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ANO C - São Lucas
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ADVENTO
COMENTÁRIO AOS TEXTOS BÍBLICOS

Ano C
01° Domingo do Advento
29 de Novembro de 2009

Primeira Leitura
Jeremias 33,14-16
PROMESSA DE RESTAURAÇÃO:
FAREI NASCER UM REBENTO JUSTO

O capítulo 33 de Jeremias é uma promessa de restauração de Jerusalém e da dinastia de Davi. Este oráculo, que para os estudiosos não é de Jeremias, situa-se no ano 587 a.C. Após um ano de cerco de Jerusalém por Nabucodonosor, o profeta anuncia a promessa de Deus de repatriar os exilados e dar ao povo um rei que governe com justiça. Portanto, anuncia uma mensagem de esperança para um povo assaltado pelo pavor, pelo desespero e pela morte.

No tempo de Jeremias, o rei que governava era Sedecias (Javé é minha Justiça), mas era um rei fantoche legitimado por Nabucodonosor. Para Javé despontará uma nova autoridade, que será um fruto santo (um rebento santo), o qual fará a justiça e o direito valerem para o seu povo. Portanto, o profeta retoma em seu oráculo o tema da dinastia messiânica real ou davídica. Deus promete repatriar os exilados por intermédio de um rei justo. Davi, símbolo do rei justo, havia deixado este testamento: “Quem governa o homem com justiça e quem governa segundo o temor de Deus é como luz da manhã ao raiar o sol sem nuvens, que faz a grama da terra brilhar depois da chuva” (2 Samuel 23,3-4). Na verdade, a história dos reis de Israel não registra atos de justiça com muita freqüência. Sedecias era um boneco nas mãos de Nabucodonosor, que lhe deu este nome, o que significa mudar-lhe a própria identidade e manipulá-lo. E foi o que aconteceu. Não era este o plano de Javé. Por isso, ele vai suscitar uma nova autoridade, um novo broto, para fazer o direito e a justiça valerem no país.

O nome do novo rei será Javé nossa Justiça. Assim, Jerusalém habitará em segurança (v.16a). Este lugar privilegiado para a convivência social e onde em contraste era sentido as conseqüências da exploração dos governantes seria iluminado pela luz da justiça e se tornaria um lugar de justiça e paz.

Segunda Leitura
1 Tessalonicense 3,12–4,2

PUREZA E SANTIDADE PARA A VINDA DO SENHOR

Tessalônica, com seus inúmeros contrastes sociais, era uma das grandes metrópoles do 1º século do cristianismo. Paulo, ao fugir de Filipos, onde foi torturado e quase morto, refugiou-se nesta cidade, onde fundou uma comunidade. Perseguido, teve que abandoná-la sem poder terminar a catequese sobre o ser cristão. De Atenas enviou Timóteo para visitá-la. Quando voltou, Timóteo encontrou Paulo em Corinto e relatou-lhe os progressos da comunidade e sua resistência às perseguições. Então, de Corinto, Paulo escreveu aos tessalonicenses, mostrando seu contentamento com a caminhada da comunidade, deu ação de graças por sua perseverança e aproveitou para lhes dar algumas instruções (capítulos 4–5). Nascia, assim, o primeiro escrito do Novo Testamento.

Tessalônica aderiu ao Evangelho com grande alegria. Os cristãos passaram a viver a comunhão e a solidariedade própria de quem abraça o projeto de Deus. O amor e a solidariedade eram normas que regiam o relacionamento entre eles. Por isso, Paulo lembra-lhes que o projeto de Deus é dinâmico. E os aconselha a fazerem mais progressos e não viverem o amor num círculo fechado, mas expandindo-o aos outros.

Evangelho
Lucas 21,25-28.34-36

ESPERAR O SENHOR EM ESTADO DE VIGÍLIA, ATENTAMENTE

Este capítulo de Lucas contém uma passagem apocalíptica, que nada mais é do que um modo misterioso de nos falar das coisas do presente. É uma linguagem para os tempos difíceis, com o objetivo de animar as comunidades. Quando Lucas o escreveu, a conquista e a destruição de Jerusalém por Tito, no ano 70, já eram conhecidas. Portanto, escreveu-o com perspectiva histórica baseada neste fato. Ele fala da vinda culminante de Cristo na história e diz que é preciso preparar-se com a oração para a sua chegada. Haverá uma nova Jerusalém, com novos céus e novas terras, pois o Filho de Deus se manifestará nela.

