Discípulo
é muito mais do que platéia. Não é
aquele que assiste passivamente ou que repete sem reflexão.
Discípulo é quem se encantou com o mestre, quer
crescer tendo-o como inspiração, quer contagiar
outros com o processo de descoberta que está mudando
a sua vida. É esse o espírito que alimenta a
proposta de 2009 como Ano Catequético Nacional, explicitada
no tema: Catequese, caminho para o discipulado.
O lema vai buscar apoio no relato emblemático dos discípulos
de Emaús com Jesus: “Nosso
coração arde quando ele fala, explica as Escrituras
e parte o pão” (Lc 24,32-35).
O texto de Lucas é cheio de detalhes reveladores. Começa
dizendo que era “o primeiro
dia da semana”. Ou seja, trata-se do
nosso domingo, dia em que tanta gente vai à Igreja...
mas será que todos se encontram mesmo com Jesus?
Os discípulos não estavam bem, a morte de Jesus
parecia o fim lamentável de um sonho perdido. Jesus
se aproxima e eles não o reconhecem. Quanta gente,
dentro e fora de nossos templos, não reconhece Jesus
e anda desanimada pela vida... Muitos, como aqueles discípulos,
até já ouviram a Boa Nova. Mas algo está
faltando. Sabem coisas, conhecem doutrinas, mas de alguma
maneira o que aprenderam não está funcionando.
A Boa Nova é uma teoria, até bonita, mas não
é ainda um fogo ardente, um impulso vital.
E Jesus, o que faz? Fica junto, ouve, caminha com eles, faz
perguntas para que eles expressem seus sentimentos. Aqui estaria
um recado importante para a nossa catequese e para todo o
trabalho pastoral. Primeiro é preciso ouvir as perguntas.
Muitas vezes estamos dando respostas sem saber quais são
as indagações que a vida está fazendo
a cada um.
“Eles
pararam, com o rosto triste”- diz o
texto de Lucas. Só estavam vendo na cruz um fracasso,
uma decepção diante de esperanças de
uma vitória retumbante que, a seu ver, não havia
acontecido. Hoje, muita gente quer um Deus que só conceda
vitórias, e têm que ser vitórias bem mundanas,
no estilo da teologia da prosperidade. Jesus é vitorioso,
sim! É a maior vitória possível... mas
acontece de outro jeito. Precisamos de uma evangelização
que veja as vitórias dentro do espírito do projeto
do Reino.
Jesus, então, ensina. Fala dos profetas, mostra por
onde passou o projeto de Deus que nele tem sua culminância.
Situa o mistério da cruz num cenário mais amplo.
Hoje, para termos verdadeiros discípulos, seria preciso
aprofundar o conhecimento bíblico, perceber o fio condutor
que perpassa os textos.
A essa altura, eles ainda não perceberam o que acontecia
mas já estão encantados. Querem que o companheiro
de caminho fique com eles porque “já é
tarde e a noite vem chegando”. Jesus fica... e faz algo
mais: abençoa e reparte o pão, se revela num
gesto eucarístico. Depois desaparece, porque vai estar
presente agora de modo muito mais definitivo. A iniciação
cristã, ainda hoje, culmina (mas não
termina) na comunhão eucarística. É
comunhão com o próprio Jesus mas também
com todo o seu projeto e com a multidão de necessitados
com os quais ele sempre quis ser identificado. Os discípulos
se dão conta de que o “coração
ardia quando ele falava”. Mas não
é “fogo de palha”,
entusiasmo vazio. É um fogo que os leva de volta à
missão, agora com fé e esperança para
enfrentar as dificuldades e fazer novos discípulos.
Tudo isso vai ser refletido pelas comunidades no Ano Catequético.
Esperamos que a metodologia de Jesus nos inspire e nos prepare
também para fazer discípulos conscientes, ativos
e apaixonados pela missão. |