Untitled Document
BÍBLIA
MENU
Santuário São José
Home >
SANTUÁRIO
FORMAÇÃO
ACESSE
[novo] Fotografias >
 

A PALAVRA DE DEUS

Estamos em pleno mês da Bíblia, no qual a liturgia nos convida a um aprofundamento maior da palavra de Deus, de forma a apreciá-la mais, meditá-la com maior freqüência e deixá-la agir no íntimo de nossos corações e em nossas vidas.

Um dos maiores dons que Deus poderia nos dar é sua própria palavra (dabar Iahweh, em hebraico). Ela é real, histórica e viva, criadora e eficaz, como vemos no Livro do Gênesis, no qual Deus cria pela sua palavra onipotente: “Faça-se a luz! E a luz foi feita” (Gn 1,3). Assim, a palavra opera tudo o que anuncia. Quando Jesus diz: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz” (Jo 14,27), esta se produz em nosso íntimo, pela sua própria eficácia.

Deus nos falou outrora, nos fala ainda hoje e jamais deixará de fazê-lo, porque sua função de Pai e Educador continua até o fim dos tempos, quando o último ser humano tiver chegado ao seu termo. A palavra divina nos revela “o mistério de Deus, isto é, Cristo, no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Cl 2,2-3). E nós fomos chamados a haurir dessas fontes, através da graça que o Senhor nos concede.

Há que ouvir a palavra de Deus, deixando que ela nos penetre, como a chuva na terra, produzindo nascimento, crescimento, floração e maturação. Pois o próprio Deus nos fala: “Assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão” (Is 55,11).

Deixar-se inundar pela palavra é, ao mesmo tempo, um ato de submissão a Deus, o próprio Autor da Sagrada Escritura, e uma reverência para com o conteúdo que ela nos comunica. Somos educados e conduzidos por essa palavra. Nascemos como pessoas, aliás já somos concebidos como tais; e a palavra de Deus traça o caminho para que cada um passe de pessoa a personalidade, ou de pessoa sociável a pessoa socializada.

A palavra de Deus é sempre veraz e definitiva. Quando ela nos interpela, nosso “sim” também deve ser definitivo, porque Deus não aceita um “não” ou um “talvez”, apenas porque mudamos nossas convicções e atitudes. Como a palavra se identifica com o próprio agir de Deus, ela é a Verdade, que não está sujeita ao tempo: não é de ontem, nem de amanhã; ela é de sempre, eternamente atual. Então, não se pode dizer que o conteúdo da palavra do Senhor seja anacrônico, defasado quanto à evolução do tempo e da história. É nosso conhecimento dessa palavra que é limitado.

Evidentemente, a palavra está condicionada à cultura que a registrou. Antes de ser escrita, a palavra foi vivida. A princípio, como uma tradição que ia de tenda em tenda, de casa em casa, de um grupo humano a outro, sendo, finalmente, consubstanciada nos textos que conhecemos. É uma história revista e contemplada sob a experiência dos que nos antecederam, e que nós, hoje, levamos adiante. Daí porque deve haver uma ciência que nos reconduza ao tempo, ao lugar e às circunstâncias em que o texto foi revelado: é a exegese que faz essa contextualização.

Os mediadores da palavra foram, primeiramente, os profetas, que falaram em nome de Deus. Sempre estiveram a serviço da palavra, dando até a vida pelo que anunciaram. Foram mensageiros de Deus, inspirados pelo seu Espírito, como instrumentos, através dos quais o Artista Divino comunica a beleza de sua arte. Pensemos, por exemplo, nos salmistas, cujas orações poéticas ficaram registradas para nós, atestando a experiência daquele povo, na intimidade com Deus e na história que construíram.

Depois de ter se revelado na Antiga Aliança, Deus “ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, e pelo qual criou todas as coisas” (Hb 1,2). E Jesus diz, no final da sua vida: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai” (Jo 15,15). Como a confidentes, Ele nos entrega o segredo de sua Pessoa e da amplitude de sua Missão.

Pela palavra, Deus se apresentou ao ser humano como Pai, Criador, Pastor, que guia e acompanha o seu rebanho. Enfim, um Deus que sabe nos conduzir ao termo pré-fixado para nós, segundo a sua bondade. E aqui não basta o tempo, não basta a vida, não bastam as gerações, para aprofundarmos tudo o que a Sagrada Escritura nos diz a respeito de Deus.

Ela nos revela, também, a história do mundo e, especialmente, do Povo Escolhido para ser o primeiro depositário da palavra. Essa história manifesta as desordens introduzidas na obra da Criação. Mas não podemos atribuí-las a Deus, sumamente bom e perfeito. Foi esta reflexão que levou o autor sagrado a re-buscar, isto é, buscar lá atrás, na origem da história, como se deu a falha original.

Aí entra o enigma humano. Como foi possível ao homem, dotado por Deus de todos os dons para sua plena bem-aventurança, ter rejeitado tudo isso, pelo pecado? A Bíblia atesta que o homem introduziu o mal na história: é o mistério da iniqüidade, de que nos fala São Paulo (cf. Tt 1,14). Chegamos, assim, a toda a história dos pecados da humanidade.

Em meio a tudo isso, porém, manifestam-se as maravilhas que Deus realizou, e realiza, em favor de seu povo. O ápice foi a Redenção, conquistada pelo Mistério Pascal de Cristo. Por ela, somos novamente filhos de Deus, chamados a uma felicidade eterna, que irá preencher todo vazio de nosso coração, destino glorioso que nos está reservado, e para o qual nos preparamos, alentando-nos pelas promessas reveladas.

A palavra de Deus, portanto, é normativa: traça como que um trilho orientador, que conduz ao encontro da vontade divina. Porém, mais do que isso, ela é transformante: age em nós para a santificação, concedendo-nos os meios necessários para vivermos de acordo com o plano de Deus. E isso é comprovável. Aquele que faz do amor a Deus e aos outros sua norma de vida, esse encontra a verdadeira felicidade, já agora neste mundo, rumo ao encontro definitivo com o Senhor. Por outro lado, quem vive afastado dessa norma jamais experimenta a autêntica realização pessoal, na doação total de si mesmo.

Agradeçamos ao Bom Deus por nos ter falado de tantos modos, para o nosso bem e a nossa santificação, a tal ponto que sua própria Palavra se encarnou (cf. Jo 1,14). Tenhamo-la em nossas casas, não empoeirada pela falta de manuseio, mas constantemente lida e meditada. Acima de tudo, tenhamo-la em nossos corações, para que, penetrando noss’alma, sonde nossos sentimentos e pensamentos, expondo-os à luz fulgurante do olhar divino (cf. Hb 4,12-13), que dissipa toda treva, cura toda ferida e preenche toda solidão.

Por: Cardeal D. Eusébio Oscar Scheid
 
Untitled Document

Rua Dom José Marello, 39 - Vila Feliz - 86808-050 - Apucarana - PR - Fone: (43) 3033-1899
Webmaster © 2007 a 2010 - Santuário São José