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Assembléia Geral da CNBB divulgou nesta quarta-feira
carta dirigida aos 18 mil padres do País, enaltecendo
o seu trabalho:
“Conhecemos
de perto seus sacrifícios que, às vezes, alcançam
o heroísmo, na busca cotidiana de fidelidade à
missão evangelizadora” - diz a carta.
Numa
referência aos abusos sexuais contra menores envolvendo
padres, os bispos dizem que estes “comportamentos abusivos”
de alguns presbíteros atingiram “a credibilidade
dos sacerdotes e a grandeza do dom que nos foi confiado”.
“Amargura e sofrimento, confusão e mesmo indignação,
invadiram o íntimo de muitos cristãos e das
pessoas que amam a justiça, a verdade e a coerência
de vida”.
Os
bispos reafirmam sua confiança nos padres. “Queremos
reafirmar nossa satisfação e confiança
pela multidão de presbíteros que, identificados
com Cristo, compartilham as alegrais e as esperanças,
as tristezas e as angústias às comunidades que
lhes são confiadas
Mencionam
o final do Ano Sacerdotal, especial oportunidade da graça
divina e de renovada consciência da identidade dos padres,
anunciadores da Palavra, dispensadores da graça e animadores
da caridade, a serviço dos irmãos e irmãs.
Eis
a integra da carta aos presbíteros:
“Dar-vos-ei
pastores segundo o meu coração” (Jr 3,
15)
Nós,
Bispos do Brasil, reunidos em Brasília, na 48ª
Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil (CNBB), queremos saudar a todos os Presbíteros
de nossas Dioceses e Eparquia, que mais diretamente compartilham
conosco o amor a Jesus Cristo e à Igreja na tarefa
de evangelizar o povo de Deus.
Agradecemos
a total dedicação e amor a Jesus Cristo e à
missão da sua Igreja, na qual vocês vivem a vocação
e dão seu testemunho sacerdotal. Conhecemos de perto
seus sacrifícios que, por vezes, alcançam o
heroísmo na busca cotidiana de fidelidade à
missão evangelizadora, movidos pelo ardor missionário
para animar comunidades e dialogar com os mais diversos ambientes.
Caminhamos
para o final do Ano Sacerdotal, cujo tema é “Fidelidade
de Cristo, fidelidade do Sacerdote” que está
nos trazendo abundantes graças e uma renovada consciência
da identidade dos Sacerdotes, como anunciadores da Palavra,
dispensadores da graça e animadores da caridade, a
serviço dos irmãos e irmãs. Vocês
renovaram conosco, em diversos momentos, a disponibilidade
em servir o povo de Deus em suas necessidades mais profundas,
com especial atenção aos mais pobres, aos jovens
e aos doentes.
Por
outro lado, comportamentos abusivos de alguns irmãos
Presbíteros atingiram recentemente a credibilidade
dos Sacerdotes e a grandeza do dom que nos foi confiado. Amargura
e sofrimento, confusão e, mesmo indignação,
invadiram o íntimo de muitos cristãos e das
pessoas que amam a justiça, a verdade e a coerência
de vida. Com humildade, reconhecemos que estamos em tempo
de purificação, recordando que, diante do pecado,
nos são dados como remédios a conversão,
o perdão e a reparação às vítimas;
diante do crime, as penalidades da lei civil e canônica;
e diante de patologias, adequadas terapias.
Essas
circunstâncias e acontecimentos são um apelo
para nós, Bispos, e vocês, Presbíteros,
vivermos de maneira profunda e integral nossa configuração
com Jesus Cristo, o Bom Pastor, para que sejam mais facilmente
reconhecíveis os traços de sua presença
em nosso ser e em nosso agir cotidiano, especialmente porque
agimos in persona Christi Capitis (PDV 12) ao cumprir as funções
de mestres da Palavra, ministros dos Sacramentos, guias e
pastores das comunidades. Um renovado empenho na busca da
santidade poderá reavivar em nós e nos agentes
de pastoral o entusiasmo para anunciar, testemunhar e celebrar
Jesus Cristo. De fato, somente nele se encontram o significado
da vida, a alegria e a paz, que não esmorecem, a esperança
que não desilude e a caridade que aquece os corações.
O
contato diuturno e direto com o povo de Deus faz crescer a
integração da vida e a partilha solidária
com as comunidades que lhes são confiadas entre mil
desafios, fazendo-se tudo para todos para conquistar todos
para Cristo, na labuta cotidiana.
Queremos
reafirmar nossa satisfação e confiança
pela multidão de Presbíteros que, identificados
com Cristo, compartilham as alegrias e as esperanças,
as tristezas e as angústias das comunidades que lhes
são confiadas (cf. GS 1). Busquem sempre construir
a comunhão fraterna, a exemplo das primeiras comunidades,
nas quais “todos eram perseverantes em ouvir o ensinamento
dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração
do pão e nas orações. (...) Todos os
que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam
tudo em comum” (At 2, 42-45).
Agradecemos
as obras de caridade que vocês realizam, com significativa
participação de leigos, para enfrentar carências
e problemas concretos de suas comunidades. Admiramos os esforços
para que todo o povo cresça na consciência de
sua dignidade de filhos de Deus e de sua cidadania, em busca
de uma libertação plena da pobreza e da fome,
da exclusão social e das desigualdades.
Pedimos
que zelem pela comunhão eclesial, alimentando-a com
a celebração cotidiana da Eucaristia, com a
oração fiel e generosa, de modo especial a Liturgia
das Horas, com a busca frequente do Sacramento da Penitência
e a orientação espiritual, com um estilo de
vida sóbrio, que tome distância dos apelos do
consumismo, da cultura da banalidade, da invasão do
secularismo. Recomendamos, também, que tenham um zelo
especial na administração dos bens que lhes
são confiados, destinados, sobretudo, para o serviço
dos mais pobres.
Sobre
todos vocês, estimados filhos e irmãos, invocamos
a proteção de São João Maria Vianney
e da Virgem Aparecida, Mãe dos Sacerdotes, para que
Ela os console e fortaleça. Pedimos que Deus os abençoe
e renove cada dia, em seus corações, as razões
para viverem com entusiasmo e alegria sua total dedicação
a Cristo e à Igreja”.
Brasília,
11 de maio de 2010 |