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PAZ E COMPROMISSOS

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

"Felizes os que promovem a paz”! Jesus, na sua inigualável maestria, no Sermão da Montanha, capítulos 5-7, narra o evangelista Mateus, definiu o caminho da felicidade duradoura como o exercício de construção da paz. Seus discípulos se tornam autênticos na medida em que se fazem instrumentos da paz. Ser instrumento na construção da paz é um compromisso insubstituível na experiência do discipulado, e também na vivência da cidadania. Este compromisso inspira a conhecida oração de São Francisco com a súplica: “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz”! Esta súplica tem força para unir corações e intercambiar dinâmicas culturais diferentes na construção da paz. A construção da paz é um exercício permanente. Parar de exercitar-se nesta construção é um grande risco. Não são poucos os prejuízos contabilizados. Na compreensão de si mesmo como instrumento na construção da paz, cada pessoa tem que ter presente que a paz é um dom e mais do que um projeto humano. A paz é primeiramente um atributo essencial de Deus. O relacionamento de cada ser humano com Deus é o fundamento verdadeiro da paz.

A construção da paz implica numa retidão indispensável na conduta pessoal. A Doutrina Social da Igreja Católica entende, por isso, que a paz é um valor e um dever universal. Consequentemente, a paz é fruto da justiça [Isaías 32,17], enquanto respeito ao equilíbrio de todas as dimensões da pessoa humana. A paz corre perigo, portanto, quando ao homem não lhe é reconhecido o que lhe é devido enquanto homem, quando não é respeitada a sua dignidade e quando a convivência não é orientada ao bem comum, assinala a Doutrina Social. Assim como é fruto da justiça, a paz é fruto também do amor. Justiça e amor, transformado em compromisso caritativo, são pilares insubstituíveis na construção da paz. A justiça e o amor iluminam a realidade contemporânea exigindo compromissos nesta construção da paz. O Papa Bento XVI, na sua mensagem para o dia mundial da paz, 2009, apontou também alguns outros compromissos inadiáveis que precisam ser assumidos de maneira mais decisiva. Além do tratamento adequado, menos manipulado e egoísta, das pandemias, o Santo Padre lembra que no combate à pobreza, como alavanca da construção da paz, é a consideração da situação das crianças.

Este é um compromisso moral relevante. Ele observa que quando a pobreza atinge uma família, as crianças são as vítimas mais vulneráveis. Atualmente, metade dos que vivem em pobreza absoluta é de crianças. Há de cortar o coração pensar este quadro desolador da realidade contemporânea. Assim, são urgências as garantias de cuidados maternos adequados, a educação, o acesso às vacinas, cuidados médicos, água potável, o empenho para a defesa da família e sua estabilidade nas relações internas. Outro compromisso na construção da paz é apontado na consideração da relação existente entre o desarmamento e o progresso. As despesas militares exorbitantes têm se tornado razão de grande preocupação. É incontestável que o custo material e humano das despesas militares tem comprometido os projetos de desenvolvimento dos povos. O Papa relembra que a Carta das Nações Unidas, art. 26, estipula que a comunidade internacional e cada um dos Estados se empenhem em “promover o estabelecimento e a manutenção da paz e da segurança internacional com o mínimo de dispêndio dos recursos humanos e econômicos mundiais para o armamento”.

A corrida armamentista tem sido um problema sério trazendo comprometimentos como instabilidade, tensão, conflito, além da perpetuação de subdesenvolvimento e desesperos. É urgente o compromisso de tomar providências para que se reduzam as despesas com armamentos. Esta diminuição se relaciona com o compromisso de propor soluções para os conflitos que são frutos de injustiças e de falta de autocrítica por parte dos Estados e de grupos. Não menos importante, acentua também o Santo Padre Bento XVI, em sua mensagem, na luta contra a pobreza, é o enfrentamento e solução para a atual crise alimentar. Nesta crise o problema não é só a falta de alimento, mas também a dificuldade de acesso a ele. A má nutrição é uma questão muito séria no andamento da vida social contemporânea. São gravíssimos os danos psicofísicos nas populações privando as pessoas da força indispensável para lutar contra a pobreza.

A construção da paz tem como tarefa diminuir o vergonhoso fosso entre ricos e pobres que cresceu assustadoramente nos últimos decênios, em detrimento do crescimento econômico e dos avanços tecnológicos. Esta crise econômica atual precisa desafiar a humanidade, particularmente os governantes e construtores da sociedade pluralista, na intuição de um modelo novo de convencia social e política, organizacional e produtiva.

 
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