"A
fim de que o Dia Mundial das Missões seja ocasião
propícia para suscitar uma consciência missionária
cada vez mais profunda em cada um dos batizados."
Comentário
da intençãomissionária indicada peloPapa,
aos cuidados do
Pe. Vito Del Prete, Pime, Secretário-Geral da Pontifícia
União Missionária (PUM)

O
Dia Mundial das Missões 2007 tem por tema: “Todas
as Igrejas para o mundo inteiro”.
Com este slogan, o Papa Bento XVI “convida
as Igrejas locais de cada Continente a uma partilhada consciência
sobre a urgente necessidade de relançar a ação
missionária perante os numerosos e graves desafios
do nosso tempo” (Bento
XVI, Mensagempara o Dia Mundial das Missões 2007).
Pretende, ao mesmo tempo, relançar e dar nova identidade
aos padres e aos leigos "fidei
donum", o novo sujeito missionário,
que é a expressão mais compreensível,
imediata e eficaz da responsabilidade da Missão "ad
gentes", que todas as Igrejas particulares
têm. Aquilo que torna esta mensagem particularmente
eficaz e compreensível é a consciência
adquirida de que a Igreja é, por sua natureza, missionária.
A
Igreja existe para a humanidade. Como comunidade convocada
pela Trindade, esta é o sinal ou sacramento da humanidade
salva (o povo santo de Deus, um reino de sacerdotes),
que deve testemunhar e proclamar a salvação
de Deus (povo de profetas).
É
toda a Igreja santa que é consagrada à Missão.
É uma Igreja que reza, é uma Igreja que anuncia,
é uma Igreja que interpreta e, à luz do seu
Senhor, insere-se no decorrer da história. Todas
as Igrejas são para a evangelização
de todo o mundo. À Igreja, a todas as Igrejas, e
a todos na Igreja, foi confiada a tarefa de evangelizar
os gentios até os extremos confins da terra.
Todas
as Igrejas: o mundo inteiro. Trata-se da universalidade
da Missão que Cristo confiou à sua comunidade
de discípulos: universalidade dos sujeitos missionários
e universalidade dos destinatários da evangelização.
No fundo, a mensagem do Papa reitera que toda a Igreja e
todas as Igrejas têm como sua tarefa prioritária,
absoluta, justificante de sua existência e de sua
atividade, somente isso: ir e anunciar o Reino de Deus,
vindo em Cristo, Salvador do Mundo, em um modelo de comunhão
missionária entre as Igrejas espalhadas entre os
povos do globo. É toda a Igreja em suas presenças
culturais e históricas que deve erguer casa entre
as pessoas.
Esta
Missão tem por modelo, metodologia e caminho a comunhão
entre as Igrejas, na unidade do Corpo Místico de
Cristo. A Missão é assunto de todas as comunidades,
que como receptáculos comunicantes compartilham pessoas
e recursos para a única Missão universal.
Todas as Igrejas juntos em Missão.
Pio
XII, com a encíclica Fidei Donum, da qual
neste ano celebramos os 50 anos da publicação,
criou um novo sujeito missionário eclesial e, assim,
abriu nova fase na história missionária. Afirmava
claramente que toda a Igreja e todas as Igrejas devem participar
da Missão universal e, portanto, é seu dever
enviar os próprios membros a outras Igrejas para
a Missão evangelizadora. Nesses 50 anos, todas as
Igrejas, aquelas de antiga e de recente fundação,
continuaram a enviar seus padres diocesanos e leigos, primeiramente
às Igrejas-irmãs na África, depois
na América Latina e na Ásia, para a Missão
"ad gentes",
para a nova evangelização, ou simplesmente
para ir ao encontro das Igrejas mais pobres.
Porém,
devemos constatar nas Igrejas de antiga fundação
uma queda aguda de vocações presbiterais missionárias
e uma diminuição dos "fidei
donum", desafio com o qual é
preciso se confrontar, dizia o Papa Bento XVI aos participantes
do Congresso Mundial dos "Fidei
Donum", organizado pela Pontifícia
União Missionária, realizado em Roma, em maio
deste ano.
As
dioceses, especialmente as antigas, sentem-se como fortalezas
assediadas, encerram as próprias fileiras, contam-se,
organizam-se da melhor maneira, para bloquear o dessangramento
das próprias comunidades cristãs. “Estas
Igrejas correm o risco de se fecharem em si mesmas, de olhar
com pouca esperança para o futuro e de diminuir o
seu esforço missionário. Mas",
continua Bento XVI, "é
precisamente este o momento de se abrir com confiança
à Providência de Deus, que jamais abandona
o Seu povo e que, com o poder do Espírito Santo,
guia-o para o cumprimento do seu desígnio eterno
de salvação” (Mensagempara
o Dia Mundial das Missões 2007).
A
experiência eclesial, com efeito, diz-nos que o único
remédio para dar novamente vitalidade às comunidades
cristãs é a Missão "ad
gentes". Reaviva-se a fé, doando-a.
Se uma diocese, uma comunidade cristã, não
se colocar a caminho no rastro da evangelização,
elas estão e permanecerão em crise de fé.
Nos 50 anos da encíclica Fidei Donum, e diante da
urgência da evangelização, rezemos,
a fim de que todas as Igrejas façam própria
aquela expressão usada na 3ª Conferência
Geral do Episcopado Latino-Americano, em Puebla (México),
1979: “É verdade
que nós mesmos necessitamos de missionários,
mas devemos dar da nossa pobreza”.