Nos
cursos e aulas sobre Bíblia encontro três problemas.
Primeiro: a falta de método de estudo da Bíblia.
Não sabem por onde começar, como ler e como
interpretar. Este é o segundo problema: saber demais!
Ou pensar que sabe… As idéias ou informações
corretas não entram, não são aceitas
pois já existe um modo de pensar, uma visão
pré estabelecida. O terceiro: o fundamentalismo.
Método
— Para ler e compreender a Bíblia é
necessário um método. Um ponto de partida,
marcas na caminhada, uma conclusão. Não vale
“o que o texto diz para mim?”. É uma
pergunta em uma leitura pessoal, espiritual, interior. Válida
e necessária. Mas não para o estudo e a compreensão.
A pergunta deve ser: “o que o texto diz em si mesmo?”
Para respondê-lo é preciso ter humildade e
buscar sinais, expressões, significados; é
preciso ouvir, perguntar, ler e reler; tentar compreender
uma ou mais palavras-chaves, o contexto, a história
que está por trás de tudo isto. É preciso
perguntar também: Onde começa e termina este
texto? Quem está falando? Do que está falando?
Para quem? Por que? Os cursos bíblicos devem ser
para apresentar algum método de leitura e estudo
e com eles compreender melhor a riqueza da Palavra.
Saber
demais — Participando de celebrações,
cursinhos e grupos as pessoas vão se munindo de informações
que às vezes vem incompletas ou apresentadas de modo
parcial. Nota-se que existem até informações
erradas ou muito intimistas, politizadas, parciais. Muitos
pregadores não estão preparados para apresentar
o sentido da Palavra. É assustar como alguns deles
não lêem, não estudam, não se
atualizam. Outro dia, em um jantar com amigos, assustei-me
vendo como quem deve criar consciência cultural acredita
nos mitos urbanos, nos mitos culturais. E passa isto tudo
para seus ouvintes. Assim, uma pessoa pensa que sabe sobre
a Bíblia mas não sabe, pois sabe errado.
Fundamentalismo
— Tem gente que ainda tem como uma verdade de Fé
que Adão e Eva existiram, que o mundo foi criado
do jeito que está no Gênesis (e lá estão
duas interpretações da Criação:
qual das duas?), que foi a Torre de Babel que confundiu
as línguas… A questão é tomar
um texto simbólico ou didático por uma expressão
da realidade (falta de método). E a partir dai insistir
nas imagens em vez de seu sentido (“saber demais”).
Chega então o fundamentalismo. Ele não faz
crescer, mas isola, encastela em posições
fixas. A outra pessoa que pensa diferente é o inimigo
meu e de Deus. Ele deve ser destruído! Ele ou sua
religião. Ou os dois!
É
assim que assistimos as intolerâncias, os atos de
morte motivados pela religião ou a inimizade, as
acusações, as mentiras. O engano. Encontrei
outro dia uma mãe que chorava pela sua filha. Aos
poucos ela está se aniquilando entregando-se ao fundamentalismo
de uma igreja evangélica. Há um motivo igual
para a rejeição da outra pessoa, fazendo dela
um inimigo, pois não pensa como eu e o atentado ao
Word Trade Center, há três anos. Quem não
crê como eu é inimigo meu e do meu deus. Não
segue o meu caminho e por isso deve ser destruído.
Precisamos
experimentar a afirmação do Senhor: “Se
permanecerdes na minha palavra sereis verdadeiramente meus
discípulos. Conhecereis a verdade e a verdade vos
libertará!” (João 8, 32). Para
isto é necessário método, humildade
e paz.