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| Bruno
Maffi* |
| Bispo
de Apucarana aponta os desafios de aproximar os fieis e os
padres; defende uma postura rígida |

Dom Celso Antonio Marchiori
Bispo da Diocese de Apucarana |
'Um
sacerdote não pode gastar o seu tempo burocraticamente,
em funções administrativas, em construções,
levantando fundos para obras sociais ou em outras atividades
que leigos podem desempenhar. Ele deve estar sempre disponível
para atender ao povo, às inúmeras pessoas que
necessitam de uma palavra de fé, de ânimo e de
conforto''. Afirmação é de dom
Celso Marchiori, bispo de Apucarana (Norte), que em apenas
quatro meses à frente da Diocese tem procurado implantar
uma nova visão de Igreja.
O
caminho que dom Celso escolheu para dar impulso ao seu ministério
é a postura rígida no seguimento dos princípios
católicos, acompanhando de perto o trabalho dos 65
padres de sua diocese. ''A Igreja tem necessidade de sacerdotes
que ensinem pelo fruto de sua própria experiência,
o padre deve entender que sua imagem significa muito para
o povo e que suas fragilidades humanas podem afastar as pessoas
de Deus. Bons padres atraem o povo, as igrejas ficam cheias'',
afirma dom Celso, que esteve em Londrina na semana passada,
onde ministrou palestra na Pontifícia Universidade
Católica (PUC).
'Há
um perigo quando os consagrados querem se tornar artistas
ou políticos',
afirma Dom Celso. |
Ordenado
sacerdote em março de 1988, em Curitiba, e lá
permanecendo até ser escolhido pelo Papa Bento XVI
para o cargo de bispo, dom Celso afirma que o padre não
pode usar de seu ministério para promoção
pessoal. ''Há um perigo quando os consagrados querem
se tornar artistas ou políticos. Padre é o homem
que leva a Deus, se não são reconhecidos dessa
maneira é porque se desviaram de seu chamado, estão
buscando projeção e isso é um fracasso'',
expõe dom Celso.
Na
Diocese de Apucarana, dois padres estão afastados do
ministério sacerdotal, atuando como prefeitos, um no
município de Borrazópolis e outro em Jardim
Alegre. ''Eles estão fazendo o bem para o povo, não
houve nenhum escândalo e continuam fieis aos seus votos.
Mas estamos em conversação para que retornem
ao ministério da Igreja. A CNBB (Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil) orienta que os padres não
devem se dedicar à política partidária
e essa é também a minha visão. Se alguém
quer ser ordenado deve se dedicar para o bem do povo por meio
da fé'', declara o bispo.
Outras
atividades realizadas pelos padres também são
desaconselhadas por dom Celso. ''Hoje muitos se dedicam à
música, gravando CDs e fazendo shows, alguns realizam
excursões e até cruzeiros, isso pode ajudar
na evangelização, mas é secundário.
O grande foco é o que ninguém pode fazer a não
ser o padre, que é celebrar a missa, ouvir o povo em
confissão, atender as pessoas que aflitas querem sentir
o apoio da Igreja'', afirma. |
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'Não
é só no clero que há pedófilos'
Dom Celso Marchiori se preocupa
com a formação dos novos padres. Em Curitiba,
além de ser pároco, foi diretor e reitor dos
Seminários São José, Bom Pastor e Santíssimo
Sacramento. Como o padre não constitui família,
o bispo entende que a Igreja deve discernir, antes de aceitar
um seminarista, sobre o seu relacionamento familiar. ''Se
o jovem tem um bom relacionamento em casa, terá condições
de ser um bom padre, podendo orientar as famílias de
sua comunidade depois'', explica.
Durante os dez anos que um
seminarista se prepara para o sacerdócio a Igreja busca
formá-lo em todas as áreas necessárias
para seu trabalho. ''É fundamental uma formação
integral, humana e afetiva, intelectual, espiritual e pastoral.
Hoje se fala dos escândalos que surgiram em muitos lugares,
com os padres que cometeram pedofilia. Esse problema é
consequência de uma formação que não
foi conduzida desde a família. Temos que considerar
que não é só no clero que existem pedófilos.
Quando fixam esse problema aos religiosos é uma injustiça'',
desabafa.
Ainda segundo Dom Celso, mesmo
com a falta de padres, levando em conta o grande número
de comunidades católicas, ele prefere não ordenar
um seminarista se tem dúvidas quanto a sua conduta
ou preparo. ''Precisamos conhecer quem estará diante
de uma comunidade. Queremos oferecer ao povo homens consagrados,
conscientes de sua missão, que procurem ser sinal de
Deus e não pedras de tropeço'', afirma. |
fonte:
Folha de Londrina
terça-feira, 02/03/2010
Caderno Folha Cidades, pag. 3
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