Com
essa campanha, a CNBB pretende suscitar um debate sobre
a questão da Amazônia na sociedade brasileira
no horizonte das exigências éticas da justiça,
do respeito à vida, da solidariedade e da fraternidade.
“A idéia é trazer a Amazônia mais
parte dentro dos corações de todos os brasileiros
e desperte iniciativas e ações eficazes de
valorização e defesa daquela vasta e ameaçada
região, antes que seja tarde demais”, afirma
o secretário-geral da CNBB, dom Odilo Pedro Scherer,
no texto-base da campanha.
Dom
Scherer diz ainda que o egoísmo e a ganância
na exploração das riquezas, assim como o descuido
e a imprudência, ameaçam seriamente patrimônio
natural da Amazônia. “A devastação
da Amazônia representa uma ameaça e uma perda
para toda a humanidade”. Segundo o bispo, a campanha
foi idealizada com base no clamor dos povos da região
e da necessidade de uma grande ação solidária
de toda a Igreja para a evangelização das
Amazônia.
A
CNBB quer, com essa campanha, despertar as pessoas para
que elas conheçam, apreciem e respeitem a vida que
a Amazônia guarda: seus povos, sua biodiversidade,
sua beleza. Também quer que a sociedade brasileira
repense, a partir da realidade amazônica, o modelo
de desenvolvimento para o País e busque construir
uma sempre renovada relação de acolhimento,
respeito e cuidado com todas as pessoas e com a natureza,
“lutando, com firmeza, contra todas as formas de morte,
em defesa da vida, sobre tudo a dos mais fracos”.
Amazônia
está em jogo
O
texto-base faz uma defesa intransigente da soberania da
Amazônia. E conclama os brasileiros a defenderem a
riqueza da biodiversidade, a abundância das águas,
a grande quantidade de terras, a fartura de madeira e os
minérios estratégicos no subsolo da região,
causas do interesse e da cobiça internacional.
A
CNBB defende, no texto, a necessidade de criação
de uma frente pan-amazônica para promover e globalizar
a defesa dos povos e do patrimônio natural e cultural
da Amazônia. A entidade diz que somente com essa união
será possível contrapor-se à cobiça
destruidora do mercado presente em empresas e grupos nacionais
e transnacionais que pretendem intervir na Amazônia.
Hoje, empresas do Amazonas exportam água da região
para a Europa e Orinete Médio.
A
devastação da Amazônia é outro
destaque no documento da Campanha da Fraternidade 2007.
Ele lembra, por exemplo, que a Amazônia é um
fator de equilíbrio essencial para todo o planeta
e que a vida da região tem a ver com a qualidade
de vida global da Terra. “Por isso, é necessário,
por um lado, resistir ao processo de devastação.
E, por outro, denunciar o discurso conservacionistas dos
que, ao querer salvaguardar a Amazônia, só
desejam garantir seus interesses e sua qualidade de vida”.
E
nesse aspecto, a CNBB propõe que as políticas
ambientais, econômicas e sociais tenham, como primeiro
e mais importante objetivo, a vida com qualidade das populações
tradicionais e as demais categorias exploradas que vivem
na Amazônia. A campanha ainda defende um estudo aprofundado
dos conhecimentos e dos saberes dos povos tradicionais,
imprescindíveis para forjar uma consciência
crítica da Amazônia. “Esse conhecimento,
porém, não pode tomar a forma de monopólio
do saber, de patentes surrupiadas, manipulação
folclórica e violência cultural”.
Desinformação
e preconceito
Em
seu texto-base, a Campanha da Fraternidade condena a desinformação
e o preconceito da sociedade em relação aos
povos e ao mundo da Amazônia. “Os povos da Amazônia
não são que vivem no atraso e na ignorância”,
destaca. Para Dom Odilo Scherer, a percepção
do significado histórico be simbólico da Amazônia
pode levar-nos a descobrir, junto com seus povos, uma visão
mais humana e generosa da vida. “O modo de vida dos
povos da Amazônia pode ser um parâmetro para
o mundo todo”, afirma.
Ainda de acordo com o documento, o exemplo de vida dos povos
das Amazônia é um convite para que as pessoas
mudem seus estilos de vida. “Cada uma e todas as pessoas,
dentro das condições e no bioma (comunidade
biológica) em que vivem, precisam converter-se a
um estilo de vida baseado na simplicidade e na sobriedade,
no respeito e no cuidado para com a natureza, na valorização
do outro com parte imperativa de sua existência no
presente e no futuro das gerações”.
O texto ainda ressalta que o modo de vida dos povos da Amazônia
oferece um contraponto para uma reflexão sobre um
novo caminho para o Brasil e para a humanidade.