| Leia
abaixo a íntegra da palestra que Zilda Arns, médica
e fundadora da Pastoral da Criança que morreu no terremoto
no Haiti, preparou para apresentar no país. Segundo
o filho Nelson Arns Neumann, Zilda fazia seu discurso quando
as paredes da igreja em que estava desabaram.
***************
Agradeço
o honroso convite que me foi feito. Quero manifestar minha
grande alegria por estar aqui com todos vocês em Porto
Príncipe, Haiti, para participar da assembleia de religiosos.
Como
irmã de dois franciscanos e de três irmãs
da Congregação das Irmãs Escolares de
Nossa Senhora, estou muito feliz entre todos vocês.
Dou graças a Deus por este momento.
Na
realidade, todos nós estamos aqui, neste encontro,
porque sentimos dentro de nós um forte chamado para
difundir ao mundo a boa notícia de Jesus. A boa notícia,
transformada em ações concretas, é luz
e esperança na conquista da Paz nas famílias
e nas nações. A construção da
paz começa no coração das pessoas e tem
seu fundamento no amor, que tem suas raízes na gestação
e na primeira infância, e se transforma em fraternidade
e responsabilidade social.
A
paz é uma conquista coletiva. Tem lugar quando encorajamos
as pessoas, quando promovemos os valores culturais e éticos,
as atitudes e práticas da busca do bem comum, que aprendemos
com nosso mestre Jesus: "Eu vim para que todos tenham
vida e a tenha em abundância" (Jo 10.10).
Espera-se
que os agentes sociais continuem, além das referências
éticas e morais de nossa Igreja, ser como ela, mestres
em orientar as famílias e comunidades, especialmente
na área da saúde, educação e direitos
humanos. Deste modo, podemos formar a massa crítica
das comunidades cristãs e de outras religiões,
em favor da proteção da criança desde
a concepção, e mais excepcionalmente até
os seis anos, e do adolescente. Devemos nos esforçar
para que nossos legisladores elaborem leis e os governos executem
políticas públicas que incentivem a qualidade
da educação integral das crianças e saúde,
como prioridade absoluta.
O
povo seguiu Jesus porque ele tinha palavras de esperança.
Assim, nós somos chamados para anunciar as experiências
positivas e os caminhos que levam as comunidades, famílias
e pais a serem mais justos e fraternos.
Como
discípulos e missionários, convidados a evangelizar,
sabemos que força propulsora da transformação
social está na prática do maior de todos os
mandamentos da Lei de Deus: o amor, expressado na solidariedade
fraterna, capaz de mover montanhas: "Amar a Deus sobre
todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos"
significa trabalhar pela inclusão social, fruto da
Justiça; significa não ter preconceitos, aplicar
nossos melhores talentos em favor da vida plena, prioritariamente
daqueles que mais necessitam. Somar esforços para alcançar
os objetivos, servir com humildade e misericórdia,
sem perder a própria identidade. Todo esse caminho
necessita de comunicação constante para iluminar,
animar, fortalecer e democratizar nossa missão de fé
e vida. Cremos que esta transformação social
exige um investimento máximo de esforços para
o desenvolvimento integral das crianças. Este desenvolvimento
começa quanto a criança se encontra ainda no
ventre sagrado da sua mãe. As crianças, quando
estão bem cuidadas, são sementes de paz e esperança.
Não existe ser humano mais perfeito, mais justo, mais
solidário e sem preconceitos que as crianças.
Não
é por nada que disse Jesus: "... se vocês
não ficarem iguais a estas crianças, não
entrará no Reino dos Céus" (MT 18,3). E
"deixem que as crianças venham a mim, pois deles
é o Reino dos Céus" (Lc 18, 16).
Hoje
vou compartilhar com vocês uma verdadeira história
de amor e inspiração divina, um sonho que se
fez realidade. Como ocorreu com os discípulos de Emaús
(Lc 24, 13-35), "Jesus caminhava todo o tempo com eles.
Ele foi reconhecido a partir do pão, símbolo
da vida." Em outra passagem, quando o barco no Mar da
Galileia estava prestes a afundar sob violentas ondas, ali
estava Jesus com eles, para acalmar a tormenta. (Mc 4, 35-41).
Com
alegria vou contar o que "eu vi e o que tenho testemunhado"
a mais de 26 anos desde a fundação da Pastoral
da Criança, em setembro de 1983.
Aquilo
que era uma semente, que começou na cidade de Florestópolis,
Estado do Paraná, no Brasil, se converteu no Organismo
de Ação Social da Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil, presente em 42 mil comunidades pobres
e nas 7.000 paróquias de todas as Dioceses da Brasil.
Por
força da solidariedade fraterna, uma rede de 260 mil
voluntários, dos quais 141 mil são líderes
que vivem em comunidades pobres, 92% são mulheres,
e participam permanentemente da construção de
um mundo melhor, mais justo e mais fraterno, em serviço
da vida e da esperança. Cada voluntário dedica
em média 24 horas ao mês a esta missão
transformadora de educar as mães e famílias
pobres, compartilhar o pão da fraternidade e gerar
conhecimentos para a transformação social.
O
objetivo da Pastoral da Criança é reduzir as
causas da desnutrição e a mortalidade infantil,
promover o desenvolvimento integral das crianças, desde
sua concepção até o seis anos de idade.
A primeira infância é uma etapa decisiva para
a saúde, a educação, a consolidação
dos valores culturais, o cultivo da fé e da cidadania
com profundas repercussões por toda a vida.
Um
pouco de história:
Sou
a 12ª de 13 irmãos, cinco deles são religiosos.
Três irmãs religiosas e dois sacerdotes franciscanos.
Um deles é D. Paulo Evaristo, o Cardel Arns, Arcebispo
emérito de São Paulo, conhecido por sua luta
em favor dos direitos humanos, principalmente durante os vinte
anos da ditadura militar do Brasil.
Em
maio de 1982, ao voltar de uma reunião da Organização
das Nações Unidas (ONU), em Genebra, D. Paulo
me chamou pelo telefone a noite. Naquela reunião, James
Grant, então diretor executivo da Unicef (Fundo das
Nações Unidas para a Infância), falou
com insistência sobre o soro oral. Considerado como
o maior avanço da medicina no século passado,
esse soro era capaz de salvar da morte milhões de crianças
que poderiam morrer por desidratação devido
a diarreia, uma das principais causas da mortalidade infantil
no Brasil e no mundo. James Grant conseguiu convencer a D.
Paulo para que motivasse a Igreja Católica a ensinar
as mães a preparar e administrar o soro oral. Isto
podia salvar milhares de vidas.
Viúva
fazia cinco anos, eu estava, naquela noite história,
reunida com os cinco filhos, entre os nove e dezenove anos,
quando recebi a chamada telefônica do meu irmão
D. Paulo. Ele me contou o que havia passado e me pediu para
refletir sobre ele. Como tornar realidade a proposta da Igreja
de ajudar a reduzir a morte das crianças? Eu me senti
feliz diante deste novo desafio. Era o que mais desejava:
educar as mães e famílias para que soubessem
cuidar melhor de seus filhos!
Creio
que Deus, de certo modo, havia me preparado para esta missão.
Baseada na minha experiência como médica pediatra
e especialista em saúde pública e nos muitos
anos de direção dos serviços públicos
de saúde materna-infantil, compreendi que, além
de melhorar a qualidade dos serviços públicos
e facilitar às mães e crianças o acesso
a eles, o que mais falta fazia às mães pobres
era o conhecimento e a solidariedade fraterna, para que pudessem
colocar em prática algumas medidas básicas simples
e capazes de salvar seus filhos da desnutrição
e da morte, como por exemplo a educação alimentar
e nutricional para as grávidas e seus filhos, a amamentação
materna, as vacinas, o soro caseiro, o controle nutricional,
além dos conhecimentos sobre sinais e sintomas de algumas
doenças respiratórias e como as prevenir.
Me
vem a mente então a metodologia que utilizou Jesus
para saciar a fome de 5.000 homens, sem contar as mulheres
e as crianças. Era noite e tinham fome. Os discípulos
disseram a Jesus que o melhor era que deixassem suas casa,
mas Jesus ordenou: "Dai-lhes vós de comer".
O apóstolo Felipe disse a Jesus que não tinham
dinheiro para comprar comida para tanta gente. André,
irmão de Simão, sinalou a uma criança
que tinha dois peixes e cinco pães. E Jesus mandou
que se sentassem em grupos de cinquenta a cem pessoas (em
pequenas comunidades). Então pensei: Por que morrem
milhões de crianças por motivos que podem facilmente
ser prevenidos? O que faz com que eles se tornem criminosos
e violentos na adolescência?