Os sinais grandiosos no sol, na lua e nas estrelas são próprios do gênero apocalíptico. As catástrofes cósmicas são sinais da presença de Deus na história. São sinais de que algo novo está para acontecer. Com estas imagens estranhas, baseadas em catástrofes cósmicas, Lucas afirma que os inimigos de Deus, pela força do testemunho da comunidade, vão perdendo as máscaras que ocultam suas maldades, injustiças e perversidades da sociedade estabelecida. Portanto, a vinda do Filho do Homem não é algo que deve ser esperado passivamente, mas já é uma presença cuja manifestação depende do testemunho das comunidades.

A vinda do Filho do Homem é salvação para os que ficaram fiéis (v.28). A libertação é o resgate que Jesus pagou com seu sangue. O termo lembra a compra de escravos. Alguém nos resgatou com seu sangue para sermos livres. Porém, esta libertação continua mediante a prática da justiça e o esforço para recriar a humanidade de acordo com o projeto de Deus, mesmo que para dar continuidade a esse projeto os cristãos tenham de enfrentar perseguições. O Filho do Homem está junto nesta luta, é aliado e declara inocentes (faz ficarem de pé) os que forem fiéis e eles obterão a vitória (levantarão a cabeça).

REFLEXÃO

A palavra Advento significa vinda, chegada. Estamos prestes a celebrar o Natal e precisamos preparar-nos. Esta preparação não deve ser uma cerimônia de formalidades, mas uma verdadeira tomada de posição, em que buscamos uma mortificação interna e sentimos dores pelos pecados.

Precisamos rezar de coração se quisermos que Jesus purifique e ilumine nossos corações. Devemos chegar ao Natal santificados, com nossos corações purificados com o cilício espiritual da vontade de Deus, com o jejum da língua, da vontade, do coração, com pensamentos do céu, com a fortaleza das virtudes, com o coração voltado inteiramente para Deus. Devemos buscar, portanto, um autêntico mais em nossa vida cristã.

O mundo moderno não se apresenta a nós como um edifício a ser construído, mas como um organismo a ser curado. Se um edifício pode ser reformado por fora, um organismo só pode ser curado por dentro” (Joseph Lebret).

O cristão jamais deve dizer "basta". A inquietude da perfeição deve ser o nosso itinerário.

Uma noite sonhei que em uma rua havia sido aberto um mercado com o nome “Dom de Deus”. Entrei e vi um anjo de Deus no balcão. Então lhe perguntei, admirado: “O que você tem para vender?”. Ele respondeu-me: “Todo o bem de Deus”. “Custa muito caro?”, interpelei-o. “Não, os dons de Deus são todos gratuitos”. Então contemplei a grande prateleira com ânforas de amor, frascos de fé, pacotes de esperança, caixas de salvação e assim por diante. Porque eu tinha necessidade de todas aquelas mercadorias, pedi ao anjo: “Dê-me um pouco de amor de Deus, muito perdão e um pacote de fé e salvação” O anjo logo me preparou tudo no balcão. Mas qual não foi o meu espanto quando vi tudo o que havia pedido dentro de um pacote muito pequeno. Então exclamei: “É possível que esteja tudo aqui?”. Então o anjo explicou-me: “É isto mesmo, meu amigo. No mercado de Deus não se vende frutos maduros, mas somente pequenas sementes para serem cultivadas” (R. Francisco).

Para sentirmos o Cristo libertador e termos coragem porque nossa salvação se aproxima, temos de nos esforçar para transformar a realidade em amor, que será justiça, fraternidade, solidariedade, paz... Precisamos ter a mente ocupada com as coisas de Deus e o coração não embrutecido pelos vícios, pela embriaguez e pelo dinheiro (v.34). Precisamos estar sempre despertos, velando em oração, sendo vigilantes, plantando nossas sementes.

Pe. José Antonio Bertolin, OSJ
Apucarana - PR
"A Palavra, Ano C:
Exegese e comentário
dentro do ano litúrgico C
"

 
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