A
Campanha da Fraternidade de 2008 já tem tema: “Fraternidade
e defesa da vida”; e o lema é:
“Escolhe, pois, a vida”.
Este tema assume importância sempre maior no Brasil
e no mundo em vista das ameaças e agressões
constantes à vida, o bem mais importante e precioso
sobre a face da terra.
Nas suas múltiplas formas e manifestações,
a vida é um bem impagável e indisponível;
cada ser vivo manifesta, à sua maneira, a sabedoria
e a insondável providência de Deus Criador.
Não criamos a vida, mas temos o tremendo poder de
destruí-la; e a destruição da vida
pelo descuido e a imprudência humanas, ou pela ganância
sistemática e cega, é ofensa ao Criador. Muitas
formas de agressão ao ambiente, bem como a interferência
leviana na natureza dos organismos vivos, coloca em sério
risco a existência da muitos seres vivos, vegetais
ou animais. Vem ao caso de perguntar: que tipo de mundo
e ambiente estamos preparando para as gerações
que virão depois de nós?!
Tratando-se da vida humana, as questões tornam-se
ainda mais preocupantes. A pobreza extrema e a falta de
políticas sociais adequadas deixam a vida humana
exposta a situações de risco e precariedade.
A violência endêmica e o crime organizado ceifam
numerosas vidas humanas, lamentavelmente, muitas delas,
em plena flor da juventude! Submetida à lógica
do mercado e da vantagem econômica, a vida humana
acaba valendo muito pouco. A degradação ambiental,
a contaminação e poluição das
águas e do ar, em conseqüência de políticas
econômicas irresponsáveis, desencadeiam mecanismos
que põem em risco a própria sobrevivência
da vida no nosso planeta.
É
impressionante o número de abortos clandestinos realizados
todos os anos no Brasil. São seres humanos inocentes
e indefesos rejeitados, aos quais é negada a participação
no banquete da vida. E com os abortos clandestinos, tantas
mulheres também perdem a vida, em conseqüência
de abortos mal-feitos. Legalizar o aborto seria a solução,
para salvar a vida de muitas mulheres? É o que alguns
pretendem. Mas essa solução seria trágica,
cruel e imoral, pois ambas as vidas são preciosas,
tanto mais, quanto menos culpa têm a pagar. A vida
da mãe e do filho precisa ser preservada. A solução
é a educação para a maior valorização
da vida humana e para comportamentos sexuais conseqüentes
com a grande responsabilidade de transmitir a vida a um
novo ser humano.
Ameaça não menos preocupante para a vida humana
é a pretensão de legalizar a eutanásia,
uma intervenção intencional e direta para
suprimir a vida humana. O ser humano, desde o início
da história, sempre teve a tentação
de se tornar senhor absoluto da vida e da morte; claro,
é pretensão dos fortes sobre os mais fracos.
E isso não lhe trouxe nada de bom. Só Deus
é senhor da vida, porque só ele é capaz
de chamar do nada à existência e de dar plenitude
à vida humana. Por isso escreveu no coração
do homem esta ordem: “não
matarás!”
Proteger, defender e promover a vida é tarefa primordial
do Estado, sobretudo a vida indefesa e frágil, como
a dos seres humanos ainda não-nascidos, das crianças,
idosos, pobres, doentes ou pessoas com deficiência.
É ação política por excelência,
que não poderá orientar-se pela lógica
do “salve-se quem puder”,
que só beneficiaria os mais fortes; ela requer o
envolvimento solidário de todos os cidadãos.
A defesa da vida e da dignidade dos outros seres humanos
contra toda forma de agressão, prepotência
ou aviltamento interessa a toda a família humana;
é manifestação suprema de fraternidade.
O lema – “Escolhe,
pois, a vida” (Deuteronômio
30,19b) – é tomado do livro do Deuteronômio.
O povo hebreu, beneficiado pela ação libertadora
e salvadora do Deus da vida, é colocado por Moisés
diante da grave alternativa: escolher a vida e um futuro
esperançoso para si e seus descendentes, permanecendo
fiel aos mandamentos de Deus, ou escolher a morte, andando
por caminhos de idolatria e servindo a “deuses”
fabricados para a própria conveniência. Isso
vale para a globalidade das decisões humanas: nossas
escolhas têm conseqüências sobre a vida
e o futuro. A escolha livre e responsável do respeito
aos mandamentos de Deus e do seu desígnio de vida
significa bênção, esperança,
futuro. O desprezo ao desígnio do Deus da vida e
seus mandamentos traz a desgraça, a morte.
Esta é a grande questão posta pela Campanha
da Fraternidade de 2008, que será ocasião
para refletir sobre a complexa problemática que atinge
a vida sobre a terra, em especial, a vida humana. Está
em jogo o futuro da vida na Terra, nossa casa comum, e de
todos os seus habitantes. Uma solução responsável
só poderá ser solidária e fraterna,
no pleno respeito ao desígnio de Deus Criador e Senhor
da vida.