Recordei
o inicio da minha carreira, quando me desafiei a querer diminuir
a mortalidade infantil e a desnutrição. Vieram
a minha mente milhares de mães que trocaram o leite
materno pela mamadeira diluída em água suja.
Outras mães que não vacinam seus filhos, quando
não havia ainda cesta básica no Centro de Saúde.
Outras mães que limpavam o nariz de todos os seus filhos
com o mesmo pano, ou pegavam seus filhos e os humilhavam quando
faziam xixi na cama. E ainda mais triste, quando o pai chegava
em casa bêbado. Ao ouvir o grito de fome e carinho de
seus filhos, os venciam mesmo quando eram muito pequenos.
Sabe-se, segundo resultados de pesquisas da OMS (Organização
Mundial da Saúde), cuja publicação acompanhei
em 1994, que as crianças maltratadas antes de um ano
de idade têm uma tendência significativa para
violência, e com frequência fazem crimes antes
dos 25 anos.
A
Igreja, que somos todos nós, que devíamos fazer?
Tive
a seguridade de seguir a metodologia de Jesus: organizara
as pessoas em pequenas comunidades; identificar líderes,
famílias com grávidas e crianças menores
de seis anos. Os líderes que se dispusessem a trabalhar
voluntariamente nessa missão de salvar vidas, seriam
capacitados, no espírito da fé e vida, e preparados
técnica e cientificamente, em ações básicas
de saúde, nutrição, educação
e cidadania. Seriam acompanhados em seu trabalho para que
não se desanimassem. Teriam a missão de compartilhar
com as famílias a solidariedade fraterna, o amor, os
conhecimentos sobre os cuidados com as grávidas e as
crianças, para que estes sejam saudáveis e felizes.
Assim como Jesus ordenou que considerassem se todos estavam
saciados, tínhamos que implantar um sistema de informações,
com alguns indicadores de fácil compressão,
inclusive para líderes analfabetos ou de baixa escolaridade.
E vi diante de mim muitos gestos de sabedoria e amor apreendidos
com o povo.
Senti
que ali estava a metodologia comunitária, pois podia
se desenvolver em grande escala pelas dioceses, paróquias
e comunidades. Não somente para salvar vidas de crianças,
mas também para construir um mundo mais justo e fraterno.
Seria a missão do "Bom Pastor", que estão
atentos a todas as ovelhas, mas dando prioridade àquelas
que mais necessitam. Os pobres e os excluídos.
Naquela
maravilhosa noite, desenhei no papel uma comunidade pobre,
onde identifique famílias com grávidas e filhos
menores de seis anos e lideres comunitários, tanto
católicos como de outras confissões e culturas,
para levar adiante ações de maneira ecumênica,
pois Jesus veio par que "todos tenham Vida e Vida em
abundância" (João 10,10). Isto é
o que precisa ser feito aqui no Haiti: fazer um mapa das comunidades
pobres, identificar as crianças menores de 6 anos e
suas famílias e lideres comunitários que desejam
trabalhar voluntariamente.
Desde
a primeira experiência, a Pastoral da Criança
cultivou a metodologia de Jesus, que é aplicada em
grande escala. No Brasil, em mais de 40 mil comunidades, de
7.000 paróquias de todas as 272 diocese e prelazias.
Está se estendendo a 20 países. Estes são,
na América Latina e no Caribe: Argentina, Bolívia,
Colômbia, Paraguai, Uruguai, Peru, Venezuela, Guatemala,
Panamá, República Dominicana, Haiti, Honduras,
Costa Rica e México; na África: Angola, Guiné-Bissau,
Guiné Conakry e Moçambique e na Ásia:
Filipinas e Timor Leste.
Para
organizar melhor e compartilhar as informações
e a solidariedade fraterna entre as mães e famílias
vizinhas, as ações se baseiam em três
estratégias de educação e comunicação:
individual, de grupo e de massas. A Pastoral da Criança
utiliza simultaneamente as três formas de comunicação
para reforçar a mensagem, motivar e promover mudanças
de conduta, fortalecendo as famílias com informações
sobre como cuidar dos filhos, promovendo a solidariedade fraterna.
