso, a liturgia de hoje nos introduz nesta festa com um texto de Isaías, o qual, depois de ter anunciado ao povo no exílio uma esperança com uma vida liberta na terra prometida, anuncia a era messiânica, apontando o Messias como Servo de Javé, no qual Javé se compraz e põe o seu Espírito. Com isso, estabelece a justiça, fazendo-o luz das nações e salvação para o povo fechado no pecado.

Jesus tinha cerca de 30 anos quando iniciou o seu ministério, depois de viver em Nazaré como carpinteiro. Deixou tudo (família, trabalho...) para ir até o rio Jordão, onde foi batizado. João Batista, filho de Zacarias e Isabel, foi previsto como precursor para preparar os caminhos de Jesus e, depois de viver a sua juventude no silêncio e na comunhão com Deus no deserto, foi encontrar-se com o povo às margens do Jordão, anunciando que o Messias estava para chegar e era preciso converter-se.

Por que o Jordão? Porque através do Jordão, em cujas águas o povo passou, ingressou a arca da Aliança e Josué introduziu o povo na terra prometida, e agora, ainda através do Jordão, terá início a libertação dos pecados e a introdução no Reino messiânico, do qual a terra prometida era apenas uma figura profética.

João Batista tinha consciência de que o seu Batismo de conversão dos pecados era apenas um prenúncio do Batismo do Messias. Por isso pregava com honestidade que depois dele viria alguém mais forte que ele, de quem não era digno de desamarrar as sandálias. Entretanto, diante de João Batista desfilava uma multidão de pecadores arrependidos e desejosos do seu Batismo, mas, quando Jesus chegou para ser batizado, achou que não podia submetê-lo a um rito ao qual eram submetidos os pecadores. Por isso, ele o contesta: “Eu preciso ser batizado por Ti e Tu vens a mim?”. Mas Jesus respondeu-lhe que era preciso cumprir toda a justiça, isto é, tudo aquilo que o Pai desejava para concretizar o plano de salvação dos homens, tomar sobre si os nossos pecados para expiá-los na cruz. Por isso, Jesus pede a João Batista que o imirja nas águas do Jordão, lugar onde simbolicamente os pecados eram descarregados, para fazê-los seus e expiá-los.

João Batista atendeu ao pedido de Jesus e o batizou enquanto os céus se abriam, o Espírito Santo pousava sobre Ele e uma voz dizia: “Este é o meu Filho amado”. Esta teofania solene será explicada mais tarde pelo próprio João Batista em João 1,29-34, ao apresentá-lo como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, pois o Espírito Santo que Jesus recebeu O consagrou como vítima de expiação, como o cordeiro sacrificado na noite da Páscoa, que era o sinal de libertação da escravidão do Egito.

João Batista afirma que viu e dá testemunho de que Jesus é o Filho de Deus e o Espírito Santo desceu do céu sobre ele em forma de pomba. Ele não é apenas um homem extraordinário, mas o Filho de Deus. Com o Batismo de Jesus, “as portas dos céus se abriram”, isto é, as portas dos céus, que estavam fechadas devido ao pecado de Adão, se reabriram porque o Filho de Deus expiou os pecados e por isso Jesus pôde dizer ao bom ladrão na cruz: “Hoje mesmo você estará comigo nos céus”. Por isso, Tomás de Aquino disse: “Cristo não foi batizado para ser purificado, mas para purificar”. E Tertuliano afirma: “Ele santificou a água com o seu Batismo”.

Portanto, o Batismo de Jesus é imprescindível para o anúncio do Evangelho. Sem ele o mistério da cruz seria incompreensível. Por isso Pedro, ao escolher o substituto de Judas no colégio apostólico, colocou como condição que fosse alguém que “viveu no meio de nós desde o Batismo de João Batista”. O mesmo Pedro em Atos dos Apóstolos 10, quando pregava o Evangelho na casa de Cornélio, começou do seguinte modo: “Desde o Batismo pregado por João Batista”, isto é, quando Deus consagrou Jesus de Nazaré na força do Espírito Santo. Foi no Batismo que Jesus recebeu oficialmente a unção-consagração do Espírito Santo, tornando-se o Messias para sempre. Ao falar da importância do Batismo, Gregório Nazianzeno diz: “Descemos ao sepulcro junto com Cristo por meio do Batismo, de modo que podemos ressuscitar junto com Ele. Descemos com Ele para podermos subir com Ele, tornamos a subir com Ele para poder ser glorificados por Ele”.

Os textos da liturgia evidenciam a missão de Jesus e o testemunho e a predileção do Pai por Ele. A voz do Pai que confirma a sua complacência pelo Filho tem o seu prenúncio no primeiro dos quatro cânticos do Servo de Deus (1ª leitura), que descreve por antecipação a figura do Messias. Ele será caminho para os doentes, compaixão para os pecadores, mestre de justiça e santidade. Será o salvador, o libertador, o tipo absoluto do homem novo, o sol que iluminará a todos.

Jesus é ungido pelo Espírito Santo e recebe a investidura oficial messiânica. Será o Cristo Sacerdote-Profeta-Rei e, em vista dessa tríplice função, tirará os homens do pecado e os fará tomar parte no seu Reino.

O Batismo de Jesus no Jordão fazia parte da sua obra redentora. É um evento lembrado pelos evangelistas. Era, portanto, objeto da pregação apostólica.

O relato do Batismo de Jesus é confirmado pelos Sinópticos, menos por João, que o supõe (João 1,29-34). Os Sinóticos construíram um relato no gênero literário “Midrash Magadico”, utilizando teofanias para dar realce à fé cristológica das primeiras comunidades cristãs, que viam esse fato salvífico da vida de Cristo à luz da revelação pascal.

Batizar na água não era uma invenção de João Batista. Os judeus piedosos já tinham esse rito de purificação e ele era particularmente importante entre os essênios de Qumran às margens do mar Morto, que o usavam como sinal do compromisso de servir a Deus com fidelidade plena. Os prosélitos que se incorporavam à religião judaica também passavam por um ritual de Batismo. A originalidade do Batismo de João Batista era a sua intenção penitencial e o fato de ser anúncio do Batismo cristão. Além do mais, quase todas as religiões tinham um rito batismal, basta lembrar que entre os índios Nahua do México, assim como entre os maias, havia ritos semelhantes antes da evangelização.

O Batismo de João Batista era mais ético do que cultural, mais um rito de conversão dos pecados do que uma purificação legal. Por isso ele reagiu não querendo batizar Jesus. Além do mais, o Batismo de João Batista, colocando-se na linha das grandes teofanias bíblicas, contém a primeira revelação do mistério trinitário do Novo Testamento (Mateus 3,13-17).

Ao pedir para ser batizado, Jesus confirma a autoridade do precursor e se coloca na fila dos pecadores, embora sem pecado. Esta sua atitude faz parte do seu programa de auto-humilhação, “kénosis”. E a declaração pública do Pai sobre a filiação divina de Jesus é a confirmação da sua investidura, a sua unção messiânica pelo Espírito, é a credencial com a qual inaugura o anúncio do Reino de Deus. A unção messiânica de Jesus pelo Espírito Santo lembra a unção com óleo feita aos juízes, reis, profetas e sacerdotes do Antigo Testamento e é feita em público, como numa cerimônia oficial, e tem uma testemunha qualificada como João Batista.

O Batismo cristão não é um peso, mas um dom, uma predileção de Deus, uma vocação. Deus começa o seu diálogo conosco não fazendo imposições, mas nos amando e nos oferecendo a sua graça mediante o seu Filho. Este dom de amor deve fazer surgir em nós uma resposta de gratidão através do nosso amor a Deus e aos irmãos.

Santo Agostinho diz que Jesus quis ser batizado “para proclamar com a sua humildade o que para nós era uma necessidade”. Com o Batismo nos é comunicada a dignidade mais alta do cristão, a de ser filhos de Deus. Com o Batismo nascemos para uma vida nova, a vida de filhos de Deus e herdeiros de Deus.

Pe. José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A Palavra, Ano A:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico A
"

Untitled Document

Rua Dom José Marello, 39 - Vila Feliz - 86808-050 - Apucarana - PR - Fone: (43) 3033-1899
Webmaster © 2007 a 2011 - Santuário São José