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FINADOS: História

Finados, ou, no calendário civil, Dia dos fiéis defuntos, Dia dos mortos é celebrado pela Igreja Católica no dia 2 de Novembro, logo a seguir ao dia de Todos-os-Santos.

Desde o século II, os cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. No século V, a Igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava. Também o abade de Cluny, santo Odilon, em 998 pedia aos monges que orassem pelos mortos. Desde o século XI os Papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) obrigam a comunidade a dedicar um dia aos mortos. No século XIII esse dia anual passa a ser comemorado em 2 de novembro, porque 1 de novembro é a Festa de Todos os Santos.

História

Os latinos, que pastoreavam seus rebanhos sobre as sete colinas, em cujo vale mais tarde se fundou Roma, prestavam culto aos seus antepassados mortos, fazendo rituais particulares ou em festivais especiais, nos cemitérios. Os cristãos, seguidores dos ensinamentos de Cristo, não se relacionavam com os mortos, crendo na ressurreição corpórea no dia de juízo para toda a humanidade, mas rejeitando qualquer doutrina que implicasse em imortalidade da alma, como os adoradores de ídolos criam. Para os cristãos, os mortos eram como trata em Eclesiastes 9,5 e 10, sem qualquer consciência, inexistindo completamente até o dia do juízo final. Portanto, não poderiam estar no inferno, ou em qualquer dimenssão que implicasse algum tipo de consciência, sendo que no conceito judaico de Cristo sobre o ades ou seol o inferno nada mais é do que a cova e a extinção instantânea da vida passando subtamente para à inexistência completa, primeiro da consciência e depois da matéria, que volta ao estado original da terra, reverso do processo de criação, como em Gênesis 2,7.

Com a fusão da Igreja cristã ao Estado romano, no ano 321, quando da "conversão" ao cristianismo de Constantino Magno, então imperador romano, os cristãos fizeram concessões à doutrina pagã romana herdada dos latinos e da variedade de povos e cultos de Roma, pelo que cessariam as perseguições e a religião cristã se tornaria a religião oficial do Estado romano. Muitas das crenças obscuras do politeísmo romano foram cunhadas na religião cristã, entre elas, a crença no mundo dos mortos, trazendo daí a idéia de purgatório, de inferno e de paraíso em esferas espirituais. Assim, os cristãos tornaram-se supersticiosos como os romanos, adotando o costume de falar com os antepassados mortos junto a túmulos, como se vê ainda hoje, levando-lhes comida, flores e acendendo velas; contando-lhes suas vidas, pedindo atendimento, intercessão e favores, além de orar por eles e dedicar-lhe também um dia grande, o Dia de Finados, como no primitivo ritual e festival latino.

Eclesiastes 9,5 e 10 - Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento. Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol. Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.

 
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