O
Papa João Paulo II, alcançou os altares. ''Homem
do século'' escreveu J. Kwitny e ''último
profeta''. Agora se torna o ''santo do novo
milênio''. Corrigi-me se eu errar, dizia ele,
no dia de sua eleição e pedia: ''Ajudai
o Papa a servir o homem e a humanidade''. Ele canonizou
480 santos. Beatificou 1.285 mártires e servos de Deus.
Agora ele se torna bem-aventurado, chega à glória
dos altares. Intercedei por nós João de Deus,
todo de Maria e da Divina Misericórdia.
As
pessoas de fé já intuíam a santidade
do Papa que arrebatava os jovens, atraía multidões
e surpreendia a humanidade. Recebeu vários títulos
dos que o conheciam como: devoto da humanidade, cigano de
Deus, mendigo da paz, Papa dos hebreus, apóstolo das
nações, João de Deus.
A
santidade de João Paulo II vem de longe, desde que
ficou órfão aos 9 anos e se consagrou a Maria,
trabalhou em fábricas para se sustentar, sofreu a perseguição
do comunismo, experimentou o peso da pobreza. Só pode
ser santo quem visitou 120 nações, realizou
202 viagens apostólicas, pronunciou 3.304 discursos,
escreveu 13 grandes encíclicas, mandou fazer a revisão
do Direito Canônico e pediu a confecção
de um novo Catecismo. Passou fora da Itália 956 dias.
Sentou-se
nos confessionários para absolver os pecadores, batizou
crianças, presidiu casamentos e celebrou a Eucaristia
em casebres, em campos de futebol, em parques famosos e suntuosas
catedrais. No México atraiu 8 milhões de pessoas
e em Manila 5 milhões de jovens. Refulgia nele o brilho
da fé, o zelo pelo evangelho, o amor à Igreja,
o ímpeto missionário, a força do sacrário,
a sabedoria da cruz, a devoção a Maria, o vigor
da oração diária, a meditação
assídua da Palavra de Deus, a imitação
dos santos.
A
santidade do Papa João Paulo II foi muito provada pelas
críticas no interior da Igreja, pelos propagandistas
e ativistas do aborto, pelas feministas, pela teimosia gay,
pelos defensores do marxismo no âmbito da teologia,
pelas guerras, pelo escândalo dos padres pedófilos.
Estes são alguns dos seus sofrimentos morais. Incontáveis
foram as provações, cruzes e doenças:
quedas, cirurgias, doença de Parkinson e principalmente
o atentado na praça São Pedro. O Papa foi perseguido
e marcado para morrer, mas ''uma mão materna desviou
aquele projétil mortal'', disse ele em Fátima.
Podemos
ver que o amor à Eucaristia, a devoção
a Maria, a paciência e serenidade no sofrimento foram
os grandes meios de santificação do Papa, além
da fidelidade ao cotidiano e a solicitude por todas as igrejas.
Deus, bom e providente, sempre envia santos para salvar a
Igreja em tempos de decadência, fraquezas, pecados.
Nossa Igreja passou por tantas crises, humilhações,
vergonha, desprezo e perseguição. Eis que surge,
por desígnio amoroso de Deus, na hora certa e no tempo
certo, um bem-aventurado que sofreu pela Igreja e agora, por
sua intercessão como bem-aventurado, haveremos de crescer
na conversão, apegar-nos ao bem, progredir na santidade,
para a glória de Deus e a salvação do
mundo.
Viva
João Paulo II, João de Deus, da Igreja, dos
jovens, de todas as pessoas de boa vontade. Nossa geração
é privilegiada, pois conheceu Padre Pio, Madre Tereza
e João Paulo II pessoalmente. Nós bispos tivemos
a graça de conversar pessoalmente, celebrar e concelebrar
e sentar à mesa com ele no Vaticano. Após a
oração à mesa nem tínhamos ainda
sentado, João Paulo II perguntou: ''Como vão
os boias-frias''. Isso me tocou porque o Papa ao sentar-se
à mesa lembrou-se dos que passam fome, comem mal, não
tem mesa. Assim são os santos, pensam em Deus e nos
irmão. |