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Igreja Católica no Brasil promove, mais uma vez, a
Campanha da Fraternidade. Neste ano de 2009 o tema versa sobre
a “Fraternidade e a Segurança
Pública”. A promoção
da Campanha da Fraternidade, ultrapassados 40 anos desta prática,
é uma promoção da Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil, convocando as comunidades de fé
e congregando, em mutirão e cooperação,
diferentes segmentos da sociedade brasileira em torno de uma
questão da mais alta importância para a vida
de todos. A Igreja pretende, pois, com esta Campanha, debater
sobre a segurança pública com a finalidade de
contribuir, à luz do Evangelho de Jesus Cristo, fonte
inesgotável de valores e princípios, para que
a sociedade avance no compromisso e na promoção
da cultura da paz. Uma cultura da paz fundamentada e comprometida
com a justiça social. A Igreja, pois, com sua ação
evangelizadora, adentra em questões complexas que estão
configurando as feições da sociedade brasileira
contemporânea. Injustiças e violências
estão grassando por todo lado na terra de Santa Cruz.
A sociedade se torna cada vez mais um palco de inseguranças,
gerando um sério comprometimento na convivência
humana.
É
preciso reverter este quadro. É uma aposta que não
pode ser, absolutamente, descartada. Pelo contrário,
é preciso enraizar as motivações e produzir
lucidez gerando convicções para que um novo
cenário seja desenhado como pano de fundo para a sociedade.
Esta aposta numa reversão deste quadro complexo que
se apresenta hoje não se conseguirá apenas com
reformas paliativas, escondendo no seu bojo os interesses
cartoriais de grupos e a desonestidade de tantos manipulando
legislações, devorando os bens dos pobres e
criando cercas para delimitar campos de defesas para as minorias
privilegiadas. A revolução que o cenário
violento e injusto posta na sociedade brasileira só
poderá ter reversões substantivas na medida
em que o ponto de partida for uma referência ética
e moral. O Evangelho de Jesus Cristo é esta referência.
Supõe sua escuta atenta e humilde.
A
Campanha da Fraternidade, então, é promovida
durante o tempo quaresmal para que o apelo à conversão,
convite próprio e especial deste tempo, abra os ouvidos
e o coração de todos para melhor enxergar os
desafios múltiplos e complexos da realidade. Não
basta apenas discorrer, analisar e explicar acerca da violência
que amedronta na vida da sociedade. Nem também é
qualificado lamentar a respeito de situações
e acontecimentos. É preciso promover uma sensibilização
produtora de gestos concretos e comprometimentos mais efetivos
no coração e na vida das pessoas, levando-as
a reconhecer a violência na sua realidade pessoal e
social. A consideração das configurações
estruturais e conjunturais da violência não dispensa
o confronto de cada pessoa com sua própria responsabilidade.
Ora, o problema da violência e a promoção
da cultura da paz dependem e exigem uma postura própria
de cada pessoa.
Esta
dimensão de comprometimento pessoal se desdobra na
direção do compromisso de denunciar a gravidade
dos crimes contra a ética, a economia e as gestões
públicas. Este âmbito, é uma convicção
social, é um lamaçal terrível. Assim
como noutros âmbitos importantes, a Igreja propõe,
pela força do Evangelho e de seu compromisso ético,
fortalecer a ação educativa e evangelizadora
para alavancar a promoção e a cultura da paz.
Ora, é preciso crescer na conscientização
acerca da negação de direitos como causa de
violência. A superação da violência
é, pois, uma tarefa prioritária na sociedade
brasileira. Esta tarefa não será realizada e
suas metas não serão alcançadas sem o
comprometimento efetivo de todos os segmentos da sociedade
brasileira. Bem assim, não se mantém num ritmo
adequado às exigências e demandas faltando uma
iluminação ética incidente e interpeladora.
Esta
iluminação ética a Igreja Católica
tem como oferta, depositária que é do mandato
do seu Senhor para o anúncio do Evangelho. Se é
verdade que a segurança pública é dever
do Estado, também é direito e responsabilidade
de todos. Todas as pessoas aspiram por segurança e
estão preocupadas com o problema da falta de segurança
pública manifestada na violência no trânsito,
no tráfico de drogas, nos cárceres, no tráfico
de armas e de pessoas, nas desigualdades sociais, na miséria
e na fome, na corrupção. Ao promover a Campanha
da Fraternidade 2009 a Igreja Católica se engaja e
trabalha para convencer a sociedade inteira acerca da convicção
de que a cultura da paz é o maior patrimônio
de uma sociedade e que sua conquista não depende apenas
e não se resume em discursos ou mesmo só em
conjunto de propostas. Na verdade, é um investimento
maciço numa mentalidade que determine e modifique o
modo de pensar e agir das pessoas. Na verdade, é uma
cultura. Este é o compromisso de uma Igreja perita
em humanidade! |