Como
cristãos e discípulos de Cristo, devemos ter
na Palavra de Deus nosso alimento diário e abundante;
sem alimentar-nos, nossa vida espiritual vai se enfraquecendo,
nossa mística no seguimento de Cristo vai perdendo
a motivação e outras motivações
vão tomando o lugar. Esta Palavra nos foi transmitida
por ninguém menos que pelo Filho amado do Pai celeste,
que veio ser nosso caminho, verdade e vida. É ordem
do próprio Deus que escutamos o “Filho
amado”.
Durante
a Quaresma somos convidados a “purificar
o olhar de nossa fé”; isso
significa, aprender a ver as coisas como Deus as vê;
ou, como Jesus pede a Pedro: “pensar
conforme Deus” – “tu
não pensas conforme Deus, mas conforme os homens”.
Nossa fé, para ser pura e verdadeira, precisa traduzir-se
sempre mais na adesão a Deus e na sintonia com sua
vontade. Isso requer a alimentação nas fontes
da fé, que são a Palavra de Deus, a Eucaristia,
a oração e o testemunho dos Apóstolos
e dos santos, que nos vem transmitido através da
Igreja. Na Páscoa, renovamos a profissão da
nossa genuína fé, que nos foi dada como um
dom de Deus. Seria interessante perguntar-nos, durante a
Quaresma: afinal, em que consiste a nossa, a “minha”
fé? Ela é adesão sincera e integral
a Deus?
A busca
da visão de Deus, ou da glória de Deus, é
outra referencia fundamental da vida dos cristãos,
discípulos missionários de Jesus Cristo. Significa
isso, alimentar a dimensão da esperança em
nossa vida e o desejo de alcançar a meta última
de nossa existência, que é a felicidade plena
em Deus. O Papa Bento XVI faz uma pergunta intrigante na
sua encíclica sobre a Esperança cristã
(Spe salvi): será que ainda desejamos
ir para o céu? Ou nos basta a terra e o que nós
mesmos podemos oferecer-nos e assegurar para nossa vida
na terra? A vida cristã é caminho para o Pai,
seguindo Jesus Cristo, que vai à frente de todos
e quer introduzir a todos na casa do Pai. A celebração
da Quaresma, sobretudo mediante o jejum e a meditação
sobre as verdades centrais d enossa fé - “purificado
o olhar de nossa fé” –
deve reavivar em nós o desejo de “ver
Deus”, de estar com Ele na vida eterna.
No dia
19 de março, a Igreja celebra a festa de São
José, com os títulos bonitos de Esposo da
Bem-Aventurada Virgem Maria e Patrono Universal da Igreja.
É diverso da comemoração de 1º
de maio, quando o título é “São
José, Trabalhador”, portanto,
Patrono de todos os trabalhadores. A Igreja tem grande veneração,
simpatia e confiança em São José, a
quem Deus confiou “as
primícias da Igreja”, ou seja,
sua primeira manifestação e fruto, que é
a própria Sagrada Família; este núcleo
inicial da Igreja foi confiado por Deus aos cuidados desse
homem humilde, justo, trabalhador, esposo e pai responsável.
Por isso, a Igreja também aconselha as famílias
a terem especial devoção a São José,
seguindo seu exemplo e confiando-se a sua intercessão.
A Igreja
inteira se confia a São José: como ele foi
solicito e vigilante protetor da primeira “Igreja
doméstica”, ela continua a
velar também sobre a grande família dos filhos
de Deus, para que esta, com sua intercessão e ajuda,
possa levar o bom termo a sua missão.
Neste
tempo em que nos esforçamos por abraçar de
maneira renovada, a missão de Igreja para sermos
uma Igreja “em estado
de missão”, penso ser importante
valorizar a presença de São José em
nossas comunidades e, sobretudo em nossas famílias.
São José, homem bom e prudente, homem santo,
que teve o olhar puro da fé sobre sua vida e os acontecimentos
que o envolveram, foi inteiramente devotado a Jesus e Maria;
também hoje ele está inteiramente interessado
na família maior dos “irmãos
de Jesus”, a multidão dos “filhos”
que Deus confiou à Mãe de Jesus. Sua intercessão
é preciosa e eficaz. São José, rogai
por nós e pelas famílias e pela Igreja de
São Paulo!
Artigo publicado em O SÃO PAULO, ed. De 17.03.2009