| "Maria,
Maria..." São tantas ‘Marias’.
De modo especial, no Dia Internacional da Mulher, não
podemos deixar de mencionar um fenômeno curioso: são
tantas as ‘Marias’ que migram. Segundo dados ONU
(Organização das Nações Unidas),
mais de 90 milhões de mulheres residem fora de seu
país de origem. Dados do ACNUR (Alto Comissariado das
Nações Unidas para Refugiados) apontam ainda
que 75% das pessoas refugiadas no mundo são mulheres
e crianças. No mundo que se move em busca de melhores
alternativas de vida, são as mulheres as protagonistas.
Isso em meio a muitas dificuldades: discriminação,
xenofobia, racismo, exploração sexual, violência,
etc.
A
luta por dignidade ultrapassa fronteiras. Se é preocupante
esse quadro e urgente que os governos se empenhem na implementação
de políticas públicas para os migrantes, também
é indispensável que essa peculiaridade do fenômeno
migratório seja considerada. Se existe empenho e disposição
da Igreja em sua ação pastoral em prestar apoio
aos migrantes e refugiados para que sejam acolhidos e integrados
às sociedades locais, é imprescindível
atentar para as singularidades, não só de gênero,
mas de etnia, cultura e religião.
Nesse
dia em que o mundo volta seu olhar mais atentamente às
históricas bandeiras de luta das mulheres, rendendo-se
à necessidade de reconhecer a força criativa
e geradora de vida da mulher no processo de construção
da vida em sociedade (político, econômico, social,
cultural, religioso), rendemos especial homenagem às
migrantes e refugiadas. Essas ‘Marias’ que andam,
andam, e andam pelo mundo, rompem fronteiras não só
geográficas e no seu peregrinar, em meio às
"dores do parto" de uma nova configuração
social mundial, anunciam a nós e aos filhos que muitas
vezes carregam nos braços que estamos diante de uma
nova perspectiva de pertença a essa ‘terra’.
Ou no dizer do poeta, "é preciso ter força,
é preciso ter graça, é preciso ter gana
sempre. Quem traz no corpo essa marca, possui a estranha mania
de ter FÉ NA VIDA!" (Milton Nascimento). |