A
educação e comunicação individual
se fazem através da 'Visita Domiciliar Mensal nas famílias'
com grávidas e filhos. Os líderes acompanham
as famílias vizinhas nas comunidades mais pobres, nas
áreas urbanas e rurais, nas aldeias indígenas
e nos quilombos, e nas áreas ribeirinhas do Amazonas.
Atravessam rios e mares, sobem e descem montes de encostas
íngremes, caminham léguas, para ouvir os clamores
das mães e famílias, para educar e fortalecer
a paz, a fé e os conhecimentos. Trocam ideias sobre
saúde e educação das crianças
e das grávidas; ensinam e aprendem.
Com
muita confiança e ternura, fortalecem o tecido social
das comunidades, o que leva a inclusão social.
Motivados
pela Campanha Mundial patrocinadas pela ONU (Organização
das Nações Unidas), em 1999, com o tema "Uma
vida sem violência é um direito nosso",
a Pastoral da Criança incorporou uma ação
permanente de prevenção da violência com
o lema "A Paz começa em casa". Utilizou como
uma das estratégias de comunicação a
distribuição de seis milhões de folhetos
com "10 Mandamentos para alcançar a paz na família",
debatíamos nas comunidades e nas escolas, do norte
ao sul do país.
As
visitas, entre tantas outras ações, servem para
promover a amamentação materna, uma escola de
dialogo e compartilhar, principalmente quando se dá
como alimento exclusivo até os seis meses e se continua
dando como alimento preferencial além do um ano, inclusive
além dos dois anos, complementarmente com outros alimentos
saudáveis. A sucção adapta os músculos
e ossos para uma boa dicção, uma melhor respiração
e uma arcada dentária mais saudável. O carinho
da mãe acariciando a cabeça do bebe melhora
a conexão dos neurônios. A psicomotricidade da
criança que mama no peito é mais avançada.
Tanto é assim que se senta, anda e fala mais rápido,
aprende melhor na escola. É fator essencial para o
desenvolvimento afetivo e proteção da saúde
dos bebês, para toda a vida. A solidariedade desponta,
promovida pelas horas de contato direto com a mãe.
Durante a visita domiciliar, a educação das
mulheres e de seus familiares eleva a autoestima, estimula
os cuidados pessoais e os cuidados com as crianças.
Com esta educação das famílias se promove
a inclusão social.
A
educação e a comunicação grupal
têm lugar cada em cada mês em milhares de comunidades.
Esse é o Dia da Celebração da Vida. Momento
dedicado ao fortalecimento da fé e da amizade entre
famílias. Além do controle nutricional, estão
os brinquedos e as brincadeiras com as crianças e a
orientação sobre a cidadania. Neste dia as mães
compartilham práticas de aproveitamento adequado de
alimentos da região de baixo custo e alto valor nutritivo.
As frutas, folhas verdes, sementes e talos, que muitas vezes
não são valorizados pelas famílias.
Outra
oportunidade de formação de grupo é a
Reunião Mensal de Reflexão e Evolução
dos líderes da comunidade. O objetivo principal desta
reunião é discutir e estabelecer soluções
para os problemas encontrados.
Essas
ações integram o sistema de informação
da Pastoral da Criança para poder acompanhar os esforços
realizados e seus resultados através de Indicadores.
A desnutrição foi controlada. De mais de 50%
de desnutridos no começo, hoje está em 3,1%.
A mortalidade infantil foi drasticamente reduzida e hoje está
em 13 mortos por mil nascidos vivos nas comunidades com Pastoral
da Criança. O índice nacional é 2,33,
mas se sabe que as mortes em comunidades pobres, onde estão
a Pastoral da Criança, é maior que é
na média geral. Em 1982, a mortalidade infantil no
Brasil foi 82,8 mil nascidos vivos. Estes resultados têm
servido de base para conquistar entidades, como o Ministério
da Saúde, Unicef, Banco HSBC, e outras empresas. Elas
nos apóiam nas capacitações e em todas
as atividades básicas de saúde, nutrição,
educação e cidadania. O custo criança/mês
é de menos de US$ 1.
Em
relação à educação e à
comunicação de massas apresentará três
experiências concretas de como a comunicação
é um instrumento de defesa dos direitos da infância.
Materiais
impressos
O
material impresso foi concebido especificamente para ajudar
a formação do líder da Pastoral da Criança.
