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PAULO, O APÓSTOLO |
| ANO
PAULINO - COMO PARTICIPAR E COMO CELEBRÁ-LO? |
Duas
grandes iniciativas da Igreja levam-nos a passar o ano de
2008 e a metade de 2009, em companhia de Paulo Apóstolo.
Uma é o mês da Bíblia em setembro, que
se celebra todos os anos no Brasil, por iniciativa da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A outra, é
o Ano dedicado a Paulo, por iniciativa do Papa Bento XVI.
Terá início no mês de junho de 2008,
terminando em junho de 2009. Neste período a comunidade
cristã do mundo inteiro intensificará o estudo
sobre esse grande apóstolo, evangelizador e mártir.
O tema escolhido para as reflexões de setembro de
2008, mês da Bíblia, é sobre a Primeira
Carta de Paulo aos Coríntios. Ele a escreveu para
tratar de vários e sérios problemas que afetavam
a vida dessa comunidade cristã fundada por ele, na
sua segunda viagem missionária, tendo permanecido
ali dezoito meses (cf. Atos dos Apóstolos
18,1-18). Entre os cristãos havia algumas
discórdias a respeito de doutrinas e da prática
religiosa, o que provocou a divisão em vários
grupos. Paulo tomou a iniciativa de escrever, ao receber
uma carta dos fiéis de Corinto pedindo-lhe orientações
sobre vários assuntos. A preocupação
de Paulo era esclarecer os pontos de conflito, e fazer com
que a comunidade voltasse a se unir, como deve ser a Igreja
de Jesus Cristo.
Através do estudo desta carta, teremos a oportunidade
de aprofundar pontos importantes, a fim de tornar mais próximos
de nós o seu conteúdo, que é um manancial
de sabedoria e vivência da fé cristã.
É importante, não somente ler essa carta,
pois poderíamos ficar na superfície do seu
conteúdo, mas é preciso conhecê-la para
compreendê-la, assimilar e praticar os ensinamentos
que ela nos traz, vindos desde os primórdios do cristianismo.
Abaixo apresento uma visão geral da carta, fazendo
o esquema do seu conteúdo:
- Introdução, que abrange os versículos
1-9 do cap. 1.
- Grupos pertencentes à igreja de Corinto, partindo
do cap. 1,10 ao cap. 4,21.
- Imoralidade existente na igreja, constando no cap. 5,1-13.
- Processos contra os próprios irmãos na
fé, no cap. 6,1-11.
- O uso do corpo, abordado no cap. 6,12-20.
- Conselhos de Paulo sobre o casamento, descritos no cap.
7,1-40.
- Relacionamento entre os cristãos e os pagãos,
motivado no cap. 8,1 ao 11,1.
- As mulheres na igreja – cap. 11,2-16.
- A Ceia do Senhor – cap. 11,17-34.
- Os dons do Espírito Santo apresentados por Paulo,
no cap. 12 ao cap. 14,40.
- A ressurreição de Cristo e dos que nele
crêem – cap. 15, 1-58.
- A oferta para os cristãos necessitados na Judéia
– cap. 16,1-4.
Na introdução à carta (1,1-9),
Paulo se identifica como o apóstolo escolhido por
Deus para anunciar Jesus Cristo. Ele está bem consciente
desse chamado de Deus para ser o apóstolo dos gentios,
isto é, dos povos não pertencentes a raça
judia. Ele mesmo, sendo judeu, foi convertido ao cristianismo
por uma graça especial de Jesus, que o interpelou
na estrada de Damasco, para onde ele se dirigia a fim de
prender os cristãos. Passou, então, de perseguidor
a perseguido por Cristo, que fez dele um grande apóstolo.
Após os acontecimentos da conversão de Paulo,
o que podemos ler no livro dos Atos dos Apóstolos
a partir do cap. 9, ele começou a se apresentar em
público e a falar de Jesus Cristo. Nem sempre, porém,
foi bem recebido e viu-se obrigado a se afastar e regressar
para sua casa, em Tarso. Passaram-se os anos. Sentido a
necessidade de mais operários para a pregação
do Evangelho, Barnabé lembrou-se de Paulo e foi procurá-lo,
convidando-o a regressar e a fazer parte do grupo dos apóstolos
evangelizadores. Paulo regressa e se entrega de corpo e
alma, à evangelização.
Nesta primeira carta aos cristãos de Corinto, Paulo
diz que agradece sempre a Deus pelas graças que lhes
tem dado por meio de Jesus Cristo, porque por estarem unidos
com Jesus foram enriquecidos em tudo, tanto no dom de anunciar
o evangelho, como no dom da sabedoria espiritual. Paulo
está tão certo da perseverança deles,
que lhes garante que Cristo irá conservá-los
firmes até o fim, pois Deus é fiel e os chamou
para que eles vivam em união com o seu Filho Jesus
Cristo.
Em seguida, apelando para a autoridade que lhe foi dada
por Jesus Cristo, Paulo os incentiva a que estejam de acordo
e que não haja divisões entre eles, pois fora
informado das brigas acontecidas, pela existência
de desentendimentos, dado que um diz: eu sou de Paulo; outro
diz: eu sou de Apolo; e outro ainda: eu sou de Pedro. E
outro também diz: eu sou de Cristo. Paulo os ajuda
a refletir e a perceber que nenhum outro morreu crucificado,
mas somente Jesus deixou-se crucificar por todos, portanto,
todos são de Cristo e Cristo é de Deus.
Continuando suas reflexões, Paulo dirá que
está escrevendo para ensiná-los como se eles
fossem seus próprios filhos queridos, e que se tivessem
milhares de mestres na fé cristã, não
poderiam ter mais de um pai. E continua dizendo: quando
lhes levei o evangelho, eu me tornei pai de todos na vida
que vivem em união com Cristo Jesus. E assegura-lhes
que o Reino de Deus não é coisa de palavras,
mas de poder. Prometendo ir visitá-los, lhes interroga:
o que é que preferem? Que eu vá visitar-lhes
com um chicote ou com um coração cheio de
amor e bondade?
Paulo demonstra ser enérgico, mas ao mesmo tempo
manifesta sua ternura para com as pessoas que gerou para
Cristo, tendo em vista sua autoridade de apóstolo.
Ele sente a responsabilidade de sua pregação,
por isso deseja que todos aqueles e aquelas que se convertem
ao cristianismo, sejam robustos na fé e no seguimento
de Jesus Cristo. Ele não quer saber de meias medidas.
Assim como foi total, sincera e robusta sua conversão
do judaísmo para o cristianismo, pela graça
de Deus, ele deseja que os demais convertidos sejam também,
firmes, decididos e íntegros no conhecimento de Cristo
na fé.
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