Alguns
temas que a Igreja está sugerindo para os vários
momentos deste ano deveriam merecer não apenas uma
celebração ou algumas reflexões durante
um tempo com grupos de nossas comunidades, mas um aprofundamento
maior e tomada de decisões concretas para que algo
possa ser mudado tanto em nossa mentalidade como na prática
diária de nossa vida.
Recordo o belo tema do dia Mundial da Paz: “Pessoa
humana: coração da paz”,
a preocupação com o Ecumenismo, manifestada
nesses dias da Semana de Oração pela unidade
dos cristãos na Europa, a Aula Magna sobre a presença
da reflexão sobre Deus na Universidade, dada durante
sua visita na Alemanha, só para recordar alguns momentos
do Papa Bento XVI, e no Brasil, o tema da nossa Campanha
da Fraternidade sobre a Amazônia, a próxima
Conferência do Episcopado Latino Americano e Caribenho,
e, nesta semana o tema sobre o Dia Mundial das Comunicações
Sociais.
No dia de São Francisco de Sales, patrono dos jornalistas
(a quem cumprimentamos pela comemoração),
dia 24 de janeiro, o Papa envia o texto do tema do Dia Mundial
das Comunicações Sociais. Esse é o
único dia que o Concílio Vaticano II pediu
para ser criado, no decreto sobre as Comunicações
Sociais, chamado “Inter
Mirifica”, pouco valorizado pelos
teólogos e estudiosos, mas que foi o impulso para
grandes outros documentos, reflexões e atitudes da
Igreja sobre a mídia em geral. Posteriormente, esse
dia foi fixado para uma data móvel: no Brasil cai
no dia da Ascensão do Senhor, neste ano, dia 20 de
maio.
É
costume comemorar esse dia com encontros com pessoal da
mídia em geral, celebrações, reflexões,
semanas de preparações e publicações.
Geralmente, o Pontifício Conselho para as Comunicações
Sociais envia textos que são reproduzidos para ajudar
a reflexão sobre o tema, que já é anunciado
na festa dos Arcanjos Miguel, Rafael e Gabriel (29
de setembro).
As datas são escolhidas com um direcionamento claro:
os Arcanjos, aqueles que levam grandes notícias;
São Francisco de Sales, patrono dos jornalistas pela
sua atuação com escritos e divulgação
das idéias em Genebra do seu tempo, e dia das Comunicações,
na Ascensão do Senhor, quando a Igreja é enviada
ao mundo inteiro para anunciar o Evangelho a toda criatura.
Com relação às Comunicações
Sociais, a Igreja tem avançado na reflexão
e orientações. Basta ver os últimos
documentos sobre o assunto produzidos pelo Servo de Deus,
o Papa João Paulo II, já discutindo sobre
a “Ética na Internet”
e também sobre o “Rápido
Desenvolvimento” desses meios.
Talvez não tenhamos ainda dado os passos necessários
para valorizar essas grandes invenções da
humanidade que, se bem utilizadas, podem ajudar-nos na construção
da “civilização do amor”! Todos
temos uma certa preocupação, outras vezes
temos as críticas, até mesmo ou muita vezes,
para dentro de nossas próprias instituições,
mas poucas atitudes concretas para que realmente algo maior
e melhor seja feito. É claro que muitas atitudes
nos entusiasmam, mas uma unidade maior e preocupações
com o futuro deveriam estar muito presentes em nossas pastorais.
O tema escolhido pelo Papa para este ano é desafiador
e merece um debate amplo em nossa sociedade, pois ultrapassa
também o âmbito dos meios de comunicação
social e vai também para a educação,
que é um tipo de comunicação: “As
crianças e os meios de comunicação
social: um desafio para a educação”.
Eu penso em tantas conversas com educadores, pais e formadores
sobre a influência da mídia na vida dos nossos
jovens, mais do que todo o tempo que passam em bancos escolares.
A tentativa da “educomunicação”
parece promissora e pode ser um bom caminho a ser trilhado.
Recorda o Papa em seu documento:
Diz
ainda: “formar-se no
uso apropriado dos meios de comunicação social
é essencial para o desenvolvimento cultural, moral
e espiritual das crianças”.
O Papa, nesse documento, recorda o papel relevante da família,
em especial o exemplo dos pais, nessa educação
que deve ser positiva, educando “pelos
caminhos da beleza, da verdade e da bondade”,
promovendo “a dignidade
humana fundamental, o valor genuíno do matrimônio
e da vida familiar, as conquistas e as finalidades positivas
da humanidade”.
Nesse documento reconhece-se também as “pressões
psicológicas e dilemas éticos particulares
que por vezes vêem a concorrência comercial
impelir os comunicadores para níveis mais baixos”.
E conclui: