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COMENTÁRIO
AOS TEXTOS BÍBLICOS |
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Ano
A
ADVENTO
III
Domingo
12 de Dezembro de 2010
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Primeira
Leitura
Isaías
35,1-6a.10
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SINAIS
DA VINDA DO MESSIAS |
Um
poeta anônimo do século VI a.C., exilado na
Babilônia, convoca o povo a celebrar a virada histórica
dos oprimidos e pobres, reeditando o Êxodo que no
passado conduziu o povo para fora da escravidão do
Egito. O autor dessa virada é Deus, que se sentiu
lesado com a opressão do seu povo, e por isso o convoca
para a mobilização total (vv.3-4).
Os
versículos 1 e 2 denotam uma explosão de alegria,
onde, em contraste com a desolação do deserto,
florescerão pastagens, árvores e flores, de
modo que tudo se tornará exuberante como no monte
Carmelo e em Saron, que eram os lugares mais exuberantes
nos arredores de Jerusalém, em cuja vegetação
magnífica poderá ser visto o reflexo da glória
e generosidade de Deus.
Portanto,
o novo êxodo terá uma reconstituição
da vida através desta imagem de sensibilidade ecológica,
em que o deserto, a terra árida e a estepe se encherão
de verde e de exuberância.
Os
desertos da Síria e de Judá eram dois grandes
obstáculos que impediam o povo de voltar a Jerusalém.
Deus intervirá neles como interveio no mar Vermelho
(vv.8-10). Os desertos serão como
o Líbano, famoso por suas florestas, e como Saron,
a bela e fértil planície que se estendia de
Jáfa até o monte Carmelo. Portanto, o autor
descreve a virada em um tom poético.
O
centro do oráculo está no versículo
4, onde a notícia da visita divina é dada
com entusiasmo, comunicando que o próprio Deus virá
salvar o povo. O resgate do seu povo é tão
importante que ele virá pessoalmente. Sua presença
terá um efeito libertador: os cegos passarão
a enxergar, os surdos ouvirão, o coxo dará
saltos, o mudo proclamará a glória de Deus,
as doenças serão curadas (estes fenômenos
de características messiânicas serão
repetidos por Mateus 11,5). A volta do povo para
a sua pátria é apresentada como uma peregrinação
ao monte Sião, na qual os participantes trarão
coroas de flores na cabeça, eliminando a tristeza
e o pranto.
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Segunda
Leitura
Tiago
5,7-10
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PACIÊNCIA
E ÂNIMO,
QUE O SENHOR NÃO TARDARÁ
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Os
versículos deste capítulo focalizam algumas
atitudes próprias da comunidade que vivia em conflitos,
com os ricos explorando os pobres. Diante disso, a vontade
é ter uma reação violenta contra os
exploradores, porém Paulo exorta à paciência.
Não é uma exortação genérica,
mas específica, sobre o modo como o cristão
deve reagir diante das injustiças sociais. Em tais
situações o discípulo de Jesus não
se deixa levar pelo ódio, pelo desejo de vingança
ou pela explosão de violência. Ao contrário,
dilata o coração na esperança da vinda
do Senhor. Deve ter paciência (makrothymia),
isto é, um grande ânimo. Paciência não
quer dizer resignação. Para isso Paulo utiliza
o exemplo do campo: “Olhem
o lavrador que espera pacientemente o fruto precioso da
terra até receber a chuva do outono e da primavera”.
As chuvas de outono e primavera eram no Antigo Testamento
um sinal da bênção de Deus ao povo.
Assim, é preciso aguardar a ação paciente
de Deus que faz justiça.
Quanto
à vinda do Senhor, termo com o qual a parusia era
indicada, no Antigo Testamento denominava a vinda de um
rei em termos positivos, visitando a cidade e concedendo
benefícios. Por isso, esta vinda do Senhor para beneficiar
deve ser esperada com paciência, semeando, esperando
o tempo do fruto, e ao mesmo tempo tendo perseverança,
fortalecendo os corações (v.9),
isto é, dando consistência às prioridades
de ser cristão. Além disso, é preciso
também a união: “Não
se queixem uns dos outros” (v.9),
pois a união é necessária para eliminar
os conflitos.
Finalmente,
Paulo pede que se tenha os profetas como modelo (v.10),
pois eles não desanimaram.
É
importante lembrar que a paciência é um fruto
do Espírito Santo (Gálatas 5,22),
um sinal distintivo do cristão (Colossenses
3,12), e, também, um atributo de Deus (Êxodo
34,5-6) e é a primeira característica
da caridade (1 Coríntios 13,4).
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Evangelho
Mateus
11,2-11
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JESUS
ELOGIA JOÃO BATISTA,
O SEU PRECURSOR |
Em
4,23-25, o evangelista apresenta o primeiro sumário
das atividades de Jesus, repletas de anúncio da boa
nova e de curas. Provavelmente estes sinais não foram
suficientes para que João Batista dissipasse sua perplexidade
acerca da obra do Messias. De fato, ele tinha sido apresentado
como juiz escatológico pronto para purificar e condenar,
separar e premiar (3,12). Além do
mais, ele qualificou Jesus como “Ho
erchomenos”, isto é, “aquele
que deve vir”, mas esta ação
do vir já presente implicava um clima de vitória,
de sucesso. Ao invés, a obra de Jesus se apresenta
com simplicidade.
O
retrato forte (3,11) que João Batista
havia traçado de Jesus poderia ser irreal. O caráter
de juiz escatológico não se apresenta com
nitidez na atividade de Jesus. É daí que a
crise de João Batista se origina, e dessa perplexidade
parte também a pergunta e a embaixada a Jesus.
O
versículo 5 dá uma resposta, apelando para
o discernimento a partir do qual é possível
ver e ouvir. Ele dá um resumo da atividade de Jesus
construída sobre os oráculos de Isaías
26,19; 29,18-19; 35,5-6; 61,1. Os sinais que eram anunciados
como típicos da época messiânica agora
estão presentes e se realizam e, mesmo que não
se encontrem numa linha apocalíptica, as promessas
são cumpridas em Jesus. Ele veio para cumprir toda
a justiça do Pai (3,15). Assim,
Jesus inicia suas atividades no meio dos empobrecidos da
Galiléia (4,12-17).
Depois
Jesus proclama que são bem-aventurados os pobres
e perseguidos por causa da justiça (5,3-10).
Reintegra os marginalizados, dos quais o leproso é
a expressão mais forte (8,1-4).
O
versículo 6 propõe uma bem-aventurança
dirigida não apenas a João Batista, mas a
todos os seus discípulos. É um convite para
aceitar a sua messianidade sem a grandeza terrena. Já
no versículo 7 Jesus testemunha quem é João
Batista, propondo duas imagens para descrever o que o precursor
não era: “um
caniço agitado pelo vento”,
símbolo da instabilidade e da incerteza. Ele era
um homem decidido, não se deixou levar pelo sistema
vigente.
João
Batista não viveu em ambientes requintados da sociedade,
não compactou com a sociedade que privilegia uns
e exclui outros. Ao contrário, foi um homem determinado
a proclamar a palavra de Deus sem temor. Foi um profeta.
Citando Mateus 3,1, texto que contém também
uma alusão a Êxodo 23,20, ele é apresentado
como Elias esperado nos tempos messiânicos. Por isso
ocupa um lugar de destaque entre os profetas. Contudo, Jesus
afirmou que o menor no Reino dos céus é maior
que ele (v.11b). Não se trata de
um confronto entre pessoas, mas entre as épocas a
que pertencem. João Batista é da época
antiga (v.13), da “economia”
anterior à messiânica, embora estivesse às
portas desta como precursor. Assim, quem vive o tipo messiânico
e sente-se pessoalmente inferior ao precursor, é
por graça superior a ele. O confronto ressalta aqui
a excepcionalidade e o dom incomensurável de viver
na era messiânica.
João
Batista não era um caniço agitado pelo vento,
isto é, não se deixava levar pelo sistema,
nem vestia roupas finas, isto é, não compactuava
com a sociedade que privilegiava e excluía.
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REFLEXÃO |
| A
liturgia deste domingo descreve a volta do povo de Israel
do exílio e a promessa da restauração
da nação. Este terceiro domingo do Advento se
caracteriza liturgicamente como domingo da alegria. O motivo
desta é evidente, pois à medida que nos aproximamos
do Natal ouvimos o convite: “Alegrem-se
sempre no Senhor”. Alegrem-se porque
Ele está perto. Deus se dispõe a vir ao nosso
encontro para nos introduzir na sua salvação
e isto nos impulsiona também para um empenho sério
de conversão. À medida que nos aprofundamos
neste mistério, devemos sentir a presença amorosa
de Deus, que se aproxima para nos salvar. Assim, a celebração
litúrgica nos acompanha neste clima e nos faz sentir
a aproximação do Senhor que nos dá alegria
e coragem no caminho.
O
profeta, que no domingo passado anunciava um futuro maravilhoso,
hoje nos assegura e declara que este já chegou. Por
isso, a tristeza deve ser substituída pela alegria.
Desta forma, o profeta Isaías fala da alegria pela
volta do exílio e pela liberdade conquistada. Esta
é o ponto e o sinal da força de Deus.
São
Máximo de Turim, em seu sermão nº 60, diz:
“Se os homens deste mundo,
por ambição de uma recompensa terrena, preparam-se
com muitos aparatos para o dia natalício do seu rei,
com muito maior diligência devemos nós dispor-nos
para o nosso Rei eterno, Jesus Cristo, o qual como prêmio
à nossa fidelidade nos dará não a glória
temporária, mas a eterna. Com que roupas devemos preparar-nos?
O nosso rei não busca as vestes finas, mas o efeito
nas almas; não observa as ornamentações
dos campos, mas considera os corações com base
nos méritos. Quem ama Cristo com mais força
se veste mais elegantemente observando os preceitos. Portanto,
comecemos já muitos dias antes a santificar os corações,
a limpar nossas consciências e a purificar o nosso espírito”.
Este
é o domingo da alegria, quase uma antecipação
daquela que vamos celebrar no Natal. Na primeira leitura,
no pequeno apocalipse de Isaías (34-35),
o profeta vê florescer a cidade de Jerusalém
devastada, através da apresentação de
uma seqüência de imagens: a glória do Líbano
e o esplendor do Carmelo, onde haverá uma nova sociedade
em que os cegos enxergarão, os surdos ouvirão,
os coxos saltarão, os mudos falarão... A terra
será fértil.
Um
homem desesperado, sem o amor de Deus, subiu num monte e encontrou
um pastor. Este, vendo-o aflito, perguntou-lhe: “Por
que está perturbado, amigo?”.
Ele respondeu-lhe: “Sinto-me
sozinho”. “Também
eu estou sozinho, mas não estou triste”,
disse-lhe o pastor. O homem solitário lhe disse: “Talvez
seja porque Deus o acompanha”. “Você
acertou”, disse-lhe o pastor. Por sua
vez, o solitário disse: “Não
tenho a companhia de Deus, não consigo crer no seu
amor. Como é possível que Ele ame cada pessoa,
como é possível que Ele me ame?”.
“Você vê a
nossa cidade lá embaixo?” - perguntou-lhe
o pastor. “Vê as
casas? Vê as janelas? O sol é um só, mas
todas as janelas, inclusive as menores, recebem o sol. Talvez
esteja desesperado porque a sua janela está fechada!”.
João
Batista se encontrava preso na fortaleza de Maqueronte, às
margens do mar Morto, onde foi decapitado, no ano 29 d.C.,
por ordem de Herodes Antipas. Da prisão João
Batista enviou uma embaixada a Jesus. Ele, o profeta austero
que postulava uma conversão radical, sentiu-se em dúvida
a respeito de Jesus. Diante disso, Jesus se autodefiniu citando
Is 35,5-6, que previa um novo êxodo, que foi prefigurado
por aquel,e ocorrido no ano 538 a.C., sob o rei persa Ciro,
quando cerca de 50 mil pessoas regressaram à Palestina.
A
liturgia deste domingo traz a recomendação de
São Paulo: “Estejam
sempre alegres no Senhor”, porque o
Senhor está perto. Por isso Maria recebeu do Anjo o
pedido para alegrar-se, “porque
o Senhor está com você”.
Sua alegria é a proximidade de Deus. João Batista
exultou de alegria no seio materno, diante da proximidade
do Salvador. Os pastores receberam a notícia alegre
de que o Senhor havia nascido. As pessoas que se aproximavam
de Jesus se alegravam (Lucas 13,7). Depois
da Ressurreição os discípulos se alegraram
ao ver Jesus.
Podemos
ficar realmente felizes e alegres se tivermos Jesus em nossa
vida, se não o perdermos. Fora de Deus não há
alegria verdadeira. O cristão deve ser uma pessoa alegre,
deve trazer a alegria dentro de si porque encontra Deus em
seu coração, como Maria que tinha Deus em seu
seio. Esta alegria em Deus ninguém pode nos tirar.
Portanto,
a alegria do cristão deve ter um fundamento sólido.
Não se apóia apenas em coisas instáveis:
notícias alegres, boa situação financeira,
beleza, saúde etc. Uma alma triste está exposta
a muitas tentações e muitos pecados são
cometidos à luz da tristeza. A tristeza nasce do egoísmo,
do preocupar-se somente consigo. Ao invés, uma vida
amável aos outros proporciona alegria, através
de um sorriso, de uma palavra cordial, de um elogio. Assim
contribuímos para tornar a vida mais grata para os
que nos rodeiam. A missão do cristão é
levar a alegria a um mundo que se afasta de Deus. Procuremos
preparar o Natal construindo um ambiente onde se fomenta o
clima de paz, de harmonia, demonstrando afetos aos que nos
rodeiam. O mundo precisa que provemos a presença de
Deus nele e poucas provas são tão convincentes
como a alegria do cristão. |
Pe.
José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A
Palavra, Ano A:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico A"
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