Os instrutores e os multiplicadores servem como ferramenta
de trabalho na tarefa de guiar as famílias e comunidades
sobre questões de saúde, nutrição,
educação e cidadania. Além do Guia da
Pastoral da Criança, se colocou em marcha publicações
como o Manual do Facilitador, Brinquedos e Jogos, Comida e
as Hortas Familiares, alfabetização de jovens
e adultos e mobilização social.
O
jornal da Pastoral da Criança, com tiragem mensal de
cerca de 280 mil, ou seja 3 milhões e 300 mil exemplares
por ano, chega a todos os líderes da Pastoral da Criança.
É uma ferramenta para a formação continua.
O
Boletim Dicas abarca questões relacionadas com a saúde
e a educação para cidadania. Este especialmente
concebido para os coordenadores e capacitadores da Pastoral
da Criança. Cada publicação chega a 7.000
coordenadores.
Para
ajudar na vigilância das mulheres grávidas, a
Pastoral da Criança criou os laços de amor,
cartões com conselhos sobre a gravidez e um partos
saudável.
Outros
materiais impressos de grande impacto social é o folheto
com os 10 mandamentos para a Paz na Família, 12 milhões
de folhetos foram distribuídos nos últimos anos.
Além
desses materiais impressos, se envia para as comunidades da
Pastoral da Criança material para o trabalho de pesagem
das crianças, objetos como balanças e também
colheres de medir para a reidratarão oral e sacos de
brinquedos para as crianças brincarem no dia da celebração
da vida.
Material
de som e vídeo
Outra
área em que a Pastoral da Criança produz materiais
é de som e a produção de filmes educativos.
O Show ao vivo da Rádio da Vida, produzido e gravado
no estúdio da Pastoral da Criança, chega a milhões
de ouvintes em todo Brasil. Com os temas de saúde,
de educação na primeira infância e a transformação
social, o programa de rádio Viva a Vida se transmite
semanalmente 3.740 vezes. Estamos "no ar", de 2.310
horas semanais em todo Brasil. Além disso, o Programa
Viva a Vida também se executa em vários tipos
de sistemas de som de CD e aparados nas reuniões de
grupo.
A
Pastoral da Criança também produz filmes educativos
para melhorar e dar conhecimento de seu trabalho nas bases.
Atualmente há 12 títulos produzidos que sem
ocupam na prevenção da violência contra
as crianças, comida saudável, na gravidez, e
na participação dos Conselhos Municipais de
Saúde, na preservação da AIDS e outros.
Campanhas
A
Pastoral da Infância realiza e colabora em várias
campanhas para melhorar a qualidade de vida das mulheres grávidas,
famílias e crianças. Estes são alguns
exemplos:
a.
Campanhas de sais de reidratação oral
b.
Campanha de Certidão de Nascimento: a falta de informação,
a distância dos cartórios e a burocracia fazem
com que as pessoas fiquem sem certidões de nascimentos.
b.
Campanha de Certidão de Nascimento: a falta de informação,
a distância dos escritórios e a burocracia fazem
com que as pessoas fiquem sem uma certidão de nascimento.
A mobilização nacional para o registro civil
de nascimento, que une o Estado brasileiro e a sociedade,
[busca] garantir a cada cidadão de pleno direito o
nome e os direitos.
c.
Campanha para promover o aleitamento materno: o leite materno
é um alimento perfeito que Deus colocou à disposição
nos primeiros anos de vida.
Permanentemente, a Pastoral da Criança promove o aleitamento
materno exclusivo até os seis meses e, em seguida,
continuar, com outros alimentos. Isso protege contra doenças,
desenvolve melhor e fortalece a criança.
d.
Campanha de prevenção da tuberculose, pneumonia
e hanseníase: as três doenças continuam
a afetar muitas crianças e adultos em nosso país.
A Pastoral da Criança prepara materiais específicos
de comunicação para educar o público
sobre sintomas, tratamento e meios de prevenção
destas doenças.
e.
Campanha de Saneamento: o acesso à água potável
e o tratamento de águas residuais contribuem para a
redução da mortalidade infantil. A Pastoral
da Criança, em colaboração com outros
organismos, mobiliza a comunidade para a demanda por tais
serviços a governos locais e usa os meios ao seu dispor
para divulgar informações relacionadas ao saneamento.
f.
