A
cada ano, a CNBB promove a Semana Nacional da Família,
no Brasil, cujo início coincide com o Dia dos Pais.
À luz do tema “Espiritualidade
familiar: encontro com Deus e com o próximo”,
este ano, o objetivo é “Evangelizar
pela Família e para a Vida”.
O subsídio “Hora da Família” apresenta
sub-temas que contribuem para as reflexões e momentos
de oração que estão contemplados nas
programações das paróquias e grupos
que se reúnem nesta Semana: Deus é amor, o
Mistério Pascal e a Espiritualidade Familiar, Família:
Lugar privilegiado de encontro com Deus, a experiência
do Amor de Deus no convívio familiar, a necessidade
de rezar sempre, a Eucaristia: fonte e ápice da espiritualidade
familiar. A Semana Nacional da Família enfatiza a
necessidade de cada família vivenciar essas duas
experiências de sua espiritualidade: o encontro com
Deus e o encontro com o próximo.
A
vida em família deve estimular o “encontro
com Deus”, fonte primeira da formação
religiosa. De fato, a família é um espaço
privilegiado para criar um clima de união com Deus.
Com efeito, as primeiras experiências de Deus têm
linguagem e rosto infantil, quando as famílias cultivam
os valores cristãos da oração, da espiritualidade
e da prática sacramental, alimentada, de maneira
especial, na comunidade paroquial. São facilmente
visíveis a espontaneidade e a simplicidade da criança,
nas formas como manifesta a sua espiritualidade; o adolescente
e o jovem, de conformidade com os estímulos, a indiferença
ou a omissão da família e da comunidade paroquial
aprofundam a prática religiosa, relegam-na a um segundo
plano ou excluem-na de sua vida. A realidade pastoral em
nossas paróquias registra isso em suas estatísticas,
com muita evidência.
A
Igreja, igualmente, reconhece e proclama a importância
da família como espaço para promover o encontro
“com o próximo”.
Mais do que um elemento de formação social
e de educação cidadã, o encontro “com
o próximo” acontece por razões
de fé, por exigência de observância do
mandamento do “amor
ao próximo”. O mandamento do
amor a Deus exige o amor ao próximo, sob pena de
esvaziar-se, na medida em que se restrinja ao cumprimento
de ritos formais e gere uma fé vã. O amor
ao próximo começa pelo reconhecimento de sua
dignidade que se desdobra numa atitude de respeito e de
reconhecimento de seus direitos. A prática religiosa,
necessariamente, levará em consideração
o próximo que é objeto do amor misericordioso
de Deus e, na mesma linha, deve ser objeto de nossa comunhão
fraterna. O próximo a ser identificado primeiramente,
para ser objeto de nosso amor, é aquele que se encontra
no interior da própria família. É muito
comum não estarmos atentos a essa exigência
de nosso amor ao próximo. Quantas vezes, nos revelamos
muito simpáticos com os amigos, sempre compreensivos
com os estranhos e extremamente intolerantes com os membros
da família.
“Evangelizar
pela Família e para a Vida”:
eis o que pretende a Semana Nacional da Família!
A família é espaço de missão.
Um olhar sociológico sobre a família identifica
um perfil bastante diversificado, em nossos dias, diferentemente
de tempos não muito distantes, em que o caráter
monogâmico e o modelo patriarcal predominavam na sociedade.
Um olhar pastoral suscita iniciativas que se colocam a serviço
da evangelização da família, através
da própria família que, por natureza, é
missionária. Evangelização da família,
em defesa da vida. Vida que hoje, em determinados ambientes,
é um valor descartado por desumanos procedimentos
individuais, muitos deles, inclusive, apoiados por dispositivos
de legislações nacionais.