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A comemoração dos fiéis defuntos leva
aos cemitérios de todo o mundo uma multidão.
Vão os que crêem e, também, os incrédulos,
para reverenciar seus mortos e, quem tem fé, por eles
rezar. Desde o início da Igreja os cristãos
costumavam visitar os túmulos de seus mortos, muitos,
mártires da Fé e na mais remota Antigüidade,
durante todo o ano, há ofícios fúnebres,
missas exéquias e outras simples celebrações
religiosas, recordando na prece os que nos antecederam na
casa do Pai.
Nós
lembramos nossos parentes e amigos falecidos normalmente no
dia em que foram chamados para o céu. Porém,
há uma outra data, a de 2 de novembro, que vigora em
muitas partes do mundo, independentemente de crença
religiosa.
O
Dia de Finados teve início na Abadia de Cluny, França,
no ano 998. O então abade Santo Odilon, no dia seguinte
à Festa de Todos os Santos, 1º de novembro, estabeleceu
uma ''Comemoração
dos Fiéis Defuntos''. Por ocasião
do primeiro milênio desse fato, em 1998, o Papa João
Paulo II enviou uma Mensagem, com data de 2 de junho daquele
mesmo ano, dirigida ao Bispo de Autun, Châlon e Mâcon,
que acumula também o título de Abade de Cluny,
em honra desta grande Abadia, assim resumida: ''Orando pelos
mortos, a Igreja contempla, antes de tudo, o mistério
da Ressurreição de Cristo, que nos obtém
a vida eterna''. A partir dessa Abadia, difundiu-se, pouco
a pouco, por todo o universo o costume de, nessa data, interceder
junto a Deus, solenemente, pelos defuntos ou homenageá-los.
Santo Odilon chamou esse evento a ''Festa dos Mortos''.
Diz
o ''Catecismo da Igreja Católica''
(nº 2635): ''Interceder, pedir em favor
de outro, desde Abraão, é próprio de
um coração que está em consonância
com a misericórdia de Deus. No tempo da Igreja, a intercessão
cristã participa da de Cristo: é a expressão
da comunhão dos santos! São Paulo assim exortava
os Filipenses (2,3-5): ''Nada
façais por espírito de partido ou vanglória,
mas com humildade, considerando os outros superiores a vós
mesmos''. O Dia de Finados, a visita aos túmulos
de nossos entes queridos, a assistência à Santa
Missa, as orações pelos mortos, de maneira particular
nossos benfeitores, oferecem-nos a oportunidade de interceder
por eles e, ao mesmo tempo, em nossas necessidades, socorrer-nos
por intermédio dos amigos que já estão
na casa do Pai.
A
Comemoração Universal dos Mortos nos adverte
contra qualquer forma de reencarnação. A crença
católica é clara. Lemos em Hebreus (9,27):
''É um fato que os homens
devem morrer uma só vez, depois do que vem o julgamento''.
O Concílio Vaticano II, na Constituição
Dogmática ''Lumen Gentium''
(nº 48) é categórico:
''Vigiemos constantemente, a
fim de que no termo de nossa vida sobre a terra, que é
só uma, mereçamos entrar com Ele para o banquete
(...) e ser contados entre os eleitos''.
A
idéia de existências sucessivas faz parte de
algumas religiões orientais, como o hinduismo e o budismo,
estando presente também na Grécia. Nos tempos
modernos, é defendida em muitos ambientes. A doutrina
cristã sobre o assunto é matéria de Fé.
A obra divina da salvação dos homens tem valor
infinito. Não necessita de repetição
da vida humana para alcançar a salvação,
oferecida a todos por Cristo, no Calvário. O Concílio
(''Gaudium et Spes'', 18) reconhece: ''Diante
da morte, o enigma da condição humana atinge
o clímax''. O que é impossível
compreender pela razão, limitada, torna-se claro à
luz da Fé. Cristo, na cruz, venceu a morte. O fim terreno
do ser humano se transforma em uma eternidade feliz.
A
Constituição Pastoral ''Gaudium
et Spes'' é clara: ''Para
qualquer homem que reflete, apresentada com argumentos sólidos,
a Fé dá resposta à sua angústia
sobre a sorte futura'' (idem).
Há uma expressão de Santa Teresinha do Menino
Jesus de uma extraordinária eloqüência e
valor: ''Eu não morro,
entro na vida''.
Na
sua Mensagem por motivo da Comemoração dos Defuntos,
o Papa João Paulo II diz: ''Para
as almas do purgatório, a espera da felicidade eterna,
do encontro com o Bem-Amado, é fonte de sofrimentos
por causa da pena devida ao pecado, que mantém longe
de Deus'' (nº 4). A
nós que ainda não fomos chamados pelo Pai, resta
a certeza de que, terminado o tempo da purificação
no purgatório, dar-se-á nosso encontro definitivo
com Deus. Além dessa verdade, uma outra deve ser recordada
no Dia de Finados: é a possibilidade de ajudar nossos
mortos.
Diz
o Concílio de Trento (Decreto sobre o Purgatório):
''A Igreja acredita que as almas
que estão retidas no purgatório ''são
ajudadas pela intercessão dos fiéis e sobretudo
pelo sacrifício propiciatório do altar''.
O Santo Padre João Paulo II tem, nessa matéria,
uma palavra de estímulo: ''Encorajo,
pois, os católicos a orarem com fervor pelos defuntos,
por aqueles das suas famílias e por todos os nossos
irmãos e irmãs que morreram, a fim de obterem
a remissão das penas devidas aos seus pecados e ouvirem
o apelo do Senhor: ''Vem (...) ao repouso eterno''.
São
Paulo (I Tessalonicense 4,14): ''Se
cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também
os que morreram em Jesus, Deus há de levá-los
em sua companhia''. A certeza da morte é
indiscutível. O ser humano se interessa sobre seu futuro
após a existência terrena. Essa realidade, à
qual ninguém pode fugir, reduz a uma dimensão
extraordinariamente curta todos os bens terrenos. Em sua busca,
muitos lutam com ardor, deixam de lado os valores eternos,
quando somente estes podem trazer a verdadeira felicidade
ao coração do homem, ainda aqui na terra.
O
silêncio dos sepulcros nos fala de modo eloqüente,
da vida agitada, do ruído das festas pecaminosas, do
ardor das paixões que ofendem a lei de Deus. Tudo passou
tão rápido! A eternidade, porém, jamais
termina.
Essas considerações por ocasião de Finados,
quando iluminadas pela luz da Fé suscitam em nós
algo de fundamental: a esperança, que traz a certeza
de que temos um Pai que tudo sabe e tudo pode. Através
da realidade da morte, Ele nos fala, convidando-nos a uma
vida cristã, consciente e fecunda.
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