| Estamos
no mês da Bíblia que foi estabelecido este mês
justamente por causa de São Jerônimo que, com
seus estudos, traduções, interpretações,
comentários e escritos nos facilitou o acesso a esse
grande manancial de sabedoria transmitida pelos livros sagrados.
A
Bíblia, segundo o Magistério da Igreja, contem
a revelação daquilo que Deus quis manifestar
e comunicar a toda a humanidade, fazendo com que todos possam
participar dos bens divinos.
O
Concílio Vaticano II nos diz que “pela revelação
divina quis Deus manifestar e comunicar a sua pessoa e os
decretos eternos da sua vontade a respeito da salvação
dos homens, “para os fazer participar dos bens divinos,
que superam absolutamente a capacidade da inteligência
humana.” (Conf. “Dei verbum”. Capítulo
I, item 6.).
Com
efeito, a Bíblia significa coleção de
livros, embora costuma-se referir-se a ela como um livro único,
na verdade, ela é uma coletânea de livros do
Antigo Testamento e do Novo Testamento, em geral escritos
em hebraico para o Antigo Testamento e grego para o Novo Testamento.
O hebraico era um idioma falado pelas famílias semíticas
e tudo o que contém nas Sagradas Escrituras nessa língua
deve-se aos chamados escribas, fruto do laborioso e lento
ofício a favor do povo escolhido. Já o grego
era a língua dominante na época em houve a divulgação
da doutrina e vida de Jesus Cristo; por esse fato, o Novo
Testamento foi escrito em grego.
Em
decorrência dessas línguas, contudo, a Bíblia
era inacessível aos Romanos, que falavam o latim. Então,
Jerônimo, educado em Roma, conhecedor do latim e grego,
após uma longa doença, sentiu o chamamento de
Deus para a vida religiosa e se tornou padre da Igreja Católica.
Por
volta do ano 374, ele foi para a Palestina, onde estudou hebraico
e a interpretação da Bíblia. Inspirado
por Deus, traduziu todos os livros da Bíblia para o
latim, cuja tradução denominou-se “Vulgata”,
pois o latim era a língua falada na época universalmente.
O trabalho executado por São Jerônimo foi imenso,
pois copilou, com fidelidade e dedicação, uma
infinidade de documentos no decorrer das suas longas viagens
pelo Oriente, do que resultou a edição adotada
oficialmente pela Igreja Católica.
A
“Vulgata” foi grandemente divulgada, inicialmente
através de manuscritos feitos pelos monges nos mosteiros
e, com o advento da imprensa por Gutemberg, no século
XV, teve ampla divulgação. Hoje, é o
livro mais vendido do mundo. Estima-se que foram vendidos
12 milhões de exemplares na versão integral,
13 milhões de Novos Testamentos e ainda 450 milhões
de brochuras com extratos dos textos originais.
Um
fato histórico, trouxe um trauma enorme para os seguidores
de Cristo, a assim chamada Reforma, dividindo protestantes
e católicos. Os protestantes elegeram a Bíblia,
excluídos alguns livros, como única maneira
de inspiração divina. Os católicos, por
sua vez, admitiu-os juntamente com a tradição
da Igreja, como formas de Deus falar aos homens, sempre com
a interpretação do Magistério da Igreja.
Ainda
aqui nos recorda o Concílio Vaticano II: “A Sagrada
Tradição, portanto, e a Sagrada Escritura relacionam-se
e comunicam estritamente entre si. Com efeito, ambas derivando
da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só
e tendem ao mesmo fim. A Sagrada Escritura é a palavra
de Deus enquanto foi escrita por inspiração
do Espírito Santo; a Sagrada Tradição,
por sua vez, transmite integralmente aos sucessores dos apóstolos
a palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito
Santo aos apóstolos, para que, com a luz do Espírito
de verdade, a conservem, a exponham e a difundam fielmente
na sua pregação; donde acontece que a Igreja
não tira a sua certeza a respeito de todas as coisas
reveladas só da Sagrada Escritura. Por isso, ambas
devem ser recebidas e veneradas com igual afeto e piedade.”
(Conf. (Dei verbum’ – Cap.II, item 9)
A
Igreja sempre teve nos Livros Sagrados uma das fontes de inspiração
e vida. Uma coisa, porém, é certa: após
a invenção da imprensa, e agora com a versão
da Bíblia nas línguas faladas em todo mundo,
ela é, na verdade, o livro mais divulgado e, hoje,
fonte de inspiração para toda a humanidade.
E
todo a manancial que se constitui as Escrituras Sagradas,
portanto, devemos ao trabalho dedicado e persistente do grande
exegeta, escritor e santo, São Jerônimo, o qual
a Igreja o festeja no dia 30 de Setembro, mês da Bíblia.
Ao
concluir esta reflexão, faço-o com os versículos
103 a 105 do Salmo 119: “Como são doces ao meu
paladar tuas promessas; mais que o mel para minha boca. Dos
teus preceitos recebo inteligência, por isso odeio todo
caminho falso. Lâmpada para meus passos é tua
palavra e luz no meu caminho.”
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