Campanha de HIV/Aids e Sífilis: o teste do HIV/Aids
e sífilis durante o pré-natal permite a redução
de 25% para 1% do risco de transmissão para o bebê.
A Pastoral da Criança apóia a campanha nacional
para o diagnóstico precoce destas doenças.
g.
Campanha para a Prevenção da morte súbita
de bebês "Dormir de barriga para cima é
mais seguro": Com a finalidade de alertar sobre os riscos
e evitar até 70% das mortes súbitas na infância,
a Pastoral da Criança lançou esta grande campanha
dirigida às famílias para que coloquem seus
bebês para dormir de barriga para cima.
h.
Campanha de Prevenção do Abuso Infantil: Com
esta campanha, a Pastoral da Criança esclarece as famílias
e a sociedade sobre a importância da prevenção
da violência, espancamentos e abuso sexual. Esta campanha
inclui a distribuição de folheto com os dez
mandamentos para a paz na família, como um incentivo
para manter as crianças em uma atmosfera de paz e harmonia.
i.
Campanha - 20 de novembro, dia de oração e de
ação para as crianças: A Pastoral da
Criança participa dos esforços globais para
a assistência integral e proteção a crianças
e adolescentes, em colaboração com a Rede Mundial
de Religiões para a Infância (GNRC).
Em
dezembro de 2009, completei 50 anos como médica e,
antes de 2002, confesso que nunca tinha ouvido falar em qualquer
programa da Unicef ou da Organização Mundial
de Saúde (OMS), ou de outra agência da Organização
das Nações Unidas (ONU), que estimulasse a espiritualidade
como um componente do desenvolvimento pessoal. Como um dos
membros da delegação do Brasil na Assembleia
das Nações Unidas em 2002, que reuniu 186 países,
em favor da infância, tive a satisfação
de ouvir a definição final sobre o desenvolvimento
da criança, que inclui o seu "desenvolvimento
físico, social, mental, espiritual e cognitivo".
Este foi um avanço, e vem ao encontro do processo de
formação e comunicação que fazemos
na Pastoral da Criança. Neste processo, vê-se
a pessoa de maneira completa e integrada em sua relação
pessoal com o próximo, com o ambiente e com Deus.
Estou
convencida de que a solução da maioria dos problemas
sociais está relacionada com a redução
urgente das desigualdades sociais, com a eliminação
da corrupção, a promoção da justiça
social, o acesso à saúde e à educação
de qualidade, ajuda mútua financeira e técnica
entre as nações, para a preservação
e restauração do meio ambiente. Como destaca
o recente documento do papa Bento 16, "Caritas in veritate"
(Caridade na verdade), "a natureza é um dom de
Deus, e precisa ser usada com responsabilidade." O mundo
está despertando para os sinais do aquecimento global,
que se manifesta nos desastres naturais, mais intensos e frequentes.
A grande crise econômica demonstrou a inter-relação
entre os países.
Para
não sucumbir, exige-se uma solidariedade entre as nações.
É a solidariedade e a fraternidade aquilo de que o
mundo precisa mais para sobreviver e encontrar o caminho da
paz.
Final
Desde
a sua fundação, a Pastoral da Criança
investe na formação dos voluntários e
no acompanhamento de crianças e mulheres grávidas,
na família e na comunidade.
Atualmente, existem 1.985.347 crianças, 108.342 mulheres
grávidas de 1.553.717 famílias. Sua metodologia
comunitária e seus resultados, assim como sua participação
na promoção de políticas públicas
com a presença em Conselhos de Saúde, Direitos
da Criança e do Adolescente e em outros conselhos levaram
a mudanças profundas no país, melhorando os
indicadores sociais e econômicos. Os resultados do trabalho
voluntário, com a mística do amor a Deus e ao
próximo, em linha com nossa mãe terra, que a
todos deve alimentar, nossos irmãos, os frutos e as
flores, nossos rios, lagos, mares, florestas e animais. Tudo
isso nos mostra como a sociedade organizada pode ser protagonista
de sua transformação. Neste espírito,
ao fortalecer os laços que ligam a comunidade, podemos
encontrar as soluções para os graves problemas
sociais que afetam as famílias pobres.
Como
os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um
ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de
predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus,
deveríamos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado,
promover o respeito a seus direitos e protegê-los.
Muito
Obrigada!
Que Deus esteja convosco!
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